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Área técnica do TSE não encontra fake news no canal 'Exército do Lula', mas vê riscos

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MRPor Marina Rocha•13 de outubro de 2026•Fontes: InfoMoney, BBC News Brasil, G1 Política

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou notícias falsas no canal de WhatsApp "Exército do Lula", apontado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) como difusor de desinformação. A conclusão está em relatório da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), encomendado pelo presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, e divulgado nesta segunda-feira (12).

A verificação cobriu as publicações do canal entre 2 e 11 de outubro. A campanha de Flávio atribuía ao grupo, administrado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), a disseminação de conteúdos como a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o suposto envolvimento do senador com milícias no Rio de Janeiro e o corte de aposentadorias e do reajuste do Bolsa Família.

"Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos", diz o relatório, assinado pelo assessor Frederico Franco Alvim.

O documento faz duas ressalvas. Vídeos não foram transcritos por causa da urgência da análise. E parte das mensagens publicadas em setembro foi apagada a partir de 7 de outubro, o que, segundo a equipe técnica, dificulta a reconstrução do histórico do canal.

Alerta para coordenação e alcance

Mesmo sem localizar as fake news citadas, o relatório aponta riscos eleitorais. O canal funciona com o envio de instruções diárias em formato de "missões" e saiu de 55 mil inscritos para 3,3 milhões de seguidores em seis dias de mobilização. "Os elementos verificados indicam atuação coordenada, centralizada e sincronizada, voltada a ampliar a circulação e a visibilidade de conteúdos no WhatsApp e em outras plataformas", registra o documento, sem avaliar se a prática é ilegal.

A equipe técnica também cita "o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito".

A campanha de Flávio reagiu em nota e afirmou que vai enviar ao TSE um novo relatório com provas. O texto acusa o canal de apagar mensagens de forma sistemática e de usar links para escapar do controle da Justiça Eleitoral. "Janones escreve, digita, apenas o comando: EXPLODAM, COMPARTILHEM e associa o comando a links de mídias. O falso está no link, e não no comando", diz a nota. A campanha também alega "flagrante descumprimento" do plano de conformidade firmado entre a Meta e o TSE.

A disputa começou em 7 de outubro, quando a campanha do PL ajuizou uma ação de investigação judicial eleitoral contra o canal. No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do grupo. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a ordem por considerar insuficientes as provas apresentadas. O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, chamou a decisão de Nunes Marques de "absurda" e disse perceber "muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura".

O relatório segue agora para a Presidência do TSE e pode embasar novas decisões de Nunes Marques sobre o canal. A ordem do corregedor Cueva, que reabilitou o grupo com a condição de que não divulgue conteúdos falsos já analisados pelo tribunal, ainda será referendada pelo plenário da Corte. Lula e Flávio disputam o segundo turno em 25 de outubro.

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