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PF aponta que grupo de Vorcaro acessou sigilosos do MPF sobre Master e BRB

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HBPor Henrique Barros•11 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1

Um grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, obteve informações de processos sigilosos do MPF (Ministério Público Federal), entre elas, segundo a Folha de S.Paulo, dados sobre o próprio Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). A constatação está em um relatório da Polícia Federal enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo a PF, as consultas ficaram registradas nos logins funcionais de servidores do órgão. O material veio a público depois que o ministro André Mendonça derrubou, na quinta-feira (10), o sigilo das principais investigações do caso, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Reportagem da Folha publicada nesta sexta-feira (11) detalha os episódios. Em um deles, um documento atribuído ao MPF foi usado para obter informações sobre quem havia contratado um helicóptero que teria sobrevoado a casa do ex-banqueiro na Bahia. Mensagens reproduzidas no relatório mostram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e identificado como Felipe Mourão nas conversas, oferecendo a Vorcaro a possibilidade de pesquisar pessoas e empresas e encaminhando resultados de consultas a sistemas internos, inclusive de procedimentos protegidos por sigilo. Em junho de 2024, ele enviou uma lista com nomes de pessoas e empresas e afirmou que Vorcaro poderia acrescentar outros "pra puxar os sigilosos". Perguntado, em outra conversa, quais documentos desejava receber, Vorcaro respondeu: "Todos, obviamente".

Segundo a PF, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para atuar como executor operacional de Vorcaro. A lista de tarefas descrita pela Folha inclui acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês; a CNN Brasil acrescenta monitoramento, retirada de conteúdo da internet, ataques hackers e articulação com criminosos. Os investigadores descrevem Mourão como integrante do núcleo conhecido como A Turma, apresentado pela Folha como suposta milícia que servia para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações sobre o banco.

O que diz o relatório

Ao analisar o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, a PF concluiu que ele formou uma "estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas", voltada à prática reiterada de condutas ilícitas em diversas frentes. Os acessos ocorriam por meio de logins funcionais de terceiros, da extração indevida de documentos e de consultas não autorizadas em sistemas internos, segundo o documento.

"As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central", afirma o relatório citado pela CNN Brasil.

No quadro de pessoas citadas na investigação, a PF registra que o login de dois servidores do MPF foi usado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão, com anotação de "possível uso indevido, com ou sem participação consciente". As informações protegidas por sigilo eram usadas para finalidades "alheias ao interesse público", diz o documento.

Linha do tempo

  • O caso Master reúne no STF apurações sobre fraudes atribuídas ao grupo do Banco Master, controlado por Vorcaro e hoje liquidado. O banco ganhou notoriedade após o site Intercept Brasil divulgar conversas em que o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pedia recursos a Vorcaro para o filme "Dark Horse"; o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores, via fundo nos Estados Unidos, segundo o G1.
  • A PF investiga o grupo em fases sucessivas da operação Compliance Zero.
  • 4 de março: Mourão é preso na Compliance Zero e morre enforcado na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais; a morte é confirmada dois dias depois.
  • Quinta-feira (10): Mendonça atende pedido de Fachin e levanta o sigilo das principais investigações; parte dos documentos é divulgada na mesma noite.
  • Sexta-feira (11): a Folha detalha o acesso a dados sigilosos do MPF sobre o Master e o BRB.

Em depoimento à PF, Vorcaro negou ter obtido informações privilegiadas do Banco Central e voltou a acenar com uma proposta de delação, segundo a CNN Brasil. As apurações seguem sob sigilo parcial: Mendonça manteve reservados, entre outros, os inquéritos sobre o financiamento de "Dark Horse" e sobre a relação do senador Jaques Wagner com o ex-sócio do Master Augusto Ferreira Lima, informa o G1. O relatório da PF permanece sob análise da Corte, onde as investigações do caso Master tramitam sob a relatoria de Mendonça.

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