Um homem de 19 anos foi preso no Ceará suspeito de integrar a facção Comando Vermelho (CV) e de ameaçar candidatos para impedir a realização de campanhas eleitorais em Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. Ricardo Vasconcelos da Cruz foi localizado na quarta-feira (26) no Distrito de Cachoeira e autuado em flagrante, segundo o G1. Na quinta-feira (27), a Justiça Estadual manteve a prisão em audiência de custódia.
Cronologia do caso
- Quarta-feira (26): a Polícia Civil localiza e prende Ricardo no Distrito de Cachoeira, após identificar publicações com ameaças de cunho político em redes sociais;
- Quinta-feira (27): em audiência de custódia, a Justiça Estadual analisa o flagrante e mantém o investigado preso;
- Sexta-feira (28): a polícia informa que segue com o trabalho investigativo para identificar outros envolvidos.
Conforme a investigação, a ordem para as ameaças partiu de Johnathan Amaro Cabral, conhecido como "Bodó", apontado como chefe do Comando Vermelho e um dos criminosos mais procurados do Ceará. De acordo com a Polícia Civil, Bodó está foragido no Rio de Janeiro. O Diário do Nordeste informou que a prisão de Ricardo foi feita por policiais civis após um trabalho de inteligência.
Na unidade policial, o jovem foi autuado em flagrante por integrar organização criminosa e pela prática de ameaça no contexto político e eleitoral. Ao manter a prisão, o juiz responsável pela audiência de custódia afirmou que a conduta investigada "não se trata de mera ameaça individual ou de simples manifestação opinativa", pois atingiria diretamente "a paz pública, a segurança da coletividade e o exercício dos direitos políticos democráticos".
"A postagem trazia elementos visuais e linguagem corporativa diretamente alusivos à facção criminosa Comando Vermelho - CV (gesto número '2', emoji de bandeira vermelha e jargão 'diretoria'), ordenando a cessão compulsória do debate eleitoral sob explícita ameaça à vida e integridade física de correligionários e cidadãos locais", reforçou o juiz na decisão, segundo o G1.
O caso ocorre em meio a uma série de episódios de atuação de facções no período eleitoral cearense. O G1 noticiou que uma facção cobrou R$ 200 mil de aliados de um prefeito para permitir campanha em um município do estado e que uma operação policial contra a interferência do crime organizado nas eleições prendeu três vereadores. As reportagens publicadas até agora se baseiam na versão da polícia e nos registros judiciais; a defesa do investigado ainda não se manifestou publicamente.
Ricardo Vasconcelos da Cruz segue preso à disposição da Justiça, na condição de investigado, com direito à presunção de inocência. O próximo passo do caso é a continuidade da investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar outros envolvidos nas ameaças. Não há data divulgada para a conclusão do inquérito; encerrada a apuração, caberá ao Ministério Público avaliar a eventual denúncia.