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Dino manda PF apurar exclusivamente contrato de wi-fi de SP com ONG de Karina da Gama

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HBPor Henrique Barros•11 de setembro de 2026•Fontes: BBC News Brasil, G1, Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) que a Polícia Federal abra um inquérito exclusivo para apurar suspeitas de fraude no contrato de fornecimento de wi-fi na periferia de São Paulo entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade da empresária Karina da Gama, investigada por lavagem de dinheiro. Segundo o G1, a decisão, ainda sob sigilo judicial, também manda a Polícia Civil de São Paulo transferir para o STF o inquérito estadual sobre a ONG e suspende qualquer pagamento de contratos do poder público com o instituto.

Na avaliação do ministro, as apurações estaduais sobre contratos do ICB estão diretamente conectadas às investigações federais sobre o desvio de emendas parlamentares, que correm no STF por envolver o deputado federal Mário Frias (PL-SP), detentor de foro privilegiado. Para Dino, há fortes indícios de que os fatos integram um único esquema de desvio e lavagem de dinheiro, o que levou o tribunal a assumir o caso. O congressista e Karina da Gama foram alvos, na quinta (10), da Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, com recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados. A PF apura peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e crimes licitatórios, e estima desvios da ordem de centenas de milhões de reais.

O contrato de wi-fi do ICB com a Prefeitura de São Paulo é de R$ 157 milhões, segundo o relatório da PF que embasou a decisão do ministro. O documento aponta indícios de triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões: recursos saíram do instituto para empresas terceirizadas, entre elas a Complexsys e a Fastfuture, do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman, e voltaram para outra entidade de Karina da Gama, a Academia Nacional de Cultura (ANC), que funciona no mesmo endereço do ICB, nos Jardins, na zona central da capital. Segundo o G1, a compra de um carro com cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo chamou a atenção do COAF, órgão de fiscalização de operações financeiras do Ministério da Fazenda.

Antes da decisão, na manhã desta sexta, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia dito que consultaria o STF para saber se a vedação de contratos com entidades investigadas, fixada na quinta (10), vale para acordos já assinados. Se valer, afirmou, a gestão romperá o contrato, que segundo o prefeito representa R$ 108 milhões por ano. "Se a empresa realmente não puder ter mais contrato com ninguém (...) a gente vai ter que romper o contrato. E deixar de ter 3200 pontos de wi-fi nas comunidades e favelas", disse. Nunes defendeu a licitação, aberta por 30 dias, e afirmou que a Controladoria do Município apura a prestação de contas sem identificar ilegalidade da parte da Prefeitura.

Linha do tempo

  • Maio de 2026: o site The Intercept divulga áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse"; o caso gera apurações no STF, hoje divididas entre Dino (emendas) e André Mendonça (financiamento do filme).
  • Quinta-feira (10): a PF cumpre 49 mandados da Operação Make Up contra Mário Frias e Karina da Gama, investigados por suspeita de desvio de emendas parlamentares.
  • Sexta-feira (11), pela manhã: Ricardo Nunes anuncia que consultará o STF sobre a necessidade de romper o contrato de wi-fi com o ICB.
  • Sexta-feira (11): Dino determina inquérito exclusivo da PF sobre o contrato, atrai o inquérito estadual para o STF e suspende pagamentos ao instituto.

Questionado sobre a compra do carro em dinheiro vivo, Nunes declarou: "Absolutamente ninguém está acima da lei. Nem prefeito, nem jornalista, nem juiz". Frias chamou a operação de "cortina de fumaça" em período eleitoral e afirmou ter documentos que comprovam a licitude da emenda, destinada, segundo ele, a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças. Flávio Bolsonaro, investigado em inquérito paralelo sobre o financiamento de "Dark Horse", sustenta que o filme foi feito com dinheiro privado: "Ali foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado". A Agência Brasil informou que não obteve resposta de Karina da Gama.

Todos os citados são investigados e têm garantida a presunção de inocência até condenação definitiva. Caberá agora à PF instaurar o inquérito exclusivo e reunir os autos estaduais enviados pela Polícia Civil, sem prazo divulgado, já que o caso segue sob sigilo. A Prefeitura aguarda resposta do STF sobre o rompimento do contrato, que mantém 3.200 pontos de wi-fi em comunidades e favelas.

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