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Aos 79, Elton John sai da aposentadoria para encerrar dívida com o Brasil no Rock in Rio

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CFPor Camila Ferreira•8 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

Sob os refletores do Palco Mundo, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, um terno amarelo fluorescente brilhou na noite desta segunda-feira (7), quarto dia do Rock in Rio 2026. O dono do paletó, Elton John, de 79 anos, fez ali seu primeiro show no Brasil em 11 anos e tornou-se, segundo o G1, o headliner mais velho da história do festival. Foram 24 músicas em 2 horas e 15 minutos, na terceira apresentação do britânico no Rock in Rio e em sua oitava vinda ao país.

A apresentação existe por causa de um débito que o cantor dizia ter. Sua turnê de despedida, a Farewell Yellow Brick Road, terminou em 2023 depois de 330 shows sem passar pelo Brasil nem por nenhum outro país da América Latina, como lembra a Folha de S.Paulo. Fãs brasileiros ficaram de braços cruzados diante da ausência, e o próprio Elton disse que aceitou o festival para compensar a lacuna. A aposentadoria dele, na prática, vale para as grandes turnês: ele segue aceitando datas pontuais, como a desta segunda e os dois shows marcados para outubro no México, informa o G1.

No palco, ele apostou no período mais forte de suas baladas de rádio, com "I Guess That's Why They Call It the Blues" e "Goodbye Yellow Brick Road", e reservou fôlego para a sequência agitada de "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting" e "I'm Still Standing". Falou pouco com o público. Antes de "Candle in the Wind", lembrou que este ano seria o centenário de Marilyn Monroe; em "Cold Heart", Dua Lipa apareceu no telão; e sobre "Skyline Pigeon", trilha da novela "Carinhoso" (1973), disse: "Essa música foi a mais rápida que escrevi com Bernie. E ela só é popular no Brasil". O G1 criticou as projeções que tomavam os telões e escondiam o cantor em músicas como "Tiny Dancer" e "Honky Cat".

Meio século de canções

A parceria com o letrista Bernie Taupin começou em 1967 e funciona de um jeito particular: Taupin entrega os textos prontos, Elton escolhe alguns e compõe a melodia quase sempre em menos de uma hora, conta o G1. Esse método sustentou o período mais fértil da carreira, com 11 álbuns de estúdio lançados entre 1969 e 1976, e ajudou a firmar o piano como instrumento central do rock de arena e do soul de rádio. No total, o repertório tocado no Rio ajudou a vender mais de 300 milhões de discos no mundo.

O corpo, porém, cobra seu preço. Segundo a Folha, uma infecção ocular há dois anos tirou a visão do olho direito do cantor e deixou limitações no esquerdo, o que era perceptível na dificuldade de comunicação com os músicos no palco. A voz demorou a esquentar e falhou em alguns momentos, embora o G1 tenha notado um canto mais encorpado que em outras vindas, resultado dos intervalos mais longos entre shows. Na despedida, antes de "Your Song", ele avisou: "Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa". A noite teve aura de despedida desde cedo, com Gilberto Gil cantando no mesmo Palco Mundo antes de Elton.

Ao fim das 2 horas e 15 minutos, quando o terno amarelo deixou o palco diante de perto de 100 mil pessoas, segundo o G1, todos no Parque Olímpico sabiam o que aquilo significava, como escreveu a Folha: era a última chance de ver Elton John no Brasil. Ele desacelerou o ritmo, mas seguiu cantando "I'm Still Standing", e o público carioca respondeu cantando junto.

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