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Tarcísio chama de "institucional" relação com Milton Leite, alvo em operação do PCC

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HBPor Henrique Barros•18 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (17) que sua relação com o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), alvo de mandado de prisão temporária na operação que apura a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital, "sempre foi institucional". A declaração foi dada a jornalistas durante visita às obras do Hospital Regional de Itapetininga, no interior paulista.

"Sempre foi um relacionamento institucional, um relacionamento propositivo, voltado a projetos, e é assim que a gente tem trabalhado. Isso não tem nada a ver com outras questões, que aí são objeto de investigação", disse o governador, segundo o InfoMoney. Segundo o veículo, Tarcísio citou como exemplo da interlocução com Leite discussões sobre saneamento básico e a chegada do trem a Parelheiros, na zona sul da capital, e não respondeu diretamente se a operação altera seu apoio às candidaturas dos filhos do ex-vereador. "Da nossa parte, o que houve sempre foi relação institucional", reiterou. Para o governador, "as operações não enxergam pessoas, não enxergam partidos, não enxergam posicionamentos políticos. Elas enxergam fatos".

Como o caso chegou até aqui

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta pela Polícia Civil e pelo Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpriu, segundo o InfoMoney, 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão para apurar a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de ônibus da capital. Leite, que presidiu a Câmara Municipal por seis anos, é suspeito de integrar o esquema, é considerado foragido pela polícia e negou as acusações em entrevista à Folha de S.Paulo. Veja os principais momentos:

  • 30 de agosto: Tarcísio participou do lançamento das candidaturas dos filhos de Leite, Alexandre Leite (deputado estadual) e Milton Leite Filho (deputado federal), ambos do União Brasil, em evento no bairro de Campo Grande, na zona sul da capital. O ex-presidente da Câmara doou R$ 60 mil às campanhas dos filhos, R$ 30 mil para cada um, segundo a Folha.
  • 17 de setembro: a operação foi deflagrada e Leite virou alvo de prisão temporária. Em vídeo, Alexandre Leite disse que ele e o irmão suspenderam as agendas de campanha "até a gente conseguir se reestruturar" e que soube do pedido de prisão do pai pela imprensa. No mesmo dia, Tarcísio falou sobre o caso em Itapetininga.

Reações e próximos passos

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alexandre Leite chamou a decisão judicial de "covardia".

"É uma covardia, uma pessoa de 70 anos com uma carreira pública ilibada em um momento como esse, às vésperas da eleição, [sofrer] esse tipo de decisão."

Segundo o InfoMoney, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado de Leite, elogiou a "história" do ex-presidente da Câmara e afirmou que cabe a ele provar sua inocência. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e Tarcísio não disse se mantém o apoio aos filhos do investigado.

O mandado de prisão temporária contra Leite segue sem ser cumprido, e a polícia o mantém como foragido. Outro alvo na mesma condição é o empresário Paulo Korek, conhecido como Paulinho Camarão, apontado pela investigação como "testa de ferro" da facção no setor de transportes; sua defesa informou ao G1 que ele pretende se apresentar às autoridades, e a empresa A2 Transportes nega envolvimento com o PCC. A prisão temporária, prevista na Lei 7.960/89, tem prazo determinado, e o fim desse prazo define o próximo passo processual: caberá ao MP-SP decidir se oferece denúncia contra os investigados.

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