O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou nesta sexta-feira (28) 15 torcedores do Internacional apontados como envolvidos na agressão a um torcedor do Grêmio em Porto Alegre, segundo informou o G1. A denúncia foi apresentada à 3ª Vara do Júri da capital gaúcha, responsável pelos crimes dolosos contra a vida. De acordo com a promotoria, dez dos denunciados vão responder por tentativa de homicídio qualificada.
Cronologia do caso
O ataque ocorreu em março deste ano, em dia de Gre-Nal válido pelo Campeonato Gaúcho, após confronto entre integrantes de torcidas organizadas rivais, conforme a Rádio Guaíba. De acordo com a investigação, a vítima foi perseguida pelos agressores e alcançada na Rua Terezinha Turcato, no bairro Costa e Silva. Em agosto, torcedores do Inter chegaram a ser presos como suspeitos de tentativa de homicídio contra o gremista, como registrou a CNN Brasil no dia 13. A denúncia formal do MPRS foi apresentada nesta sexta-feira, quase seis meses depois do crime.
Segundo o MPRS, o homem foi atingido por socos, chutes e golpes de pedaços de madeira e sofreu lesões consideradas graves. Ele ficou 21 dias em coma. A promotoria sustenta que a morte não ocorreu porque a vítima recebeu atendimento médico rapidamente.
Qualificadoras e outros crimes
A denúncia aponta três qualificadoras para a tentativa de homicídio: motivo fútil, por estar ligada à rivalidade entre torcidas; meio cruel, em razão da violência empregada; e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque teria ocorrido com superioridade numérica dos agressores. Todos os 15 investigados também foram denunciados por participação em briga de torcidas, associação criminosa e corrupção de menor, porque, conforme a apuração, um adolescente participou das agressões junto ao grupo.
Ainda segundo o Ministério Público, os envolvidos fariam parte de uma associação voltada a ações violentas ligadas à rivalidade entre organizadas. A investigação indica que o grupo usava aplicativos de mensagens para trocar informações, monitorar integrantes de torcidas adversárias, organizar deslocamentos e planejar ataques. A promotoria também pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima para reparar os danos causados à vítima.
A denúncia não implica condenação: os 15 investigados são considerados inocentes até decisão judicial em contrário e terão direito à ampla defesa. Cabe agora ao juiz da 3ª Vara do Júri analisar a peça do MPRS e decidir se aceita a acusação, o que tornaria os denunciados réus. Se a Justiça os pronunciar por tentativa de homicídio, o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para essa decisão.