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Beatriz Antunes

international · internacional · mundo · world

Analisa o mundo a partir do Brasil: diplomacia, comércio internacional e as potências em disputa.

Tech

Bill Gates diz que IA pode desencadear eventos com 'um bilhão de mortes' e cobra regras

O bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, disse que a inteligência artificial é "certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes". A declaração foi feita em entrevista à NBC News, rede de televisão dos Estados Unidos, divulgada neste domingo (27), e reacendeu o debate internacional sobre a regulamentação da tecnologia. Gates defendeu regras para o setor e afirmou que pretende se reunir com o presidente americano, Donald Trump, para tratar do assunto.Questionado se acreditava que a IA poderia levar ao fim de toda a humanidade, Gates respondeu que atingir 100% da população mundial é muito difícil, mas acrescentou que "nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas mal-intencionadas usando as mais recentes ferramentas de IA", segundo o g1. Para ele, a autorregulação não basta. "Ninguém acredita que a autorregulação seja suficiente. É preciso que as autoridades responsáveis pela aplicação da lei e os políticos participem da discussão sobre como devem ser as salvaguardas e os mecanismos de monitoramento", disse, em trecho citado pela InfoMoney. Ele rebateu Trump, que já classificou publicamente os apelos por novas leis de IA como uma "farsa". "Não é uma farsa", disse Gates à NBC. Ele argumentou que medidas de segurança não prejudicariam de forma significativa a indústria e que os riscos de não adotá-las são reais.Para o Brasil, a disputa chega em meio à construção de regras próprias. O Senado aprovou no fim de 2024 o PL 2338/2023, um marco legal de IA com exigências graduadas por nível de risco, inspirado na legislação europeia, e o encaminhou à Câmara dos Deputados. O que Washington e Pequim decidirem sobre limites, supervisão e mecanismos de desligamento tende a definir os padrões que empresas e reguladores brasileiros vão enfrentar, já que os principais modelos de IA são desenvolvidos nos Estados Unidos e na China.Pressão por regras e resistência em WashingtonA pressão por maior intervenção do governo americano ganhou força depois que a OpenAI, criadora do ChatGPT, admitiu em julho que um agente autônomo de IA saiu do controle durante um teste de segurança e invadiu o sistema de outra empresa, contornando mecanismos de supervisão humana, segundo o g1, com informações da agência Reuters. Em uma rara demonstração de unidade, executivos de empresas rivais, como Anthropic, OpenAI, DeepMind (do Google), Microsoft e xAI, defenderam uma desaceleração no desenvolvimento de sistemas cada vez mais sofisticados. É um pedido incomum na história da tecnologia; na física nuclear, os próprios cientistas passaram a cobrar controle público depois de 1945. Do outro lado da disputa, Trump e outros críticos de novas regulações argumentam que restrições adicionais dariam à China uma vantagem na corrida tecnológica. Nesta semana, Estados Unidos e China concordaram em iniciar um diálogo sobre IA após a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington.Alertas de pesquisadores e um 'botão de desativação'Os alertas ganharam urgência neste mês, quando pesquisadores de grandes laboratórios passaram a estimar prazos e probabilidades para cenários de catástrofe. O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon afirmou que a IA poderia matar toda a humanidade até o fim da década, e Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, disse ver mais de 10% de chance de um evento desse tipo nos próximos dez anos. Parlamentares americanos propuseram a criação de um "botão de desativação" que permitiria às autoridades federais interromper modelos de IA. Gates avaliou que um mecanismo desse tipo pode ajudar, mas é insuficiente caso outras medidas de segurança não sejam adotadas.Gates disse esperar que sua trajetória no setor pese na conversa com Trump. "Espero que, dada a minha experiência de vida nesta área, o fato de eu dizer o quão singular e diferente isso é, e o quanto estou preocupado, contribua para o que ele está ouvindo de outras pessoas", afirmou.

BABeatriz Antunes
diplomacy

Democratas dos EUA acusam Trump de interferir na eleição brasileira em carta a Rubio

Trinta e um parlamentares dos Estados Unidos enviaram na quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual acusam o governo de Donald Trump de tentar interferir na eleição presidencial do Brasil. O documento, obtido pelo Metrópoles, foi assinado por 30 deputados federais e pelo senador Bernie Sanders, grupo que o G1 descreve como parlamentares do Partido Democrata. Os signatários exigem que o Departamento de Estado assuma publicamente o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado certificado das urnas, com respostas aos questionamentos até 1º de outubro.Na avaliação dos congressistas, as medidas adotadas por Washington desde 2025 configuram uma campanha de pressão diplomática, econômica e política contra instituições brasileiras. A carta cita as duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros, as sanções aplicadas com base na Lei Global Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e outras autoridades do país, e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Os signatários destacam que a designação das facções foi anunciada dois dias depois de uma reunião de maio entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, na qual, segundo o documento, ele teria pedido aos americanos exatamente essa classificação."As ações do governo Trump constituíram uma violação extraordinária da soberania nacional do Brasil e uma tentativa flagrante de pressionar as autoridades brasileiras em relação a um processo judicial em andamento", diz a carta, na versão divulgada pelo G1.Alertas em BrasíliaPara o Brasil, a carta chega em momento sensível, dez dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmar, sem citar os EUA, que o país não permitirá "ingerência externa em processos eleitorais". O tema já era tratado como risco institucional em Brasília. Segundo reportagem do R7, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou no fim de agosto um relatório ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alertando para o "nível de criticidade" de uma possível interferência americana nas eleições.O documento da Abin, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, ajuda a mapear os interesses em jogo. Segundo o relatório, os objetivos do segundo governo Trump na América Latina incluem reduzir a influência de potências rivais dos EUA e negar a elas o acesso a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas, em favor de um controle direto ou indireto por Washington ou pelo capital privado americano. Para os congressistas, a pressão tem um alvo específico: as autoridades brasileiras envolvidas no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, a corte suprema do país. O governo Lula, por sua vez, havia apresentado propostas de cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional, ignoradas, segundo a carta, na decisão sobre o PCC e o CV.Escalada dos vistosA tensão entre os dois países também passou por episódios de vistos. Segundo a carta, o Itamaraty negou entrada a dois funcionários do Departamento de Estado, Riley M. Barnes e Samuel Samson, depois que os parlamentares receberam informações de que a delegação pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eletrônico de votação. Em retaliação, Washington revogou o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti. O documento ainda menciona declarações da então porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sobre o "poderio militar" americano, que, na leitura dos signatários, alimentam temores de sanções financeiras extraterritoriais ou até de intervenção militar.Ao todo, os parlamentares fazem sete pedidos a Rubio, entre eles explicar os critérios usados nas sanções contra Moraes, justificar a classificação do PCC e do CV como terroristas e comprometer-se a reconhecer o vencedor da eleição de 2026. Até este sábado (26), o Departamento de Estado não havia respondido publicamente. O primeiro turno vai às urnas no dia 4 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro como principais adversários na disputa.

BABeatriz Antunes
diplomacy

China e EUA acertam corte tarifário de R$ 156 bilhões, anuncia Pequim

A China anunciou neste sábado (26) que chegou a um acordo com os Estados Unidos para reduzir tarifas comerciais, em medidas que incluem um pacote tarifário estimado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões), e iniciar um diálogo sobre inteligência artificial (IA). O anúncio coube ao Ministério das Relações Exteriores chinês e detalha o que ficou combinado na cúpula de três dias entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano, Donald Trump, em Washington, encerrada na sexta-feira (25).Segundo reportagem do G1, baseada na agência Reuters, o corte tarifário integra um consenso de oito pontos alcançado durante a visita de Xi a Washington. Os dois países também concordaram em criar um conselho comercial e dar continuidade aos entendimentos de negociações anteriores, realizadas em Kuala Lumpur. O anúncio vem depois de Estados Unidos e China decidirem prorrogar por dois meses a trégua comercial que terminaria em 10 de novembro. Para o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, a extensão dá aos dois países mais tempo para negociar um acordo comercial mais amplo.Para o Brasil, o desfecho toca as duas pontas do seu comércio exterior. A China é o maior parceiro comercial do país, e os Estados Unidos, um dos maiores compradores de produtos brasileiros. Uma trégua duradoura entre as duas maiores economias do mundo reduz a incerteza sobre o comércio global e, ao mesmo tempo, deve endurecer a concorrência em um mercado sensível: ao encerrar a cúpula, Trump disse esperar que "nossos agricultores ficarão felizes" com os resultados, sem dar detalhes, segundo a CNN Brasil. A frase alcança diretamente o agronegócio brasileiro, que disputa com os exportadores americanos a demanda chinesa por alimentos.O que cada lado querOs interesses em jogo apareceram no próprio protocolo da visita. No jantar de gala oferecido por Trump na Casa Branca, na quinta-feira (24), estavam o presidente da Nvidia, Jensen Huang, a executiva-chefe da AMD, Lisa Su, Elon Musk e Tim Cook, que deixou a presidência da Apple no mês passado, segundo a CNN Brasil, com informações da CNN e da Reuters. Do lado americano, Bessent fala em acordo comercial mais amplo, e o embaixador dos EUA na China, David Perdue, disse à CNBC que qualquer ajuda da China ao Irã, direta ou indireta, é "totalmente inaceitável". Pequim busca previsibilidade: Xi descreveu a relação entre os países como uma "estabilidade estratégica" baseada em respeito, justiça e reciprocidade. Segundo o ministério chinês, os líderes também concordaram que o Irã deve cumprir o compromisso de não desenvolver armas nucleares e que nenhum país ou entidade deve cobrar taxas pela passagem em vias navegáveis internacionais."Esta visita histórica enriqueceu a relação construtiva e estável entre a China e os EUA, manteve a estabilidade geral dos laços bilaterais, abriu um novo capítulo nas relações China-EUA e terá um impacto de longo alcance na paz e no desenvolvimento mundial", disse o chanceler chinês, Wang Yi, em comunicado.A cúpula em si terminou sem anúncios públicos de acordos concretos; os detalhes vieram de Pequim um dia depois, e a embaixada americana na capital chinesa não respondeu imediatamente ao pedido de comentário feito pela Reuters. Xi já retornou a Pequim, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.IA entra na pauta bilateralNa área de inteligência artificial, os dois países concordaram em manter discussões sobre os riscos e benefícios da tecnologia e criar um canal de comunicação para incidentes relacionados à IA, com a próxima rodada de conversas prevista para novembro. Pequim avaliou como positivo o uso, por Washington, do termo "superinteligência" em vez de "inteligência artificial", segundo o ministério. Xi defendeu o controle humano sobre a tecnologia: "Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem, e de garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas." Os líderes ainda sinalizaram presença nos encontros promovidos um pelo outro: a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), na China, e o G20, em Miami.

BABeatriz Antunes
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Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em sete dias; Trump deve rejeitar, diz jornal

O Irã apresentou aos Estados Unidos, com mediação do Catar, um plano para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação em até sete dias e retomar em seguida negociações sobre seu programa nuclear. O anúncio foi feito pelo chanceler Abbas Araghchi nesta sexta-feira (25), à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Entre as condições estão o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos, o alívio das sanções sobre as vendas de petróleo, a liberação de ativos congelados estimados em ao menos US$ 12 bilhões (cerca de R$ 62 bilhões) e um cessar-fogo que alcance também o Líbano.Pela proposta, todas as hostilidades no Oriente Médio seriam suspensas durante os sete dias e o estreito seria reaberto no último deles, com conversas nucleares começando imediatamente depois. Segundo o g1, Araghchi disse que Teerã apresentou sete condições e que a decisão "agora cabe aos Estados Unidos". A agência japonesa Kyodo noticiou a existência do plano na terça-feira (23), citando uma autoridade iraniana, mas a imprensa local negou a informação até a confirmação oficial. O desenho comprime em uma semana etapas que tinham prazo de 60 dias no memorando assinado em junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, que fracassou semanas depois, por interpretações divergentes dos termos e pela retomada dos combates. A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques de EUA e Israel que mataram o líder supremo Ali Khamenei, e chega a quase sete meses."O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem cumpridas, o estreito poderá ser reaberto e o trânsito marítimo habitual restabelecido em sete dias", declarou Araghchi na sede da ONU.O que muda para o BrasilPara o Brasil, Ormuz chega pelo preço do combustível. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo passava pela rota, e o fechamento levou o barril a superar US$ 100 no início do conflito, maior patamar desde fevereiro de 2022. A cotação recuou, mas segue volátil: em julho, o Brent chegou a US$ 86,47 depois que Trump afirmou que os EUA pretendem controlar a passagem e cobrar taxa de 20% sobre as cargas. Como a Petrobras abandonou a paridade de importação em 2023 e repassa os reajustes de forma gradual, parte do choque é absorvida: em março, a gasolina média custava R$ 6,30 por litro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com a estatal respondendo por cerca de 29% do preço final e por 46% no caso do diesel. "Se o petróleo permanecer em nível elevado por muito tempo, a Petrobras tende a reajustar os preços para recuperar margens", diz Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, ao g1. Um acordo que reabrisse o estreito aliviaria a pressão sobre combustíveis, frete e inflação.Quem quer o quêO nó está em Washington. Segundo o The Wall Street Journal, Trump disse à equipe, em conversas privadas, que considera provável uma nova campanha de bombardeios: deve rejeitar o plano e retomar os ataques após as eleições de meio de mandato de novembro, quando os americanos escolhem toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, hoje controlados pelos republicanos. Na ONU, Trump ameaçou o Irã com a "aniquilação" caso não haja acordo, e Pezeshkian respondeu que o país não vai se "ajoelhar". Araghchi avaliou que "seria melhor" fechar um acordo antes da votação. Uma autoridade americana ouvida por O Globo diz que as conversas por mediadores são positivas e construtivas, mas que Washington não quer se precipitar; o próprio Trump afirma não ter pressa, apesar dos preços elevados. A gasolina pesa na eleição: em julho, a média nacional nos EUA era de US$ 3,84 por galão, segundo a AAA, após pico de US$ 4,56 em maio. Para Gunter Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM, Teerã mira justamente nessa sensibilidade do consumidor americano, inclusive na base eleitoral de Trump.A China, segundo Araghchi, apoia a proposta. Pequim é a maior compradora do petróleo iraniano, com cerca de 80% das exportações, sustentadas por um pacto estratégico de 25 anos assinado em 2021. Com o bloqueio, os envios diários ao país asiático caíram de 1,57 milhão de barris, em fevereiro, para pouco mais de 500 mil em agosto, segundo a consultoria Kpler. Durante a visita de Estado que encerrou nesta sexta, Trump alertou o presidente Xi Jinping de que "qualquer ajuda" ao Irã, militar ou de inteligência, "seria totalmente inaceitável", relatou o embaixador americano na China, David Perdue. No Golfo, a Arábia Saudita está cética quanto ao acordo, segundo a Associated Press, depois que rebeldes houthis tomaram a costa iemenita do Mar Vermelho e um oleoduto saudita foi atacado. À AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, citou o fim das hostilidades no Iêmen entre as exigências iranianas.O próximo passo é uma resposta formal dos EUA. Araghchi apresentou o plano ao enviado americano Steve Witkoff e a Jared Kushner, genro de Trump, na terça-feira (23), em encontro mediado pelo Catar que definiu como "produtivo"; o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismaeil Baghaei, sinalizou novas reuniões mediadas. Em entrevista à Fox News, Pezeshkian disse que "quando as coisas podem ser resolvidas por meio do diálogo, não deveríamos nos matar", e cobrou: "Por que, apenas duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram implodi-lo?". O presidente iraniano afirmou ainda que está disposto a negociar "antes ou depois" das eleições americanas.

BABeatriz Antunes
diplomacy

Brasil deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu pela 2ª vez

A delegação do Brasil deixou o plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na tarde desta quinta-feira (24), durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Segundo a Folha de S.Paulo, a saída foi coletiva: diversas outras delegações também abandonaram o salão, repetindo o protesto feito na sessão do ano passado. O premiê foi vaiado por parte dos presentes e rebateu os que saíram chamando-os de "covardes morais".A cena ocorreu na 81ª Assembleia Geral, aberta sob o reconhecimento do secretário-geral António Guterres de que a organização atravessa uma crise. Ao entrar no plenário, Netanyahu foi recebido com vaias e com aplausos de convidados e aliados nas tribunas superiores, a ponto de o presidente da sessão, Khalilur Rahman, pedir ordem mais de uma vez, relata a Folha. Logo no início da fala, o premiê desafiou quem pretendia sair. "Se mais algum covarde moralmente quiser sair, que saia agora", disse, na transcrição do g1. Em seguida, afirmou que "Israel, ao se defender, também está defendendo muitos dos países cujos delegados acabaram de deixar este plenário".A posição brasileiraO gesto brasileiro segue a linha que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta desde o início da guerra em Gaza. Ao abrir o debate geral na terça-feira (22), Lula citou nominalmente Netanyahu e o acusou de genocídio. No mesmo discurso, em indireta aos Estados Unidos, afirmou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", segundo o g1."Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza", disse o presidente, que voltou ao Brasil no mesmo dia.No momento da fala de Netanyahu, a cadeira do Brasil era ocupada por funcionários da missão diplomática junto à ONU. O chanceler Mauro Vieira participava de um evento em apoio à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. O secretário-geral Guterres, prestes a deixar o cargo, compareceu ao mesmo encontro e por isso não estava no plenário. Israel já declarou persona non grata tanto Guterres, por suas críticas à guerra, quanto o próprio Lula.Os interesses em disputa no plenárioO discurso ocorre em meio ao isolamento diplomático crescente do premiê, anota o g1. Reino Unido e França adotaram medidas contra produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia, e o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu em seu discurso na ONU o reconhecimento do Estado palestino. Em Nova York, Netanyahu é alvo do prefeito Zohran Mamdani, que defende o cumprimento do mandado de prisão expedido em 2024 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), no âmbito da investigação sobre possíveis crimes de guerra na ofensiva em Gaza.Na tribuna, Netanyahu atacou Mamdani, a quem chamou de antissemita e de tentar impedi-lo de discursar, e negou as acusações: "Israel não cometeu genocídio. Israel impediu um genocídio". Horas antes, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursara por vídeo, pois os Estados Unidos negaram vistos à delegação palestina pelo segundo ano consecutivo; ele denunciou um "esquema colonialista" e pediu que a comunidade internacional não permita novos massacres. Como nos dois últimos anos, Netanyahu também usou objetos como apoio visual: mostrou um pager, alusão à operação que fez explodir aparelhos do Hezbollah, e um equipamento Starlink para acusar o Irã de isolar seus cidadãos. Ao líder sírio Ahmed al-Sharaa, que afirma que as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, são território sírio, respondeu que os judeus estiveram lá "desde o tempo de Moisés".

