O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime. A denúncia foi apresentada na terça-feira (25) pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, e tem como base comentários feitos pelo ex-parlamentar em um vídeo publicado em seu canal no YouTube sobre a Operação Carbono Oculto, segundo reportagem do Metrópoles confirmada em nota oficial do próprio MPSP.
De acordo com a denúncia, Arthur do Val afirmou no vídeo: "Oh! Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto". A fala faz referência aos operadores do mercado financeiro investigados por lavar dinheiro de um esquema que, segundo a força-tarefa responsável, tem núcleos comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Para o Ministério Público, a declaração configura incitação pública à prática de crime, conduta prevista no artigo 286 do Código Penal, que estabelece pena de detenção de três a seis meses ou multa.
Linha do tempo do caso
- Agosto de 2025: MPSP, Ministério Público Federal, Polícia Federal e outros órgãos deflagram a Operação Carbono Oculto, contra um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis;
- 25 de agosto de 2026: o promotor Roberto Bacal apresenta a denúncia contra Arthur do Val por incitação ao crime, com base no vídeo publicado no YouTube;
- 26 de agosto de 2026: o caso vem a público em reportagens de Metrópoles, VEJA e Brasil 247.
Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto reuniu cerca de 1.400 agentes de instituições como MPSP, Ministério Público Federal, Polícia Federal, polícias Civil e Militar, Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Fazenda, com apoio do Gaeco. À época, a força-tarefa afirmou se tratar da maior operação contra o crime organizado da história do país. Segundo a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos de combustíveis movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou apenas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos. Para lavar o dinheiro do esquema, o grupo teria usado 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
Arthur do Val é ex-deputado estadual de São Paulo e teve o mandato cassado após o vazamento de áudios com comentários sexistas sobre refugiadas ucranianas. Ele está inelegível até 2030 e, em julho deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, manteve a cassação. Atualmente filiado ao partido Missão, segundo o Metrópoles, ele tenta retomar a carreira política.
O Metrópoles informou que tentou contato com Arthur do Val para solicitar um posicionamento sobre a denúncia, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem; o espaço segue aberto para manifestação. Com a denúncia oferecida, o próximo passo do caso é a análise pela Justiça paulista, que decidirá se aceita ou não a acusação do MPSP. Somente se a denúncia for recebida o ex-deputado passará à condição de réu. Ainda não há data prevista para essa decisão.