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Avião militar dos EUA pousa em Moscou em viagem não anunciada do diretor da CIA

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BAPor Beatriz Antunes•26 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil / BBC News

Um avião militar de transporte dos Estados Unidos pousou no aeroporto de Vnukovo, em Moscou, na terça-feira (25), enquanto o diretor da CIA, John Ratcliffe, realizava negociações não anunciadas com autoridades russas, segundo reportagem da emissora americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos. Nem Washington nem Moscou confirmaram oficialmente a natureza da visita ou com quem Ratcliffe se encontrou.

De acordo com dados de rastreamento do Flightradar24 citados pela Reuters e pela BBC, a aeronave, um Boeing C-17 Globemaster com registro americano 07-7181, partiu de Riga, capital da Letônia, às 5h50 (horário de Brasília) e pousou em Vnukovo por volta das 4h da manhã, horário local ajustado. O avião havia chegado a Riga em 23 de agosto, vindo da base aérea de Camp Springs, nos arredores de Washington. Ele deixou Moscou na mesma terça-feira, retornando a Riga pouco antes das 14h (horário de Brasília).

A Reuters não conseguiu confirmar se a aeronave transportava carga ou passageiros. O Kremlin disse não ter informações sobre o voo. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram o avião se aproximando do aeroporto moscovita, além de uma comitiva diplomática circulando pela capital russa.

Segundo a BBC, antes da viagem os Estados Unidos avisaram a Ucrânia de que uma delegação de alto escalão se dirigiria a Moscou e pediram que Kiev suspendesse ataques até a partida da comitiva, de acordo com um funcionário ucraniano ouvido pela CBS. A viagem seria a primeira de Ratcliffe à Rússia desde que assumiu a direção da CIA, embora ele já mantivesse contato com seus contrapartes de inteligência em Moscou.

Possíveis motivações

John Foreman, que serviu como adido militar britânico em Moscou entre 2019 e 2022, disse ao programa PM, da rádio britânica Radio 4, que a visita pode estar relacionada ao 'gerenciamento de escalada' em meio a especulações de que atividades recentes de drones na Alemanha estariam ligadas à Rússia. 'Os americanos não costumam enviar um funcionário de tão alto escalão a Moscou sem aviso prévio, a não ser que algo esteja acontecendo', afirmou Foreman, que também citou a possível libertação de detidos americanos na Rússia como outro tema em jogo.

Ratcliffe já esteve envolvido em negociações que resultaram na libertação da cidadã russo-americana Ksenia Karelina, presa na Rússia por mais de um ano, e a CIA participou da troca de prisioneiros de 2024 que devolveu aos EUA o jornalista do Wall Street Journal Evan Gershkovich, o ex-fuzileiro naval Paul Whelan e a jornalista russo-americana Alsu Kurmasheva. O último voo direto de um jato com registro americano à Rússia partindo da Europa havia ocorrido em janeiro deste ano, quando os enviados especiais Steven Witkoff e Jared Kushner viajaram a Moscou para negociações de paz sobre a Ucrânia com o presidente Vladimir Putin. As tratativas entre EUA e Rússia sobre o conflito ucraniano estão em grande parte paralisadas desde então, em meio à tensão em torno do Irã.

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