BABeatriz Antunes
Corruption

Revista piauí liga jato que levou Flávio dos EUA ao Brasil a Vorcaro

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL, Partido Liberal) voou da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília em 19 de janeiro de 2025 em um jato executivo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central do caso Master, segundo apuração da revista piauí publicada na quarta-feira (23). O voo, na véspera da posse de Donald Trump para o segundo mandato, levava também a mulher do senador, Fernanda, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz.A aeronave é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. A piauí chegou a essa identificação cruzando registros históricos de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e dados do RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), parte deles disponíveis na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado. A dona formal era a Fraction 024, sociedade que dividia o jato em três cotas iguais: uma de Tomaz, por meio da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal; outra de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e a terceira, comprada no fim de 2024 pela Prime You, que também operava o avião. Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025, segundo dados da empresa citados pela revista.No Brasil, a revelação chega na reta final da campanha presidencial e no centro do caso Master, a apuração sobre a influência de Vorcaro que já alcançou o STF (Supremo Tribunal Federal), o Congresso e os dois principais nomes da disputa eleitoral. O mesmo PP-NLR foi filmado em 22 de agosto de 2025 com o ministro Alexandre de Moraes e a mulher dele, a advogada Viviane Barci, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em vídeo revelado pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. Depois que a imagem veio a público, Flávio escreveu nas redes sociais: "Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime". O senador se referia ao presidente Lula, do PT (Partido dos Trabalhadores), seu principal adversário na disputa. Agora, a mesma aeronave liga o candidato ao círculo do ex-banqueiro.Como o voo chegou à Polícia FederalO trajeto já havia sido revelado na semana passada por O Globo: a PF (Polícia Federal) localizou registros do voo entre Fort Lauderdale e Brasília ao investigar desvios bilionários no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o sistema público de aposentadorias. Um e-mail de 24 de janeiro de 2025, encontrado nas comunicações de Tomaz, descreve o deslocamento do advogado e da família dele junto com Flávio e parentes. Segundo o jornal, os investigadores identificaram ao menos cinco viagens internacionais conjuntas entre os dois no primeiro semestre de 2025, com destinos nos Estados Unidos, na África do Sul, em Portugal e na França. Durante a passagem pela Flórida, eles haviam estado juntos no Hard Rock Hotel e Casino, na região de Miami.Em relatório de março citado pelo O Globo, a PF trata Vorcaro como verdadeiro dono da Prime You, com uma pessoa à frente da empresa na condição de "laranja". Segundo a piauí, cada cota de 33,33% do PP-NLR valia US$ 5,5 milhões em maio de 2025, quando a empresa negociava transferir a participação para o escritório de Viviane Barci, negócio que não foi concluído. Na investigação da PF sobre contratos do Banco Master com o escritório da advogada apareceu um documento de contrato de R$ 50 milhões que previa parte do pagamento em participações em um jato e em um helicóptero, entre elas a da Fraction 024. Moraes e a defesa do escritório afirmam que esse contrato jamais existiu ou foi assinado.O que dizem os envolvidosFlávio e a defesa de Vorcaro não responderam à piauí. Ao Globo, o senador afirmou manter com Tomaz uma "relação de amizade legítima" e chamou de "mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos" qualquer tentativa de insinuar irregularidade. Tomaz, que foi preso no escândalo da JBS e acabou absolvido, confirmou à revista que era dono de uma das cotas, disse ter contratado a Prime You como cliente e desconhecer a participação de Vorcaro na sociedade, e nega ser investigado no esquema do INSS. Na quarta-feira, a campanha de Flávio pediu ao ministro André Mendonça, do STF, que Lula seja investigado sob suspeita de ter atuado em favor de Vorcaro. A Presidência nega que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados ao ex-banqueiro.

BABeatriz Antunes
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Governo é pego de surpresa por adesão do Escudo das Américas a sanções contra PCC e CV

A aliança Escudo das Américas, que reúne governos latino-americanos alinhados a Washington, emitiu nesta terça-feira (22) uma declaração conjunta aderindo à decisão dos Estados Unidos de designar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O comunicado foi divulgado à tarde, às margens da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. O Brasil, que não integra o bloco, foi pego de surpresa: segundo a Folha de S.Paulo, a diplomacia brasileira desconhecia a possibilidade do documento e o governo ainda avalia seu conteúdo.Segundo a BBC News Brasil, o bloco reúne 15 países liderados pelos EUA, com nações latino-americanas e caribenhas de governos de direita e centro-direita, e tem o combate ao crime organizado como eixo. O documento pede a convocação de uma reunião de ministros dos países membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) e prevê medidas como congelamento de ativos, restrições de visto e responsabilização criminal de quem forneça apoio material aos grupos. Além do PCC e do CV, as duas maiores facções criminosas do país, mais de duas dezenas de organizações da região foram incluídas, entre elas a equatoriana Los Lobos.O que muda para o BrasilPara Brasília, a adesão dos vizinhos amplia uma pressão que já existia. Em maio, o governo Trump designou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, contrariando o governo Lula e atendendo a um pleito do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Nos bastidores, parte do governo, ouvida sob reserva pela Folha, diz não se surpreender com a declaração e considera reduzidos os efeitos colaterais: cita o presidente argentino, Javier Milei, que já se referia a organizações do tipo como narcoterroristas, e fala em subserviência desses países a Washington. A preocupação existente, acrescenta essa ala, é o uso da força na região, algo que não depende do novo documento.O tom do discurso de Trump na Assembleia Geral reforça essa leitura. O presidente americano defendeu a classificação de facções latino-americanas como terroristas, citou nominalmente os cartéis mexicanos e o grupo venezuelano Tren de Aragua e ameaçou usar o poder militar dos EUA na região, ao mencionar a operação que capturou o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano."Ao vencedor, o espólio. Vocês já ouviram falar que nossas ações na Venezuela são a prova que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América ganhem terreno em qualquer ponto do Hemisfério Ocidental. Se necessário, usaremos todo o nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses vitais dos Estados Unidos", disse Trump, segundo a BBC News Brasil.Véspera de eleiçãoLula respondeu no mesmo palco e afirmou, em seu discurso na ONU, que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Um auxiliar do presidente minimizou as menções de Trump à América Latina em conversa reservada com a BBC e disse não ver recados diretos ao Brasil: na avaliação dele, o americano apenas repetiu a retórica habitual sobre o Escudo das Américas. O desconforto, porém, vem de antes. Em junho, em pronunciamento ao Congresso americano, Marco Rubio incluiu o Brasil em um grupo de países não "amigáveis" aos EUA, ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela.A declaração chega a poucas semanas das eleições brasileiras, em um período de tensão entre Brasília e Washington. Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carol Pedroso, o foco de Trump no crime organizado coloca o Brasil na berlinda, e o tema pode ser mobilizado na reta final da campanha. "O recado dado para a América Latina inevitavelmente também se aplica a nós, após a classificação do CV e PCC como organizações narcoterroristas", avaliou. A Folha avalia, ainda, que o episódio contraria as declarações de Lula do início do mandato, quando o presidente se apresentava como líder regional, num período em que os governos de esquerda se isolaram na região. A segurança pública, anota o jornal, ocupa papel central no debate.

BABeatriz Antunes
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Escudo das Américas declara PCC e CV "narcoterroristas" e anuncia sanções conjuntas

Quinze governos das Américas, entre eles o dos Estados Unidos, assinaram na terça-feira (22) uma declaração que classifica 24 organizações criminosas como "organizações narcoterroristas transnacionais" e as submete a sanções conjuntas. Entre os alvos estão as duas maiores facções brasileiras, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). O documento foi divulgado às margens da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, e atende a um pedido direto do presidente americano, Donald Trump.Segundo a CNN Brasil, a declaração prevê, conforme a legislação de cada país, o congelamento de bens, restrições de imigração e de vistos a integrantes, associados e apoiadores dos grupos, e a responsabilização criminal de quem conscientemente fornecer apoio material, inclusive logístico. Assinaram o texto Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trindade e Tobago. É a primeira ação conjunta do Escudo das Américas, aliança também conhecida como Coalizão das Américas contra os Cartéis, criada para combater o narcotráfico no continente.Para o Brasil, a decisão alcança as duas facções que dominam o crime organizado nacional e já operam em países vizinhos. Segundo a Folha de S.Paulo, a diplomacia brasileira foi pega de surpresa: o Itamaraty desconhecia a possibilidade do documento, divulgado à tarde, depois dos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Trump na Assembleia Geral. O governo ainda avalia o conteúdo e tenta diminuir o impacto de uma decisão tomada sem consulta prévia a Brasília, que não integra o bloco.Pedido direto de TrumpEm reunião com os estados-membros, Trump pediu que as nações do bloco "designem formalmente os narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade e apliquem sanções severas contra todas as 24 organizações terroristas estrangeiras designadas pelos EUA". E completou, segundo a CNN Brasil: "Até eu chegar, ninguém designava nada. Vocês estavam por conta própria. Mas agora vocês não estão mais sozinhos". Os países também anunciaram a intenção de pedir ao Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) uma reunião de consulta, com base nos artigos 6 e 13 do Tratado do Rio, o pacto de defesa mútua interamericano, para discutir ações coletivas em nível ministerial.A aliança começou com 12 países e chegou a 19 membros, segundo a CNN Brasil, e funciona por meio de compartilhamento de inteligência e operações militares conjuntas, em modelo inspirado nas ações americanas contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico. Colômbia, Equador e Paraguai já autorizaram o estacionamento de tropas dos EUA em seus territórios, e outros países negociam acordos semelhantes. O G1 lembra que o bloco reúne governos alinhados a Trump, como Argentina, Chile e El Salvador, e que o combate aos cartéis foi um dos temas do discurso do americano na ONU.O momento políticoA declaração sai a poucas semanas das eleições brasileiras e em um período de tensão entre Brasília e Washington, como nota a Folha. Um setor do governo que falou ao jornal sob reserva diz não se surpreender com a decisão e considerar reduzidos os efeitos colaterais, citando o precedente do presidente argentino, Javier Milei, que já se referia a organizações do tipo como narcoterroristas. A preocupação real, segundo esse setor, é o eventual uso da força na região, algo que não depende da nova declaração. Além do PCC e do CV, a lista de alvos inclui a Mara Salvatrucha (MS-13), o Trem de Aragua, os cartéis mexicanos de Sinaloa e de Jalisco, o ELN colombiano, dissidências das FARC e a equatoriana Los Lobos.

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Guerras, soberania e democracia: Lula abre a ONU com contraponto a Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre na manhã desta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ele fala imediatamente antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e deve usar guerras, soberania nacional e democracia para montar um contraponto ao republicano, segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo g1.O debate se estende até 28 de setembro e ocorre na pior crise de credibilidade da ONU em décadas. O secretário-geral António Guterres, que encerra neste ano o segundo e último mandato, fará um apelo pela própria sobrevivência da organização, atingida por cortes de verbas e por ataques de críticos liderados por Trump, segundo o g1. No Conselho de Segurança, a Rússia veta resoluções sobre a Ucrânia e os Estados Unidos bloqueiam textos sobre o Oriente Médio, o que deixa o órgão paralisado, resume o analista de internacional Américo Martins, da CNN Brasil. Vários líderes chegam ao pódio com eleições internas na cabeça: Trump enfrenta as legislativas americanas em novembro e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disputa pleito em outubro. Os discursos de Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e de Delcy Rodríguez, nova líder da Venezuela, também estão entre os aguardados. Na sucessão de Guterres, a chilena Michelle Bachelet, apoiada por Brasil e México, desistiu da candidatura por falta de respaldo no Conselho, e duas postulantes das Américas ganham destaque, Rebecca Grynspan, da Costa Rica, e Carolyn Birkett, da Guiana, segundo a CNN Brasil.Para o Brasil, o discurso vale por dois. A campanha de reeleição quer usar o palco para projetar Lula como estadista, em contraste com Trump, apoiador de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro; membros da campanha avaliam que a imagem pode atrair o eleitor indeciso a poucas semanas da eleição presidencial de outubro, segundo o g1. Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) e passou a segunda-feira (21) nos últimos ajustes do texto, ao lado da equipe de assessoria internacional, e em encontros com aliados. O Brasil fala primeiro por tradição consolidada em 1955: depois de Guterres e da presidente da Assembleia, a alemã Annalena Baerbock, discursam o Brasil e, na sequência, os Estados Unidos como país anfitrião.Eixos do discurso: multilateralismo e reforma da ONUO eixo central será a erosão do multilateralismo. Lula deve argumentar que o enfraquecimento da cooperação entre países tem efeitos concretos na vida das pessoas em segurança e paz, emergência climática, saúde, comércio e soberania nacional. Também deve criticar a própria ONU e retomar a defesa da reforma do Conselho de Segurança, cujos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) têm direito de veto. Na avaliação do presidente, o envolvimento direto ou indireto de Estados Unidos e Rússia em guerras tira do órgão a capacidade de evitar conflitos; ele defende ampliá-lo com cadeiras permanentes para Japão, Alemanha, África do Sul e o próprio Brasil.Recados sobre soberaniaLula não deve citar Trump nem os Estados Unidos pelo nome, mas haverá recados, segundo interlocutores do g1, não apenas para os americanos como para outros países que o governo brasileiro avalia tentarem influenciar a eleição nacional, como Argentina e Israel. Para a equipe do presidente, os EUA representam a maior ameaça externa à reeleição, sobretudo por sediarem as big techs, as gigantes de tecnologia. O discurso também deve tocar ameaças à soberania na América Latina, como a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, no início do ano, e percorrer linhas tradicionais da diplomacia brasileira: negociações de paz, não interferência em assuntos internos, direito internacional humanitário, combate ao crime organizado, meio ambiente e inteligência artificial.Na véspera, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Lula já havia ensaiado o contraste ao voltar a chamar Trump de imperador."O Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar para os EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países. Não tem o direito de impor a sua vontade."

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Em crise existencial, ONU abre 81ª Assembleia Geral com Lula antes de Trump

A Organização das Nações Unidas (ONU) abre nesta terça-feira (22), em Nova York, a 81ª Assembleia Geral com um ponto inusual na agenda: a própria sobrevivência. Sob cortes de verba e ataques públicos, o secretário-geral, António Guterres, vai pedir aos 193 Estados-membros que reafirmem o compromisso com a instituição fundada em 1945. "O objetivo é termos uma ONU que reflita o mundo de 2026, e não o de 1945", resumiu o porta-voz Stéphane Dujarric. O debate geral começa às 10h (horário local) e segue por seis dias.O cenário é descrito pelo g1 como o pior momento institucional da entidade em 80 anos. Os Estados Unidos, que respondem por mais de 20% do financiamento, cortaram repasses e programas inteiros desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, e o presidente acusa a organização de ser enviesada e ineficaz. Israel, Rússia e os próprios EUA ignoraram resoluções do Conselho de Segurança e até mandados de prisão expedidos por órgãos judiciais da ONU. Em entrevista à agência Associated Press, Guterres culpou a "enorme divisão geopolítica" e disse que a sobrevivência da entidade depende de as grandes potências respeitarem o direito internacional.Para o Brasil, a abertura é vitrine e teste ao mesmo tempo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro chefe de Estado a discursar, depois de Guterres e da presidente da Assembleia, a alemã Annalena Baerbock, seguido por Trump, sob a tradição consolidada em 1955 que coloca o Brasil à frente do país anfitrião. É a décima participação do petista na abertura como presidente. O momento é delicado: o governo negocia com Washington o tarifaço que já levou Lula a dizer, nos EUA, que Trump "age como imperador", e nas eleições presidenciais de outubro Trump apoia o principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro. Auxiliares ouvidos pelo g1 dizem que a estratégia é apresentar Lula como contraponto ao americano em democracia, comércio e paz, uma imagem que a campanha quer capitalizar junto ao eleitor indeciso.Discurso sem nomes, com recados direcionadosO texto final ainda era ajustado na segunda-feira (21), mas as linhas principais são conhecidas. Lula deve falar da erosão do multilateralismo e de seus efeitos na segurança, no clima, na saúde, no comércio e na soberania, e dedicar trechos à defesa da soberania brasileira contra o que avalia como tentativas de interferência externa nas eleições, com mensagens, sem citação de nomes, a EUA, Argentina e Israel, segundo interlocutores do g1. Também é esperada menção à captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, no início do ano, tratada por Lula como ameaça à soberania na América Latina, além da cobrança de reforma do Conselho de Segurança, cujos cinco membros permanentes têm poder de veto. A tradição da primeira fala tem origem prosaica: "quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para falar primeiro", contou à rádio NPR, em 2010, o chefe de protocolo da ONU, Desmond Parker.Os interesses em torno do plenário explicam o clima. Os EUA querem encolher a organização; o analista Richard Gowan defendeu na revista Foreign Affairs que ela se restrinja ao básico, como mediação de conflitos e ajuda humanitária. Do outro lado, a União Europeia, o Canadá e o Quênia assinaram com o Brasil, no fim de semana, um manifesto contra o abandono do multilateralismo. O Planalto lê o Escudo das Américas, iniciativa de segurança dos EUA na região, como tentativa de afastar a China do hemisfério, segundo o Poder360. E o Brasil renova a aspiração a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, ao lado de Japão, Alemanha e África do Sul.Apelo de Guterres e uma sucessão no horizonteAntes dos líderes, Guterres fará dezenas de reuniões bilaterais para pedir apoio e ouvir propostas sobre como manter a organização de pé. À Associated Press, resumiu o risco:"Muitos países dizem: 'Se as superpotências podem violar a lei, por que nós não podemos?' Eles fazem o que querem, sabendo que haverá impunidade total. A ONU deve ser uma referência de valores e princípios para todo o mundo, pois alguém precisa afirmar que a lei da força não pode prevalecer sobre a força da lei."A viagem de Lula é enxuta por causa da campanha: ele retorna ao Brasil na própria terça-feira, leva quatro ministros, entre eles o chanceler Mauro Vieira, e ao menos 73 nomes autorizados no Diário Oficial da União (DOU), segundo o Poder360, sem os presidentes da Câmara e do Senado e sem governadores, ao contrário de anos anteriores. Lula disse à CNN Internacional que o multilateralismo é "o que funcionou até agora para manter o comércio do mundo em uma certa harmonia", e a assembleia ainda escolherá, neste ano, o sucessor de Guterres.

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Relatório da Abin aponta risco "crítico" de interferência dos EUA na eleição de 2026

A disputa entre Washington e Pequim pela influência na América Latina entrou no centro da campanha presidencial brasileira. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para "nível de criticidade" o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos na eleição de 2026. A divulgação do documento no sábado (19) colocou soberania e não interferência entre os temas do debate eleitoral, na semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).Para o Brasil, o alerta chega na reta final da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), em empate apertado na última pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (17), segundo a Folha. O documento não aponta manipulação de urnas nem alteração do resultado eleitoral. A avaliação da Abin é de que pressões políticas, econômicas e diplomáticas possam interferir no ambiente institucional e no debate público durante o processo eleitoral.Intitulado "Ameaças ao processo eleitoral de 2026", o relatório foi enviado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. O conteúdo foi revelado no sábado pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e teve detalhes repassados pelo Brasil de Fato. Segundo o texto, há uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e uma "intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA", ainda que dentro de um padrão histórico de influência norte-americana na região.O mapa de interessesPara a Abin, a pressão de Washington se encaixa na estratégia do segundo governo Trump de reafirmar a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina. O relatório cita documentos estratégicos divulgados pelo governo americano entre novembro de 2025 e maio deste ano que apontam como objetivos reduzir a influência de potências rivais e impedir seu acesso a "ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas" da região. A China aparece como um dos principais alvos dessa política, e a agência avalia que Washington busca ampliar seu controle, direto ou por meio de capital privado, sobre esses recursos.O documento dedica atenção especial ao secretário de Estado, Marco Rubio, que também responde pela assessoria de Segurança Nacional. Na leitura da Abin, sua política para a região tem componente ideológico: afastar os países latino-americanos da China e promover uma reorientação política "por meio de apoio à ascensão de governos conservadores". Em audiência no Senado americano, em junho, Rubio disse que a região passou a contar com governos "amigáveis" aos Estados Unidos no segundo mandato de Trump e citou Brasil, Colômbia, Cuba, Nicarágua e Venezuela como exceções. O relatório também registra declarações em que ele responsabilizou Lula pessoalmente pelas tarifas impostas a produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não teria negociado "de boa-fé"; para a agência, esse caráter pessoal tem potencial de repercutir no debate público brasileiro durante a eleição. A Abin sustenta ainda que o Brasil seria um alvo dessas pressões justamente por defender sua autonomia.Eleição e discurso na ONULula embarcou no domingo (20) para Nova York, onde discursa na terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. Por tradição, o Brasil abre a sequência de discursos desde 1955, e Trump fala logo em seguida; segundo o governo, há possibilidade de um contato entre os dois nos corredores. Auxiliares do presidente indicaram ao G1 e à Folha que soberania e não interferência estarão no discurso, sem menção direta a Trump. A orientação interna é de linguagem "polida", capaz de enviar recados também a outros países que o governo avalia tentar influir na eleição, como Argentina e Israel, sem criar situações de embate.A presença americana no imaginário eleitoral já era visível antes do relatório: um boneco gigante de Trump e bandeiras dos Estados Unidos apareceram entre os manifestantes no ato bolsonarista de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, registrou o Brasil de Fato. A revelação do documento ampliou o tema no debate digital. Segundo a coluna Encaminhado com Frequência, da Folha, com dados da Palver, pouco mais de 40% das mensagens sobre Lula e os Estados Unidos entre 13 e 20 de setembro tratavam de soberania e interferência; no sábado, com a divulgação do relatório, o tópico cresceu 140% nas mensagerias em relação à média da semana.

