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Inquérito da PF detalha R$ 1 bi em descontos de servidores da BA no caso Master

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Duas associações de servidores públicos da Bahia investigadas no caso Banco Master somavam, em 2025, mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores estaduais, em uma carteira estimada em R$ 1 bilhão. Os números constam de inquérito da Polícia Federal cujo sigilo foi suspenso em 10 de setembro pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), conforme revelou reportagem de João Pedro Pitombo, da Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (17).

As entidades são a Asteba e a Asseba. Segundo o Jornal de Brasília, a Asseba reúne servidores da saúde e a Asteba, servidores técnico-administrativos da administração direta do estado. As duas são ligadas ao empresário baiano Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Foram alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Lima, investigado, chegou a ser preso, foi solto no fim de novembro e hoje usa tornozeleira eletrônica.

Como as associações entraram no caso

O Master informou ao Banco Central, em ofício de 25 de março de 2025, que as duas associações estavam na origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB (Banco de Brasília). Depois, o banco de Vorcaro recuou da versão e passou a atribuir os créditos à empresa Tirreno, segundo a Folha. Trecho do inquérito citado pelo Banda B afirma que as entidades, "controladas por Augusto Lima", foram indicadas pelo Master ao BC como originadoras dos créditos vendidos.

A PF atribui a Lima a elaboração de carteiras fraudulentas. Uma auditoria estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público pela compra desses ativos. Em escala maior, um relatório da PF citado pelo Jornal do Comércio aponta que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master na compra de carteiras de crédito.

Defesas, governo da Bahia e próximos passos

A defesa de Lima rechaça as alegações e diz que elas não se sustentam diante dos elementos reunidos pela investigação; os advogados sustentam que a informação sobre a origem dos créditos foi prestada de forma equivocada ao BC pelo próprio Master. Em nota de junho ao Poder360, assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello, a defesa afirmou que Lima "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". Procuradas pela Folha, as entidades não se manifestaram: na Asteba, uma funcionária disse que não havia membros da direção no local e não houve retorno aos recados; na Asseba, ninguém atendeu às ligações. A Secretaria de Administração da Bahia, do governo Jerônimo Rodrigues (PT), informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação com as associações, que prestam serviços como planos odontológicos, compra de celulares e assistência jurídica.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central após o início da Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 pela 10ª Vara Federal de Brasília. Vorcaro foi preso em 17 de novembro, ao tentar deixar o país, e solto em 29 de novembro. O caso passou a tramitar no STF em dezembro de 2025, primeiro com o ministro Dias Toffoli; desde fevereiro, a relatoria é de André Mendonça. Vorcaro voltou a ser preso no início de março e apresentou proposta de delação premiada, ainda em análise. Em junho, a nona fase da operação citou Lima em apuração sobre a relação entre gestores do Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA). O inquérito segue em andamento e, segundo a Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro pediu novamente, em 11 de setembro, o adiamento do depoimento dele à PF sobre os negócios com o BRB; não há nova data divulgada.

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