Mensagens trocadas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que ele usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Nova York e um almoço em homenagem ao magistrado. A reportagem é da Folha de S.Paulo desta terça-feira (22). As conversas constam do telefone de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal dentro da investigação sobre o banco. Vorcaro é investigado e não há condenação relacionada ao caso.
Segundo o jornal, entre março e maio de 2024 Vorcaro deu orientações a uma funcionária para comprar as passagens e hospedagens de Fux e da esposa do ministro, Eliane Fux, e pediu que as despesas fossem feitas por meio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da revista Forbes no Brasil. Em uma das trocas, um funcionário diz a Vorcaro que Camarotti havia confirmado a presença do ministro em um dos eventos que a revista realizava em Nova York.
"Nós vamos emitir a passagem e hospedagem dele e esposa. Pode seguir?", escreveu o funcionário. "Pode, mas temos que fazer via o Camarotti. Nao podemos nos mesmos fazermos [sic] a emissão", respondeu Vorcaro.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa do STF, Fux afirma que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que "nunca foi convidado por ele para eventos". O ministro diz que foi "convidado diretamente pela Forbes" e que "proferiu palestra em evento da revista, em maio de 2024, sobre segurança jurídica e o risco Brasil". Sustenta ainda que não teve contato com Vorcaro durante o almoço.
O almoço foi organizado pela Forbes com patrocínio da BeFly, empresa do mercado de turismo que teve o banco de Vorcaro como parceiro financeiro. Os diálogos apreendidos indicam que o ex-banqueiro apoiou os eventos da revista por meio dessa agência, segundo a Folha. Em nota, a Forbes Brasil confirma que a BeFly patrocinou o almoço em homenagem a Fux e que o Master foi um dos apoiadores da Forbes Party em Nova York, feita no dia seguinte, e defende que se trata de "relações comerciais de patrocínio, formais, regulares e transparentes".
Linha do tempo
O Master comprou, em 2023, o direito de receber precatórios por meio de fundos administrados por empresas hoje investigadas na Operação Compliance Zero, conforme apuração do G1. A Polícia Federal suspeita de títulos expedidos pela Justiça antes do fim dos processos, quando a União ainda podia recorrer. O Cade aprovou a venda do banco ao BRB em maio de 2025. O telefone de Vorcaro foi apreendido pela PF e, um dia depois de virem a público conversas entre o ex-banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro, Fux pediu aos investigadores os dados do aparelho.
O caso Master domina o noticiário da campanha eleitoral a 12 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Não há, até agora, data divulgada para o próximo passo processual ligado a este episódio.