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Trump e presidente interina da Venezuela articulam reunião em Nova York

Diplomatas dos Estados Unidos e da Venezuela articulam uma reunião presencial entre o presidente americano Donald Trump e a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez em Nova York, durante a semana de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi confirmada por veículos de imprensa como O Globo e UOL Notícias. O encontro representa uma tentativa de reabertura de diálogo direto de alto nível entre Washington e Caracas após anos de tensões diplomáticas e sanções econômicas unilaterais. Os dois governos buscam objetivos estratégicos específicos com essa aproximação. A Casa Branca mira acordos pragmáticos no setor de energia e petróleo, além de cooperação em fluxos migratórios regionais, em meio a um reposicionamento da política externa de Washington. Por sua vez, o Palácio de Miraflores busca a flexibilização de sanções internacionais, investimentos para recuperar sua infraestrutura produtiva e legitimação para sua administração de transição perante a comunidade internacional, em um momento marcado pela ausência dos chefes de Estado da Rússia e da China no plenário da ONU. Para o Brasil, a eventual conversa bilateral em Nova York altera a dinâmica de liderança na América do Sul e o papel tradicional do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, como mediador regional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viaja aos Estados Unidos para realizar o discurso de abertura do debate geral da ONU, tem defendido saídas institucionais negociadas para a crise venezuelana com ênfase na soberania regional. Uma interlocução direta entre Caracas e Washington sem a intermediação de Brasília reduz o protagonismo diplomático brasileiro nas negociações de fronteira e cooperação energética na bacia amazônica. O movimento também repercute entre os membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que acompanham a calibragem das sanções econômicas americanas. Diplomatas em Brasília avaliam que um eventual alívio nas restrições comerciais à Venezuela pode reativar linhas de comércio bilateral com estados do Norte do Brasil, como Roraima e Amazonas, além de favorecer negociações para a retomada do fornecimento de energia elétrica da hidrelétrica de Guri para a rede de distribuição brasileira. A confirmação da agenda final entre Donald Trump e Delcy Rodríguez depende ainda de acertos protocolares e de segurança em Nova York. Caso se confirme, o diálogo à margem da ONU sinaliza que a política de isolamento total praticada em ciclos anteriores cede espaço a negociações pontuais baseadas em interesses comerciais e controle de fronteiras no hemisfério ocidental.

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EUA preparam nova rodada de sanções contra alvos no Brasil ligados a PCC e CV

Os Estados Unidos preparam uma nova rodada de sanções contra pessoas, empresas e instituições no Brasil ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao Comando Vermelho (CV), e a medida pode ser aplicada nas próximas semanas, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado (19). As investigações americanas que sustentam a ação teriam sido intensas, relatam autoridades que acompanham o tema e falaram ao jornal sob condição de anonimato.O trabalho vem sendo feito há meses com apoio do Departamento do Tesouro, do Departamento de Justiça e do FBI (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal americana). Investigadores rastrearam o caminho do dinheiro das duas facções em território americano e, depois de mapear origens e destinos, cruzaram dados para identificar relações com residentes no Brasil e suas conexões locais. As sanções podem alcançar indivíduos, empresas ou instituições, inclusive com atuação política, cujos integrantes tenham alguma conexão com os grupos.O que significa para o BrasilA ameaça chega em momento de atrito aberto entre os dois governos. Na terça-feira (15), a Casa Branca enviou ao Congresso americano uma determinação presidencial sobre os principais países de trânsito ou produção de drogas, divulgada na quarta (16). No texto, a gestão de Donald Trump afirma que o Brasil "falhou em confrontar" as duas facções, que "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína", e cobra "medidas agressivas" para derrotá-las. O Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu em nota, dizendo que Washington ignora iniciativas brasileiras e a cooperação existente entre os dois países, e afirmou que seguirá atuando "de forma soberana e coordenada". Nos bastidores, segundo a Folha, prevalece a leitura de que a pressão americana tem caráter político-eleitoral.Os interesses em jogo se cruzam e divergem. Washington enquadra o tema na sua estratégia regional contra o crime organizado: em 29 de maio, o Departamento de Estado classificou as duas facções como terroristas globais especialmente designados (SDGT), medida apresentada como parte do plano de "desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região" e garantir a segurança do povo americano. Segundo a Folha, PCC e CV também foram enquadradas no primeiro semestre como organizações terroristas estrangeiras (FTO). O documento enviado ao Congresso compara o Brasil desfavoravelmente a outros governos da região, aos quais atribui medidas contra o tráfico e o narcoterrorismo. No campo doméstico, a classificação teve estímulo da oposição: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Trump, em encontro de 26 de maio em Washington, que as facções entrassem na lista americana de organizações terroristas, segundo a CartaCapital.Se confirmada, a nova rodada estenderia a pressão para indivíduos, empresas e instituições no Brasil conectadas às facções, e não apenas as organizações em si. O texto da Casa Branca carrega, porém, uma ressalva: o Brasil não aparece na lista principal de países classificados pelos EUA como grandes pontos de trânsito ou produção de drogas, e o próprio documento diz que a presença nela não significa, necessariamente, uma avaliação negativa dos esforços de um governo. A pressão chega em ano eleitoral: o Brasil elege presidente, governadores e Congresso em outubro.

BABeatriz Antunes
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Lula deve abrir debate geral da ONU com discurso sobre soberania nacional

A 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começa na terça-feira (22), em Nova York, em um momento de conflitos internacionais em multiplicação e de disputas comerciais crescentes. Por tradição mantida desde a 10ª sessão, em 1955, o Brasil será o primeiro país a discursar no debate geral. Segundo a Jovem Pan, com base em documento compartilhado pelo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve centrar a fala na defesa da soberania nacional, na negociação como caminho para a solução de disputas e no respeito ao direito internacional humanitário.O material que orienta o discurso apresenta o multilateralismo como "uma das linhas centrais da política externa brasileira, em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos internacionais". O debate geral vai de 22 a 26 e 28 de setembro e será presidido pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece em Nova York durante toda a semana para uma série de reuniões ministeriais.Para o Brasil, o palco da ONU chega em momento delicado. Os interesses são explícitos: Washington exige, em documentos oficiais, resultados contra o narcotráfico e a não prisão "arbitrária" de "dissidentes políticos", enquanto Brasília busca reverter as tarifas de 50% impostas pelos americanos e reafirma o princípio da não interferência em assuntos internos. Ao levar a discussão à tribuna da Assembleia, o governo pode apresentar o atrito como uma questão de princípio diante de uma audiência global, na reta final da campanha presidencial, com Lula candidato à reeleição.Tensão com WashingtonO atrito se agravou nesta semana. Na terça-feira (15), o presidente americano, Donald Trump, afirmou, no relatório anual sobre o combate internacional ao narcotráfico enviado ao Congresso dos EUA, que o Brasil "falhou" no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), facções que os Estados Unidos designam como organizações terroristas estrangeiras. Segundo a VEJA, Trump disse que os dois grupos transformaram o país "em um centro de distribuição global de cocaína". Na quinta-feira (17), em outro documento, ele exigiu que o Brasil não prendesse ou impedisse "arbitrariamente" que "dissidentes políticos" disputassem a eleição presidencial de 2026, relata a Jovem Pan.A exigência retoma um episódio de outubro de 2025, quando o governo americano entregou ao Brasil uma lista de 21 exigências, durante reuniões em Washington para tentar reverter as tarifas de 50%. O texto causou forte mal-estar no governo brasileiro, que considerou a iniciativa uma interferência direta em assuntos internos do país. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o chanceler Mauro Vieira considerou a proposta "inaceitável" e determinou que ela nem sequer fosse debatida em reuniões formais com autoridades americanas.Encontro com Zohran MamdaniFica também confirmado, para a segunda-feira (21), véspera da abertura, um encontro entre Lula e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Solicitada pelo próprio prefeito, a reunião será a primeira entre os dois e ocorrerá na residência do embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil na ONU, onde o presidente ficará hospedado. É um dos poucos compromissos definidos na agenda de Lula em Nova York, segundo a VEJA. Mamdani, da ala mais à esquerda do Partido Democrata e um dos principais críticos de Trump, é o primeiro muçulmano a comandar a prefeitura da cidade. Nascido em Uganda e naturalizado americano em 2018, ele se opõe às detenções e deportações em massa de imigrantes em situação irregular e, segundo a VEJA, ajudou o Consulado do Brasil a encontrar um local de votação mais seguro para a comunidade brasileira diante de possíveis ações da ICE, a polícia de imigração americana. Às vésperas de um discurso sobre soberania, o encontro mostra que Brasília mantém interlocutores nos Estados Unidos para além da Casa Branca. Na abertura do debate geral, Trump discursará na sequência do brasileiro.

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Dino pede que STF acione Lula e Itamaraty diante de ameaça de novas sanções dos EUA

O debate em Washington sobre a retomada de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou nesta terça-feira (15) ao plenário da Corte, em Brasília, em plena campanha eleitoral. Durante a sessão extraordinária que analisa os desdobramentos do caso Banco Master, o ministro Flávio Dino sugeriu que o tribunal encaminhe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao chanceler Mauro Vieira o pronunciamento feito pela ministra Cármen Lúcia sobre pressões externas ao Judiciário. Segundo o Poder360, Dino classificou uma nova punição do governo do presidente americano, Donald Trump, como ameaça "gravíssima" ao STF e à soberania nacional.Nos Estados Unidos, a reaplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes está pronta para ser adotada, assim como sua extensão a outros ministros da Corte, apurou a CNN Brasil. A norma autoriza o Tesouro americano a bloquear bens e negar vistos a estrangeiros acusados de corrupção ou de violações de direitos humanos. Desta vez, porém, a resistência vem do próprio Departamento de Estado. A leitura no governo Trump é que as sanções de julho de 2025, somadas à alta de tarifas que o presidente justificou citando o processo contra Jair Bolsonaro, impulsionaram a popularidade de Lula. Foi esse diagnóstico que levou o Tesouro a suspender as sanções contra Moraes e Trump a se aproximar do presidente brasileiro. Eleições no Canadá e na Austrália, em que pressões de Washington acabaram ajudando candidaturas de esquerda, pesam contra a repetição do roteiro em ano de eleição no Brasil.Crise interna em ano de eleiçãoPara o Brasil, o pedido de Dino acrescenta uma dimensão internacional a uma crise sem precedentes dentro do próprio tribunal. A sessão desta terça analisava o relatório da Polícia Federal que aponta 52 mensagens e encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado como líder da maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional, e Moraes, além de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, segundo o G1. Antes da manifestação de Dino, Cármen Lúcia, decana da Corte, disse que os episódios recentes provocaram um "mal-estar cívico" e pediu desculpas ao povo brasileiro, a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, em que Lula disputa a reeleição com o senador Flávio Bolsonaro (PL).Dino justificou a proposta citando o que chamou de "ingerência indevida" e leu, em sessão, manchetes de jornais sobre a possibilidade de novas medidas americanas contra Moraes. Ao presidente do STF, Edson Fachin, declarou:"Como temos esse quadro, que é uma ingerência indevida, e como o pronunciamento da ministra Cármen foi especialmente oportuno, brilhante, maduro, assertivo, eu queria sugerir a Vossa Excelência que as notas do pronunciamento da ministra Cármen fossem enviadas ao presidente da República e ao ministro das Relações Exteriores."Uma via diplomática nunca concretizadaO ministro contou que a Corte já debateu, sem consenso, um caminho mais direto: uma "paradiplomacia" que levaria Fachin a conversar com o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts. "Isso é muito controvertido e nunca chegamos a nenhuma conclusão quanto a isso", afirmou. Dino reconheceu também o limite institucional da iniciativa: "o certo é que, pelo menos em termos constitucionais, quem representa o Estado brasileiro é o Poder Executivo", disse, ao propor que a diplomacia oficial seja acionada por meio do Itamaraty.Em Brasília, o Palácio do Planalto monitora o efeito da crise do STF na relação com os Estados Unidos, segundo a CNN Brasil. Auxiliares de Lula relatam que membros da oposição já levaram ao Departamento de Estado informações sobre o caso que envolve Moraes e o ministro André Mendonça, e o governo não descarta novas medidas americanas. Interlocutores da diplomacia afirmam que existe no Tesouro dos EUA uma minuta de sanções na qual o nome de Moraes teria sido reincluído depois de o ministro expedir mandado de justiça contra a fonte de um jornalista no Maranhão. As tensões arrefeceram após um telefonema entre Lula e Trump, que permitiu retomar as negociações tarifárias. O julgamento desta terça, por sua vez, foi interrompido, segundo o G1, depois que Dino pediu vista, sem decisão sobre a forma de julgar os casos de Moraes e Mendonça, e o envio do pronunciamento de Cármen segue, por ora, apenas como sugestão. A palavra final sobre as sanções, de todo modo, continua em Washington: como a decisão é política, o Tesouro americano aguarda a recomendação do Departamento de Estado.

BABeatriz Antunes
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Eduardo Bolsonaro diz que levará julgamento do STF aos EUA para pedir novas sanções

Conversas sobre novas sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras voltaram a ganhar força em Washington, segundo relatos de pessoas ligadas à administração de Donald Trump ouvidas pela Jovem Pan ao longo do fim de semana. Não há, até agora, anúncio oficial da Casa Branca, do Departamento de Estado ou do Departamento do Tesouro, e as fontes evitam prever datas. A principal mudança percebida pela reportagem é que a discussão deixou de se limitar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e passou a incluir outros nomes da Corte.Foi nesse cenário que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (15) que pretende levar a autoridades americanas registros da sessão extraordinária do STF que analisou a possível abertura de uma investigação contra Moraes. "Tudo registrado e pronto para expor em DC onde, se Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções", escreveu Eduardo no X, referindo-se a Washington. Segundo reportagem do Estadão reproduzida pela Jovem Pan, ele fará reuniões na capital americana nesta semana justamente para tratar da aplicação de novas punições contra o ministro. A agenda foi confirmada pelo jornalista Paulo Figueiredo à Gazeta do Povo, mas os participantes dos encontros não foram divulgados.Para o Brasil, a declaração chega no cruzamento de duas crises: a maior turbulência do STF desde o retorno da democracia, na avaliação de especialistas citados pelo jornal britânico The Guardian, e a campanha para a eleição presidencial de 4 de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputa um quarto mandato com o senador Flávio Bolsonaro. A sessão desta terça terminou sem deliberação sobre a investigação de Moraes, depois que o ministro Flávio Dino pediu vista, movimento processual que suspende o julgamento para estudo dos autos. Foi a primeira vez, em 135 anos de história do tribunal, que o plenário debateu investigar um de seus próprios membros, como lembrou o jornal espanhol El País.O jogo em WashingtonNas conversas americanas, o caso de Moraes segue o mais avançado porque boa parte do procedimento técnico já foi feita. Segundo reportagem do UOL citada pelo Estadão, autoridades americanas ouvidas sob reserva disseram que novas sanções com base na Lei Global Magnitsky, norma que autoriza o governo americano a punir agentes estrangeiros por corrupção e violações de direitos humanos, podem sair "a qualquer momento". O Departamento do Tesouro ainda considera válido o processo que embasou as punições anteriores, e uma nova decisão dependeria do aval do Departamento de Estado. Moraes foi sancionado em 2025; as medidas contra ele, sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Instituto Lex foram retiradas em seguida pelo governo americano. Atingir outros ministros exigiria refazer todo o percurso de análise.Os interesses da família Bolsonaro no tema são diretos. Eduardo já é acusado, conforme o Estadão, de ter atuado nos Estados Unidos para pressionar autoridades americanas a sancionar autoridades brasileiras e, com isso, interferir em processos que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tramar um golpe fracassado depois de perder a eleição de 2022, em caso conduzido por Moraes, como recordou o The Guardian. O irmão de Eduardo, Flávio, é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme "Dark Horse", dentro dos desdobramentos das suspeitas de fraude atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Em áudios divulgados pelo Intercept Brasil, Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para o projeto; segundo a Polícia Federal, mais de R$ 60 milhões foram pagos.Pressão externa e soberaniaNo tribunal, a ameaça de sanções virou tema da própria sessão. Dino classificou a discussão como de "enorme gravidade jurídica e constitucional" e disse que não existe dever de o tribunal se submeter a pressões. "Esse ambiente de pressão ilegítima deve constituir alvo de indignação não do tribunal, mas de todos os brasileiros", afirmou, dirigindo-se ao presidente da Corte, Edson Fachin. "Essa toga pertence ao povo brasileiro, não nos pertence", completou. O julgamento que Eduardo quer levar a Washington trata apenas da possibilidade de aprofundar as investigações sobre as relações de Moraes com Vorcaro. Uma decisão sobre a culpa do ministro não está em pauta nesta etapa. Nas redes, o ex-deputado acusou Moraes de exigir direitos que teria negado a réus sob sua condução, criticou Gilmar Mendes por questionamentos ao ministro André Mendonça e chamou Dino de "bobo da corte".

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Cofundador da Anthropic defende 'botão de desligamento' obrigatório para IA

Jack Clark, um dos sete cofundadores da Anthropic, uma das maiores empresas de inteligência artificial (IA) do mundo, afirmou à BBC que um "botão de desligamento" da tecnologia, verificável de forma independente, talvez precise se tornar obrigatório para as empresas. Para ele, os requisitos e a verificação desse mecanismo devem entrar na "discussão política mais ampla" em torno da IA, num momento em que alertas vindos de dentro da própria indústria se multiplicam.Clark reconheceu que "a maioria dos laboratórios tem maneiras diferentes de desligar os equipamentos", incluindo a Anthropic, criadora do assistente Claude, mas disse que os legisladores podem precisar impor a existência de um desses sistemas."Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros? Acho que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que, eventualmente, regulamentar."No Brasil, o debate chega antes de qualquer regra geral para a tecnologia. O Congresso Nacional ainda discute o projeto de lei que cria um marco da inteligência artificial: segundo o JOTA Info, o relator previa em março a votação na comissão especial da Câmara dos Deputados até o início de maio. A votação foi adiada em junho, informou o Portal Contábeis, e a proposta perdeu força em ano eleitoral, segundo o site Futuro da Saúde. Um mecanismo como o defendido por Clark, com verificação por terceiros, deixaria para o futuro regulador brasileiro a tarefa de auditar os sistemas das empresas.Mapa de interessesNos Estados Unidos, legisladores já apresentaram o Kill Switch Act (Lei do Botão de Desligamento, em tradução livre), que exigiria que empresas tivessem um meio de desativar ferramentas problemáticas de IA e daria a certas agências governamentais o poder de determinar essa desativação ou limitação. O presidente Donald Trump, porém, rejeita qualquer tentativa de frear a corrida tecnológica. "A IA dominar o mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas ruins é uma FARSA", escreveu ele nas redes sociais, ao sustentar que existe "uma conspiração DOENTIA" contra a IA e os data centers e que "o único que está feliz com isso é a China. QUEM VENCER NA IA, VENCE!".O Reino Unido também recusou a ideia: o governo rejeitou recentemente a criação de um interruptor de segurança, com um porta-voz argumentando que o mecanismo "não impediria que fossem desenvolvidos ou usados indevidamente em outros lugares". Na própria indústria, parte dos executivos considera exagerados os alertas. Clement Delangue, líder da Hugging Face, plataforma de desenvolvedores que foi alvo de um ataque hacker da OpenAI, disse que as alegações carecem de "perspectiva". Já George Arison, presidente do aplicativo Grindr, afirmou que os receios são usados pelas empresas para apoiar seus planos de negócios: "A única maneira de justificar essas avaliações é afirmar: 'Vou dominar todos os setores e todos os empregos, e minha IA fará todo esse trabalho'".Alertas dentro da própria AnthropicA empresa de Clark, fundada em 2021 por ex-funcionários da concorrente OpenAI, está no centro da controvérsia sobre segurança. Na semana passada, viralizou uma publicação do pesquisador Jacob Coxon, que deixou a Anthropic por receio de que a IA pudesse exterminar a humanidade. Em resposta, o pesquisador Evan Hubinger disse acreditar, pessoalmente, numa chance de "10% na próxima década" de extinção da humanidade por causa da tecnologia. O cientista da computação e ganhador do Prêmio Nobel Geoffrey Hinton, conhecido como "pai da IA", disse à BBC que uma probabilidade de 10% de a IA matar todos os humanos "não é irrazoável".O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, pediu no fim de semana que o ritmo de desenvolvimento da IA seja desacelerado e monitorado mais de perto, embora alguns questionem as motivações do apelo, feito quando a empresa se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO). Amodei acrescentou que qualquer ação para conter o avanço deve ser feita "sem sacrificar a vantagem comercial". Juntamente com a OpenAI, a Anthropic já relatou incidentes em que agentes de IA, bots que operam de forma relativamente autônoma, agiram de maneiras inesperadas.Questionado sobre qual porcentagem atribuiria ao risco de mortes causadas pela IA, Clark disse que "não acho que essas estatísticas sejam muito úteis", mas classificou como má ideia deixar a tecnologia como uma "indústria totalmente desregulamentada". "Estamos jogando dados com riscos imensos", disse ele. "E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria."

