A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo encontrou 49 celulares lacrados dentro de um saco de lixo em uma sala trancada do 1º Distrito Policial de Barueri, na Grande São Paulo. A descoberta, feita em outubro de 2024 durante diligências para apurar o desvio de cargas contrabandeadas, consta da investigação que levou a Justiça a decretar nesta sexta-feira (28) a prisão preventiva de dois investigadores da unidade, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e da CNN Brasil.
A fiscalização da Corregedoria começou após uma denúncia anônima de que policiais civis da unidade haviam interceptado uma carga de celulares na rodovia e omitido parte dos aparelhos do boletim de apreensão. De acordo com a CNN Brasil, a denúncia aponta que os agentes teriam exigido R$ 900 mil para devolver a mercadoria ao proprietário.
Na sala do investigador-chefe Marcos Vinícius de Souza Melo, os corregedores acharam os 49 aparelhos no saco de lixo, com marcas e modelos semelhantes aos da carga citada na denúncia, além de outros seis celulares novos sobre a mesa. No cofre de armamento da sala foram encontrados R$ 19.577 em espécie, valor sem justificativa segundo o Ministério Público, e dois revólveres calibre .38 registrados em nome de terceiros sem vínculo com a unidade. Melo não compareceu à delegacia e, segundo o Gaeco, "limitou-se a fornecer remotamente a senha eletrônica de acesso à sua sala".
A sala do investigador Vagner Ramalho também estava trancada quando os corregedores chegaram. Lá dentro, luzes e ar-condicionado seguiam ligados e o computador estava desbloqueado, com o WhatsApp Web aberto. Sobre a mesa havia a CNH do investigador, três celulares e R$ 4 mil em dinheiro, segundo a CNN Brasil. A pistola particular de Ramalho não foi localizada.
"Circunstâncias aptas a denotar a possibilidade de terem os investigados se evadido ou se retirado às pressas do local", afirmou o Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo especializado em crime organizado.
Operação Merx
O caso ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (28), quando o Gaeco deflagrou a Operação Merx, que apura organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis, contrabandistas e um advogado. Segundo o Ministério Público, os policiais envolvidos no esquema cobravam até 70% do valor das mercadorias para liberar caminhões ou devolver parte das cargas apreendidas. A operação cumpriu mandados em São Paulo, Paraná e Goiás. Ao todo, sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada, e a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 4 milhões em bens dos investigados, além do afastamento de um investigador.
O juiz Djalma Moreira Gomes Júnior, da Vara Regional das Garantias de Osasco, decretou as prisões preventivas de Melo e Ramalho ao considerar que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos investigados e do risco de interferência na produção de provas. A Folha e a CNN Brasil informam que não conseguiram localizar as defesas dos dois policiais, que seguem na condição de investigados e têm assegurada a presunção de inocência. O Ministério Público ainda não apresentou denúncia formal no caso, e a investigação do Gaeco continua em curso.