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Golpistas migram do roubo de senhas para clonagem por IA, aponta estudo

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HBPor Henrique Barros•26 de agosto de 2026•Fontes: G1

Um levantamento inédito da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que golpistas no Brasil estão deixando de lado o tradicional roubo de senhas para investir na 'clonagem' de pessoas com ferramentas de inteligência artificial. A pesquisa, que analisou menções em redes sociais sobre segurança digital entre janeiro e julho de 2026, foi divulgada nesta semana e teve acesso do G1 a alguns dos casos relatados por vítimas.

Segundo o estudo, criminosos já usam IA para reproduzir a voz ou a aparência de pessoas reais a partir de fotos, vídeos e outros conteúdos disponíveis na internet. Com esse material, eles criam identidades falsas ou se passam por alguém conhecido da vítima para tornar a abordagem mais convincente, driblando a desconfiança que normalmente protegeria contra golpes mais simples.

A Nexus identificou 39,7 mil menções relacionadas a problemas de segurança digital enfrentados por consumidores nas redes sociais no período analisado. Desse total, 2,8 mil menções, o equivalente a 7,3%, tratavam especificamente da manipulação de dados pessoais. O levantamento também registrou 9,1 mil menções a Pix e transações financeiras associadas a preocupações com fraudes.

'O estudo também revela um contraste: enquanto criminosos já usam ferramentas de IA para se passar por outras pessoas de formas cada vez mais convincentes, os brasileiros ainda tentam entender o que é deepfake e como funcionam os novos tipos de golpe', afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ao G1. Deepfake é a técnica que usa inteligência artificial para criar ou alterar imagens, vídeos e áudios de forma realista, podendo colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra ou simular alguém dizendo algo que nunca disse.

Golpes mapeados

Entre as fraudes identificadas pelo levantamento está o chamado 'SIM swap', em que criminosos se passam pela vítima para pedir à operadora de telefonia um novo chip, alegando que o original foi roubado ou danificado. Quando a troca é feita, o chip da vítima para de funcionar e o número passa a receber chamadas e mensagens no aparelho controlado pelos golpistas, que assim conseguem interceptar códigos enviados por SMS e tentar redefinir senhas de contas em aplicativos como Instagram e WhatsApp. Outro esquema mapeado envolve perfis falsos criados com dados de terceiros para anunciar ingressos de shows que não existem, direcionados a usuários que publicam nas redes sociais que estão à procura de entradas para eventos.

Para Tokarski, 'identificar essa lacuna entre o avanço da tecnologia e a familiaridade da sociedade com o assunto é o primeiro passo para proteger o ambiente digital'. O estudo não detalha, até o momento, quantas pessoas efetivamente perderam dinheiro nos golpes por clonagem via IA, mas reforça um alerta que já havia sido levantado em relação ao uso de deepfakes em outros contextos, como propaganda eleitoral.

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