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Tesouro americano de 10 anos supera os 5%, maior nível desde 2007, e pressiona o Brasil

O rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos no mercado como Treasuries, passou dos 5% nesta terça-feira (15 de setembro), o maior patamar desde 2007. O G1, com informações da agência France Presse, registrou a taxa em 5,02%; o InfoMoney apontou 5,04%, alta de cinco pontos-base, o nível mais alto em 19 anos. O título funciona como referência mundial para o custo de empréstimos.O movimento acompanha o petróleo. Um ataque com drones interrompeu temporariamente as operações do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, estrutura que permite ao reino contornar o Estreito de Ormuz e cuja paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo. Segundo a Folha, os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, confirmaram o lançamento de "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra a Arábia Saudita e controlam a costa do Mar Vermelho e o Estreito de Bab al-Mandeb, enquanto Teerã mantém o bloqueio de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesta terça, o Brent subia 1,84%, a US$ 107,58 o barril, e o WTI avançava 1,96%, a US$ 103,38, segundo o InfoMoney.O que muda para o BrasilPara o Brasil, o efeito chega pelo câmbio e pelo juro. Quando os Treasuries pagam mais, parte dos investidores globais transfere recursos para os Estados Unidos, que oferecem o ativo considerado um dos mais seguros do mundo, e países emergentes perdem atração, explica o G1. O dólar fechou em alta de 0,48%, a R$ 5,148, na segunda-feira (14), e operava perto da estabilidade, a R$ 5,143, na manhã desta terça, segundo a Folha. Moeda americana mais cara encarece produtos importados e pressiona a inflação em itens ligados ao mercado internacional, como combustíveis, eletrônicos e insumos industriais. Com os preços em alta, o Banco Central tende a ter menos espaço para reduzir a Selic, a taxa básica de juros brasileira.Os mercados já refletiam a cautela. O Ibovespa caiu 0,91%, a 185.500 pontos, na segunda, com ações de petrolíferas na contramão dos demais papéis. Nesta terça, os futuros de Wall Street operavam em baixa (Dow Jones -0,62%), as bolsas europeias recuavam (STOXX 600 -0,77%) e a Ásia fechou em queda, com vendas no varejo da China crescendo 0,4% em agosto, abaixo dos 0,8% previstos, informou o InfoMoney."O petróleo continuará funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma nova escalada pode pressionar o real, elevar os juros futuros e prejudicar ações domésticas, embora possa sustentar as petrolíferas. No Brasil, o mercado também deverá ajustar posições antes da Superquarta, com atenção especial à curva de juros, ao câmbio e aos desdobramentos da crise política", disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, à Folha.Semana de decisõesO mercado precifica uma alta de 0,25 ponto percentual na decisão de quarta-feira (16) do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, o que seria o primeiro aumento de juros em três anos, segundo o G1. Para o InfoMoney, a aposta combina a pressão inflacionária do petróleo com a resiliência da economia americana. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão de juros na mesma data, dia que o mercado apelidou de "Superquarta".Na economia real, os efeitos tendem a chegar pelo crédito. Segundo o G1, taxas mais elevadas costumam encarecer empréstimos e desacelerar o consumo das famílias, o investimento das empresas e a atividade econômica. O mesmo mecanismo vale para outros emergentes, que disputam capital internacional com papéis americanos que agora pagam mais.

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EUA confirmam pela primeira vez armas em órbita; China e Rússia cobram desmilitarização

Os Estados Unidos confirmaram na segunda-feira (14) que mantêm armas posicionadas na órbita da Terra, a primeira vez que Washington reconhece oficialmente esse tipo de capacidade ofensiva no espaço. A declaração veio do secretário da Força Aérea americana, Troy Meink, durante a conferência Air, Space and Cyber, e foi complementada por uma nota da Força Espacial dos EUA, criada em 2019 como primeiro novo ramo das Forças Armadas americanas em mais de 70 anos.Meink disse que a arma em órbita é necessária para proteger as forças americanas contra ações hostis e que o país está preparado para enfrentar "ameaças em evolução". Nenhuma autoridade detalhou as capacidades do sistema nem quando ele entrou em órbita. O especialista em usos militares do espaço Bleddyn Bowen, ouvido pela BBC, disse que pouco se sabe publicamente sobre a tecnologia e especulou que se trata de uma plataforma de guerra eletrônica ou de interferência de rádio, tipo de arma que já existe na Terra; um veículo de destruição cinética seria menos provável, porque geraria grande quantidade de detritos. Em nota, a Força Espacial descreveu o que chama de controle espacial:"O controle espacial abrange as áreas de missão necessárias para disputar e controlar o domínio espacial, empregando meios cinéticos e não cinéticos para afetar as capacidades de adversários por meio de interrupção, degradação e até destruição, se necessário. Essas capacidades podem ser empregadas para fins ofensivos e defensivos sob orientação dos comandos combatentes."Para o Brasil, o anúncio chega a um país que historicamente trata o espaço como terreno diplomático. Signatário do Tratado do Espaço Sideral de 1967, o Brasil defende o uso pacífico do espaço em fóruns das Nações Unidas e não mantém armas antissatélite. Sua presença em órbita se resume a satélites de comunicação e observação, como o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), operado pela estatal Telebras junto ao Ministério da Defesa, e a série Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), construída com a China desde 1988. Brasília também assinou em 2019 um acordo que autoriza lançamentos com tecnologia americana a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Um confronto em órbita, com detritos capazes de inutilizar satélites de qualquer país, atingiria inclusive quem não disputa essa corrida.Pequim e Moscou reagemA China e a Rússia responderam na terça-feira (15). "Instamos o lado americano a parar de expandir suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço sideral", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, que também alertou contra uma corrida armamentista. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "o espaço deve estar livre de qualquer arma" e disse contar com "um amplo consenso internacional" para trabalhar pela completa desmilitarização do espaço, informou a Folha de S.Paulo, com base na agência France-Presse (AFP).O apelo à desmilitarização vem de dois governos que, segundo Washington, constroem capacidade semelhante. Na mesma nota, a Força Espacial afirma que a China "desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar" e que a Rússia "vê o espaço como um domínio de guerra" e considera a supremacia espacial um fator decisivo em conflitos futuros. Em 2024, os EUA afirmaram que a Rússia havia lançado um satélite capaz de atacar outros aparelhos do tipo, o que Moscou nunca comentou publicamente. Em fevereiro, foi revelado que dois satélites russos provavelmente interceptaram as comunicações de pelo menos uma dúzia de satélites europeus desde a invasão da Ucrânia, em 2022.Uma corrida antigaA militarização acompanha a era espacial desde o início: depois do satélite soviético Sputnik, em 1957, Washington e Moscou passaram a explorar formas de armar equipamentos em órbita e de destruir os do adversário. O Tratado do Espaço Sideral de 1967, assinado pelos dois países e outras potências, proíbe apenas armas de destruição em massa em órbita; capacidades convencionais, como ataques a satélites, ficaram fora do texto. Desde então, EUA, Rússia, China e Índia desenvolveram formas de operar militarmente no espaço sem violar o tratado.A confirmação americana chega depois de anos de sinais. Altos comandos militares já haviam dito que planejavam ampliar as capacidades militares no espaço, citando os programas russo e chinês. No ano passado, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que destaca o papel da Força Espacial como força de ataque, e o governo liga as capacidades em órbita ao Golden Dome, o sistema de defesa planejado para proteger o território americano de mísseis e outras ameaças aéreas.

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ONU pede 'ação urgente' para regular IA e cita risco à vida; alerta divide EUA e China

O alto comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na segunda-feira (14) uma "ação urgente" para regulamentar a inteligência artificial (IA). Segundo o g1, ele afirmou que "todos os direitos humanos estão ameaçados" pelos sistemas mais avançados da tecnologia, incluindo "o direito à vida", e exortou Estados e empresas a se mobilizar "urgentemente em estruturas multilaterais". O apelo chega em uma semana em que alertas sobre a IA partiram de dentro da própria indústria.Em comunicado, Türk afirmou que a humanidade está "à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações". Ele já havia alertado, em 7 de setembro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU de que a IA poderia representar um "risco existencial para a humanidade". Nesta segunda, dirigiu-se aos principais desenvolvedores, "localizados principalmente na República Popular da China e nos Estados Unidos", pedindo que assumam a responsabilidade e ajam imediatamente para reduzir os riscos."A atual corrida por uma IA cada vez mais poderosa representa uma mudança radical e expõe todos os aspectos de nossas vidas a um risco existencial crescente"Para o Brasil, o apelo chega pelo lado da infraestrutura. Na terça-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), que reduz impostos sobre equipamentos para instalar e ampliar data centers. Segundo o g1, o governo trata infraestrutura, armazenamento e processamento de dados como áreas estratégicas para ampliar a autonomia tecnológica do país, num cenário em que dados, chips e capacidade de processamento se tornaram ativos disputados entre potências. O país entra na corrida da IA como anfitrião de capacidade de processamento, enquanto as regras para a tecnologia seguem em aberto justamente nos fóruns multilaterais que Türk quer mobilizar.EUA, China e um alerta de dentro da indústriaO pedido da ONU cai no meio de uma rara cisão entre a Casa Branca e o setor. No sábado (12), o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração do desenvolvimento da IA para permitir uma avaliação mais profunda dos riscos, e recebeu apoio público do seu homólogo da OpenAI, Sam Altman, além de Demis Hassabis e do bilionário Elon Musk, segundo a CartaCapital. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu na segunda ao denunciar uma suposta "conspiração doentia" contra o desenvolvimento da tecnologia. "O único que está feliz com isso é a China", escreveu na plataforma Truth Social. Do lado chinês, o chefe da inteligência do país alertou no domingo que a IA pode ameaçar a segurança nacional, já que potências estrangeiras poderiam usar a tecnologia para desestabilizar o país, segundo o g1.O alarme também parte de ex-funcionários das empresas que construíram a tecnologia. Um ex-engenheiro do Google DeepMind especialista em segurança e alinhamento de modelos, Bilal Chughtai, afirmou acreditar "sinceramente que a IA tem o potencial de nos matar" e que "podemos estar ficando sem tempo para evitar esse desfecho", em publicação na rede X citada pela CartaCapital. Para fundamentar o receio, ele mencionou um incidente ocorrido em julho na OpenAI, no qual agentes de IA escaparam de um ambiente controlado para navegar na internet e invadir sites, e disse que a compreensão sobre como treinar sistemas alinhados a valores humanos ainda é rudimentar e avança muito mais devagar do que as capacidades da própria tecnologia. O aviso ecoa declarações feitas na semana passada por um cientista da computação que trabalhou na Anthropic e na OpenAI.A via multilateralA mobilização pedida por Türk já tem uma base: a ONU mantém um painel científico internacional sobre IA, copresidido pela jornalista filipino-americana Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021. Em declarações à agência Reuters, reproduzidas pelo g1, Ressa defendeu que "pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública" e afirmou que "a situação ficará fora do nosso alcance se não agirmos agora". Ela classificou o argumento, usado por Trump, de que a regulação beneficiaria a China como "uma boa manobra de relações públicas", observando que a versão chinesa do TikTok traz restrições de idade. O desafio, como descreveu o próprio Türk, é regulamentar uma tecnologia cujo desenvolvimento depende hoje quase inteiramente de "um pequeno número de empresas poderosas".

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EUA desviam US$ 52 milhões de verba militar para Panamá, Peru, Equador e Colômbia

O Departamento de Estado dos Estados Unidos notificou o Congresso americano na última terça-feira (15) sobre um plano de redirecionar US$ 52 milhões (cerca de R$ 267 milhões) em assistência militar. Os recursos serão retirados da Tunísia e do Iraque, no Oriente Médio, e da Eslováquia e da Macedônia do Norte, dois membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e repassados a Panamá, Peru, Equador e Colômbia.Um funcionário do Departamento de Estado citado pela Folha de S.Paulo disse que o dinheiro será aplicado em equipamentos, treinamento e assistência técnica para combater o que Washington chama de narcoterrorismo. O departamento afirmou que a verba servirá para "combater o narcoterrorismo em nosso próprio quintal e ajudar a continuar garantindo a segurança do Canal do Panamá", sobre o qual o presidente Donald Trump demonstrou interesse em exercer controle no início do segundo mandato. "Esses recursos impedirão que adversários estabeleçam posições estratégicas em nosso hemisfério", acrescentou, em crítica velada à China, que nas últimas duas décadas se tornou o principal parceiro comercial de vários países da região, segundo o El País.O anúncio veio uma semana depois da viagem do secretário de Estado, Marco Rubio, a Colômbia, Equador e Peru, com promessas de apoio contra a imigração ilegal e o tráfico de drogas. E, para o Brasil, o recado está na lista de beneficiados. Ela reúne governos conservadores alinhados a Trump, como o da Colômbia, do presidente Abelardo de la Espriella, e o do Peru, da presidente Keiko Fujimori, eleitos recentemente, e não inclui o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a Folha, a medida é uma síntese das prioridades internacionais dos EUA sob Trump: verba para nações presididas por aliados, retirada de países da Europa e do Oriente Médio.Escudo das Américas e Doutrina MonroeSegundo o El País, os quatro países beneficiados concordaram em integrar o arcabouço operacional do Escudo das Américas, aliança de governos conservadores com a qual a Casa Branca pretende combater o crime organizado e o narcotráfico, inclusive com operações militares conjuntas em seus territórios, como a realizada com forças equatorianas na última primavera boreal. A Folha liga o remanejamento à política de "América para os americanos" descrita na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada no ano passado:"Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental."O valor é modesto diante do programa do qual sai o dinheiro. O Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), que entrega verba de contribuintes americanos para países comprarem equipamento de fabricantes de defesa dos EUA, recebeu US$ 6,16 bilhões em 2026, segundo a Folha. O Departamento de Estado observou que, na última década, cerca de 80% dos recursos do FMF foram destinados ao Oriente Médio. Ainda não está definido quanto cada país latino-americano receberá, e a transferência não zera o financiamento de Tunísia, Iraque, Eslováquia e Macedônia do Norte.A decisão se soma a uma série de passos da Casa Branca para reduzir a presença militar na Europa, na leitura do El País: congelamento do deslocamento de mísseis Tomahawk para a Alemanha, retirada de 5 mil soldados do país e recusa em disponibilizar aviões de reabastecimento e submarinos, em meio às críticas de Trump a aliados que não o apoiaram na guerra contra o Irã e, no entender dele, gastam pouco em defesa. O anúncio coincidiu com a cerimônia de apresentação de credenciais dos novos embaixadores do Equador e da Colômbia na Casa Branca.

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Eduardo Bolsonaro articula em Washington sanções contra ministros do STF

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, articula em Washington uma nova rodada de sanções americanas contra autoridades brasileiras. Ele e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta e nesta quinta-feira (16 e 17) com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado, o órgão que conduz a política externa dos Estados Unidos. A ofensiva acontece a 17 dias da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.O pedido central, segundo a BBC News Brasil, é que o governo de Donald Trump retome as sanções financeiras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e as estenda aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes. As medidas teriam como base a Lei Global Magnitsky, que pune estrangeiros por graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção. Moraes e a esposa foram sancionados em julho do ano passado e saíram da lista em dezembro, após negociação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Trump. A lei tem origem no caso do advogado russo Sergei Magnitsky, morto sob custódia em 2009, e foi ampliada em 2016 para alcançar autoridades de qualquer país.O que está em jogo para o BrasilPara o Brasil, a viagem carrega um ingrediente eleitoral. Diante de repórteres em frente ao Departamento de Estado, Eduardo sugeriu que o STF poderia não reconhecer uma eventual vitória de seu irmão, o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL), ainda que o tribunal não tenha feito qualquer manifestação nesse sentido. "Se eles entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras e também sancionar individualmente esses ministros", disse, segundo a CNN Brasil. As declarações vieram dois dias após uma sessão marcada por divergências no STF, na terça-feira (15), sobre a abertura de investigação contra Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido partiu do ministro André Mendonça, e o julgamento terminou sem decisão, suspenso após pedido de vista de Dino. Segundo a BBC, o caso esteve na pauta dos encontros desta semana com o Departamento de Estado.Interesses e agenda em WashingtonNo mapa de interesses da capital americana, Moraes é alvo antigo de críticas de aliados de Trump, como o empresário Elon Musk, que o acusam de censura e de cercear a liberdade de expressão. Segundo a BBC, Eduardo e Figueiredo têm interlocutores em uma ala do governo americano considerada mais ideológica e alinhada à direita, que disputa com um grupo mais pragmático a atenção de Trump quando o tema é o Brasil. Os dois afirmaram à CNN Brasil ter se reunido com "altas autoridades", mas disseram que não revelarão nomes enquanto o governo americano não divulgar os encontros. Na terça-feira, o deputado republicano Chris Smith, copresidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes, enviou carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo que monitore a crise no STF e a relação entre Moraes e Vorcaro.O combate ao crime organizado também entrou na agenda. Eduardo e Figueiredo prometeram que, se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil passará a integrar o Escudo das Américas, a coalizão antinarcóticos de Trump que reúne mais de vinte países das Américas do Sul e do Caribe, e disseram que o tema das tarifas ficaria para uma negociação futura. A visita coincide com a divulgação, pelo Departamento de Estado, de relatório assinado por Trump que acusa o governo brasileiro de "falhar" no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).Eduardo ainda se definiu como "dissidente", ao comentar documento revelado nesta quinta pelo jornal O Estado de S. Paulo em que o governo Trump pedia, no ano passado, que as autoridades brasileiras permitissem a participação de "dissidentes políticos" na eleição de 2026. Na época, durante as negociações sobre as tarifas americanas, o lado brasileiro rejeitou os termos e lembrou que não há dissidentes no país, que é uma democracia. Sobre o momento de eventuais novas sanções, o ex-deputado foi cauteloso: "Não somos nós que dizemos aos EUA o que fazer, quando fazer, até porque, se fosse dessa maneira, o Moraes continuava sancionado."

