O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa do sigilo das investigações do caso Master e cobrou "mais transparência e não vazamentos seletivos" nas apurações. Em publicação na rede social X, o petista afirmou que o Brasil precisa de "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a crise que, segundo ele, tomou conta do Poder Judiciário, e classificou o esquema apurado como "o maior crime financeiro da história do Brasil".
"É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", escreveu o presidente. Segundo o G1, Lula citou como exemplo de transparência a divulgação de informações da Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro do STF Ricardo Lewandowski. A Folha de S.Paulo registra que ele reclamou dos "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral". Candidato à reeleição, Lula concorre ao quarto mandato.
O caso Master apura um suposto esquema que teria inflado artificialmente o valor do extinto Banco Master por meio de ativos e carteiras de crédito sem lastro real. Segundo a Polícia Federal, a estrutura permitia ao banco aparentar solidez financeira, captar bilhões de reais de investidores e realizar operações sem garantias compatíveis. Entre os investigados está Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição.
Como a crise chegou ao STF
Segundo o G1, a manifestação de Lula ocorre em meio à maior crise interna do STF (Supremo Tribunal Federal) dos últimos anos, desencadeada por disputas em torno do caso Master e da atuação da Polícia Federal. Linha do tempo:
- O ministro André Mendonça levantou questionamentos sobre a relação entre o colega Alexandre de Moraes e Vorcaro, investigado no caso.
- Em resposta, Moraes determinou a abertura de apurações sobre a atuação de Mendonça.
- Na semana passada, relatórios da PF que expunham o embate entre os dois ministros tiveram o sigilo retirado.
- A pedido do Partido Novo, Mendonça decretou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, e paralisou os relatórios de inteligência.
- A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao STF ao argumento de que a decisão invadia prerrogativa do Poder Executivo.
- Na manhã desta quarta, o ministro Flávio Dino suspendeu o afastamento e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos.
Na decisão que reintegrou os diretores, Dino apontou que partidos políticos não têm legitimidade para pedir medidas cautelares no processo penal e sustentou que afastamentos dessa envergadura cabem ao plenário do tribunal, e não a uma decisão monocrática. O ministro afirmou ainda que a medida prejudicava diligências urgentes sob sua relatoria, entre elas a apuração de emendas parlamentares ligadas ao filme "Dark Horse". A AGU defende que a ordem de Mendonça violava prerrogativa constitucional do presidente da República sobre o comando da corporação.
Horas depois da liminar de Dino, o presidente do STF, Edson Fachin, cancelou a sessão plenária prevista para as 14h de quarta. A reunião, a primeira desde a escalada da crise, teria na pauta o Marco Civil da Internet e os poderes investigativos da Polícia Federal, e havia expectativa de manifestações dos ministros sobre o impasse. O motivo do cancelamento não foi detalhado. O próximo passo é de Mendonça: Fachin abriu prazo de 72 horas para o ministro se manifestar sobre o recurso da AGU, prazo que ainda corre. Não foi divulgada nova data para o plenário.