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Mendonça homologa delação de 'Mineiro', operador dos repasses ao fundo de 'Dark Horse'

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HBPor Henrique Barros•10 de setembro de 2026•Fontes: G1, Agência Brasil, DW Brasil

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, no inquérito que apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo que financiou o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão está sob sigilo, informou o G1. A homologação foi confirmada também pela Agência Brasil e pela DW.

Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa apontada como responsável pelos repasses ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, a mando de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master; a Agência Brasil o descreve como doleiro. O acordo foi assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, depois de cerca de quatro meses de negociações. Na terça-feira (8), o empresário e seus advogados participaram de audiência com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, que perguntou se a adesão era voluntária. A resposta foi positiva, e a voluntariedade é justamente um dos requisitos para homologar uma delação.

O que a delação afirma

Na versão do colaborador, Mineiro era o homem que "gerava" dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Ele diz ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para o banqueiro e relata entregas em malas com valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, destinadas, segundo ele, ao pagamento de propinas. As demandas por dinheiro partiriam do próprio Vorcaro, do sócio Augusto Lima e, depois, do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. O empresário alega ainda ter feito pagamentos no exterior por meio de empresa sediada em Nassau, nas Bahamas, com base em faturas enviadas por Vorcaro, sem detalhar os beneficiários.

No capítulo que interessa ao inquérito do filme, o delator afirma ter feito sete repasses, a título de "subscrições de cotas", ao Havengate entre janeiro e setembro de 2025, num total de US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano. A previsão inicial era de cerca de US$ 24 milhões até janeiro de 2026, mas só as sete transações foram concluídas. Segundo a delação, os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência. O fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA; o delator entregou à PGR comprovantes das transferências e os e-mails trocados com Calixto. As afirmações constam da versão do colaborador e ainda não foram confirmadas por decisão judicial.

Linha do tempo

  • Janeiro a setembro de 2025: sete repasses ao fundo Havengate somam US$ 12,333 milhões, segundo a delação.
  • Janeiro de 2026: a segunda fase da Operação Compliance Zero atinge a gestora Reag, no âmbito do caso Master; o Banco Central decreta a liquidação da empresa.
  • 8 de agosto: Mineiro assina a delação com a PGR; a colaboração de João Carlos Mansur, dono da Reag, foi fechada no mesmo âmbito do caso Master.
  • 8 de setembro: audiência com juiz auxiliar de Mendonça confirma que o acordo é voluntário.
  • 9 de setembro: Mendonça homologa a delação, em decisão mantida sob sigilo.

Os citados rebatem as suspeitas. Flávio Bolsonaro afirma que o dinheiro de Vorcaro foi destinado integralmente à produção do filme, posição repetida à Agência Brasil. Sua assessoria disse ao G1 que as informações sobre o financiamento vêm da produtora Go Up, responsável pela obra e pela apresentação das contas. A Go Up contratou uma auditoria particular que, em junho, considerou regulares as contas de "Dark Horse", estrelado por Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, orçado em R$ 75 milhões e bancado pelo Havengate, sem tornar públicos os documentos. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. O advogado do delator, Marco Petrelluzzi, não comentou o caso, alegando o segredo de Justiça.

Com a homologação, os relatos de Mineiro podem ser usados como prova no inquérito. A Polícia Federal apura se toda a verba foi aplicada no filme, como sustentam o senador e a produtora, ou se parte custeou a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele mora desde fevereiro de 2025. Não há data definida para a próxima etapa da apuração, que corre sob sigilo. A DW observa que Mendonça enfrenta pressão para avançar no caso no meio da crise institucional que o opõe ao ministro Alexandre de Moraes, com desdobramentos sobre a PGR e a PF.

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