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Mendonça cita "rede de influência" de Vorcaro para justificar diligência à PF

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HBPor Henrique Barros•18 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, tmc.com.br, G1

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que determinou à Polícia Federal a identificação de pessoas mencionadas em relatórios sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para esclarecer quem integraria uma suposta rede de influência e monitoramento comandada por ele. A explicação foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, no fim da segunda-feira (14), à véspera da sessão em que o plenário começa a analisar o relatório da PF sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a CNN Brasil, o documento responde a um dos questionamentos de Fachin sobre a condução das investigações ligadas ao caso Master.

Mendonça supervisiona no STF os desdobramentos da Operação Compliance Zero, braço da apuração do caso Master. Em 24 de agosto, ele intimou pessoalmente, em seu gabinete, os delegados responsáveis pela investigação e lhes deu 72 horas para apresentar informações atualizadas sobre integrantes ainda não identificados da suposta organização criminosa. Um relatório produzido pela PF a pedido do ministro trouxe à tona mensagens e registros envolvendo Moraes e Vorcaro e deflagrou a atual crise entre os ministros. Fachin, então, deu prazo para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos antes da análise do material pelo plenário.

O que diz o despacho

Segundo o texto, ao qual a CNN Brasil e o portal TMC tiveram acesso, elementos obtidos a partir do celular de Vorcaro indicaram que o investigado teve acesso antecipado a informações sobre investigações em andamento que poderiam prejudicá-lo, inclusive apurações do Banco Central. Os dados também levantaram a hipótese de que ele buscava intervir junto a autoridades envolvidas nesses processos. Mendonça escreve que os elementos apontavam uma "verdadeira rede de monitoramento e influência", com potencial de infiltração em instituições públicas, e que, como a PF indicou que restavam integrantes sem identificação, cobrou dos delegados, em 72 horas, dados sobre a chamada "rede de influência e monitoramento". O ministro sustenta que a ordem não tinha o propósito de investigar autoridades da PF ou do Ministério Público.

O despacho, registrado na Petição 16.704/DF, explica ainda por que os delegados foram intimados presencialmente, em 24 de agosto, às 17h40. Um dos relatórios da PF mencionava Andrei Rodrigues e Paulo Gonet em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor ainda não identificado, depois reenviada pelo WhatsApp e reproduzida em documento da corporação. Diante das menções, afirmou o ministro, a medida foi adotada "por cautela", para preservar o sigilo e a conduta da investigação, "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja". Para Mendonça, era preciso preservar a higidez dos autos, com compartimentação das atividades de inteligência e de polícia judiciária.

Reta final antes da sessão

Do outro lado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) defende formalmente a anulação e o arquivamento do relatório da PF por supostos vícios formais: segundo o G1, o documento foi produzido a pedido de Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da própria polícia e sem aviso à Presidência do tribunal. Gonet é citado no relatório, e delegados da PF chegaram a pedir que ele se declarasse impedido de atuar nas apurações; a expectativa é de que participe da sessão. Moraes nega favorecimento a Vorcaro e já qualificou a investigação de "inconstitucional e ilegal".

O plenário se reúne nesta terça-feira (15), às 10h, em sessão extraordinária. Fachin, relator do caso, apresenta seu voto primeiro, após a manifestação da PGR. Entre as saídas em debate está declarar a nulidade do relatório por vício de origem e enviar os dados a um novo subprocurador-geral para avaliar a abertura de investigação formal. Interlocutores ouvidos pelo G1 estimam placar apertado, de 4 a 3, pela abertura de algum tipo de apuração sobre as mensagens; um eventual pedido de vista, com prazo regimental de 90 dias, empurraria o desfecho para fevereiro de 2027. Segue em aberto se Moraes e Mendonça podem votar. O ministro Dias Toffoli não deve votar, por ter se declarado suspeito em desdobramentos do caso Master.

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