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Zanin pede a Fachin liberação integral da mídia do celular de Vorcaro

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HBPor Henrique Barros•11 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pedindo a liberação integral da mídia do celular do empresário Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O pedido chega dois dias antes de o plenário se reunir, na terça-feira (15), para decidir o destino de um relatório da PF que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro no caso Master.

Na noite de quinta-feira (10), Fachin pediu ao relator do caso, ministro André Mendonça, a retirada do sigilo de parte dos procedimentos da investigação. Mendonça atendeu, mas liberou os relatórios da PF sobre o conteúdo do aparelho, e não a íntegra das mídias, como fotos, vídeos e notas, segundo a Folha de S.Paulo. No ofício, Zanin afirma que o material disponível no celular do ex-banqueiro está diretamente relacionado ao caso e que a decisão de Fachin pelo levantamento do sigilo já abrange esse conteúdo. Para o ministro, a disponibilização permitirá a apreciação "necessária e completa" do julgamento da próxima semana. Segundo o G1, Zanin sustenta que a mídia estaria coberta tanto pela decisão de compartilhamento dos autos quanto pelo desigilo determinado por Mendonça.

Linha do tempo do caso

O chamado caso Master tem origem em operações da PF, como "Sem Desconto" e "Compliance Zero", e corre no STF sob a relatoria de Mendonça. Vorcaro, ex-banqueiro investigado na apuração, teve o celular apreendido em novembro de 2025. Em 1º de setembro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a anulação do relatório da PF que reúne diálogos entre Moraes e Vorcaro. Na quinta (10), Fachin pediu a abertura dos autos; os arquivos foram divulgados na sexta (11), e no mesmo dia Moraes, Zanin e a PGR enviaram ofícios a Fachin pedindo ampliação do acesso aos documentos.

As divergências dentro da Corte

Moraes afirmou que Mendonça fez uma "escolha seletiva" do que veio a público e pediu o levantamento imediato de todo o sigilo. Segundo o ofício dele, foram liberados 15 procedimentos de forma parcial, com exclusão de 180 peças e documentos digitais; a Folha contabiliza 14 procedimentos com sigilo retirado. Moraes classificou Mendonça como "diretamente interessado no julgamento" e pediu ainda que duas petições sejam julgadas em conjunto: a que trata das mensagens trocadas entre ele e Vorcaro e a que reúne relatórios da PF sobre a atuação do relator nas operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".

"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu Moraes.

A PGR também se manifestou na sexta. O vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho pediu a retirada do sigilo de todos os documentos do caso para não "induzir à ideia equivocada de transparência". Segundo o órgão, a lista encaminhada por Mendonça omitiu grande parte dos procedimentos correlatos à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.

O próximo passo é a sessão de terça-feira (15), quando o plenário deve analisar petições ligadas às investigações, entre elas a do relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro. O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra Moraes ou na anulação do relatório, conforme pedido da PGR em 1º de setembro. Fachin ainda define o rito da sessão, segundo o G1. Nenhum dos citados foi condenado, e os procedimentos seguem em curso.

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