O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira (25) se abre uma apuração sobre a possível prática de crime pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. A sessão extraordinária está marcada para as 10h, em Brasília. O ponto de partida são menções ao chefe do MPF em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o g1, o caso é inédito no Conselho.
De acordo com o g1, os nove conselheiros vão avaliar a atuação de Gonet na condução das investigações sobre o banco, na prisão de Vorcaro e no andamento das apurações ligadas ao Banco Master, e decidir se as referências ao procurador devem ser arquivadas ou se há elementos suficientes para aprofundar a análise. O Metrópoles detalha que o procedimento é uma notícia de fato sobre a conduta do PGR em processos no STF, em especial as petições 15.556/DF e 16.662/DF, que reúnem relatórios da Polícia Federal com mensagens de Vorcaro citando o nome de Gonet. O colegiado também discute se Gonet deveria ter se declarado suspeito ou impedido de atuar nos casos do Master.
O caso
As menções a Gonet se tornaram públicas em julho. Desde então, segundo o g1, o procurador-geral vinha reunindo apoio de subprocuradores e da base do MPF. O cenário mudou com a divulgação de uma foto de Gonet ao lado de Vorcaro em uma confraternização em Londres, no Reino Unido, na qual o PGR aparece com um charuto nas mãos, diante de uma mesa com copos de uísque. Segundo o g1, a imagem teria sido feita em 2024, após um evento, e foi enviada pelo advogado Ciro Soares em junho de 2025. A publicação rendeu críticas internas ao chefe do MPF.
Gonet nega proximidade com o banqueiro. Ele afirmou que a única ligação entre os dois foi "brevíssima e banal". Em ofício ao subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, relator do procedimento, o PGR disse que o único encontro presencial ocorreu em abril de 2024, em um evento jurídico público em Londres do qual participavam outras autoridades. Como citou a coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, ele escreveu:
"Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado."
A defesa de Gonet sustenta que a participação em evento patrocinado por um empresário que depois se tornou investigado não basta para caracterizar parcialidade. Aliados do PGR apostam que a maioria do Conselho votará pelo arquivamento, e conselheiros mais críticos à atual gestão admitem ao menos questionamentos na sessão, segundo o g1. Pessoas próximas a Gonet ouvidas pelo analista de política Teo Cury, da CNN Brasil, mostram-se otimistas; conselheiros com quem ele falou relataram "surpresa, incômodo e desconforto" com as mensagens.
Rito da sessão e próximos passos
A sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho, subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino, segundo a CNN Brasil. Gonet não deve comparecer, embora presida o colegiado. Após a abertura, o relator Sanseverino apresenta o procedimento e os conselheiros votam do mais novo para o mais antigo. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, participa da votação.
Se a maioria entender que há indícios a apurar, um subprocurador-geral da República será designado para analisar os dados e verificar a possível existência de crime. Ao concluir, apresentará um relatório ao Conselho. Se forem identificados indícios de crime, os fatos serão encaminhados ao STF, que decidirá sobre a eventual abertura de um inquérito. O encaminhamento se explica porque o procurador-geral responde penalmente perante o Supremo. O próximo passo é a decisão desta sexta-feira (25): arquivar as menções ao PGR ou aprofundar a apuração.