O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa que desviava metanol para a adulteração de combustíveis na Grande São Paulo, informou a Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (26). O caso também foi noticiado pelo G1. Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado pelo MP como um dos principais financiadores do esquema. A denúncia foi apresentada pelo núcleo de Guarulhos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Segundo a Folha, os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O MP também aponta indícios de adulteração de combustíveis, crimes tributários, crimes contra o consumidor, estelionato, falsidade documental e crimes ambientais. Conforme o documento, Beto Louco teria utilizado as empresas Aster, Copape e Duvale para movimentar recursos milionários relacionados às atividades investigadas. O grupo teria atuado entre 2017 e 2025.
A apuração indica que a organização se valia de uma rede de empresas químicas, transportadoras, distribuidoras, instituições de pagamento e fundos de investimento para desviar o metanol, um insumo de aquisição e uso controlados, adulterar combustíveis e ocultar a origem dos recursos obtidos com a fraude. A denúncia descreve uma estrutura permanente montada para simular a compra do produto:
"Os elementos colhidos autorizam afirmar que existe uma estrutura perene para forjar a aquisição de metanol para a suposta produção de biodiesel, com produto jamais remetido ao destino formal-documental, e a efetiva entrega do produto em autopostos, exatamente para adulterar combustíveis e majorar os lucros", afirma o MP na denúncia, segundo a Folha.
O caso é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. Em 28 de maio, o Gaeco deflagrou a segunda fase da operação, chamada Fluxo Oculto, com 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados contra um esquema de lavagem de dinheiro com fintechs e de adulteração de combustível com nafta, segundo a CNN Brasil.
Cronologia do caso
- 2017 a 2025: período em que a organização teria atuado, conforme a denúncia;
- Maio de 2023: a Polícia Rodoviária Federal encontrou metanol com um dos envolvidos, episódio que deu origem à investigação;
- 28 de maio de 2026: o Gaeco deflagra a segunda fase da Operação Carbono Oculto, voltada a fintechs e fundos de investimento;
- Maio de 2026: o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, rejeita a proposta de delação premiada apresentada por Beto Louco; segundo a CNN Brasil, a recusa foi motivada por omissões;
- 26 de agosto de 2026: o MP-SP denuncia 16 pessoas.
A Folha procurou a defesa de Beto Louco por WhatsApp na tarde desta quarta-feira, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
A denúncia será agora analisada pela Justiça, que decidirá se aceita as acusações e abre um processo criminal contra os investigados. Somente com o recebimento da denúncia eles passarão à condição de réus; até eventual condenação transitada em julgado, todos são presumidamente inocentes. Não há data divulgada para a decisão.