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Overclean: PF mira ex-secretário de Educação de BH e o 'Rei do Lixo'

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HBPor Henrique Barros•17 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, G1, Metrópoles

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (17) 24 mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, o empresário baiano José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", e o sócio dele, Alex Parente. A ação é a décima fase da Operação Overclean, autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e apura suspeitas de fraude em contratos e direcionamento de licitações na Secretaria de Educação da capital mineira.

Segundo a PF, entre abril de 2024 e abril de 2025 o núcleo político de uma organização criminosa instalada na Bahia teria infiltrado membros na gestão da pasta para dirigir contratos públicos de fornecimento de serviços e materiais didáticos a empresas associadas ao grupo. A investigação identificou seis processos de contratação, dos quais três resultaram em contratos que somam quase R$ 84 milhões, com mais de R$ 77 milhões já efetivamente pagos. Os mandados são cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Segundo o g1, cerca de R$ 230 mil em espécie foram apreendidos em Ervália, na Zona da Mata mineira, e em São Paulo.

Quem são os alvos

Barral deixou a Secretaria de Educação de Belo Horizonte em abril de 2025, depois da terceira fase da Overclean. Antes de assumir a pasta na capital mineira, ele havia sido secretário municipal de Educação de Salvador, na gestão de ACM Neto, segundo o Metrópoles. A CNN Brasil reporta que a investigação aponta que ele teria feito parte do grupo de José Marcos Moura para contratar, em Belo Horizonte, empresas do empresário e de Alex Parente.

Moura, que atua no setor de limpeza urbana, e os irmãos Fábio e Alex Parente são alvos antigos da operação. Segundo a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, os três foram presos na primeira fase, deflagrada em dezembro de 2024, e depois colocados em liberdade, sob medidas cautelares. Em agosto deste ano, Moura e outras 24 pessoas foram indiciadas pela PF na frente que apura desvio de recursos de emendas parlamentares. Ainda segundo a coluna, o deputado ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, é formalmente investigado sob suspeita de participação na indicação de um secretário para a Prefeitura de Belo Horizonte. A PF pediu ao STF autorização para uma busca contra o parlamentar, a Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente, mas Nunes Marques negou o pedido por considerar insuficiente a base legal. Por isso, ACM Neto não está entre os alvos dos mandados desta quinta.

O que dizem as partes

Em nota, a Polícia Federal afirmou:

"Os envolvidos são investigados pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em contratação e pagamentos superfaturados, peculato, corrupção passiva e ativa, integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro."

A corporação trata os fatos como suspeitas e a apuração segue em andamento. Nenhum dos investigados foi denunciado ou condenado, e o indiciamento é um ato da própria polícia, sem efeito de culpa. O g1 informou que tentou contato com as defesas dos investigados e não havia obtido resposta até a publicação.

Procurada pela TV Globo, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a atual gestão não firmou contratos para aquisição de materiais didáticos e que a rede municipal utiliza livros do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal.

"A Secretaria de Educação ressalta que não recebeu qualquer solicitação ou demanda relacionada à investigação da Operação Overclean, mas que está à inteira disposição das autoridades competentes e dos órgãos de controle para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários."

O inquérito tramita no STF, sob a relatoria de Nunes Marques. A PF afirma que outros processos de contratação ainda são analisados, o que pode elevar o montante apurado, e que equipes seguem em campo. Encerrada a investigação, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir sobre o oferecimento de denúncia contra os investigados. Não há data prevista para essa etapa.

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