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Aos 84, Gilberto Gil diz no Rock in Rio que show pode ter sido o último: 'estou cansado'

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CFPor Camila Ferreira•8 de setembro de 2026•Fontes: Rolling Stone Brasil, G1

A cabecinha branca de Gilberto Gil girava em 360 graus no telão do Palco Mundo enquanto ele caminhava devagar até o centro do palco, todo de branco, com pedrinhas prateadas cravejadas na roupa e a guitarra na mão. Era a noite desta segunda-feira (7), quarto dia do Rock in Rio, e a primeira imagem que o público teve do baiano de 84 anos foi a de um homem que chega sem pressa, talvez porque já tenha feito esse caminho tantas vezes.

A frase da noite veio na primeira vez em que Gil se dirigiu ao público. "Eu estive aqui no primeiro Rock in Rio. Talvez esse seja o meu último. Estou cansado, vamos ver", disse ele, segundo o G1, antes de abrir a noite com Cérebro Eletrônico, de 1969, e seus versos sobre quem pode decidir se vive ou morre porque "sou vivo, vivo para cachorro".

Mesmo cansado, Gil dominou o espaço. Foi a quinta apresentação dele no festival, depois de duas participações na edição inaugural de 1985, além de 2001 e 2022. De voz frágil e andando pouco pelo palco, tocou 16 canções em pouco mais de uma hora, entre elas Andar com Fé, Toda Menina Baiana, Realce, Pela Internet e Palco. Falou em inglês, fez covers de Bob Marley e Rita Lee e chamou o produtor Liminha para tocar baixo em Vamos Fugir, de 1984. Segundo a Rolling Stone Brasil, o público respondeu ao anúncio com suspiros e protestos, e a apresentação antecedeu a de Elton John, em um dos últimos shows da carreira dele no Brasil.

Um adeus por partes

A possibilidade de despedida não é novidade na agenda do artista. Gil chegou ao Rock in Rio depois de uma temporada de cerca de 30 apresentações da turnê Tempo Rei, que passou por Brasil, Argentina e Chile e terminou em março, no Allianz Parque, em São Paulo. Os shows foram vendidos como uma despedida, mas o adeus, como ele explicou à época, era apenas das grandes turnês. Agora, ele parece se despedir de mais um palco: dias antes do festival, ainda abriu enquetes nas redes sociais para que seguidores o ajudassem a escolher o repertório.

O cansaço não apaga o percurso. Nascido em Salvador, Gil conduziu a Tropicália ao lado de Caetano Veloso no fim dos anos 1960, foi ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008 e seguiu em turnê pelo mundo até este ano. Se aceita ou não novos convites, só ele dirá, e na segunda-feira deixou a resposta em aberto mesmo.

No fim, restou a imagem com que a noite começou: a cabecinha branca rodando no telão, lenta como quem estica um instante. "Estou cansado, vamos ver", repetiu Gil, e o Rock in Rio respondeu com suspiros e protestos, como contou a Rolling Stone Brasil. Se a cabeça ainda vai girar em outro festival, nem o próprio Gil sabe.

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