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Flávio Bolsonaro chama operação da PF de "tentativa de golpe" a 24 dias da eleição

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HBPor Henrique Barros•11 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1, Agência Brasil

O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) chamou de "tentativa de golpe" e de "fajuta" a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) para apurar suspeita de desvio de emendas parlamentares ligadas ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em transmissão semanal em seu canal no YouTube, o presidenciável afirmou que "faltam 24 dias para a eleição, gente. Eles precisam inventar alguma coisa contra mim" e anunciou que sua defesa pedirá ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que o ministro Flávio Dino seja formalmente investigado por articulação política, segundo o G1.

"O nome da operação tinha que ser tentativa de golpe. Fica a dica aí, Dino, tentativa de golpe o nome da sua ação."

O que a PF apura

Segundo a Agência Brasil, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Estão entre os alvos o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, e a produtora Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment e das entidades Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, apontadas como destinatárias dos repasses. A corporação apura suspeita de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental e crimes licitatórios; segundo as autoridades, os desvios são da ordem de centenas de milhões de reais. A ação foi autorizada por Dino, responsável no tribunal pelo processo sobre os supostos desvios de emendas. Ninguém foi condenado e os investigados negam irregularidades.

Frias, que teve a residência buscada, classificou a operação como "cortina de fumaça" em vídeo publicado nas redes sociais. O deputado negou irregularidades, disse que vai colaborar com as investigações e entregar os documentos pedidos e afirmou acreditar que o caso será arquivado, segundo o G1. A Agência Brasil informou ter procurado as assessorias de Frias e de Karina e não ter recebido resposta.

A reação do candidato

Na live, Flávio negou que dinheiro público tenha financiado o filme. "Com toda a tranquilidade do mundo, mais uma vez: não tem nada de errado com o filme do Bolsonaro. Foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado", declarou, em trecho citado pela Folha. Ele afirmou que Dino e o ministro Alexandre de Moraes "tentaram interferir nas eleições" e alegou que a ação teria sido combinada após reunião entre Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem disse estar decepcionado. A InfoMoney registrou que o candidato acusa Dino de "dar um golpe" em adversários do presidente Lula sem apresentar provas.

Flávio também insinuou troca de favores entre Dino e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Conforme a Folha, o ministro André Mendonça afastou Andrei da corporação na terça-feira (8) e Dino determinou a reintegração, decisão que o candidato chamou de "uma canetada completamente ilegal". Ele alegou ainda que a assinatura da autorização da operação por Dino, em 3 de setembro, coincide com uma publicação sua na rede X sobre tentativa de golpe nas eleições, citou pesquisas que o mostram tecnicamente empatado com Lula como contexto da ação e disse, segundo a InfoMoney, que Karina teria recebido ameaças para delatá-lo.

Como o caso chegou até aqui

O caso chegou ao STF em maio, quando o site The Intercept revelou áudios de uma conversa de novembro do ano passado em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar as gravações da cinebiografia do pai. O senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida e afirmou que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados. No tribunal, o tema corre em duas frentes paralelas: Dino apura os repasses de emendas a entidades ligadas a Karina, e Mendonça investiga o aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro ao filme, feito a pedido de Flávio, dentro do caso Banco Master.

O próximo passo anunciado é o pedido das defesas a Fachin para que Dino seja formalmente investigado; não foi informada uma data para o protocolo. Os inquéritos seguem em curso no STF, e o primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro.

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