O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta sexta-feira (28) a Operação Merx, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope), contra um grupo suspeito de cobrar propina de contrabandistas de eletrônicos. A Justiça decretou sete prisões preventivas, quatro delas contra policiais civis, além de 18 mandados de busca e apreensão em três estados, segundo informações do g1 e de O Globo.
Os quatro policiais civis alvo de prisão preventiva são Jonathan Vieira, Bruno Moreno, José Nishi e Sidiclei Almeida. Até a última atualização das reportagens, quatro dos sete investigados haviam sido presos; um dos procurados estaria no Paraguai e outros dois ainda não haviam sido localizados. Todos são investigados e mantêm o direito à presunção de inocência. O g1 tenta localizar as defesas dos citados, e o espaço segue aberto para manifestação.
O que a investigação apurou
Segundo o MP-SP, os policiais interceptavam cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dos responsáveis pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la, no todo ou em parte. Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o grupo teria recebido aproximadamente R$ 2,35 milhões em vantagem indevida.
Um advogado é apontado como intermediário do esquema: negociava com os agentes, indicava contas para os pagamentos, orientava quais valores deveriam ser informados às autoridades e participava da operação para devolver as mercadorias. Em mensagens analisadas pelos investigadores, ele se referia ao dinheiro em espécie como "caixinha da alegria". Outras duas pessoas são suspeitas de comandar o contrabando e de custear os pagamentos. De acordo com o Ministério Público, a própria estrutura da Polícia Civil teria sido usada para monitorar cargas, e integrantes do grupo utilizariam dependências policiais para armazenar mercadorias e simular apreensões parciais, dando aparência de legalidade à atuação. A apuração mira os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Buscas em delegacias e bloqueio de bens
Entre os 18 endereços alvos de busca e apreensão estão três unidades da Polícia Civil na Grande São Paulo: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia. Os mandados são cumpridos em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista, além de Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens. Um outro policial civil de 1ª classe foi afastado da função, com recolhimento das credenciais de acesso aos sistemas policiais e proibição de contato com investigados e testemunhas.
O próximo passo do caso é o prosseguimento das apurações do Gaeco, que segue com três investigados foragidos, e a eventual apresentação das defesas. O MP-SP não informou, até o momento, data para novas diligências ou para a conclusão da investigação.