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Ex-vereador Camilo Cristófaro é condenado a 1 ano e 9 meses por injúria racial

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A Justiça de São Paulo condenou o ex-vereador Camilo Cristófaro a 1 ano, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto, por ofensas e injúria racial contra uma líder comunitária, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. A sentença é de primeira instância, e o ex-parlamentar, cassado por racismo em 2023, poderá recorrer em liberdade.

A reportagem da Folha, publicada nesta quinta-feira (27), não informa a vara responsável pela sentença nem detalha as ofensas. O caso se soma ao histórico judicial de Cristófaro. Em junho de 2022, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) o denunciou por injúria racial e ameaça contra a auxiliar de enfermagem Dilza Maria Pereira. Conforme a denúncia, baseada em investigação do 2º Distrito Policial do Bom Retiro e divulgada pelo Poder360, o então vereador teria dito sobre a vítima: "Negra safada. E além de negra safada era uma negra ladra, sem poder nenhum de voz". A Folha não esclarece se a condenação desta semana decorre dessa denúncia.

Semanas depois, em julho de 2022, o MPSP apresentou uma segunda denúncia contra Cristófaro, desta vez pelo crime de racismo, por causa da frase "é coisa de preto, né?", captada pelo microfone aberto do vereador durante sessão remota da CPI dos Aplicativos, na Câmara Municipal, em 3 de maio daquele ano. A promotoria pedia indenização por dano moral coletivo e a declaração de perda do mandato. Nessa ação penal, Cristófaro foi absolvido: em julho de 2023, um juiz concluiu não haver racismo na fala, segundo o site Migalhas.

No plano político, o desfecho foi diferente. Em setembro de 2023, a Câmara Municipal cassou o mandato de Cristófaro após processo por quebra de decoro parlamentar. Ele foi o primeiro vereador de São Paulo a perder o mandato por racismo, de acordo com o Alma Preta Jornalismo.

Linha do tempo do caso

  • 3 de maio de 2022: a frase "é coisa de preto, né?" é captada durante sessão remota da CPI dos Aplicativos;
  • 9 de junho de 2022: o MPSP denuncia Cristófaro por injúria racial e ameaça contra a auxiliar de enfermagem Dilza Maria Pereira;
  • 8 de julho de 2022: segunda denúncia, pelo crime de racismo, referente à frase dita na sessão da CPI;
  • Julho de 2023: a Justiça absolve o vereador na ação penal sobre a fala na CPI;
  • Setembro de 2023: a Câmara Municipal cassa o mandato de Cristófaro;
  • 27 de agosto de 2026: o ex-vereador é condenado a 1 ano, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime aberto por injúria racial contra uma líder comunitária.

Um dia após o episódio na CPI, em 2022, Cristófaro divulgou um vídeo ao lado de funcionários negros com o título "racismo é um erro, eu peço perdão" e afirmou, nas redes sociais, que não é racista. "Venho de uma geração onde as piadinhas eram normais e preciso passar por uma desconstrução desses preconceitos", disse ele na ocasião, segundo o Poder360. A defesa do ex-vereador não foi localizada pela reportagem da Folha para comentar a condenação.

O próximo passo processual é a apresentação de recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que Cristófaro pode protocolar em liberdade. Não há prazo ou data de julgamento informados até o momento. Como a sentença é de primeira instância, a condenação ainda não transitou em julgado.

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