Dois homens invadiram na madrugada desta terça-feira (8) o Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer, no sul da França, e levaram quatro telas do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir avaliadas em € 9 milhões (cerca de R$ 53 milhões), segundo o prefeito da cidade, Bryan Masson. Durante a fuga, os autores deixaram cair uma das telas, que ficou para trás; as outras três seguem desaparecidas.
Como ocorreu o assalto
Segundo o prefeito, citado pela agência AFP, o alarme do museu foi acionado às 5h48 no horário local (0h48 no fuso de Brasília), e a polícia municipal chegou ao local cinco minutos depois. Os policiais perseguiram os dois homens, que largaram uma das telas. "Identificados pelas câmeras de segurança da cidade, os dois indivíduos fugiram, abandonando uma das pinturas roubadas", diz a nota oficial do prefeito. Fotografias divulgadas pela AFP mostram policiais junto a um buraco aberto na cerca externa do museu.
Masson não identificou as obras. Segundo o jornal regional francês Nice-Matin, os alvos foram Retrato de Madame Pichon (1895), Retrato de Madame Colonna Romano (1910), Coco Lisant (1905) e Jeune fille au puits (1886), todas de Renoir. Não está claro qual delas foi abandonada na fuga.
Criado em 1960, o museu ocupa a última casa de Renoir (1841-1919), em uma colina de Cagnes-sur-Mer, perto de Nice, onde o pintor morou seus últimos anos e faleceu. Segundo a agência Reuters, o acervo em exposição reúne 13 pinturas do artista, cerca de 40 esculturas, além de móveis e fotografias; o casarão preserva ainda o cavalete e a cadeira de rodas do pintor, segundo a AFP.
Série de roubos a museus na França
O roubo acontece quase um ano depois do assalto ao Louvre, o museu mais visitado do mundo, em pleno centro de Paris, quando ladrões equipados com ferramentas elétricas subtraíram oito joias da Coroa da França em plena luz do dia e fugiram de scooter; as peças seguem desaparecidas, segundo a AFP. No início de julho, ladrões levaram joias avaliadas em mais de € 4,5 milhões do Museu Lalique, ao norte de Estrasburgo. No fim do mesmo mês, um colar de ouro da época celta do Tesouro de Vix foi roubado em plena luz do dia em um museu da Borgonha. A polícia europeia Europol afirmou no mês passado que roubos de obras de arte na Europa estão se tornando mais violentos. Em julho, o Ministério da Cultura da França apresentou um plano de 33 medidas e recomendou a retirada temporária das peças mais vulneráveis das vitrines. "Trata-se de deixar a salvo os objetos mais vulneráveis à espera da garantia de segurança de sua exposição", disse a pasta em comunicado.
"Desde esta manhã, tanto a polícia municipal quanto a nacional foram mobilizadas para o local. Os autores estão sendo procurados ativamente, e a investigação está em andamento", afirmou o prefeito Bryan Masson.
Até a publicação das reportagens consultadas, ninguém havia sido preso nem formalmente apontado como autor do roubo. Não há data anunciada para o próximo passo da apuração, que segue a cargo das autoridades policiais francesas; eventual imputação de autoria dependerá da conclusão do inquérito.