arrow_backVoltar
Federal Policepolicestfjusticefilm

Perícia de SP recusou 27 dispositivos do caso 'Dark Horse' por falhas na lacração

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•14 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1

O Instituto de Criminalística de São Paulo recusou 27 dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil na investigação que apura o financiamento do filme "Dark Horse". Segundo a Folha de S.Paulo, que teve acesso aos termos de recusa, falhas na lacração dos pacotes permitiam retirar as peças ou acessar os dados dos aparelhos sem romper os selos de segurança. Os documentos listam 13 pendrives, nove notebooks e cinco celulares.

As recusas ocorreram em duas etapas. Em 2 de junho, um dia depois das buscas, o instituto devolveu quatro guias de remessa porque os pacotes tinham aberturas grandes o bastante para permitir a retirada das peças. "As guias 278035, 277890, 278028 e 277899 apresentam vão suficiente para retirada da peça a ser periciada", registrou o primeiro termo. Entre os equipamentos recusados havia pendrives apreendidos em endereços da Make One e da Complexys/Fast Future, empresas subcontratadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) na execução do programa de internet.

Em 3 de junho, a perita criminal Vivian Menezes recusou outros 13 lotes, com aberturas que permitiam conectar cabos a celulares e notebooks.

"As guias apresentam vão suficiente para a entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação de dados no interior do equipamento."

Os peritos anexaram imagens do que chamaram de "defeito formal no invólucro do plástico" e devolveram os aparelhos à delegacia para readequação do lacre, informa o InfoMoney. Depois da reembalagem, o processo passou de 17 para 18 guias, o que indica que ao menos um invólucro foi desmembrado. Uma única guia reunia dez pendrives.

O caso

Os equipamentos haviam sido recolhidos em buscas realizadas em 1º de junho em residências e empresas ligadas ao ICB, organização presidida por Karina Ferreira da Gama. Ela também dirige a Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O inquérito da Polícia Civil de São Paulo, batizado de Operação Wi-Fi, apura suspeitas de fraude e desvio em um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo ICB com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter 5.000 pontos gratuitos de internet em comunidades de baixa renda. Uma das hipóteses é a de que parte do dinheiro público tenha sido direcionada a atividades privadas ligadas a Karina, entre elas a produção do filme.

O material tornou-se público neste domingo (13), quando o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), levantou o sigilo da investigação e unificou sob sua relatura inquéritos estaduais e federais. Ao analisar os documentos, segundo o InfoMoney, Dino escreveu que se fortaleceu a hipótese de um "sofisticado esquema" de desvio de recursos públicos e que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia, "no terreno hipotético da investigação", posição de liderança na suposta "arquitetura criminosa". Para a Polícia Federal, o movimento de recursos entre o parlamentar, o ICB e a empresa Complexsys configura um "circuito financeiro fechado".

Frias nega irregularidades. Na quinta-feira (10), o deputado classificou a operação policial como "cortina de fumaça", declarou-se à disposição para colaborar com a entrega de documentos e afirmou confiar no arquivamento do processo. Nenhuma das pessoas citadas na apuração foi denunciada até agora. Os inquéritos unificados seguem em curso no STF, e o material colhido pela Polícia Civil paulista foi compartilhado com a Polícia Federal por determinação do ministro.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar