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Perícia contratada por produtora não rastreou origem do dinheiro do 'Dark Horse'

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HBPor Henrique Barros•26 de agosto de 2026•Fontes: Poder360

A perícia privada contratada pela GoUp Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não conseguiu rastrear a origem dos recursos repassados pelo fundo americano Havengate Development para financiar o longa-metragem. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e reproduzida pelo Poder360 nesta quarta-feira (26). Segundo o repórter Eduardo Gonçalves, esse mapeamento é considerado fundamental pela Polícia Federal para apurar se o filme foi usado para desviar recursos.

O perito responsável pela avaliação, Anisio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, afirmou ao O Globo que analisou apenas os recursos efetivamente gastos pela GoUp e que não tinha autorização para auditar o fundo Havengate. 'Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate', disse.

'São informações que fogem do nosso espectro, nós não trabalhamos no fundo Havengate, não temos nenhum contato com o fundo. Do ponto de vista de como o fundo é alimentado, não sei quanto ele tem de capital, se tinha dinheiro só do filme, se tinha R$ 100 milhões, R$ 1 bilhão. Isso é uma informação sigilosa do fundo', afirmou o perito ao jornal.

A controvérsia em torno do filme começou em maio, quando o site Intercept Brasil revelou mensagens trocadas entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que indicavam um acordo de cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção. Segundo a Folha de S.Paulo, os pagamentos teriam sido feitos por meio de transferências de uma empresa ligada a Vorcaro, a Entre Investimentos e Participações, para o Havengate, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos. De acordo com a Polícia Federal, documentos apontam que cerca de R$ 61 milhões passaram pelo fundo rumo ao filme, valor que Flávio chegou a reconhecer ter captado de Vorcaro após inicialmente negar qualquer financiamento do Banco Master.

Investigação sobre despesas de Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal apura se parte dos recursos repassados pelo Havengate foi utilizada para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro por meio do fundo de investimento, e Flávio afirma que os recursos foram usados integralmente no filme. Em maio, ao ser questionado por jornalistas, Flávio disse ter pedido tanto à produtora quanto ao fundo que 'se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento do filme, de forma transparente, em até 30 dias'.

Apesar da promessa, segundo a Folha, Flávio terceirizou a divulgação do balanço para a GoUp e não manteve o compromisso de transparência específico sobre o fundo americano. Em 20 de agosto, o candidato disse que o caso Dark Horse era 'página virada' e que não tinha mais obrigação de comentar o financiamento do filme, já que a prestação de contas encomendada pela produtora havia sido vazada para a imprensa. O laudo em questão, porém, integra um inquérito sobre suspeita de mau uso de emendas parlamentares na produção e, segundo o O Globo, não traz informações sobre o caminho dos recursos no exterior, o que mantém em aberto a principal dúvida da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro.

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