A Polícia Militar do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26), uma operação em comunidades ligadas ao Comando Vermelho (CV) na capital e na Baixada Fluminense depois de identificar, segundo a corporação, um plano da facção para invadir o Complexo de Israel, território dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Em paralelo, a PM iniciou a ocupação por tempo indeterminado das cinco comunidades que formam o complexo, na zona norte da cidade, informou a Agência Brasil.
Segundo a CNN Brasil, informações de inteligência indicaram que integrantes do CV vinham realizando reuniões para articular um avanço sobre Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, comunidades que compõem o Complexo de Israel e são controladas pelo TCP. Para tentar impedir essa movimentação, a corporação atuou nas comunidades do Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, na zona norte, e no Parque das Missões, em Duque de Caxias, apontadas pela polícia como áreas de influência do CV. Ao todo, 200 policiais militares participaram da ação, com apoio de seis blindados, 40 viaturas e aeronaves do Grupamento Aeromóvel.
Cronologia da ofensiva
A sequência de ações começou na terça-feira (25), quando as polícias Civil e Militar cumpriram mandados de prisão contra supostos integrantes do TCP no Complexo de Israel, resultado de investigações da 38ª Delegacia Policial (Brás de Pina). Oito pessoas foram presas, entre elas Luana Rosa de Araújo, apontada pela polícia como braço direito de Álvaro Malaquias Santos Rosa, conhecido como Peixão, apresentado pelas autoridades como uma das principais lideranças do TCP na região. As equipes encontraram um imóvel usado como casamata, com aberturas reforçadas para disparos, além de terem apreendido celulares e outros aparelhos eletrônicos que passarão por perícia.
Na mesma frente de ação, policiais foram à comunidade Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, verificar informações de inteligência. Três pessoas foram presas no local e um homem apontado como gerente do tráfico na região morreu depois de, segundo a polícia, atacar os agentes. Dois fuzis, drogas e veículos apontados como roubados foram apreendidos. Nenhuma das pessoas presas nas duas frentes teve ainda desfecho judicial informado publicamente, e a responsabilidade de cada um segue sob apuração das autoridades.
Já nesta quarta-feira, teve início a ocupação prolongada do Complexo de Israel em si. Mais de 220 policiais das unidades de operações especiais, incluindo o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães e o 1º Comando de Policiamento de Área, passaram a patrulhar as cinco comunidades 24 horas por dia, com rendição de turno feita no próprio local. "Estamos fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência. Fazemos varreduras com o Batalhão de Ações com Cães, o Bope e o Choque", disse o porta-voz da corporação, major Maicon Pereira, à Agência Brasil.
A PM informou que as principais vias expressas da cidade, como as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil, seriam fechadas de imediato em caso de confronto armado durante a ocupação. As autoridades também descrevem Peixão como responsável por impor, por meio de uma fachada religiosa, um controle territorial violento sobre as comunidades, incluindo perseguição a moradores de outras religiões, segundo a caracterização feita pela corporação. A Polícia Militar não informou um prazo para o fim da ocupação nem uma data para a conclusão da perícia nos aparelhos eletrônicos apreendidos, etapas que devem orientar os próximos desdobramentos das investigações contra as duas facções.