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MP denuncia PMs seguranças da Transwolff e pede prisão de tenente-coronel

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HBPor Henrique Barros•29 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça Militar quatro policiais militares acusados de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança privada de dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC. A denúncia, apresentada na quarta-feira (26), pede a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores, apontado como administrador das empresas usadas para formalizar os serviços e dar aparência legal aos pagamentos, segundo a Folha de S.Paulo.

Também foram denunciados o capitão Alexandre Paulino Vieira, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o sargento reformado Nereu Aparecido Alves. Os três estão presos preventivamente desde 4 de fevereiro, quando a Corregedoria da PM deflagrou a Operação Kratos, e a Promotoria pediu a manutenção das prisões. A denúncia ainda precisa ser recebida pela Justiça Militar; só então os quatro se tornam réus.

Segundo a denúncia, o grupo formou um núcleo encarregado de proteger o então dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, além de outros dirigentes, familiares e garagens da empresa. Para a Promotoria, ao contratar policiais, alguns deles integrantes da Rota, a tropa de elite da PM paulista, a empresa buscava também a credibilidade institucional associada à farda: "A blindagem reputacional era, ela própria, o produto contratado", diz o texto da denúncia, segundo a Folha. Os promotores afirmam que o núcleo de policiais atuava em conjunto com uma estrutura empresarial e financeira da qual faziam parte Pandora, Té e Robson Flares Lopes Pontes.

A investigação da Corregedoria, detalhada pelo Metrópoles, descreve Flores como o responsável pela sustentação financeira do esquema, por meio de empresas do grupo AM3 registradas em nome de familiares, como a mãe e o padrasto, moradores do interior paulista, a mais de 500 quilômetros da capital. Registros de um aplicativo de entrega de comida teriam confirmado a presença frequente do oficial nos endereços dessas empresas, que emitiam as notas fiscais dos serviços de segurança. De acordo com o inquérito, os pagamentos seguiram pelo menos até janeiro deste ano, mesmo após as operações contra a Transwolff.

A cronologia do caso

O caso começou com a Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP contra a Transwolff e a UPBus por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Em dezembro daquele ano, a Prefeitura de São Paulo abriu processo para rescindir os contratos das duas empresas. Em 4 de fevereiro de 2026, a Operação Kratos prendeu os três PMs e apreendeu R$ 1 milhão na residência de um deles, com 16 mandados de busca e apreensão cumpridos, segundo o G1. A apuração indicou que a segurança privada foi prestada entre 2020 e 2024. A defesa da Transwolff nega qualquer vínculo com o crime organizado e diz que contesta as acusações na Justiça.

O que dizem as defesas

Os advogados Mauro Ribas e Renato Soares, que defendem Paulino Vieira, afirmam que o militar "nunca integrou, participou ou prestou serviço para qualquer organização criminosa" e que ele administrava serviços de segurança privada por meio de uma empresa regularmente inscrita. As defesas dos sargentos Nereu e Romano disseram que se manifestarão em breve, e o advogado do tenente-coronel Flores foi procurado, mas não respondeu até a publicação da reportagem da Folha. O próximo passo é a análise da denúncia pela Justiça Militar, que decidirá se a recebe e se defere o pedido de prisão preventiva de Flores; ainda não há data marcada para a decisão.

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