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Ex-chefe de gabinete de Lula tratou do caso Master com advogado de Vorcaro no WhatsApp

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HBPor Henrique Barros•24 de setembro de 2026•Fontes: O Globo, Estado de Minas (Folhapress), CBN

O então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, tratou da situação do Banco Master com Walfrido Warde, advogado do banqueiro investigado Daniel Vorcaro, em um grupo de WhatsApp chamado "Amigos". As mensagens, trocadas em julho de 2025, fazem parte do material extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e analisado no inquérito do caso Master. A revelação é do jornal O Globo, nesta quinta-feira (24), e foi noticiada também pela rádio CBN.

Na conversa, Warde pediu que Marcola levasse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um recado contra o Banco Central. Para o advogado, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, estaria "embarreirando" as negociações para a venda do Master ao BRB, banco público de Brasília. "@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente", escreveu Warde, que acrescentou: "O Gabriel não tem estofo pro cargo. Avise o chefe por favor". Quatro minutos depois, veio a resposta do então chefe de gabinete: "Vixe. Blz".

Os diálogos ocorreram depois de Vorcaro relatar ter tomado conhecimento de uma reunião em que Galípolo teria apontado erros contábeis no Master. "Não dá mais (...) Temos que ir pro embate", escreveu o banqueiro a Warde. "Avise presidente amanhã e vamos pra guerra", pediu em seguida. "Ja fiz isso", respondeu o advogado. Quando Warde voltou a reclamar que Galípolo "pediu para fazer a operação do BRB e está embarreirando", Marcola escreveu: "Avisarei aqui. Dou notícias". Segundo O Globo, à época o BC já havia identificado, em auditorias, indícios de gestão fraudulenta em operações do Master envolvendo o BRB, encaminhados ao Ministério Público Federal.

Linha do tempo do caso

  • Abril de 2024: segundo O Globo, Warde inicia uma articulação com Marcola para colocar Vorcaro em contato com Lula; em áudio, o advogado diz que o chefe de gabinete cobrava um e-mail com os assuntos de interesse do banqueiro para marcar uma reunião.
  • 4 de dezembro de 2024: único encontro entre Lula e Vorcaro, segundo o governo.
  • Julho de 2025: mensagens no grupo "Amigos", do qual participavam também o advogado Rafael Valim, sócio de Warde.
  • Setembro de 2025: o BC formaliza a rejeição da compra do Master pelo BRB, após cinco meses de análise.
  • 24 de setembro de 2026: O Globo publica as conversas apreendidas pela PF.

Defesas e respostas

Procurado, Marcola, que deixou o cargo, afirmou por meio de assessoria que "nunca intermediou negociações, encaminhou documentos referentes a compras e licitações públicas ou atuou em favor de qualquer interesse privado". Em nota, disse que o caso "dizia respeito à ameaça de liquidação de um banco" e que, ao ser procurado por interlocutores da instituição, "apenas informou que faria os encaminhamentos institucionais e levaria as informações às instâncias cabíveis". Na versão veiculada pela CBN, a defesa acrescentou que ele apenas pediu a formalização de eventual pedido de audiência. Warde não se manifestou; a defesa de Vorcaro também não comentou.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que Lula se encontrou uma única vez com Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. "Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. O presidente não tem conhecimento da suposta articulação" de Warde e "tampouco enviou recado", diz a nota. Na ocasião, Vorcaro teria dito que se sentia alvo de perseguições, e Lula teria respondido que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Procurado, o BC informou que não vai se pronunciar.

O inquérito da PF sobre o Master segue em curso. Galípolo confirmou nesta quinta-feira (24) que foi intimado para depor como testemunha, com depoimento previsto para o começo de outubro. Também foram convocados o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, segundo reportagem do Estado de Minas (Folhapress). Na mesma investigação, dois ex-gestores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, são investigados sob suspeita de atuar em favor dos interesses de Vorcaro dentro do regulador; a defesa de ambos nega qualquer favorecimento. Nenhum dos citados neste episódio foi condenado.

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