arrow_backVoltar
PoliticsFederal Policestfbanco-masterjustice

Fachin suspende apuração da PGR sobre interferência em relatório da PF

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•10 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, BBC Brasil, G1, Congresso em Foco

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) a apuração aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para esclarecer se houve "ordem ou interferência externa" na elaboração do relatório da Polícia Federal que registrou mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, a medida foi tomada em uma petição aberta pela Presidência da Corte para concentrar a análise dos fatos que envolvem os ministros André Mendonça e Moraes e a própria PF, e vale "até ulterior deliberação" do Supremo.

A apuração havia sido aberta na sexta-feira (4) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, por meio de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, instrumento com que o Ministério Público fiscaliza as forças policiais. Gonet determinou que a PF explicasse como foi elaborado o relatório, requisitado por Mendonça, e comunicou a Fachin que a PGR não havia sido informada previamente sobre a determinação do ministro e, por isso, não pôde acompanhar essa etapa da investigação.

A suspensão fez parte de um pacote de decisões com que Fachin buscou conter a crise na Corte. No mesmo despacho, ele suspendeu a decisão de Mendonça que afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a do ministro Flávio Dino que o reintegrou ao cargo, e vai decidir em procedimento próprio da Presidência se o delegado permanece na função, segundo o G1. Fachin também assumiu a relatoria do chamado Inquérito das Fake News, antes com Moraes, suspendeu "todo e qualquer procedimento" de investigação contra integrantes do STF e convocou o plenário para o dia 15. A Advocacia-Geral da União (AGU), autora do pedido que levou à derrubada do afastamento, disse que a decisão "restaura a ordem pública e administrativa".

O que cada lado alega

Horas antes da intervenção de Fachin, Dino havia determinado a volta de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF, afastados na terça (8). Na decisão, Dino escreveu que a suposta interferência se torna "mais grave" diante da notícia de que Mendonça recebeu Vorcaro, preso no esquema de fraudes do Banco Master, em uma reunião privada em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo, encontro que não constou da agenda oficial do ministro. "Uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?", questionou. O ministro ressalvou não fazer "qualquer juízo de valor antecipado" sobre o encontro, mas classificou a situação como "complexa" e afirmou que ela exige "moderação, equilíbrio e prudência", especialmente no período eleitoral.

Mendonça diz que recebeu o então banqueiro "uma única vez", por iniciativa dele, e que se limitou a ouvi-lo. Segundo o ministro, a conversa tratou de processo sobre créditos de precatórios de interesse do Master em tramitação no STF, e sua atuação posterior foi contrária à posição defendida por Vorcaro. Ao afastar os dirigentes da PF, Mendonça apontou "monitoramento e coleta dirigida" contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. Do outro lado, Moraes sustenta, com base em relatório que encomendou à PF, que Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com "favorecimento a determinados grupos políticos". Nenhuma das acusações mútuas resultou até agora em denúncia, e nenhum dos ministros é réu.

Linha do tempo da crise

  • 1º de setembro: Mendonça, relator do caso Master, retira o sigilo de relatório da PF que registra mensagens e encontros entre Moraes e Vorcaro.
  • 3 de setembro: Moraes pede abertura de investigação contra Mendonça e o acusa, "em tese", de abuso de autoridade e de uso de informações sigilosas.
  • 4 de setembro: Gonet abre na PGR a apuração sobre interferência na elaboração do relatório.
  • 8 de setembro: Mendonça afasta preventivamente Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
  • 9 de setembro: Dino reintegra os dois delegados; horas depois, Fachin suspende as decisões de Mendonça e de Dino e a apuração da PGR.

O próximo passo é o plenário do STF, convocado para a terça-feira (15), quando os ministros devem discutir o relatório da PF que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. A suspensão da apuração da PGR permanece até que a Corte delibere novamente sobre o tema, e Fachin ainda deve decidir se Andrei Rodrigues permanece na direção da PF.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar