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Mensagem do Master chama advogada que recebeu R$ 33 milhões de 'sócia' de Gilmar

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Executivos do Banco Master tratavam a advogada Dalide Corrêa, que recebeu R$ 33 milhões da instituição, como "sócia" do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A referência aparece em mensagens de dezembro de 2024 trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujo celular foi apreendido pela Polícia Federal. Os diálogos foram obtidos pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o caso foi repercutido neste sábado (19) pela Folha de S.Paulo. O gabinete do ministro diz que a afirmação é falsa.

Na conversa, o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, pressionava Vorcaro a liberar uma fatura de R$ 15 milhões destinada à advogada, que cobrava pagamentos em atraso. As iniciais "GM" citadas na mensagem se referem a Gilmar, decano da Corte.

"Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse", escreveu Rennó, segundo os diálogos obtidos pela PF.

Além da suposta proximidade com o ministro, a mensagem menciona a operação da advogada com o BTG Pactual, banco que Vorcaro via como rival, segundo a coluna.

Linha do tempo do caso

Segundo O Globo, Dalide atuava a favor dos interesses de Vorcaro no mercado de precatórios. As disputas do setor sucroalcooleiro tramitam há mais de 30 anos e derivam de pedidos de usinas por indenizações pelo tabelamento de preços imposto pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990. São causas bilionárias acompanhadas de perto pelo Master. Veja os principais pontos:

  • Até novembro de 2016: Dalide foi diretora-geral do IDP, instituição de ensino fundada por Gilmar e hoje comandada por um dos filhos dele, cargo que ocupou por cerca de nove anos, segundo ela própria.
  • Abril de 2024: Gilmar recebeu Vorcaro e advogados do Master em seu gabinete no STF para tratar de um processo sobre precatório da Usina Alcídia, segundo informação prestada pelo próprio gabinete à coluna. O ministro votou contra os interesses do banco.
  • 27 de agosto de 2024: Rennó cobrou de Vorcaro autorização urgente para a fatura de R$ 15 milhões de Dalide. "Aquela fatura de 15m para a Dra Dalide! André te mandou a explicação ontem! Obtivemos vitória importante no caso da Catende!", escreveu, citando a usina pernambucana de Catende.
  • Dezembro de 2024: em nova rodada de cobranças, Rennó chamou a advogada de "sócia do GM stf".
  • Setembro de 2026: a coluna de O Globo divulga os diálogos; Gilmar e Dalide negam qualquer sociedade.

O que dizem as defesas

Em nota, o gabinete de Gilmar classificou como "falsa" a associação feita pelos executivos e afirmou que o ministro nunca teve qualquer sociedade com Dalide, nem no IDP nem em qualquer outra empresa. Segundo a nota, a advogada ocupou "cargo técnico de diretora-geral" do instituto e saiu em novembro de 2016. O gabinete sustenta que o ministro "não tem conhecimento de atuação" dela em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro e que Gilmar votou contra o pagamento em todos os processos do setor que julgou, em linha com as teses da União: "Em nenhum deles o voto foi favorável aos interesses do Banco Master".

Dalide negou qualquer sociedade com Gilmar e qualquer vínculo societário com o IDP, e disse não ter relação com o BTG. Segundo seu escritório, ela atuou em processos movidos inicialmente por empresas que venderam créditos ao Master e que depois tiveram o banco como sucessor nas ações. À Folha, Gilmar afirmou não ter relação pessoal ou profissional com a advogada, tratando-a apenas como ex-funcionária. Já a coluna de O Globo apurou que os dois seguem próximos até hoje.

O valor de R$ 33 milhões pago ao escritório de Dalide foi detectado por uma auditoria interna do BRB, banco estatal de Brasília que tentou comprar o Master, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A PF também encontrou mensagens em que o executivo Alberto Félix trata a advogada como "canal direto com o STF". Ninguém foi condenado, e os diálogos integram o material do celular de Vorcaro em análise nas investigações do caso Master. Segundo o G1, os ministros André Mendonça e Fux informaram à PF, em ofícios, que não conseguem acessar a íntegra da cópia do celular e pediram auxílio técnico. Não há data definida para os próximos passos.

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