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Baianos afirmam ter caído em esquema de tráfico humano no Camboja e Madagascar

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HBPor Henrique Barros•30 de agosto de 2026•Fontes: Jornal Correio, G1, Aratu On

Nove baianos afirmam ter sido vítimas de tráfico de pessoas em um esquema internacional que os levou ao Camboja, no sudeste asiático, e depois a Madagascar, na costa leste da África. Segundo reportagem do g1 publicada nesta sexta-feira (28), eles integram um grupo de cerca de 20 brasileiros, que inclui pessoas do Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais, atraídos por propostas de trabalho com salário em dólar. Ao chegar ao Camboja, relatam ter tido os passaportes retidos, sofrido agressões e sido obrigados a aplicar golpes pela internet contra brasileiros.

De acordo com a advogada Queila Veloso, que representa uma das vítimas, a baiana recebeu a proposta em outubro de 2025, por indicação de um amigo que, sem que ela soubesse, também havia caído no esquema. A oferta previa cerca de um ano de trabalho no país asiático, salário de US$ 1,5 mil por mês e passagem aérea paga pela contratante. Desempregada no Brasil, ela aceitou.

A realidade descrita pelas vítimas é outra. Segundo a advogada, os brasileiros eram mantidos em uma vila fortificada, impedidos de deixar os alojamentos, e quem se recusava a trabalhar no esquema de telemarketing fraudulento era agredido, ameaçado e acumulava dívidas milionárias.

"Muitos tentaram fugir, foram agredidos, éramos humilhados constantemente todos os dias", relatou ao g1 uma das vítimas, que pediu para não ser identificada.

Os relatos indicam que, após batidas policiais nos alojamentos no Camboja, o grupo foi transferido para Madagascar. Uma das vítimas contou que as multas impostas pelos exploradores chegaram a deixá-la um mês sem salário e que adoeceu em solo africano, sendo obrigada a trabalhar mesmo doente: "Eu contraí uma doença aqui em Madagascar, fui trabalhar doente, vomitando, com diarreia, cheguei a quase desmaiar".

Linha do tempo do caso

  • Outubro de 2025: uma baiana desempregada recebe a proposta de trabalho no Camboja, por indicação de um amigo.
  • Meses seguintes: o grupo de cerca de 20 brasileiros tem os passaportes retidos e é obrigado a aplicar golpes na internet, segundo os relatos.
  • Após batidas policiais no Camboja: os brasileiros são transferidos para Madagascar.
  • 19 de agosto de 2026: nova operação policial, desta vez em Madagascar, prende o grupo, que estava sem documentos.
  • Cerca de três dias depois: os brasileiros são soltos e acolhidos pela ONG Exodus Road Brasil.

A diretora da Exodus Road Brasil, Cintia Meirelles, afirmou ao g1 que o grupo está abrigado em uma igreja, com a localização mantida em sigilo por segurança, e recebe apoio de organizações e missionários locais. Segundo ela, os brasileiros ainda não receberam nenhum suporte do governo federal.

Em nota, o Itamaraty informou que recebeu pedidos para apurar o caso junto às autoridades de Madagascar. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) disse que acompanha a situação e que as providências diplomáticas para o retorno do grupo estão sendo adotadas. O caso também foi noticiado por outros veículos baianos, como o Jornal Correio e o portal Aratu On.

Não há data prevista para a repatriação. O próximo passo, conforme a SJDH, depende da tramitação diplomática entre Brasil e Madagascar para a emissão de documentos de viagem e o retorno do grupo. As identidades das vítimas são preservadas, e os brasileiros são tratados pelas autoridades como possíveis vítimas de tráfico de pessoas, crime previsto no artigo 149-A do Código Penal.

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