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Alessandro Vieira pede impeachment de Nunes Marques por atuação no caso Master

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MRPor Marina Rocha•24 de setembro de 2026•Fontes: Brasil 247, G1

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quinta-feira (24) um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. Segundo o G1, o senador alega que o ministro cometeu crime de responsabilidade ao atuar em processos de interesse do Banco Master enquanto pessoas próximas a ele mantinham relações pessoais e profissionais com o banco.

O fato central da denúncia é o julgamento do processo da Destilaria Alcídia contra a União, que discute o cálculo de indenizações ao setor sucroalcooleiro. O caso envolve precatórios bilionários e é ligado, na peça, aos interesses do Master nesse mercado.

Em fevereiro de 2024, o sistema do Supremo registrou o impedimento de Nunes Marques no processo, segundo o G1. O registro foi revertido no mês seguinte, sob a justificativa de que houve um "equívoco da assessoria do gabinete". Em 1º de outubro de 2024, o ministro participou do julgamento na Segunda Turma e deu o voto de desempate, favorável aos credores, com a votação em 2 a 2.

"Ganhamos Alcídia"

A denúncia conecta o resultado a mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso. Segundo o documento, depois do julgamento o diretor jurídico da instituição escreveu "Ganhamos Alcídia" e compartilhou o contato de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro, acompanhado da expressão "Dominado aqui". Na denúncia, Vieira escreve:

"A mensagem 'Ganhamos Alcídia', enviada pelo diretor jurídico do banco ao seu controlador, é a demonstração mais direta de que o Banco Master tinha interesse no resultado do julgamento, ainda que não figurasse formalmente como parte. É o que desmente a afirmação do denunciado, em sessão plenária, de que 'nunca julgou nenhum processo relacionado ao Master'"

Além da perda do cargo, o senador pede a condenação do ministro à inabilitação por oito anos para o exercício de qualquer função pública, pena prevista para quem é condenado por crime de responsabilidade.

O protocolo, noticiado também pelo Brasil 247, segue agora para tramitação no Senado. Denúncias contra ministros do STF passam primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça, que avalia a admissibilidade antes de qualquer votação no plenário. A condenação exige dois terços dos votos da Casa. Pedidos semelhantes raramente avançam: segundo levantamento do Brasil 247 publicado em dezembro de 2025, o Senado acumulava 81 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, em meio à tensão com o ministro Gilmar Mendes.

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