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PF detalha 'fábrica de documentos' no Master para validar créditos vendidos ao BRB

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HBPor Henrique Barros•12 de setembro de 2026•Fontes: Valor Econômico, g1

A Polícia Federal encontrou, em um HD corporativo entregue pelo liquidante do Banco Master, uma apresentação de PowerPoint que descreve passo a passo uma "fábrica de documentos" montada por funcionários da instituição para dar aparência de legitimidade a R$ 7,155 bilhões em créditos vendidos ao Banco de Brasília (BRB). O achado consta da Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A nº 1390980/2026), concluída em 23 de março, e foi detalhado pelo g1 neste sábado (12), depois da queda de sigilo de documentos do caso Master.

Segundo o relatório, o arquivo "Revisão - processos e documentos.pptx" estava armazenado no SharePoint do banco, tinha 26,7 MB e 30 slides, um deles oculto. Os registros técnicos indicam que foi criado em 23 de outubro de 2025, às 12h09, e modificado pela última vez no dia seguinte, às 17h45. A apresentação descrevia um fluxo que começava com a extração de dados reais de clientes e contratos do CredCesta, programa de crédito consignado do Master, passava pelo processamento dessas informações em softwares desenvolvidos especificamente para a tarefa e terminava no que a PF classifica como "geração industrial de documentos financeiros".

Entre os papéis estavam Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), documentos usados para formalizar dívidas, além de Termos de Consentimento e Procurações, estas últimas geradas por mala direta. A apresentação também registra alterações em documentos: retirada de datas de Termos de Consentimento, extração de páginas específicas e separação das páginas de assinatura. Funcionários solicitavam ainda comprovantes de transferências financeiras sem informações que permitissem rastrear as operações. Para a PF, o conjunto dessas atividades envolvia áreas diferentes do banco em uma "operação coordenada".

Como os papéis chegaram ao BRB

Os documentos serviam para sustentar a cessão de créditos simulada com a Tirreno Consultoria, empresa criada em outubro de 2024 com R$ 100 de capital social, sem funcionários e sem capacidade operacional, segundo a perícia. Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, Master e Tirreno assinaram 28 instrumentos de cessão de crédito consignado, com mais de 1 milhão de contratos lançados nos sistemas do banco. Não houve liquidação financeira real: a conta corrente da Tirreno, aberta depois, permaneceu inativa, e os valores ficaram restritos a lançamentos escriturais internos em uma conta gerencial reservada do próprio Master. Os papéis foram então repassados ao BRB, que aceitou os créditos mesmo diante das irregularidades, segundo o g1.

O caso até aqui

O Master, controlado por Daniel Vorcaro, investigado no caso, e hoje em liquidação, é alvo da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase ocorreu em novembro de 2025. Como não conseguiu copiar todo o acervo nas buscas, a PF pediu os equipamentos ao liquidante, que entregou o HD em 27 de novembro de 2025. Veja os principais fatos apurados:

  • 1º de outubro de 2024: é criada a SX 016, depois renomeada Tirreno, com R$ 100 de capital social.
  • 24 de dezembro de 2024 a 14 de maio de 2025: Master e Tirreno assinam 28 contratos de cessão somando R$ 7,155 bilhões.
  • 23 de junho de 2025: André Seixas Maia, que assinou os contratos pela Tirreno, envia ao BRB link com 1.785 kits documentais.
  • 23 e 24 de outubro de 2025: a apresentação sobre a produção de documentos é criada e alterada no SharePoint do Master.
  • 27 de novembro de 2025: o liquidante entrega o HD à PF, que localiza o arquivo.
  • 23 de março de 2026: a PF conclui a IPJ-A nº 1390980/2026.

As conclusões têm natureza investigativa e não equivalem a condenação; todas as pessoas citadas gozam de presunção de inocência. A reportagem do g1 não traz manifestação do Banco Master, do BRB ou das defesas sobre o conteúdo da apresentação. O Valor Econômico também noticiou o relatório neste sábado. O caso Master tramita no Supremo Tribunal Federal e alimenta a crise entre ministros do tribunal. O próximo passo é a sessão de terça-feira (15), mantida pelo presidente, Fachin, apenas para o caso do ministro Alexandre de Moraes; em 23 de setembro, o STF se reúne para apreciar pedido do ministro André Mendonça, relator do caso Master, segundo o g1.

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