A Caixa Econômica Federal desistiu de entrar com dissídio coletivo no TST (Tribunal Superior do Trabalho) contra a greve nacional dos bancários, iniciada na quinta-feira (10), depois que a categoria rejeitou a proposta de acordo apresentada pelo banco público. O dissídio é o caminho pelo qual uma das partes leva a disputa coletiva à Justiça do Trabalho. Sem a ação, a paralisação das agências segue em todo o país por tempo indeterminado.
Segundo a Folha de S.Paulo, a decisão foi comunicada na noite de domingo (13), em resposta a ofício da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). No documento, o banco informou a reabertura da mesa de negociação e disse que suspenderá as sanções contra os grevistas que havia anunciado antes. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a resposta da Caixa reconheceu a importância da negociação coletiva e reafirmou a manutenção dos canais de diálogo.
Linha do tempo do conflito
As tratativas do acordo coletivo de trabalho (ACT) específico da Caixa começaram em junho e somaram 13 rodadas em mais de dois meses, segundo o sindicato paulista. Na quarta-feira (9), a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e as entidades sindicais assinaram a convenção coletiva da categoria bancária, com reposição integral da inflação medida pelo INPC e aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, válida para cerca de 414 mil trabalhadores de 171 bancos. Como os pontos específicos da Caixa não avançaram, a greve foi deflagrada na quinta (10), após a rejeição da proposta de renovação do ACT por mais de 90% das bases sindicais, segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE). No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e ocorre apenas nas bases que negaram o acordo. Na noite de sexta (11), os empregados da Caixa rejeitaram em assembleia a oferta do banco; na maior base da categoria, São Paulo, Osasco e Região, 68% dos votos foram contrários.
O impasse do Saúde Caixa
O plano de saúde é o principal ponto de divergência. A oferta negada previa prêmio de reconhecimento de R$ 3.000 por funcionário, pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) na sexta-feira (18) e ampliação do teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%. No plano, os bancários pagariam entre 2,30% e 4,10% do salário-base, conforme a idade, além de R$ 480 a R$ 660 por dependente. A Caixa ofereceu ainda antecipar sua parcela da 13ª mensalidade do plano de 2028, 2029 e 2030 para cobrir o déficit do Saúde Caixa, pagar valores do PAMS (Programa de Assistência Médico-Supletiva) a partir de 2027 e aplicar R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027.
Para as entidades sindicais, além do Saúde Caixa, a pauta inclui a aplicação da NR-1, norma de segurança e saúde no trabalho, o combate a metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis. Durante a paralisação, a Caixa orienta os clientes aos canais digitais, como o aplicativo, o internet banking, o Caixa Tem, os caixas eletrônicos e as lotéricas, e informa que a greve não suspende, por si só, o pagamento de benefícios.
Em nota divulgada no início da greve, a Caixa afirmou que:
"mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas".
A mesa de negociação foi reaberta, mas não havia, até o fechamento desta reportagem, data anunciada para a próxima rodada. A orientação das entidades sindicais é de que a greve continue até que eventuais avanços sejam submetidos às assembleias da categoria.