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Promotoria diz que operadores da Lava Jato criaram 'banco do crime' a serviço do PCC

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HBPor Henrique Barros•16 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles

Promotores do Ministério Público de São Paulo denunciaram 19 pessoas suspeitas de montar uma rede clandestina de serviços financeiros descrita pela Promotoria como um "banco do crime", que teria servido para lavar dinheiro de integrantes e colaboradores do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a Folha de S.Paulo, a denúncia foi apresentada na segunda-feira (14); a reportagem do Metrópoles registra a entrega na sexta-feira (11). Os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros crimes conforme a atuação individual de cada um.

Para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o esquema funcionou ao menos entre 2019 e 2025. O serviço principal era a chamada "troca de TED por vivo": o grupo recebia dinheiro em espécie que sabia ter origem ilícita e, mediante comissão, realizava transferência bancária de valor equivalente por contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada. A operação também ocorria no sentido inverso, com recursos bancários convertidos em dinheiro vivo. Mensagens obtidas em celulares apreendidos nas operações Recidere e Bazaar indicam, segundo a denúncia, que os envolvidos conheciam a procedência do dinheiro e usavam essa informação para calcular o "deságio" cobrado em cada transação. A ação resulta das operações Janus e Bazaar, que investigaram movimentação de valores ilícitos e um suposto esquema de corrupção na Polícia Civil paulista; a Janus foi deflagrada em julho deste ano, segundo o Metrópoles.

Na denúncia, os promotores descrevem assim a estrutura:

"central de serviços financeiros ilícitos, ou verdadeiro 'Banco do Crime', colocada à disposição de integrantes e colaboradores do PCC para a ocultação e a dissimulação da origem, da natureza e da propriedade de bens e valores provenientes do tráfico de drogas e de outros crimes".

Da Lava Jato ao PCC

Segundo o G1, o Gaeco coloca três operadores no centro da estrutura: Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles, foragido, e Paulo Rogério Silva, o "Paulo Barão". A Promotoria afirma que os três já foram implicados em outras investigações e ações penais e teriam movimentado "quantias bilionárias" ao longo de suas atividades. Entre os denunciados também está a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, que atuou em esquemas revelados pela Operação Lava Jato, deflagrada em 2014; segundo o MP, ela recebia R$ 70 mil por mês de Cléber Azevedo pela exclusividade de seus serviços, valor reconhecido pela própria contadora em mensagem de fevereiro de 2023. Raphael Flores Rodriguez, o "Batata", igualmente foragido, já foi condenado no âmbito da Lava Jato; a denúncia afirma que sua participação ia além da condição de cliente, com compra de imóveis em sociedade com outros operadores e compartilhamento de caixas com recursos de atividades criminosas.

Entre os apontados como usuários dos serviços estão Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", preso desde 6 de agosto de 2024, e Alexandre Salles Brito, o "Buiú", já denunciado na Operação Fim da Linha por suspeitas ligadas ao PCC e à empresa de ônibus UpBus. Segundo o MP, ao menos dez operações, somando R$ 232 mil, foram feitas em benefício de Buiú. Mensagens interceptadas citadas pela Folha indicam que contas bancárias teriam sido indicadas por Léo a um dos prestadores do serviço, que recebeu depósitos na casa de dezenas de milhares de reais. O Metrópoles relata que uma das empresas ligadas ao esquema movimentou mais de R$ 28 milhões em seis meses, embora tivesse faturamento anual declarado de cerca de R$ 5 milhões.

"Tribunal do crime" e corrupção

A denúncia afirma que os operadores financeiros conheciam termos internos da facção, participavam de sessões do chamado "tribunal do crime" e chegavam a recorrer ao poder de coerção da organização para resolver disputas patrimoniais próprias. A estrutura também teria contado com corrupção de agentes públicos: segundo o Gaeco, o denunciado Marlon Antonio Fontana intermediava e operacionalizava pagamentos de vantagens. Uma cópia integral dos autos foi encaminhada à Justiça Militar para a abertura de inquéritos sobre três coronéis da PM citados no documento, José Augusto Coutinho, Luiz Carlos Pereira Martins e um oficial identificado apenas como "Patricio"; nenhum dos três foi denunciado nesta ação, e o documento não especifica qual crime cada um teria praticado.

O advogado Rodrigo Antunes Benetti, que representa Léo do Moinho, disse à Folha que "restará demonstrada a inocência do senhor Leonardo" e contestou as acusações contra o cliente, preso desde agosto de 2024. O Ministério Público pede ainda que os denunciados paguem, de forma solidária, indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e sociais. Cabe agora à Justiça de São Paulo analisar a denúncia e decidir se recebe a peça e abre ação penal contra os envolvidos; segundo a Folha, não há prazo para essa decisão. Até uma sentença definitiva, todos os denunciados são presumidamente inocentes.

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