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Vorcaro encomendou a 'Sicário' certificados de vacinação retroativos, indicam mensagens

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Mensagens trocadas em 12 de dezembro de 2024 indicam que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro encomendou dois certificados internacionais de vacinação contra a febre amarela com data retroativa de aplicação das doses. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado (19), os diálogos foram obtidos pelo jornal e ocorreram com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia particular do banqueiro. Na conversa, Vorcaro enviou dados pessoais da atriz Monique Alfradique e recebeu dois certificados com registro de aplicação em 9 de abril de 2024.

A troca de mensagens aconteceu entre 8h57 e 13h30, segundo a Folha. Às 8h57, Vorcaro encaminhou a Sicário um certificado de vacinação e escreveu: "Precisa do (sic) tirar dois certificados desses". Por volta do meio-dia, Sicário repassou ao ex-banqueiro mensagem de um interlocutor não identificado: "Chef aquele lá tá pronto já. Quer inserir sistema não?". Em seguida, pediu: "CPF dela. Só está precisando disto. Te envio agora tudo pronto e resolvido". Vorcaro então enviou o nome completo, o CPF e a data de nascimento de Monique Alfradique.

Às 13h25, Sicário encaminhou novas mensagens do interlocutor, que afirmava ter registrado a vacina nos sistemas públicos: "Coloquei aplicação no dia 09/04/2024... Outra coisa, está processando o RNDS [Rede Nacional de Dados em Saúde], que é o responsável por gerar o PDF". O auxiliar mandou ainda o link do site Meu SUS Digital, do governo federal, com a observação de que o registro "já deve está disponível" na carteira digital de vacinação, disse "qualquer coisa só me chamar" e enviou dois certificados a Vorcaro.

Procurada pela Folha, a assessoria da atriz disse que "as duas doses da vacina contra a febre amarela ministradas em Monique Alfradique ocorreram de forma absolutamente regular, nos postos de saúde devidamente credenciados, em observância aos protocolos oficiais". A última dose teria ocorrido em 22 de abril de 2024, na Fiocruz. O jornal ressalva que não está claro se a atriz tinha conhecimento do pedido. O Ministério da Saúde informou que os sistemas do SUS contam com "mecanismos de segurança, controle de acesso e rastreabilidade" e que "não há nenhum registro de comprometimento desses mecanismos". A defesa de Vorcaro não se manifestou.

Linha do tempo do caso

  • Dezembro de 2024: as mensagens sobre os certificados são trocadas em 12 de dezembro.
  • Novembro de 2025: Vorcaro é preso pela primeira vez no escândalo do Master.
  • 4 de março de 2026: Sicário é preso por ordem do ministro André Mendonça, do STF, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele morreu por suicídio na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.
  • Junho de 2026: a Folha revelou que mensagens do celular de Vorcaro apontam que ele mandou Sicário "moer" uma empregada de Monique Alfradique; a assessoria da artista disse que ela desconhecia qualquer ameaça.
  • Setembro de 2026: relatório da PF sobre o celular de Vorcaro é tornado público por Mendonça em 1º de setembro; o plenário do STF começa a analisá-lo no dia 15, quando o ministro Flávio Dino pediu vista.

Investigadores descreviam Sicário como chefe da "Turma", grupo que, segundo a Polícia Federal, obtinha informações sigilosas para Vorcaro e ameaçava adversários do banqueiro. Documentos do celular do ex-banqueiro foram encaminhados à CPI do INSS, na qual um contato da atriz constava cadastrado como "Alan TI", segundo a Folha. O episódio guarda paralelo com a investigação sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela suposta falsificação de certificado de vacinação contra a Covid: a PF o indiciou por inserção de dados falsos em 2024, mas a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento em 2025, ao entender que não há elementos para responsabilizá-lo.

As investigações do caso Master correm no STF sob relatoria de André Mendonça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado no relatório da PF, sustenta a nulidade do documento, por entender que a produção do material precisaria de pedido prévio da PGR ou da própria PF e de autorização do plenário da corte. A análise em plenário, iniciada na terça-feira (15), foi interrompida pelo pedido de vista de Dino e ainda não tem data para ser retomada. Vorcaro é investigado e conserva a presunção de inocência.

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