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Flávio terceiriza prestação de contas do Dark Horse e repasse de fundo dos EUA segue sem detalhes

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HBPor Henrique Barros•26 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, terceirizou para a produtora Go Up Entertainment a divulgação do balanço financeiro do filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sem cumprir a promessa de transparência sobre o repasse feito pelo fundo americano Havengate, que intermediou parte do financiamento da obra. A informação é da Folha de S.Paulo.

A polêmica em torno do filme começou em maio, quando o site The Intercept revelou mensagens trocadas entre Flávio e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nas quais o senador pedia dinheiro para bancar a produção. Segundo a reportagem, o valor total negociado chegou a R$ 134 milhões, dos quais o ex-banqueiro efetivamente pagou R$ 61 milhões. Os recursos teriam sido transferidos por uma empresa ligada a Vorcaro, a Entre Investimentos e Participações, ao fundo Havengate, sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O episódio levou a Polícia Federal a abrir investigação para apurar se parte do dinheiro do filme serviu para bancar despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.

Em 19 de maio, cercado por parlamentares do PL, Flávio afirmou a jornalistas que havia pedido à produtora e ao fundo que organizassem, em até 30 dias, uma prestação de contas transparente sobre as despesas do investimento. Dias antes, ele já havia dito que poderia divulgar o contrato de financiamento caso seus advogados autorizassem, alegando que uma cláusula de confidencialidade o havia impedido, em março, de admitir que conhecia Vorcaro. No fim de junho, ao ser procurada pela Folha, a campanha afirmou que a Go Up já havia prestado contas, mas o balanço divulgado pela produtora não trouxe detalhes sobre o trajeto do dinheiro até o fundo americano.

Perícia não rastreou dinheiro do fundo americano

Segundo reportagem do jornal O Globo, replicada pelo Poder360, o perito particular contratado pela Go Up para avaliar as contas do filme, Anisio Castelo Branco, afirmou que analisou apenas os recursos efetivamente gastos pela produtora e não teve autorização para auditar o Havengate. "Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate", disse o perito ao jornal. Ele acrescentou que informações sobre o capital do fundo são sigilosas e fogem do escopo do trabalho que realizou.

A Polícia Federal considera esse rastreamento fundamental para apurar se o filme foi usado para desviar recursos, segundo o repórter Eduardo Gonçalves, do O Globo. O laudo do perito foi apresentado em um processo que investiga suspeita de mau uso de emendas parlamentares no filme, mas não contém informações sobre o caminho do dinheiro no exterior, de acordo com o jornal. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos de Vorcaro por meio do fundo, e Flávio sustenta que todo o dinheiro foi usado "integralmente" na produção do filme.

Em 20 de agosto, Flávio classificou o caso Dark Horse como "página virada" e disse não ter mais obrigação de falar sobre o financiamento, argumentando que a prestação de contas encomendada pela produtora já havia vazado para a imprensa. A Folha nota que, apesar dessa declaração, o compromisso original de transparência sobre o repasse do fundo americano ao filme segue sem ser cumprido pelo candidato.

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