A 3ª Vara de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, decidiu nesta quinta-feira (27) manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o G1. A decisão foi tomada na reavaliação periódica que a legislação exige a cada 90 dias para prisões cautelares. Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026.
Na decisão, o juízo concluiu que permanecem presentes os requisitos para a manutenção da preventiva: a garantia da ordem pública e da ordem econômica, a conveniência da instrução criminal, a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, o risco de continuidade das atividades de lavagem de dinheiro e a existência de indícios de atuação estruturada e permanente de organização criminosa.
O que diz a acusação
Pela denúncia do Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa investigada era dividida em três núcleos: o decisório, integrado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC, e por Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; o operacional; e o financeiro, no qual Deolane foi enquadrada. No pedido de manutenção da prisão, o Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do MP-SP, afirmou que a advogada seria "a principal integrante do núcleo financeiro", responsável por ocultar e dissimular recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias vinculadas a ela e às suas empresas e por converter esses valores em bens de alto valor econômico.
De acordo com a acusação, análises de documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos apontam movimentações de grandes quantias e a conversão desses recursos em ativos com aparência de origem legal, com o uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, os chamados "laranjas". O Gaeco também argumentou que dois denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, seguem foragidos, o que, na avaliação da Promotoria, reforça a necessidade da preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.
Linha do tempo do caso
- 21 de maio de 2026: Deolane é presa preventivamente no âmbito da Operação Vérnix;
- Julho de 2026: o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) nega, por unanimidade, habeas corpus impetrado pela defesa;
- 21 de agosto de 2026: o Gaeco pede a manutenção da preventiva, citando a gravidade dos fatos e o risco de fuga, segundo o site jurídico Migalhas;
- 27 de agosto de 2026: a 3ª Vara de Presidente Prudente mantém a prisão de Deolane e dos demais réus.
O que diz a defesa
A defesa de Deolane sustenta que a prisão preventiva é desnecessária e pediu a soltura da advogada durante a reavaliação, de acordo com o Migalhas. No habeas corpus julgado em julho, a defesa e um relatório da OAB-SP apresentaram queixas sobre as condições de reclusão. A relatora, desembargadora Renata Cantello, classificou as alegações como "meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão e questões de gestão administrativa interna", sem identificar ilegalidade na preventiva nem motivo para substituí-la por prisão domiciliar. A magistrada destacou ainda que a inscrição de Deolane na Ordem dos Advogados do Brasil está suspensa desde a decretação da prisão.
Todos os citados na denúncia respondem como réus e têm direito à presunção de inocência até eventual condenação transitada em julgado. Pela regra da reavaliação periódica, o caso deve voltar à análise do Judiciário em até 90 dias. Até lá, a defesa pode recorrer da decisão aos tribunais superiores.