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Ex-PGR Fonteles defende afastamento de Gonet do caso Master e investigação de Moraes

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HBPor Henrique Barros•4 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, BBC News Brasil

O ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, que chefiou o Ministério Público Federal entre 2003 e 2005, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, disse à BBC News Brasil que o atual PGR, Paulo Gonet, deve se afastar do comando das investigações do caso Master e repassá-las ao vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Na entrevista, publicada na quinta-feira (3), o ex-PGR defendeu também a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou o impasse entre o ministro e o relator dos inquéritos, André Mendonça, como a maior crise da história da Corte.

O pedido de afastamento se apoia em diálogos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, que citam Gonet. Segundo relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado na terça-feira (1) por Mendonça, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do banco, aparece como intermediário de contatos entre Vorcaro e o procurador-geral. Em março de 2025, Soares teria atuado para que Vorcaro incluísse Pedro Gonet, filho do PGR, em uma viagem a Londres bancada pelo Master. Dias antes, o advogado enviou ao banqueiro uma foto ao lado de Gonet, informando que estava com ele, e os dois trocaram ligações. Até a publicação da reportagem, Gonet não havia se manifestado sobre as revelações. "O procurador-geral da República tem que explicar isso", afirmou Fonteles. Para ele, o episódio da viagem é o "mais delicado", mas não configura, necessariamente, um ilícito criminal; ainda assim, o afastamento das investigações seria "uma garantia para ele mesmo".

Linha do tempo para quem chega agora

O Banco Master é alvo de inquéritos no STF que apuram fraudes bilionárias. Entre as mensagens atribuídas pela PF a Vorcaro e a Moraes está um suposto pedido, de 30 de outubro de 2025, para que o ministro interferisse a favor do banqueiro na atuação de Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o Brasil; foi preso dois dias depois, ao tentar embarcar para Dubai, e o banco foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte. As apurações também apontaram que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Master, documento que chegou a ser editado por Moraes. Depois da retirada do sigilo do relatório, o caso passou por uma sequência de reportagens e vazamentos envolvendo também Mendonça, a Procuradoria e nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL-MG), como registrou o podcast Café da Manhã, da Folha. Nenhum dos citados é réu ou foi condenado; as suspeitas seguem em apuração.

A disputa sobre o relatório

Na segunda-feira (31), Mendonça determinou que a PGR analisasse o relatório e se manifestasse sobre a abertura de investigação contra Moraes. Gonet pediu o contrário: a anulação do caso. Para o PGR, Mendonça não podia encomendar diretamente à PF um relatório sobre o próprio colega de Corte e deveria ter levado a questão ao plenário antes de determinar essa apuração inicial. "Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais", argumentou, em manifestação citada pela BBC.

Fonteles discorda. Segundo o ex-PGR, não houve ilegalidade, porque a Lei 13.964 de 2019, que criou a figura do juiz de garantias, ampliou a atuação do juiz na investigação criminal, ao autorizar a requisição de documentos, laudos e informações ao delegado de polícia. E sustenta que o plenário do STF já tem elementos para abrir inquérito sobre a conduta de Moraes.

"Diante desses fatos que se apresentaram envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, eu acho que, sem dúvida alguma [deve ser investigado]. Primeiro, por ele até ter participado na contratação do escritório de advocacia da sua esposa. Então, isso aí já é um fato que precisa ser apurado."

Fonteles citou ainda a mensagem em que o banqueiro perguntou ao ministro "se devia ir embora do Brasil, se devia ficar no Brasil": "Esses fatos são objetivamente postos. Não resta a menor dúvida, você tem que apurá-los.", disse.

O próximo passo está nas mãos do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que determinou que Moraes, Mendonça, a PGR e a Polícia Federal prestem explicações em cinco dias sobre a crise. Depois, caberá ao plenário da Corte decidir se abre investigação contra Moraes e se acata o pedido de anulação apresentado por Gonet.

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