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Mendonça e Fux não conseguem abrir cópia do celular de Vorcaro e pedem ajuda à PF

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HBPor Henrique Barros•19 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, G1

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux comunicaram à Polícia Federal, em ofícios enviados neste sábado (19), que não conseguiram acessar a cópia da íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero. Nos documentos, os dois pediram apoio técnico para examinar o material, de cerca de 500 gigabytes, entregue pela PF aos gabinetes na quinta-feira (17).

De acordo com a InfoMoney, cada ministro enviou um ofício separado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Os dois textos registram que os gabinetes não tiveram, até a tarde deste sábado, "acesso efetivo ao material ali contido". Apontam as mesmas hipóteses para o problema, "dificuldades de ordem técnica operacional" ou "algum tipo de defeito contido na mídia entregue", e afirmam que, por isso, os dados seguem indisponíveis para exame e análise. Os ministros pediram à PF "o auxílio técnico operacional necessário" e a conferência da "higidez do material especificamente entregue", com o objetivo de verificar a integridade da mídia.

Como o caso chegou até aqui

  • 18 de novembro de 2025: a PF apreende o celular de Vorcaro na primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no Banco Master. O aparelho é identificado nos ofícios pelo número de série e por dois códigos IMEI.
  • Revelações: mensagens extraídas do aparelho alimentam uma crise no STF. O material inclui conversas do investigado com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, e referências ao ministro Kassio Nunes Marques.
  • Distribuição: ministros do tribunal solicitam acesso ao material, e a PF entrega cópias da íntegra dos dados a gabinetes do STF. A última entrega, na quinta (17), foi para Fux e Mendonça, que haviam pedido o acesso.
  • Terça (15): em sessão, Mendonça afirmou que só naquele momento tomou conhecimento de referências a outros integrantes do tribunal no material, e que uma cópia de segurança recebida antes seguia lacrada, sem acesso, em seu gabinete.

Sobre quem já recebeu cópias, as apurações divergem. Segundo o g1, o material foi disponibilizado pela PF aos gabinetes de Mendonça, Fux, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques. A InfoMoney, citando o jornal O Globo, informa que a entrega de quinta elevou para cinco o número de ministros com o conteúdo: além de Fux e Mendonça, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já o haviam recebido diretamente da PF.

O que há no material

Segundo relatos feitos ao g1, os dados estão divididos em pastas com conversas, áudios e logs, os registros de atividades feitas no aparelho. A organização coube ao software de perícia IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que indexa as evidências e permite buscas por palavras-chave em conversas e documentos. Peritos também usaram ferramentas para recuperar dados apagados ou protegidos por senha e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos. Para dimensionar o volume, o g1 estima que os 500 GB comportam cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em MP3 e cerca de 40 horas de filmes em alta definição.

Até o fechamento desta reportagem, a PF não havia se manifestado publicamente sobre os ofícios. O próximo passo é a resposta da corporação, com o suporte técnico pedido pelos ministros e a verificação da integridade da mídia entregue aos dois gabinetes. Nenhuma das fontes menciona prazo para isso.

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