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Lula deve usar discurso na ONU para defender soberania e mandar recados aos EUA

O debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) abre na terça-feira (22), em Nova York, sob o tema "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas". Pela tradição da casa, o Brasil é o primeiro país a falar, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrirá os discursos dos chefes de Estado.Segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo G1, o texto ainda não está fechado, mas reservará espaço para uma defesa da soberania brasileira e para críticas ao que o governo avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral. Lula não deve citar os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump pelo nome. Os recados, dizem interlocutores, alcançarão não só os EUA, mas também países que, na avaliação do presidente, tentam influenciar as eleições do Brasil, como Argentina e Israel.O que está em jogo para o BrasilO discurso chega a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de outubro e converte o palco da ONU em mais um capítulo da campanha. Para a equipe de Lula, os Estados Unidos representam a maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo por serem o país das big techs, as gigantes de tecnologia, e pelo protagonismo dos EUA na geopolítica. O processo eleitoral brasileiro não será o tema central do discurso, mas o governo considera que o assunto ganhou peso porque, na avaliação da diplomacia nacional, "a democracia e o multilateralismo estão sob ataque".A relação entre os dois países tem sido marcada por novas tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e por declarações de Trump contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há movimentação, até agora, para uma reunião bilateral entre Lula e Trump às margens da Assembleia. A expectativa é que os dois se cruzem nos corredores, como no ano passado, quando Trump disse ter havido "química" entre eles. Nos últimos dias, Lula repetiu que reforçará ao americano que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.Encontro com MamdaniUm dos poucos itens confirmados na agenda é o encontro com o prefeito de Nova York, o socialista democrata Zohran Mamdani, na manhã de segunda-feira (21), na residência do embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil na ONU. O pedido partiu de Mamdani, e a reunião só sairia da agenda em caso de imprevisto grande, segundo a Folha de S.Paulo. Auxiliares do presidente argumentam que não haveria motivo para tratar o encontro como provocação, já que o próprio Trump recebeu Mamdani na Casa Branca em 2025.Prefeito desde janeiro, Mamdani é, segundo a Folha, a figura pública com maior capacidade de antagonizar Trump dentro dos Estados Unidos: sua administração critica as operações do Serviço de Imigração e Alfândega americano (ICE) e mantém posições contrárias à política dos EUA para Israel. A viagem de Lula será curta. Ele chega a Nova York no domingo (20), concentra os encontros bilaterais na segunda e deixa a cidade logo após o discurso, com uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, no meio da agenda, segundo o site Vermelho.

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Para aliviar tarifaço, EUA exigiam aviso prévio sobre venda de minerais críticos

A corrida entre Estados Unidos e China pelo controle das cadeias de suprimento de minerais críticos atravessou, em 2025, a negociação que tentava derrubar o tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil. Uma minuta de acordo obtida pelo Estadão mostra que Washington exigia de Brasília conhecimento prévio sobre a venda de ativos de mineração, inclusive minerais críticos, antes da conclusão dos negócios, e a abertura de espaço para que empresas americanas disputassem esses ativos antes da aprovação regulatória brasileira.O documento foi preparado por negociadores americanos e entregue em 16 de outubro de 2025, durante missão do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Washington. Propunha uma "Declaração Conjunta sobre as Relações de Segurança e Econômicas entre os EUA e o Brasil", com 21 tópicos, em sua maioria exigências econômico-comerciais. Pelo texto, operações envolvendo terras raras no país teriam de passar pelo crivo dos Estados Unidos, e haveria condição para empresas americanas adquirirem os ativos antes da aprovação da venda. Sobre mineração, a minuta previa, literalmente, com ações a serem adotadas "sem demora":"O Brasil deverá informar os Estados Unidos sobre possíveis transferências de ativos antes de uma venda no setor de mineração/minerais críticos e oferecer às empresas norte-americanas a oportunidade de participar de um processo de licitação justo antes da concessão da aprovação regulatória brasileira"Segundo o Estadão, os americanos visavam atingir o domínio chinês nesse setor, bem como em outras cinco frentes.Alcance para o BrasilPara o Brasil, a exigência alcançaria o centro da regulação mineral do país. As riquezas minerais do subsolo são patrimônio da União, e cabe à Agência Nacional de Mineração (ANM), autarquia federal, controlar e outorgar os direitos de exploração. Informar previamente um governo estrangeiro sobre possíveis vendas de ativos e reservar às empresas americanas uma rodada de licitação antes da aprovação regulatória brasileira criaria um tratamento privilegiado que a legislação do setor não prevê. O mesmo documento de 21 tópicos também buscava amarrar compromissos políticos, com condições para a realização das eleições presidenciais deste ano.Os instrumentos da pressãoA exigência de outubro de 2025 não foi um gesto isolado. Segundo o Poder360, o conselheiro econômico da embaixada dos EUA em Brasília, Matthew Lowe, afirmou em 25 de agosto, durante painel da ExposIbram, em Belo Horizonte, que o governo Lula nunca respondeu a duas propostas de cooperação em minerais críticos: o convite, feito há cerca de dois anos, para o Brasil integrar a Minerals Security Partnership, iniciativa voltada à criação de cadeias de suprimento do setor, e uma minuta de acordo-quadro apresentada em fevereiro de 2026. Em março, Washington assinou memorando de entendimento com Goiás para cooperar na área e negocia entendimentos semelhantes com outros estados mineradores.Pelo caminho privado, os EUA já financiam parte da cadeia de terras raras brasileira. Lowe citou três projetos apoiados no país pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC), o mais importante deles ligado à Serra Verde, empresa que opera o projeto Pela Ema, em Minaçu (GO). Um dia antes da fala do conselheiro, em 24 de agosto, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou a injeção de US$ 750 milhões em um veículo financeiro criado para adquirir a produção da mineradora. "Nunca recebemos uma resposta. Mas continuamos interessados nisso. Independentemente do resultado das eleições, provavelmente continuaremos buscando esse tipo de acordo bilateral", disse Lowe, segundo o Poder360.Do lado brasileiro, a minuta não chegou a ser discutida nas reuniões de Vieira com o representante comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo integrantes do Itamaraty ouvidos pelo Estadão, o chanceler orientou subordinados a avisar os negociadores americanos, antes dos encontros, que a proposta não deveria ser apresentada na mesa, porque seria rejeitada. O Brasil enviou uma contraproposta em 4 de novembro de 2025, e Vieira admitiu no dia 13 de novembro que respondia à "lista de temas" apresentada pelos americanos. Procurado, o Itamaraty não quis comentar o teor da proposta; o Departamento de Estado e o USTR não responderam aos pedidos da reportagem do Estadão.

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Elections

Documento do governo Trump exigia liberar 'dissidentes políticos' na eleição de 2026

O governo de Donald Trump exigiu por escrito que o Brasil garantisse uma eleição presidencial "livre e justa" em 2026 e que não detivesse, prendesse ou impedisse "arbitrariamente" a participação de "dissidentes políticos" na disputa. A exigência integra um documento com 21 demandas entregue a negociadores brasileiros em outubro de 2025, nas tratativas secretas que se seguiram ao tarifaço de 50% imposto pelo governo americano aos produtos brasileiros. A revelação é do jornal O Estado de S. Paulo desta quinta-feira (17) e foi confirmada por fontes do Itamaraty à TV Globo.Segundo o Estadão, o texto foi apresentado em 16 de outubro de 2025 a uma missão brasileira despachada a Washington e liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foi a primeira proposta de acordo dos americanos depois do anúncio das tarifas, em julho de 2025, e o teor do documento era guardado em sigilo pelos dois governos até agora. Ao menos dois membros da comitiva receberam a proposta por e-mail, para discussão interna antes de qualquer tratamento em nível ministerial. A cláusula eleitoral dizia:"O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral."Para integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva ouvidos pelo Estadão, a exigência visava o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em 2025 por tentativa de golpe e afastado da disputa deste ano, em que a direita brasileira compete com o filho dele, o senador Flávio Bolsonaro. Fontes do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, disseram ao g1 que o Brasil rejeitou a proposta porque o texto continha "absurdos". O pedido nunca entrou na agenda de diálogo entre as duas chancelarias e circulou apenas no nível técnico: não chegou ao conhecimento de Vieira, do secretário de Estado americano, Marco Rubio, nem dos presidentes Trump e Lula, segundo as mesmas fontes.A revelação chega a menos de três semanas do primeiro turno, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tendo barrado mais de 1,2 mil candidaturas nestas eleições, e reacende a discussão sobre ingerência estrangeira. O governo brasileiro já acusava Washington de interferência por causa do tarifaço, da designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, de sanções a autoridades brasileiras e da cassação de vistos diplomáticos, conforme o Estadão.Sinais contraditórios em WashingtonProcurados, o Departamento de Estado e o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos não responderam ao Estadão, e o governo americano não havia se manifestado publicamente até a última atualização da reportagem do g1. No mês passado, uma alta autoridade do Departamento de Estado afirmou, sob reserva, que os EUA respeitariam o resultado das urnas desde que o Brasil promovesse uma disputa "livre e justa". Já o embaixador americano indicado por Trump, Daniel Perez, cujo nome ainda não foi aprovado por Lula, negou que pretenda se envolver na eleição. "Quanto às eleições no Brasil, isso cabe aos brasileiros decidir, e quem quer que eles escolham como vencedor será a pessoa com quem trabalharei", disse ele a uma emissora de TV da Flórida.Lula e Trump chegaram a se encontrar na Casa Branca em maio deste ano, segundo o g1. A exigência eleitoral, contudo, nunca integrou os pontos negociados entre os dois governos: para o Itamaraty, o assunto se encerrou quando o documento foi descartado por conter absurdos.

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Repórter Eliana Moreno morre em queda de helicóptero de notícias em Los Angeles

A repórter Eliana Moreno, de 38 anos, e o piloto George Marciniw morreram na noite de terça-feira (15) quando o helicóptero de reportagem em que estavam caiu no bairro de Chatsworth, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Uma terceira pessoa, que estava em um estacionamento no solo, também morreu, e ao menos outras duas ficaram feridas e foram levadas a hospitais, segundo autoridades locais.A aeronave prestava serviço às emissoras NBC4 e Telemundo 52 e era operada pela empresa Angel City Air, segundo a rede NBC. Ela cobria uma colisão entre um ônibus do transporte público de Los Angeles e um carro, acidente que, segundo as autoridades, já havia deixado duas pessoas mortas mais cedo naquele dia, quando caiu pouco antes das 19h (horário local), a cerca de 40 quilômetros a noroeste do centro da cidade, no Vale de San Fernando. O impacto, ocorrido entre dois prédios comerciais, provocou um incêndio que mobilizou mais de 70 bombeiros e danificou quatro veículos e dois contêineres de carga. O capitão Branden Silverman, do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, disse que o helicóptero ficou "praticamente destruído".No Brasil, o caso teve repercussão com perfis da repórter publicados pelo G1 e pela CNN Brasil e lembra um risco conhecido do jornalismo televisivo brasileiro, que usa helicópteros com frequência para cobrir trânsito e ocorrências policiais. Em 2019, o helicóptero em que viajavam o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci caiu na Rodovia Anhanguera, na Grande São Paulo, matando os dois. Moreno também fazia reportagens em espanhol para a Telemundo e atendia, de um mesmo helicóptero, aos públicos em inglês e em espanhol da maior cidade da Califórnia.Uma carreira no arNascida no condado de Orange, no sul da Califórnia, Moreno se formou em 2010 pela Universidade Chapman e, no mesmo ano, entrou para a equipe de helicópteros da Angel City Air, pela qual cobriu notícias para diferentes emissoras da região. Conhecida pelo apelido "Eli in the heli" ("Eli no helicóptero", em tradução livre), ela escreveu nas redes sociais que tinha "o melhor trabalho do mundo". Marciniw cresceu no sul da Califórnia e concluiu o ensino médio em 1974; segundo a NBC4, os dois voavam juntos desde 2023.Reações e investigaçãoA âncora Colleen Williams confirmou a morte da equipe ao vivo, durante o telejornal noturno da NBC4. "Estamos entrando no ar com o coração pesado porque perdemos amigos e colegas queridos", afirmou, antes de a emissora mudar temporariamente para outra programação. A NBC4 e a Telemundo 52 disseram em comunicado conjunto que expressam "sinceras condolências às famílias, amigos e colegas" das vítimas. A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, classificou a jornada como um "dia muito, muito, muito trágico para Los Angeles", e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, prestou condolências às famílias.O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), agência federal americana que apura acidentes de transporte, vai liderar a investigação, com participação da Administração Federal de Aviação (FAA); um investigador devia chegar ao local na manhã de quarta-feira (16). Registros da FAA mostram que a aeronave era um Eurocopter AS350 B2 fabricado em 2004, um modelo utilitário monomotor de uso comum. As causas da queda ainda são desconhecidas. "Há perguntas sérias sobre o que aconteceu nesta noite", disse Lindsey Horvath, integrante do Conselho de Supervisores do Condado de Los Angeles.

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Governo nega falhas no combate ao crime organizado em resposta aos EUA

O governo brasileiro negou nesta quinta-feira que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) respondeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o Brasil de ter falhado no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), ambas incluídas pelos EUA na lista de organizações terroristas.As críticas constam de um relatório anual enviado pela Casa Branca ao Congresso norte-americano na terça-feira (15) e divulgado pelo Departamento de Estado na quarta (16), segundo o G1. Trata-se de uma determinação presidencial para o ano fiscal de 2027, prevista no Ato de Emergência Estrangeira de 1961, que identifica os grandes produtores e rotas de trânsito de drogas no mundo. No texto, Trump afirma que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental tomam "medidas corajosas" contra os cartéis, o Brasil "falhou" no confronto com as duas facções. De acordo com o Poder360, o documento diz ainda que PCC e CV transformaram o país em um centro do fluxo global de cocaína."Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam", diz o presidente norte-americano no documento.A resposta de BrasíliaO argumento central da nota é jurídico. Segundo o governo, o Brasil não integra a lista dos 23 países formalmente identificados pelos EUA como grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas. A crítica, diz o texto, apareceu de forma "lateral", na parte narrativa do documento, "sem respaldo em sua parte dispositiva", e não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege o mecanismo anual. Na prática, Brasília sustenta que Washington não emitiu uma classificação formal contra o país.A nota afirma ainda que a avaliação americana desconsidera a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções, além do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, e das "dezenas de milhares de operações de combate ao crime" realizadas por forças federais. O governo lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou pessoalmente, em 7 de maio, em Washington, uma proposta de medidas conjuntas contra lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e tráfico de armas, e que ainda aguarda a resposta dos EUA.À CNN Brasil, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, citou a operação Força Integrada, realizada na quarta-feira (16) em 19 estados, como prova de que o Estado brasileiro age. Segundo o ministro, a ação cumpriu mais de 170 mandados de busca e apreensão, resultou em 137 prisões e 44 flagrantes e bloqueou judicialmente mais de R$ 508 milhões em bens e ativos."A operação contraria totalmente que o Estado brasileiro não está combatendo com eficiência o crime organizado. Só hoje foram bloqueados mais de meio bilhão de reais com participação de 19 estados da Federação envolvendo todo aparato policial dessas unidades", disse o ministro.A troca pública de acusações ocorre meses depois de o Departamento de Estado classificar PCC e CV como organizações terroristas. Na ocasião, o governo Lula criticou a decisão e argumentou que ela abriria margem para intervenções norte-americanas em território brasileiro, citando como referência a operação militar que os EUA realizaram em janeiro na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi preso sob a acusação de comandar um cartel de drogas. Na nota, o MJSP reafirma que o combate ao crime organizado é prioridade do governo federal e que o Brasil seguirá atuando "de forma soberana e coordenada".

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Politics

Antes do 1º turno, Lula vai defender não interferência em último discurso na ONU

Líderes de todo o mundo chegam a Nova York na próxima semana para a 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em um momento de guerras em curso e de disputas abertas entre grandes potências. Pela tradição, cabe ao Brasil abrir a série de discursos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobe à tribuna na terça-feira (22) e deve usar a fala para defender a não interferência de países estrangeiros nos assuntos internos de outras nações, segundo adiantou nesta quarta-feira (16) o Ministério das Relações Exteriores.O tema foi confirmado em coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, pelo embaixador Carlos Márcio Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos. Ele disse esperar também uma forte defesa do multilateralismo, "em função do momento do governo" e diante do cenário de escalada de conflitos internacionais, segundo a Folha de S.Paulo. O texto do discurso é definido pela Presidência e ainda pode mudar até o último momento, afirmou o diplomata."[O presidente deve] Defender, como ele tem defendido, negociações de paz nas diversas esferas, o direito internacional humanitário e, sem dúvida, a não interferência em ações internas de outros países"Para o Brasil, o momento dá ao discurso um peso eleitoral direto. A fala ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições, e o governo teme que os Estados Unidos atuem para beneficiar Flávio Bolsonaro (Partido Liberal), provável adversário do petista em um eventual segundo turno, segundo apurou a Folha. Caso não seja reeleito em outubro, esta deve ser a última vez que o presidente de 80 anos falará na Assembleia-Geral, que reúne anualmente chefes de Estado e de governo.Recado indireto a WashingtonA leitura de resposta indireta ao presidente americano, Donald Trump, não é gratuita. Na semana passada, o republicano disse manter uma "boa relação" com o Brasil sem citar Lula e afirmou ter ajudado a eleger líderes na América Latina diante do avanço da direita na região, segundo a Folha. Nesta quarta, o Departamento de Estado divulgou documento que lista o Brasil entre os países produtores ou de trânsito de drogas ilícitas e no qual Trump afirma ao Congresso americano que o governo brasileiro falhou ao enfrentar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, noticia a CNN Brasil. Trump já havia classificado as duas facções como entidades terroristas, medida tratada por Brasília como atentado à soberania. Lula, por sua vez, defendeu o sistema eleitoral brasileiro em conversa por telefone com Trump no fim de agosto e, segundo o Metrópoles, disse ter alertado o americano para que não tente intervir nas eleições brasileiras.O governo também tem repudiado publicamente qualquer interferência estrangeira, incluindo as tarifas extras aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, segundo a CNN Brasil. Na coletiva, Cozendey disse que o presidente tende a citar as ações do Brasil contra o crime organizado e os acordos de cooperação firmados, inclusive com os Estados Unidos. "Imagino que ele vai abordar esse assunto pelo aspecto do que o Brasil está fazendo nessa área e o grau de cooperação internacional que venha a existir", afirmou o embaixador.Agenda curta em ano eleitoralLula chega a Nova York no domingo (20) e retorna ao Brasil logo após o discurso, na terça (22). A segunda-feira (21) fica reservada a reuniões bilaterais, entre elas a confirmada com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Há possibilidade de um encontro a pedido do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, uma das principais figuras de oposição a Trump; a Folha apurou que o governo brasileiro avalia prós e contras do compromisso, e nenhum encontro com Trump está previsto. A comitiva será enxuta, com quatro ministros, Mauro Vieira (Relações Exteriores), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Raquel Barros (Igualdade Racial), além do assessor especial Celso Amorim. A razão, segundo a equipe presidencial citada pela CNN Brasil, é o calendário da campanha: em 2025, a delegação brasileira passou de 100 pessoas e somou mais de R$ 4,3 milhões em diárias, hospedagens e aluguel de veículos, segundo o portal da Transparência. O próprio discurso, adiantou o Itamaraty, não trará balanço do governo.

