O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mandou um recado em tom duro ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na noite de quarta-feira (2), em sessão do plenário. Ao defender o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre citou um pedido de R$ 130 milhões para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o G1, a fala carrega dois recados. Alcolumbre vai barrar qualquer tentativa de impeachment contra Moraes, hoje vice-presidente do STF, e advertiu que o pedido de verba para o filme pode voltar à tona se a oposição insistir em explorar o caso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Como presidente do Senado, cabe a Alcolumbre admitir ou arquivar pedidos de impeachment contra ministros do STF.
"Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre.
Alcolumbre não citou nomes. A reportagem da CartaCapital aponta que o pedido de R$ 130 milhões mencionado por ele se refere ao financiamento de Dark Horse e à relação de Vorcaro com a produção ligada à família Bolsonaro. A campanha de Flávio interpretou a fala como um recado claro ao senador. Um interlocutor de Alcolumbre resumiu o recado ao G1: "um sujo não pode falar do mal lavado".
Resposta em três frentes
A campanha de Flávio discute uma resposta em três frentes, segundo a CartaCapital. A primeira é ampliar a pressão pela abertura do processo de impeachment contra Moraes. A segunda é levar a pauta às campanhas dos candidatos da oposição ao Senado, com o argumento de que a Casa precisa de nova composição para que os processos avancem. A terceira mira a sucessão de Alcolumbre no comando do Senado em 2027, com aliados avaliando impulsionar as pré-candidaturas de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS). Segundo a revista, Alcolumbre recebeu um sinal informal de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar permanecer no cargo no próximo ano.
Autodefesa e calendário
Aliados de Flávio também leram a fala como autodefesa, relata a CartaCapital. Alcolumbre enfrenta questionamentos no caso Master por causa da Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá administrado pelo aliado dele Jocildo Silva Lemos, que aplicou recursos em títulos do Banco Master. O senador nega ter interferido nos investimentos. O G1 aponta que a pressão de uma bancada suprapartidária favorável a Vorcaro no Congresso barrou a CPI do Master no primeiro semestre e que, por enquanto, o único caminho de apuração passa pelo próprio STF.
O próximo teste do embate é o ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, na segunda-feira (7). A expectativa entre bolsonaristas, segundo a CartaCapital, é que o impeachment de ministros do STF seja uma das principais pautas. Senadores ouvidos pelo G1 avaliam que a blindagem de Alcolumbre a Moraes pode reforçar candidatos da oposição ao Senado que defendem renovar a Casa para iniciar processos contra ministros do Supremo nas eleições de outubro.