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Carbono Oculto: mensagens ligam compra da Terrana a investigado com elo no PCC

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HBPor Henrique Barros•26 de setembro de 2026•Fontes: Brasil de Fato, g1

Mensagens extraídas de celulares de investigados mostram que decisões sobre a compra da distribuidora de combustíveis Terrana passavam por Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", investigado por elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os diálogos foram detalhados pelo g1 neste sábado (26), dois dias após a deflagração da terceira fase da operação Carbono Oculto, batizada Crédito Oculto, conduzida pelo Gaeco, grupo especial do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com a Receita Federal. A fase cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do Banco Genial e a um delator do caso Banco Master.

Nos diálogos, o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral, que figurou formalmente como comprador da Terrana, afirma que uma decisão sobre os termos da operação "depende do Primo". Humberto Tupinambá, então sócio e diretor do Banco Genial, responde: "Sim, vou falar com ele". A decisão judicial que autorizou as buscas destaca que, segundo as conversas, o tomador de decisões era o "Primo". Para o Gaeco, um grupo de WhatsApp chamado "Novo direção Terrana", criado no fim de 2024, depois da compra, reunia os responsáveis pela condução financeira, contábil e administrativa da distribuidora: Narcélio, Mohamad e outros três operadores, que compartilhavam documentos sobre a operação societária que transferiu o controle da empresa.

As mensagens registram também o desconforto do grupo quando reportagens passaram a relacionar a aquisição à Copape, a Mohamad e ao PCC. Ao encaminhar uma das matérias a Humberto Tupinambá, Narcélio escreveu "Cagada!" e afirmou que "o primo está mais nervoso que eu", em referência que os investigadores atribuem a Mohamad. Segundo a investigação, Narcélio relatou que integrantes do grupo colocavam pessoas com nomes falsos dentro da empresa. A decisão judicial menciona que Ioná Patrícia de Lima Andrade passou a usar o nome "Camila Junqueira" depois que uma reportagem a relacionou à distribuidora.

O comprador de fachada, segundo o MP

Para o Ministério Público, Narcélio foi recrutado como comprador formal porque era um nome conhecido no setor de combustíveis e poderia passar pelos procedimentos de compliance exigidos na venda. Ele receberia comissão de 0,75% sobre a transação, além de remuneração mensal por três meses durante a gestão inicial da empresa. Em uma das mensagens citadas na decisão, ele fala em "manter a imagem de que a empresa foi comprada por mim", trecho destacado pelo juiz ao fundamentar as medidas. A aquisição foi formalizada pelas holdings Berna e Branson, criadas em setembro de 2024 com capital social de R$ 1 mil cada, com Narcélio como titular formal. Segundo os investigadores, R$ 100 milhões do grupo passaram em poucos minutos por contas de empresas usadas como passagem até a Usina Itajobi, em Marapoama (SP), foram aplicados no fundo Radford e transformados em um certificado de depósito bancário no Banco Genial, que emprestou o mesmo valor às duas holdings. O negócio completo é estimado em até R$ 153 milhões.

Linha do tempo e próximos passos

  • Setembro de 2024: as holdings Berna e Branson são criadas e a Terrana, que chegou a figurar entre as dez maiores distribuidoras do país, é comprada.
  • Agosto de 2025: primeira fase da Carbono Oculto; Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad passam à condição de foragidos, segundo reportagem do Estadão reproduzida pelo Brasil de Fato.
  • 24 de setembro de 2026: terceira fase, Crédito Oculto, cumpre mandados contra 13 pessoas e 19 empresas em sete estados, 26 deles em São Paulo.
  • 26 de setembro de 2026: o g1 detalha as mensagens que sustentam as suspeitas do Gaeco.

Os alvos da fase incluem Humberto Tupinambá e seus irmãos, André e Bruno, e o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos e colaborador da PGR nas investigações sobre o Banco Master. A Entre aparece no fluxo de dinheiro do esquema e, segundo apuração do Estadão citada pelo Brasil de Fato, a usina usada na estrutura recebeu R$ 20 milhões da empresa de Freixo. A Entre é a mesma firma que o banqueiro Daniel Vorcaro usou para enviar ao menos US$ 12,3 milhões ao fundo americano que financiou "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Nenhum dos citados nesta fase foi denunciado ou condenado; Beto Louco e Mohamad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta pagamento de R$ 400 milhões em propina a políticos e autoridades.

Em nota, o Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído. A investigação, porém, trata de acontecimentos anteriores a essa data. Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP), onde o processo corre em segredo de justiça. Não há data definida para o oferecimento de denúncia nem para novas fases da operação.

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