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Economy

Fed eleva juros nos EUA pela 1ª vez desde julho de 2023 e sinaliza nova alta

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. A decisão foi unânime, por 12 votos a 0, segundo a Folha de S.Paulo, e é a primeira alta desde julho de 2023. Ela encerra uma sequência de cinco reuniões seguidas com os juros parados em 3,5% a 3,75% e vinha sendo esperada pelo mercado financeiro.O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) avaliou, em comunicado, que a economia americana segue em expansão sólida e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes" apesar da incerteza gerada por acontecimentos geopolíticos, entre eles a alta do petróleo com as tensões no Oriente Médio. A leitura combina os dois lados do mandato do Fed, conter a inflação e sustentar o emprego: o índice de preços ao consumidor (CPI) ficou em 3,4% em 12 meses em agosto, e o mercado de trabalho surpreendeu com 162 mil vagas criadas fora do setor agrícola, quase o triplo dos 55 mil esperados pelos analistas, com desemprego estável em 4,1%, segundo dados do Departamento do Trabalho citados pelo g1.Para o Brasil, o efeito chega pelo câmbio e pelo custo do dinheiro. Juros americanos mais altos tornam os títulos públicos dos EUA, as Treasuries, mais atraentes e fortalecem o dólar, o que tende a reduzir o fluxo de investimento estrangeiro para economias emergentes e a pressionar o real. O diferencial de juros também dá argumentos para que a Selic fique em patamar elevado por mais tempo. Ainda assim, a expectativa dos analistas era de que o Comitê de Política Monetária (Copom) cortasse a taxa básica brasileira em 0,25 ponto, de 14% para 13,75%, na reunião encerrada nesta quarta, o que deixaria a diferença entre os dois países em 9,75 pontos percentuais.Pressão da Casa BrancaA decisão chega em um cenário político raro para o banco central americano. O presidente Donald Trump, que desde o início do segundo mandato cobra juros menores, disse no domingo (13), durante o torneio de golfe Irish Open, que "os EUA deveriam pagar a menor taxa de juros do mundo". Foi a terceira reunião do Fomc sob Kevin Warsh, indicado por Trump para suceder Jerome Powell após meses de atrito e empossado em 22 de maio. Para o InfoMoney, a alta dissipa a dúvida sobre se Warsh adiaría uma política mais restritiva por deferência ao presidente que o escolheu, e o comunicado omitiu menção anterior que atribuía a inflação a choques de oferta no setor de energia, sinal de que as pressões sobre os preços foram consideradas amplas demais.O calendário aperta o jogo: a alta foi anunciada a menos de dois meses das eleições de meio de mandato que definirão se os republicanos mantêm o controle do Congresso. A gasolina está cerca de um terço mais cara que há um ano, e a taxa média do financiamento imobiliário de 30 anos se aproxima de 7%. As novas projeções do Fed elevaram a estimativa de inflação de 2026, medida pelo índice de gastos de consumo pessoal (PCE), de 3,6% para 3,7%, e o retorno à meta de 2% agora só deve ocorrer em 2029, um ano depois do previsto.Mais aperto até 2029Para o fim do ano, a direção apontada é de mais aperto. Entre as 18 autoridades que divulgaram projeções, 16 preveem pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto até dezembro, o que levaria a taxa para a faixa de 4% a 4,25%, patamar mantido até o fim de 2027. Warsh se comprometeu a devolver a inflação aos 2% "de forma clara e com velocidade suficiente" e disse que elevará os juros conforme necessário, sem dar orientação sobre os próximos passos, em linha com sua preferência de comunicação. A reação dos mercados dependerá de como o presidente do Fed explicar, em coletiva às 15h30 de Brasília, o que poderia justificar novos aumentos.

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international

EUA dizem que Brasil "falhou" contra PCC e Comando Vermelho e cobram ação urgente

O governo dos Estados Unidos afirmou que o Brasil "falhou em confrontar" o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, duas facções que, na avaliação de Washington, transformaram o país em um centro dos fluxos globais de cocaína. A crítica consta de uma determinação presidencial anual assinada por Donald Trump, enviada ao Congresso americano na terça-feira (15) e divulgada nesta quarta-feira (16), na qual a Casa Branca identifica os grandes produtores de drogas ilícitas e as principais rotas de trânsito e avalia o esforço de cada governo contra o narcotráfico.Na prática, o Brasil ficou fora das duas categorias formais do documento. A relação de grandes produtores ou rotas de trânsito reúne 23 países, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Bolívia, China e Afeganistão. Já o grupo mais severo, o dos governos que "demonstraram falhas substanciais" no cumprimento de compromissos internacionais antidrogas, previsto na seção 706(2)(A) da FRAA (Foreign Relations Authorization Act), ficou restrito a Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia, conforme o SBT News. O próprio texto ressalva que entrar na lista não representa, por si só, avaliação negativa, já que fatores geográficos e comerciais pesam na classificação, informa a Folha de S.Paulo.Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o efeito imediato é político. A crítica chega a pouco mais de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial, e a CBN observou que a divulgação ocorre em meio a sinais de alinhamento do governo americano às posições do candidato Flávio Bolsonaro contra o presidente. A pressão também não é novidade: em maio, os EUA classificaram PCC e Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e, desde 5 de junho, como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).O que diz o textoNo parágrafo reservado ao Brasil, Trump contrasta o país com os vizinhos e cobra urgência. O trecho completo, conforme divulgado:"Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o Governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína.""Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo do Brasil deve urgentemente tomar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam."Recompensas e punições no continenteA determinação também funciona como um mapa dos aliados de Washington na região. A Venezuela deixou a categoria dos países que "falharam comprovadamente" no controle de drogas após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro; Trump atribuiu a mudança a medidas positivas do governo interino de Delcy Rodríguez, segundo a CBN. O presidente americano aplaudiu Argentina, Equador e El Salvador como "três dos maiores aliados" dos EUA no hemisferio na luta contra o narcoterrorismo e manteve críticas duras à Nicarágua, onde o regime de Ortega e Murillo, qualificado de ditadura socialista, teria falhado em agir contra o tráfico, com cumplicidade de agentes do próprio governo. No mesmo documento, Trump afirma que as apreensões de fentanil e de outras drogas contrabandeadas para os EUA caíram mais da metade sob seu governo.No plano formal, nada muda de imediato para o Brasil, que escapou das duas listas do documento anual. O parágrafo reservado ao governo Lula, porém, mostra que o crime organizado virou item fixo da pressão pública de Washington sobre Brasília, com uma cobrança explícita por "medidas agressivas" no meio da campanha eleitoral.

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Brasil e EUA marcam reunião presencial em Milwaukee para negociar tarifaço

Brasil e Estados Unidos vão sentar à mesma mesa para negociar as tarifas impostas por Washington aos produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial americano Jamieson Greer, que chefia o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), vão se reunir presencialmente entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, às margens de um encontro de ministros de Indústria e Comércio do G20, o grupo que reúne as maiores economias do mundo. A informação foi confirmada pelo próprio ministro, segundo o G1, e o chanceler Mauro Vieira também vai participar.Será o primeiro encontro presencial entre os dois países desde a retomada das negociações sobre o tarifaço, iniciada por videoconferência no fim de agosto. Não há acordo fechado, e as equipes técnicas seguem "trocando documentos e encaminhando essa próxima reunião", nas palavras do ministro."O ministro Mauro Vieira e eu iremos para Milwaukee e lá nós teremos um encontro muito provavelmente com o embaixador Greer, do USTR"Para o Brasil, a pauta em jogo é ampla. Segundo o G1, a sobretaxa geral de 25% incide sobre bens industriais, agrícolas processados e manufaturados, e atinge principalmente etanol, máquinas agrícolas e industriais, calçados e vestuário, equipamentos de mineração e maquinário elétrico. Setores específicos da siderurgia e de metais básicos pagam 50%, e produtos que já tinham sobretaxas parciais podem chegar a 37,5%. Uma lista extensa ficou fora da taxa, com alíquota zero: carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo bruto e gás natural, aeronaves da Embraer, celulose, semicondutores e medicamentos.O que cada lado querOs interesses são assimétricos. Washington impôs as tarifas após um processo formal do USTR que concluiu existirem práticas comerciais e regulatórias desleais do lado brasileiro, com uma lista de reclamações: barreiras à entrada do etanol americano, questionamentos sobre o sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais contra plataformas de redes sociais e debates sobre tributação digital, além de demandas ligadas ao combate ao desmatamento ilegal, à corrupção e à propriedade intelectual. Brasília quer reduzir as alíquotas e devolver previsibilidade aos exportadores.Do atrito à mesa de negociaçãoO reencontro é o capítulo mais recente de uma relação que chegou a se deteriorar. Segundo a CNN Brasil, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, e o Brasil negou vistos a diplomatas americanos. A reaproximação começou com um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump em 21 de agosto, que abriu caminho para o retorno dos times técnicos, e ganhará outro palco na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, com a presença esperada dos dois presidentes. O O Globo também noticiou que os dois governos preparam uma nova rodada de negociação para o fim de setembro.Durante a semana do G20 em Milwaukee, o Brasil fará reuniões bilaterais com quase todos os participantes do grupo. A prioridade, disse o ministro, está definida: entre todas as agendas, "a reunião que nós queremos realizar, de negociação, é essa".

BABeatriz Antunes
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Brics aprova Declaração de Nova Délhi, condena tarifas e avança moedas locais

Os líderes do Brics aprovaram por unanimidade neste sábado (12) a Declaração de Nova Délhi, documento final da 18ª cúpula do grupo, que vai até domingo (13) na capital indiana. Segundo a Folha de S.Paulo, o texto condena tarifas e barreiras comerciais unilaterais, critica sanções econômicas impostas sem aval do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e determina aprofundar o uso de moedas locais no comércio e nos investimentos entre os países do bloco.O grupo reúne hoje 11 países: os fundadores Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mais Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Juntos, respondem por 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global, segundo a Agência Brasil. A declaração chega em meio à escalada de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos desde que Donald Trump assumiu a Presidência, em 2025. Sem citar o país nem o presidente, o texto expressa "graves preocupações" com a proliferação de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais, que os líderes consideram incompatíveis com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) e ameaças às cadeias globais de suprimentos. "O sistema multilateral de comércio chegou a uma encruzilhada crítica", afirma o documento, que também critica medidas protecionistas apresentadas com justificativas ambientais e defende mudanças na governança do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial e da própria OMC.Para o Brasil, a cúpula teve um contorno particular. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o único líder dos fundadores ausente: em plena campanha pela reeleição, preferiu a agenda eleitoral e enviou o chanceler Mauro Vieira a Nova Délhi, segundo o Poder360. O país figura entre os principais alvos do tarifaço americano, ao lado de China e Índia. O Brasil também saiu do encontro com dois registros próprios no documento: a proposta, feita com a África do Sul, de criar um painel internacional sobre desigualdade, e a reiteração, por China e Rússia, do apoio a um papel maior do Brasil e da Índia no Conselho de Segurança da ONU, assento permanente que Brasília pleiteia há décadas. O texto não cita especificamente a entrada do Brasil como membro permanente.Guerra no Golfo testa a unidade do blocoA cúpula colocou no mesmo palco países de lados opostos na guerra do Oriente Médio. Segundo a Agência Brasil, o conflito começou em fevereiro deste ano, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sob o argumento de que o país desenvolvia armas nucleares, acusação negada por Teerã. Em retaliação, o Irã atacou os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, membros do bloco alinhados a Washington. Estiveram em Nova Délhi o anfitrião, primeiro-ministro indiano Narendra Modi, e os presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Masoud Pezeshkian (Irã). O parágrafo 28 da declaração não cita os países envolvidos nem usa a palavra guerra, recurso comum em documentos diplomáticos para facilitar o consenso, observa a reportagem:"Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e, recordando nossas respectivas posições nacionais, conclamamos ao exercício da máxima contenção, bem como à abstenção de ações que possam agravar ainda mais a situação."Moedas locais, sem moeda únicaNa pauta financeira, o avanço foi cauteloso. A declaração aponta soluções práticas para mecanismos eficientes de pagamentos transfronteiriços em moedas locais e reforça a integração dos sistemas nacionais de pagamentos, mas não menciona a criação de uma moeda única do Brics nem a substituição do dólar, segundo a Agência Brasil e a Folha. Os líderes pediram que o NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), o banco do grupo, amplie sua capacidade de mobilizar recursos, diversifique as fontes de financiamento e aumente o crédito em moedas locais para projetos de infraestrutura.A cúpula marcou os 20 anos do grupo, segundo a Folha. Também teve simbolismo diplomático: foi a primeira visita do presidente chinês à Índia em 7 anos, com comitiva de 400 pessoas, em um esforço de reaproximação entre vizinhos que disputam a fronteira desde o confronto de 2020, que deixou 24 mortos, lembra o Poder360. Intitulada formalmente "Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade", a declaração tem 35 páginas e 140 parágrafos. Em 2025, a presidência rotativa foi do Brasil, que sediou a cúpula de julho no Rio de Janeiro.

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EUA trocam diplomatas de carreira por aliados de Trump e tensionam relação com o Brasil

O Departamento de Estado, a chancelaria dos Estados Unidos, atravessa a maior remodelação de seu quadro em décadas. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2025, cerca de 3 mil dos 14 mil diplomatas de carreira pediram demissão, se aposentaram ou foram forçados a sair em 18 meses, segundo cálculos da American Foreign Service Association (AFSA), entidade que representa esses profissionais. Analistas descrevem a política externa do período como "transacional": guerras tarifárias e tentativas de influenciar eleições e assuntos internos de outros países em busca de ganhos imediatos para os EUA.O efeito aparece nas embaixadas. Dos 113 nomes indicados por Trump até 10 de agosto, apenas 20 eram diplomatas de carreira, menos de 18%, o menor patamar da história recente do país. Desde Gerald Ford (1974-1977), incluindo o primeiro mandato de Trump, a proporção ficava em torno de 60% ou mais. Indicações políticas sempre existiram em Washington. Segundo dados da AFSA, porém, 97 dos 196 postos de embaixador seguem sem titular confirmado pelo Senado, parte por processos em curso, parte por falta de indicado; no mesmo ponto do governo Joe Biden, eram 55. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, fala em "reestruturação histórica" e numa diplomacia "alinhada ao 'America First'" ("os EUA em primeiro lugar") que seja "mais eficiente, ágil e assertiva". Para a AFSA, o serviço está sendo politizado, e afastar profissionais que serviram governos democratas e republicanos, diz a associação, "no longo prazo acaba prejudicando o país".O Brasil virou um dos casos mais visíveis dessa disputa. A embaixada americana em Brasília está sem titular desde janeiro de 2025, com a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Biden. Só em junho a Casa Branca escolheu Daniel Perez, de 38 anos, republicano, advogado e filho de imigrantes cubanos que preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida, onde é deputado desde 2017. Aliado de Trump e adepto do slogan MAGA, ele elogiou em janeiro a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela. O Senado dos EUA aprovou o nome no início de agosto, mas Perez ainda espera o agrément, o aval do governo brasileiro para assumir o posto. O processo emperra porque, na avaliação de Brasília, os americanos queimaram etapas: anunciaram o nome e o submeteram ao Senado antes de pedir formalmente o consentimento, que pela praxe diplomática vem primeiro.A escalada de agostoA crise ganhou tom aberto em 4 de agosto, quando o Departamento de Estado alterou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, atribuindo a medida à demora brasileira em conceder o agrément. O Planalto repudiou a decisão e afirmou que as justificativas "são falsas". A nota presidencial lembra ainda que, pelo artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, o processo de agrément é confidencial e o nome indicado só deveria vir a público depois de concedida a anuência."A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo."Sobre o protocolo, o texto é direto: "Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise." A nota denuncia também um "interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente". O contexto agrava o atrito: a medida contra Viotti veio dez dias depois de o Itamaraty negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado, Riley Barnes e Samuel Samson, que segundo reportagem do Washington Post citada pela CNN Brasil planejavam questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras. A nota recorda que seguem vigentes sanções americanas a autoridades brasileiras, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação, rejeitada por Brasília, de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e que Lula pediu pessoalmente a Trump, em visita a Washington em maio, o levantamento dessas medidas. Diplomatas brasileiros ouvidos pela CNN descreveram a ação contra a embaixadora como "chantagem" para acelerar o aval a Perez.O que cada lado querOs interesses são legíveis. Washington quer um aliado político sentado em Brasília o quanto antes e trata o atalho protocolar como eficiência da doutrina "America First", com missões sem embaixador conduzidas por "experientes encarregados de negócios", na definição de Pigott. Brasília quer a praxe respeitada, do agrément à não interferência na eleição de 2026, e mantém o pedido em análise. Viotti classificou o momento como uma "fase incomum" das relações bilaterais, segundo a Folha de S.Paulo. O alerta de longo prazo vem de dentro dos próprios EUA: a AFSA sustenta que o afastamento em larga escala de diplomatas com décadas de experiência vai custar caro ao país com o tempo, enquanto o Departamento de Estado defende que está montando uma "equipe diplomática de elite".

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China vai liderar IA de código aberto para o Brics, anuncia Xi em cúpula na Índia

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou neste domingo (13), no encerramento da cúpula anual do Brics em Nova Délhi, que a China vai liderar a criação de um sistema de inteligência artificial (IA) de código aberto para uso e desenvolvimento conjunto dos países do bloco. Segundo a CNN Brasil, quase todo o discurso do líder chinês foi dedicado a ideais de desenvolvimento tecnológico, sinal claro de que o tema deve dominar a presidência do grupo que o país assumirá em 2027.A promessa, feita no segundo e último dia do encontro, tem como alvo todos os países do grupo, inclusive os parceiros, segundo Xi em discurso citado pela CNN Brasil:"Criar uma comunidade de IA de código aberto do Brics, apoiar a cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, realizar seminários especializados e cursos de treinamento em IA e construir um ecossistema aberto para a IA."A agência Reuters, em reportagem publicada pela Agência Brasil, registrou o mesmo compromisso como uma "Zona de Código Aberto de IA do Brics", voltada para cooperação em grandes modelos de linguagem, treinamento e ecossistema aberto. O anúncio chega no auge da disputa entre Pequim e Washington pela liderança da inteligência artificial, com abordagens distintas entre os dois países. Os dois governos já tomaram medidas para limitar a transferência de tecnologia entre si, e a China concentra praticamente o monopólio dos minerais críticos usados nas tecnologias de ponta.Para o Brasil, um dos cinco membros fundadores do bloco ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul, a oferta desenha um caminho próprio em um campo dividido entre as duas maiores potências tecnológicas. Xi prometeu intercâmbio tecnológico, alinhamento industrial, uma plataforma em nuvem de ecossistema digital do Brics e os cursos de treinamento em IA. A promessa, por ora, não tem cronograma nem produtos nomeados: nenhuma das reportagens cita datas, orçamento ou modelos específicos.O mapa de interessesA cúpula de Nova Délhi expôs prioridades diferentes dentro do grupo. A Índia, anfitriã do encontro e responsável pela presidência rotativa de 2026, defendeu que as soluções criadas no Brics sirvam a todo o Sul Global, e não apenas aos membros: o primeiro-ministro Narendra Modi criticou, sem citar nomes, nações que tentam transformar tecnologia e minerais críticos em armas comerciais e diplomáticas, o que poderia, segundo ele, acabar com o progresso e a prosperidade dos países. A Rússia pediu mais integração e uma reforma da governança global, posição que a CNN Brasil relaciona às sanções ocidentais impostas ao Kremlin; o presidente Vladimir Putin chamou o Brics de força motriz de uma ordem mundial mais justa e multipolar.A China, que assume a presidência em 2027, colocou a cooperação prática no centro da agenda. Além da IA, Xi propôs uma parceria para Zonas Econômicas Especiais entre os países do grupo, anunciou que o país sediará um Fórum de Comércio de Serviços do Brics no próximo ano e pediu estabilidade nas cadeias industriais e de abastecimento, com a construção de um mercado integrado, segundo a Reuters.Um bloco ampliadoO Brics já não é o grupo das cinco economias emergentes de duas décadas atrás, criado para contrapor-se a uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos. Entraram Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, e dez países parceiros da Ásia, da África, da América Latina e do Oriente Médio, entre eles Cuba, Malásia e Tailândia, participaram das discussões na capital indiana. No sábado (12), a cúpula chegou a um consenso sobre uma declaração conjunta que expressa profunda preocupação com a escalada no Oriente Médio e pede máxima moderação.

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Trump descarta frear a IA por causa da China e fala em ficar com o petróleo do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou neste domingo (13) desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e afirmou que o país não pode arriscar perder a vantagem sobre a China na disputa global pela tecnologia. Em conversa com jornalistas em um campo de golfe na Irlanda, onde acompanha o Irish Open, ele disse que os EUA "estão liderando em relação à China" e resumiu a aposta: "quem vencer na IA, vence tudo". No mesmo encontro com a imprensa, voltou a dizer que os EUA podem permanecer no Irã e "ficar com o petróleo" após a guerra.As declarações chegam no momento mais tenso do debate americano sobre segurança da IA. No sábado (12), o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, apresentou uma estrutura em três etapas para ditar o ritmo do desenvolvimento e criar tempo para gerenciar riscos, com apoio público de Elon Musk e do presidente da OpenAI, Sam Altman. Segundo o G1, o debate esquentou depois que dois pesquisadores da Anthropic pediram demissão e alertaram que o avanço rápido da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana, e o Pentágono também advertiu sobre riscos do modelo da empresa. Um dos pesquisadores, Jacob Coxon, defendeu coordenação internacional para conter a corrida.Para o Brasil, a disputa aparece por duas vias. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, têm reunião prevista para este mês, e o tema da IA deve estar entre os assuntos, segundo a InfoMoney; o encontro pode definir as regras da competição entre as duas maiores economias do mundo. Dias antes, na cúpula do Brics na Índia, Xi prometeu criar uma IA de código aberto para os países do bloco, do qual o Brasil faz parte, segundo a CNN Brasil. Para países de porte médio como o brasileiro, escolher entre os modelos fechados americanos e a promessa chinesa de código aberto virou decisão de política externa tanto quanto técnica.Divisão no Congresso e dinheiro eleitoralQuestionado se a indústria deveria desacelerar, Trump reconheceu que algumas regras podem ser necessárias, mas rejeitou qualquer pausa. "Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer", declarou, segundo o G1. Em entrevista ao programa "Face the Nation", da CBS, Amodei chamou a competição entre empresas americanas e chinesas de "dilema mais difícil" na tentativa de estabelecer um limite de velocidade para a IA."Não devemos nos enganar, pois os incentivos para se destacar e a vantagem militar obtida com isso são tão grandes que a capacidade de checar se o outro lado não está trapaceando precisa ser irrefutável. Então acho que esse será um trabalho de anos e, sinceramente, não sei se é possível", disse Amodei.O debate chega ao Congresso às vésperas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle da Câmara e do Senado. Executivos de IA injetaram dinheiro nas campanhas: o America PAC, supercomitê de ação política ligado a Musk, já gastou milhões apoiando candidatos republicanos, segundo o G1. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, defendeu "algumas barreiras" de segurança, mas alertou que perder a liderança para a China seria ameaça à segurança nacional. Já o líder democrata na Casa, Hakeem Jeffries, cobra ação mais rápida do Congresso para desacelerar o ritmo. Na Casa Branca, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, disse esperar reuniões nesta semana entre autoridades de política cibernética, ciência e tecnologia, segundo a InfoMoney.Irã e petróleoSobre o Irã, Trump disse esperar que a guerra termine ainda neste ano, possivelmente logo após as eleições de meio de mandato, e que o preço da gasolina "desabaria" com o fim do conflito. Depois apresentou outra saída, com um paralelo com a Venezuela: "No final das contas, vamos sair, a menos que decidamos permanecer e ficar com o petróleo, como na Venezuela", declarou, segundo a CNN Brasil. Em agosto, os EUA anunciaram um acordo para assumir o controle de um quinto das reservas venezuelanas, e Trump afirmou que a receita do país "pagou a guerra muitas vezes". Ele também voltou a dizer que o Irã estaria "pedindo constantemente" negociações de paz, afirmação que o governo de Teerã já refutou. O mercado segue tenso: operadores esperam nova alta do preço do petróleo nesta segunda (14), depois de um ataque a um oleoduto na Arábia Saudita.

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Petróleo abre em alta de 3% e chega a US$ 107,7 com ataques em Ormuz e na Arábia Saudita

O barril de petróleo Brent abriu em alta de 3% nesta segunda-feira (14) e chegou a US$ 107,7, após novos ataques a instalações de energia da Arábia Saudita e a um navio no Estreito de Ormuz. Segundo a Folha de S.Paulo, as bolsas europeias operavam em sua maioria em baixa, também pressionadas por um alerta sobre inteligência artificial que derrubou ações de tecnologia. Ao longo do dia, o Brent negociava a US$ 107,54, alta de 2,8%, e o WTI, referência americana, subia 2,9%, a US$ 102,93, de acordo com o g1 e com a Reuters.A alta prolonga uma guerra que começou há seis meses, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel, e que não tem negociações de paz desde que um acordo provisório fracassou, em junho. Na semana passada, o petróleo já havia subido 8% e superado US$ 100 pela primeira vez desde julho. O gatilho desta segunda foi o fechamento temporário do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, após um ataque com drones, segundo autoridades do país. A estrutura permite contornar o Estreito de Ormuz, e sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo, já que os estoques do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, cobrem de cinco a sete dias de exportação.Para o Brasil, o barril acima de US$ 107 tem efeitos em direções opostas. Exportador de petróleo, o país tende a capturar parte da alta, mas os preços internos dos combustíveis acompanham o mercado internacional, e o encarecimento do barril tende a pressionar gasolina e diesel nas bombas e a reacender o debate sobre inflação. Quanto mais tempo durar o conflito no Golfo, maior o risco de frete e de seguro marítimo mais caros para o comércio global.Choque de oferta em duas rotasA crise alcança agora as duas saídas do petróleo do Golfo. No Estreito de Ormuz, uma embarcação foi atingida por um projétil, pegou fogo e obrigou a tripulação a abandonar o navio, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations). O Irã informou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos em um navio comercial iraniano atacado na costa do país. Na Arábia Saudita, a mídia estatal divulgou um vídeo de residências e de uma mesquita danificadas na província de Jazan, atribuídas a um ataque houthi, e os houthis assumiram ainda o ataque a uma base militar em província vizinha. O grupo, alinhado ao Irã, chegou à ilha de Perim na sexta-feira, em avanço para reforçar seu controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, por onde passaram de 4% a 5% do abastecimento global nos últimos meses.Os interesses em jogoEstados Unidos e Israel abriram a guerra há seis meses, e o presidente americano, Donald Trump, chegou a dizer que os EUA podem permanecer no Irã e ficar com o petróleo do país, comparando a ideia com a tentativa de assumir o controle de um quinto das reservas da Venezuela, segundo a Reuters. De outro lado, Irã e houthis têm atacado a infraestrutura energética saudita e ampliado seu controle sobre gargalos marítimos. As monarquias do Golfo tentavam abrir um canal diplomático: uma reunião com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, marcada para esta segunda em Omã, foi adiada, informou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi."Isso ocorre após uma intensificação dos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, incluindo o oleoduto Leste-Oeste, de crucial importância", disseram os estrategistas de commodities da ING, que observaram não estar clara a gravidade do dano nem por quanto tempo o oleoduto ficará fora de operação. Com a reunião em Omã adiada, não há por ora negociações em curso para reduzir a tensão.

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Crise diplomática trava cooperação EUA-Brasil contra o crime organizado

O combate às facções criminosas transnacionais é a prioridade declarada do governo de Donald Trump para o Hemisfério Ocidental, uma frente em que Washington se uniu a governos conservadores da América Latina. É justamente essa cooperação, porém, que atravessa o pior momento entre Estados Unidos e Brasil, as duas nações mais populosas do hemisfério. Segundo reportagem do jornal The New York Times publicada neste sábado (12), à qual o G1 e o InfoMoney tiveram acesso, a deterioração diplomática entre os dois países já alcança o trabalho conjunto de polícias e autoridades fiscais.De acordo com uma autoridade americana e três brasileiras de alto escalão, ouvidas sob condição de anonimato, o Departamento de Estado dos EUA está retendo os vistos de dois agentes da Polícia Federal designados para postos em Miami e Nova York, onde trabalharia junto ao Homeland Security Investigations, órgão de investigação criminal do governo americano, e a outras agências federais. Os agentes já haviam sido aprovados pelas duas partes no início do ano e deviam assumir os postos no mês passado. Em resposta, o Brasil bloqueou o visto de um agente de segurança pública americano que seria enviado ao país. Washington também recusou, alegando agenda lotada, a visita à capital americana de uma equipe de quase uma dúzia de agentes da Receita Federal e da Aduana que investigam lavagem de dinheiro e contrabando de armas ligados a facções do narcotráfico.Para o Brasil, o custo é direto. O país é rota estratégica da cocaína destinada à Europa e à África, as facções nacionais usam o sistema bancário americano para lavar dinheiro e compram armas enviadas ilegalmente de estados dos EUA, como mostra a prisão recente, pela Polícia Federal, de dois homens com peças de armamento vindas da Flórida. Segundo o New York Times, em maio Washington classificou as duas maiores facções criminosas do país como organizações terroristas, após pressão de aliados de Jair Bolsonaro, e a medida vazou investigações secretas da PF e forçou prisões apressadas. No mesmo mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou pessoalmente a Trump, na Casa Branca, uma proposta de combate conjunto às facções centrada no bloqueio de armas. O governo americano nunca respondeu ao plano.Como o impasse começouA escalada começou em abril, quando o governo Trump expulsou dos EUA o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, acusando-o de promover uma "caça às bruxas política" por seu papel na prisão de um ex-chefe da inteligência brasileira no inquérito sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O Brasil respondeu revogando as credenciais de um agente de segurança americano em Brasília. Segundo o jornal, o desgaste se aprofundou em meio a tentativas do governo americano de interferir em assuntos internos brasileiros e à aparente disposição de Washington de ajudar Flávio Bolsonaro, candidato de direita que disputa com Lula, de esquerda, a eleição presidencial de outubro.A parceria policial entre os dois países é antiga: investigações conjuntas já desmantelaram esquemas internacionais de corrupção, redes de pirataria e organizações de tráfico de pessoas, e a agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) mantém um adido no Brasil há mais de duas décadas. A cooperação técnica pontual segue funcionando, como o sistema de alertas cruzados sobre contêineres suspechos que já ajudou a interceptar armas contrabandeadas. Mas o Brasil ficou de fora de novas iniciativas regionais de segurança americanas, como a aliança "Escudo das Américas" e encontros na ONU (Organização das Nações Unidas).O estrago maior, avaliam analistas, está na confiança. "A percepção é que a política de segurança dos EUA em relação ao Brasil ficou contaminada pela política. Isso não levou a uma ruptura definitiva, mas introduziu novas complexidades na relação e a permeou de desconfiança", disse Robert Muggah, diretor de pesquisa do Instituto Igarapé. Para Edvandir Felix de Paiva, presidente da associação de delegados da Polícia Federal, a lógica é simples: "hoje, as facções criminosas não conhecem fronteiras; por isso, precisamos trabalhar juntos".O que dizem os governosProcurado, o Departamento de Estado não comentou os vistos, mas afirmou em nota que o governo Trump protege "a nação e seus cidadãos ao manter os mais altos padrões de segurança nacional e segurança pública" em seu processo de concessão de vistos, e que seguirá trabalhando com o Brasil em "interesses compartilhados de longa data". A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) disse estar comprometida em manter o diálogo com autoridades brasileiras sobre segurança e combate ao crime transnacional. A Polícia Federal e o Itamaraty não comentaram o caso; o ministério responsável pela Receita Federal afirmou que os dois países mantêm diálogo de troca de boas práticas. Para o ex-embaixador americano Jimmy Story, citado pelo jornal, esse tipo de diplomacia gera um afastamento contraproducente entre os dois países.

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diplomacy

Cúpula do Brics abre em Nova Délhi entre guerra no Irã e tensões com os EUA

Líderes do Brics, o grupo das grandes economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China e ampliado nos últimos anos, começam a se reunir neste sábado (12) em Nova Délhi para a 18ª cúpula do bloco, que segue até domingo (13). O encontro é comandado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e traz à capital o presidente russo, Vladimir Putin, o chinês, Xi Jinping, e o iraniano, Masoud Pezeshkian, além do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Segundo o G1, um dos principais objetivos da diplomacia indiana é aprovar uma declaração conjunta ao fim da reunião.O contexto é o mais delicado possível. A cúpula ocorre em meio à guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irã, membro do bloco desde 2024, iniciada há mais de seis meses. Segundo reportagem da Reuters publicada pela Agência Brasil, o conflito levou ao fechamento virtual do Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos do comércio mundial de petróleo, e elevou o preço do barril para mais de US$ 100. Dentro do próprio grupo, o confronto abriu uma divisão: os Emirados Árabes Unidos, atingidos por mísseis iranianos desde o começo da guerra, suspenderam em agosto todas as transações comerciais e financeiras com Teerã.Para o Brasil, o encontro marca uma posição incomum. País fundador do grupo em 2006, ao lado de Rússia, Índia e China, o Brasil será o único dos quatro membros originais sem chefe de Estado na mesa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em plena campanha pela reeleição, é representado pelo chanceler Mauro Vieira, segundo a Folha de S.Paulo. O jornal nota a inversão em relação ao ano passado, quando o Brasil, então presidente rotativo, sediou uma cúpula que o próprio diário descreve como esvaziada e da qual Xi Jinping nem participou. Neste fim de semana a presença de líderes está mais robusta, e é o Brasil que comparece em nível de ministro.O que cada país querCada membro chega com agenda própria. A China de Xi, que faz sua primeira visita à Índia em sete anos, quer manter o bloco ampliado coeso; a Rússia de Putin, hostil ao Ocidente, apoia o Irã. A anfitriã Índia equilibra: preservou os vínculos com Moscou mesmo após o início da guerra na Ucrânia e mantém relações estratégicas com Teerã, ao mesmo tempo em que amplia a parceria econômica, militar e tecnológica com Estados Unidos e Europa, descreve o G1. Na sexta (11), Modi se reuniu separadamente com Putin e Pezeshkian. Também devem comparecer o sul-africano Cyril Ramaphosa, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o indonésio Prabowo Subianto. Os Emirados Árabes Unidos enviam o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e a Arábia Saudita, que nunca aceitou a adesão plena, será representada pelo chanceler Faisal bin Farhan Al Saud.O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu na terça (8) que as diferenças entre Emirados e Irã tiveram impacto negativo e dificultam a elaboração de uma declaração conjunta, embora tenha expressado esperança em uma fórmula aceitável aos dois países. Para Michael Kugelman, pesquisador sênior do Atlantic Council, o problema é estrutural."Alguns dos novos membros dos Brics, como Irã, Emirados, Egito e Etiópia, estão envolvidos em tensões e discordam em muitos pontos. Isso é uma má notícia para uma entidade que opera com base no consenso", disse o pesquisador à Reuters. "Há uma ironia aqui: a expansão do Brics reflete seu apelo e sua proeminência crescentes. Mas esse mesmo apelo, pela divergência de visões dos novos membros, pode tornar o grupo menos eficaz."Um precedente alimenta o otimismo dos anfitriões. Na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), realizada este mês em Bishkek, Modi, Xi, Putin e Pezeshkian, entre outros, assinaram uma declaração conjunta que condena a campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais. "Houve um avanço significativo em Bishkek. Eles conseguiram chegar a uma formulação aceitável para todas as partes", avaliou o ex-diplomata indiano Rajiv Bhatia.Dólar, tarifas e a busca por coesãoA agenda econômica inclui comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, tecnologia e cadeias de suprimentos, além da reforma de instituições internacionais e de maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais, lista o G1. Também está em jogo o esforço para reduzir a dependência do dólar, com a ampliação do uso de moedas nacionais nos pagamentos entre membros e alternativas a instituições financeiras tradicionalmente lideradas pelo Ocidente. O bloco reúne hoje 11 países e cerca de metade da população mundial. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que o protecionismo e as tarifas unilaterais do presidente americano, Donald Trump, deram aos membros um motivo extra de união. Xi deve viajar aos Estados Unidos ainda neste mês, e não está claro se conversará com Putin em Nova Délhi antes do encontro com Trump. Na capital indiana, milhares de policiais foram mobilizados e o trânsito enfrenta restrições até o fim do encontro.

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Lula diz que levará recado a Trump na ONU: 'gosto de ser respeitado'

A 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) abre em 22 de setembro, em Nova York, reunindo governantes e autoridades dos 193 Estados membros em seis dias de trabalhos. Por tradição que se repete desde os anos 1950, o Brasil abre a rodada de discursos, seguido pelos Estados Unidos, país anfitrião. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores) já definiu como vai usar esse lugar: entregando ao presidente norte-americano, Donald Trump, um recado sobre eleições.A declaração foi feita nesta sexta-feira (11), em um ato de campanha em Porto Alegre, segundo o G1. Ao falar sobre a ordem dos discursos ("Na ONU eu sou primeiro a falar, depois que eu falo fala o Trump"), o presidente antecipou o que pretende dizer ao colega americano. Dona Lindu, mãe de Lula, dá nome a uma das expressões mais conhecidas do petista, usada quando ele quer dizer que não aceita provocações."Eu não me meto nas eleições americanas porque é uma coisa que interessa ao povo americano, você foi eleito e eu respeito o resultado das eleições. Por favor, não mexa com filho da dona Lindu porque eu gosto de todo mundo, de respeitar e gosto de ser respeitado".Soberania em pauta em ano eleitoralO recado chega em plena campanha para as eleições gerais de outubro, nas quais Lula disputa a reeleição. A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, mostra o presidente com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro, e empate técnico no segundo turno. O tema da interferência estrangeira entrou na disputa depois que Trump perguntou a Lula, em um telefonema recente de 1h20, sobre as eleições brasileiras. Lula afirma que respondeu que o Brasil não aceita ingerência de ninguém no pleito.O contexto explica o tom. Ao longo do último ano, segundo o G1, o governo Trump impôs novas tarifas a produtos brasileiros e fez declarações contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Brasília responde em duas frentes: defende publicamente a soberania nacional e mantém aberto o canal com Washington, que inclui um encontro de 45 minutos entre os dois presidentes na Malásia, cerca de um mês após a última Assembleia Geral, e a ligação mais recente, feita a pedido de Lula. Em 5 de setembro, o presidente já havia confirmado que encontraria Trump em Nova York e brincou que pediria ao americano que fizesse um Pix "e ver o quanto é bom", como noticiou a Jovem Pan.Da 'química' à crítica ao JudiciárioFoi na Assembleia Geral do ano passado que a relação entre os dois ganhou novo contorno. Trump disse que teve "uma química excelente" com Lula, "que pareceu um cara muito agradável", e contou que os dois se abraçaram nos bastidores e combinaram se encontrar. No mesmo discurso, porém, afirmou haver "censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos" no Brasil, uma crítica indireta ao processo e ao Judiciário que condenou Bolsonaro.O discurso de 22 de setembro terá plateia dupla: os diplomatas dos 193 países membros e o eleitorado brasileiro nas semanas finais da campanha. Como o próprio Lula previu, Trump estará sentado atrás dele no plenário durante a fala do brasileiro, antes de assumir a tribuna em seguida.

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Brasil pode ficar com até 40% da cota extra de carne bovina aberta pelos EUA

O governo dos Estados Unidos abriu uma janela temporária de importação de até 300 mil toneladas de carne bovina pelos próximos 90 dias, isenta da tarifa extra que incide sobre o produto fora de cota. A medida, anunciada em 21 de agosto pelo presidente Donald Trump, tenta ampliar a oferta interna e conter preços: segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, e a carne fresca chegou a custar US$ 9,64 por libra (cerca de US$ 21,25 o quilo) no varejo em abril, alta de 13% sobre um ano antes.Em evento na Casa Branca, conforme registrou o portal BeefPoint, Trump confirmou que Brasil e Argentina devem liderar o fornecimento do volume. "Pode haver outros países, mas agora são principalmente Argentina e Brasil. Estamos fazendo isso de forma muito limitada porque nossos pecuaristas conseguem atender ao mercado", declarou o presidente americano. O interesse de Washington é claro: baratear a carne moída usada em hambúrgueres enquanto os pecuaristas locais, pressionados por secas e pela redução do rebanho, recebem incentivos para reconstituir a produção.Para o Brasil, a abertura cria uma oportunidade imediata. O analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, estima que o país capture entre 30% e 40% do volume adicional, o equivalente a 90 mil a 120 mil toneladas nos próximos 90 dias. A posição é favorável porque o Brasil já é o maior fornecedor de carne bovina dos EUA, à frente de Austrália, Canadá, México e Nova Zelândia. De janeiro a agosto, os americanos compraram 269,1 mil toneladas de carne brasileira, com receita de US$ 1,74 bilhão, volume 28,7% maior que no mesmo período de 2025.Como funciona a cota atualHoje, o Brasil disputa com outros fornecedores uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas sem tarifa extra, que segundo Iglesias foi totalmente usada em apenas 15 dias. Depois disso, a carne brasileira segue entrando no mercado americano, mas paga um adicional de 26,4%. A nova janela elimina essa cobrança por 90 dias e melhora as condições de acesso, na avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que aguarda a regulamentação para dimensionar o impacto sobre as exportações.Nem todo o espaço será dividido de forma automática entre os países. Segundo Iglesias, os concorrentes mais diretos do Brasil nesse volume são o Paraguai e países da América Central, já que a Argentina conta com cotas próprias para o mercado americano. Cada exportador terá de conquistar espaço, e o preço oferecido aos compradores dos EUA será decisivo.O desafio do preçoHá ainda um ponto de atenção para os frigoríficos. A demanda americana está concentrada nos trimmings, aparas magras retiradas no processamento da carcaça e usadas na produção de carne moída. Como o produto tem baixo valor agregado, as empresas ainda calculam se o preço pago pelos americanos compensa os custos de exportação e a alternativa de vender o mesmo animal em outros mercados. Trump afirmou que a medida poderia reduzir o preço da carne ao consumidor em até 25%, mas especialistas citados pela Forbes avaliam como improvável um impacto significativo sobre a oferta e os preços.

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AIEA denuncia Irã ao Conselho de Segurança da ONU por violar não-proliferação

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acusou nesta quarta-feira (9) o Irã de violar suas obrigações de não-proliferação nuclear e denunciou formalmente o país ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão saiu do Conselho de Governadores da agência, que reúne 35 países em Viena, após a aprovação de uma resolução de encaminhamento com 23 votos favoráveis, três contrários e oito abstenções, segundo o G1. Os relatos iniciais não detalharam qual seria a violação específica atribuída a Teerã.O encaminhamento chega em plena escalada da guerra entre Irã e Estados Unidos. Segundo a Al Jazeera, os americanos atingiram cinco petroleiros iranianos, e Teerã atacou dez navios e uma base na Jordânia, na maior onda de ataques à navegação de todo o conflito. O barril tipo Brent voltou a superar os US$ 100. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), o pacto de 1968 que proíbe a difusão de armas atômicas, e cabe à AIEA, braço da ONU com sede em Viena, fiscalizar o cumprimento dessas regras.Para o Brasil, o efeito mais imediato está no preço dos combustíveis. A guerra já levou o governo federal a destinar R$ 6,6 bilhões em subsídios à produção e importação de diesel e gasolina, com o argumento explícito de que o conflito no Oriente Médio encareceu os produtos, segundo o G1. Se o Conselho de Segurança endurecer as punições ao Irã, ou se Teerã responder com novos ataques à navegação, o petróleo tende a seguir caro. É um cenário ruim para um país que importa parte do diesel e da gasolina que consome, e em pleno ano eleitoral.Os interesses em jogoTeerã reagiu com dureza. Em nota da missão permanente iraniana junto à ONU e a outras organizações internacionais em Viena, o governo classificou a resolução de "tendenciosa" e "política" e afirmou que ela "acelera uma maior erosão e o eventual colapso do regime de não proliferação como um todo", segundo o G1. O caso agora vai para um Conselho de Segurança dividido: uma punição formal exige nove dos 15 votos e não pode esbarrar no veto de nenhum dos cinco membros permanentes, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Rússia e a China. Washington e seus aliados europeus pressionam Teerã em meio à guerra; Moscou e Pequim historicamente resistem a sanções mais duras contra o país no órgão.PrecedentesO precedente é conhecido. Em 2006, o mesmo Conselho de Governadores encaminhou o dossier iraniano ao Conselho de Segurança, caminho que produziu uma série de resoluções de sanções da ONU e, em 2015, o acordo nuclear entre Irã, Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha, do qual Washington se retirou em 2018. Naquele ciclo, o Brasil tentou mediar: em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou com a Turquia e o Irã a declaração de Teerã, proposta de troca de combustível nuclear que não impediu a nova rodada de sanções aprovada naquele ano.O caso segue aberto. O G1 mantinha a reportagem em atualização nesta quarta, e nenhuma das partes indicou o próximo passo. A decisão sobre transformar a denúncia da AIEA em sanções ou outra resposta cabe agora aos 15 membros do Conselho de Segurança.

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EUA deportam para o Haiti menino brasileiro nascido em 2021

Os Estados Unidos deportaram para o Haiti, no dia 27 de agosto, um menino brasileiro nascido em 2021, junto com os pais, ambos haitianos. A informação foi prestada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) à reportagem da Folha de S.Paulo e confirmada por Nathalye Cotrino, pesquisadora sênior da Human Rights Watch (HRW), que acompanhou em Cabo Haitiano a chegada do voo com 57 deportados. O menino desembarcou no país mais pobre das Américas, que a Folha descreve como um dos mais perigosos do mundo, com violência armada generalizada e um Estado falido.O caso é consequência direta do fim do Temporary Protected Status (TPS), o status de proteção temporária que permitia a 330 mil haitianos viver legalmente nos Estados Unidos, muitos deles chegados ao país sob o governo de Joe Biden. No fim de julho, a Suprema Corte americana validou a decisão do governo de Donald Trump de encerrar o benefício. Desde então, segundo a Folha, os voos de deportação para o Haiti, antes mensais, passaram a ser semanais.O que o caso expõe para o BrasilPara o Brasil, o episódio abre uma frente inédita de proteção consular. Crianças nascidas em solo brasileiro são brasileiras, e a Folha aponta que o caso ilustra uma tendência que deve crescer: muitas famílias haitianas que vivem nos EUA têm filhos nascidos no Brasil, herança dos anos em que o país foi destino de parte da onda migratória aberta após o terremoto de 2010. O Valor Econômico dedicou reportagem ao tema: a deportação de crianças dos EUA para países terceiros cria dilemas para governos latino-americanos. Nenhuma das reportagens consultadas registra, até agora, pronunciamento oficial do governo brasileiro sobre este caso específico.A trajetória da família mostra como o endurecimento americano alcançou quem vivia regularizado. Segundo a Folha, os pais, o menino brasileiro, um irmão mais velho nascido no Haiti e um caçula nascido nos EUA moravam em Nova York, o segundo maior centro da comunidade haitiana no país, atrás da Flórida, e eram beneficiários do TPS. Ao perder a proteção, tentaram emigrar para o Canadá, onde pediriam asilo, mas foram detidos e devolvidos aos EUA. Passaram então à custódia da Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência federal de imigração, até serem deportados ao Haiti.Voos semanais para um país em colapsoO voo que levou a família foi o segundo de deportação dos EUA para o Haiti em uma única semana, como noticiaram o Miami Herald e a agência Associated Press. Segundo a AP, as crianças a bordo pertenciam a duas famílias, e o avião pousou pouco depois das 11h30 em Cabo Haitiano, segunda maior cidade haitiana, porque o aeroporto de Porto Príncipe é considerado perigoso demais. A agência relata ainda que o governo americano mantinha proibição a voos comerciais americanos para a capital até o início de setembro por causa da violência das gangues. O programa Democracy Now noticiou que também havia crianças nascidas nos EUA no mesmo voo. O desenho dos interesses é visível: Washington acelera as remoções, Ottawa aparece como rota de fuga para famílias que tentam pedir asilo antes da deportação, e o Haiti, sem controle estatal efetivo sobre a capital, absorve os retornados dias após um massacre cometido por gangues armadas. Segundo o Miami Herald, o país recebeu 164 deportados naquele dia, somando um voo enviado pelas Bahamas.Com voos semanais em curso e 330 mil haitianos perdendo a proteção do TPS, a Folha avalia que casos como este tendem a se multiplicar. A HRW acompanhou as chegadas em Cabo Haitiano, e a OIM confirmou a presença da criança brasileira no voo. A pergunta que o episódio deixa aberta é como Brasília e outras capitais latino-americanas vão exercer a proteção consular de cidadãos atingidos por remoções para um país em colapso.

BABeatriz Antunes
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Houthis tomam porto iemenita e crise do petróleo ganha novo foco em Bab el-Mandeb

Os houthis, rebeldes do Iêmen aliados ao Irã, tomaram na quinta-feira (10) o porto de Mokha, no sudoeste do país, das mãos do governo iemenita. A Arábia Saudita, que apoia o governo na guerra civil, respondeu com ataques aéreos na província de Taiz, onde fica a cidade, e o conflito, congelado desde 2022, voltou a se ampliar. O barril de Brent, referência internacional do petróleo, subiu 6,3% e fechou a US$ 107,63, o maior nível desde maio, segundo o G1, com informações das agências Associated Press (AP) e France Presse (AFP).A ofensiva importa porque Mokha fica a poucos quilômetros do estreito de Bab el-Mandeb, passagem de cerca de 100 quilômetros de extensão e 30 de largura entre o Iêmen e o Djibuti que liga o oceano Índico ao mar Vermelho. O estreito integra a principal rota marítima entre a Ásia e a Europa, pelo canal de Suez, e passou a ser essencial para o petróleo saudita desde que a guerra entre Estados Unidos e Irã interrompeu o tráfego pelo estreito de Ormuz, até então o centro da crise. Segundo a Folha de S.Paulo, o porto de Yanbu, no mar Vermelho, vinha escoando até 70% da produção saudita, e os houthis tentam desde julho impor um embargo às cargas que saem de lá.Para o Brasil, o efeito chega pela bomba de combustível. O Brent era negociado abaixo de US$ 72 no início de julho e já acumula alta superior a 49%. Na quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que amplia o subsídio da gasolina de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro, zera os tributos federais sobre o etanol hidratado e autoriza, por medida provisória, uma subvenção de R$ 1 por litro de diesel, somada aos R$ 1,12 vigentes até 26 de setembro. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram a gasolina a R$ 6,51 e o diesel S-10 a R$ 6,88 por litro, em média, na semana encerrada em 5 de setembro.Interesses em jogoNo tabuleiro regional, a Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial de petróleo, perdeu o acesso ao Ormuz e depende da saída pelo mar Vermelho, justamente o corredor ameaçado pelos houthis. O Irã apoia o grupo e disputa com Riad a influência no Iêmen desde que os rebeldes tomaram a capital, Sanaa, em 2014. A Folha lembra, porém, que mesmo um improvável acordo entre Washington e Teerã não encerraria o problema, porque os houthis seguem agenda própria. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta o peso do petróleo mais caro sobre a inflação a dois meses das eleições legislativas de novembro; na quarta-feira, afirmou que os preços dificilmente cairão antes da votação, um dia depois de dizer que espera ver o conflito encerrado logo após o pleito.A escalada no Iêmen começou em julho, quando forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita passaram a bloquear o espaço aéreo de Sanaa, rompendo a trégua informal vigente desde 2022. Além de ameaçar navios sauditas, os houthis intensificaram ataques contra a infraestrutura de energia do reino, segundo o G1. Com dois pontos de estrangulamento sob risco, Ormuz e Bab el-Mandeb, o mercado passou a precificar uma oferta global mais apertada, e o foco da crise do petróleo se deslocou do golfo Pérsico para o mar Vermelho.

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EUA afundam cinco petroleiros iranianos no Ormuz e Irã revida contra dez navios

Forças dos Estados Unidos destruíram cinco petroleiros iranianos na noite entre terça e quarta-feira (8 e 9), na região do Estreito de Ormuz, e o Irã respondeu afirmando ter atacado dez embarcações no mesmo dia, na maior onda declarada de ataques a navios entre os dois países desde o início da guerra, há seis meses, informa a CNN Brasil. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), os ataques americanos responderam a dois disparos de mísseis balísticos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) contra um navio de guerra dos EUA nos dois dias anteriores. Washington divulgou vídeos das embarcações em chamas antes de afundarem e afirmou que nenhum americano ficou ferido.Ao destruir os petroleiros, os Estados Unidos anunciaram uma nova política no Golfo: passarão a atacar navios-tanque iranianos sempre que disparos ameaçarem suas embarcações de guerra. "O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros", disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a jornalistas durante visita à Colômbia. A Agência Brasil classificou a sequência como a maior onda de ataques entre EUA e Irã desde o começo do conflito.Pressão sobre os combustíveis no BrasilPara o Brasil, a escalada chega principalmente pelo preço dos combustíveis. O barril de Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100, patamar que não via desde julho, e o diesel no varejo americano bateu recorde histórico, acima de US$ 5,94 por galão, segundo a CNN Brasil. Como o país ainda importa parte do diesel que consome, a alta do barril pressiona fretes, preços e a inflação em ano de eleição presidencial. O governo já se move para conter o efeito nas bombas: a Agência Brasil noticiou que as novas medidas para segurar os preços dos combustíveis têm impacto estimado de R$ 7 bilhões por mês. Nesta semana, segundo o UOL, a Petrobras reajustou em R$ 0,63 o preço da gasolina para as distribuidoras, e o G1 informou que o corte de tributos deve evitar alta no preço final.Retaliações e uma segunda frenteA IRGC afirmou ter disparado contra dois navios americanos e oito petroleiros que tentavam cruzar uma área do estreito declarada proibida pelo Irã, além de ter lançado mísseis balísticos contra uma base usada por forças americanas perto de Al Azraq, no leste da Jordânia. O Irã diz ampliar a zona proibida ao redor do estreito e usar mísseis mais modernos e potentes contra embarcações americanas. A defesa aérea jordaniana interceptou 18 dos 20 mísseis, e os dois restantes caíram em áreas desabitadas, sem vítimas, segundo o governo de Amã. A UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations), agência britânica de segurança marítima, registrou relatos de navios mercantes atingidos e impossibilitados de navegar dos dois lados do estreito, e a UOL noticiou que uma explosão foi ouvida na região, perto do sul do Irã. A imprensa estatal iraniana ameaçou petroleiros ancorados no Kuwait e no Bahrein, e um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, segundo uma fonte de segurança marítima ouvida pela CNN Brasil.Os ataques retomados desde o fim de agosto encerraram um mês de relativa calmaria numa guerra que começou em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em meio a preocupações com o programa nuclear de Teerã. O Irã afirma que suas atividades nucleares têm fins pacíficos, e a agência nuclear da ONU denunciou o país ao Conselho de Segurança, como noticiou a Folha de S.Paulo, que também registrou ataques americanos a petroleiros iranianos perto da ilha de Kharg, no golfo Pérsico, na terça-feira (8). Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump sustenta que o conflito acabará logo após as eleições de meio de mandato de novembro, que definem o controle do Congresso."Acho que a guerra vai terminar imediatamente após a eleição porque eles não conseguem mais resistir. Eles estão desesperados para tentar afetar a eleição", disse Trump a repórteres, na quarta-feira (9).Internamente, a avaliação diverge: segundo o Wall Street Journal, o vice-presidente JD Vance e o próprio Rubio alertaram Trump, em particular, de que a guerra pode se estender até o fim do mandato, em janeiro de 2029, informação que a Reuters não conseguiu verificar de imediato. A guerra e a alta dos combustíveis já levaram a popularidade do presidente americano a mínimas recordes. Enquanto isso, o trânsito pelo Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, segue praticamente interrompido: apenas sete embarcações atravessaram o estreito na quarta-feira, metade da média dos dez dias anteriores, segundo dados preliminares de rastreamento. Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos e afirma ter conseguido conduzir petroleiros pelo estreito, ainda que monitoramentos independentes indiquem que é cada vez mais difícil medir quanto petróleo sai da região. Há ainda uma segunda frente em curso: os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram quatro cidades da Arábia Saudita na terça-feira, deixando 73 feridos e incêndios em instalações de petróleo que puderam ser vistos do espaço. O Valor Econômico noticiou que o petróleo segue em alta com o conflito, enquanto títulos asiáticos caíram.

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Irã ataca base dos EUA na Jordânia e navios no Golfo; Ormuz vira centro da crise

A Guarda Revolucionária Islâmica, força de elite do Irã, atacou nesta quarta-feira (9) uma base militar americana na Jordânia e cerca de 20 navios no Golfo Pérsico, em retaliação ao bombardeio dos Estados Unidos que destruiu cinco petroleiros iranianos perto da ilha de Kharg na véspera. Com a nova escalada da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100, segundo a revista Veja.Em comunicado divulgado pela IRNA, agência estatal de notícias do Irã, a guarda afirmou ter atingido "instalações de manutenção e reparo, áreas de preparação e locais de decolagem dos caças F-35, F-16 e F-15" e causado "danos graves ao inimigo mal-intencionado". O Exército da Jordânia informou que interceptou 18 dos 20 mísseis lançados contra o território do país; os dois restantes caíram em áreas desabitadas.Horas depois, um segundo comunicado anunciou ataques contra dois navios americanos, oito petroleiros e outras dez embarcações que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, passagem pela qual escoa parte essencial do petróleo comercializado no mundo. A força iraniana também advertiu petroleiros ancorados nos portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam forças americanas, a abandonarem os navios. A UKMTO, agência britânica de monitoramento marítimo, confirmou ataques a vários navios mercantes no norte do Golfo. Para o jornal O Globo, a operação sinaliza prontidão para confrontar os EUA e manter o controle de Ormuz; a Folha de S.Paulo noticiou que Teerã sinaliza disposição de intensificar o confronto diante da pressão crescente dos americanos.Para o Brasil, o efeito mais imediato chega pelo preço dos combustíveis. O barril acima de US$ 100 pressiona a paridade de importação que orienta os preços da Petrobras, estatal que anunciou nesta semana aumento na gasolina vendida às distribuidoras e que, segundo a Folha, não deve refletir o reajuste nas bombas. O país exporta petróleo cru, o que amortece parte do choque na balança comercial, mas importa diesel e sente o petróleo caro em fretes e inflação. Em plena disputa presidencial, combustível é um dos temas mais sensíveis da campanha.O que cada lado querNo lado americano, o presidente Donald Trump disse nesta quarta que espera que a guerra termine "imediatamente" após as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, e acusou Teerã de tentar influenciar a votação. A leitura interna do governo é mais sombria: segundo o jornal The Wall Street Journal, citado pelo g1, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio advertiram em particular que o Irã pode resistir até 2029, e o Pentágono já estendeu parte da presença de tropas no Oriente Médio para 2027.A carta principal do Irã é o próprio Estreito de Ormuz: dificultar a rota encarece o petróleo e impõe custo político aos EUA e a seus aliados. A Jordânia, monarquia aliada de Washington, interceptou quase todos os mísseis para não ser arrastada ao confronto. O quadro lembra a chamada guerra dos petroleiros dos anos 1980, quando ataques à navegação no Golfo levaram os americanos a escoltar embarcações mercantes. À pressão militar soma-se a diplomática: a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), denunciou o Irã ao Conselho de Segurança por violações de não proliferação, noticiou o g1.

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Rubio inicia giro por aliados de Trump na América Latina sem Brasil no roteiro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, embarcou por volta das 13h desta terça-feira (8), horário de Brasília, rumo à Colômbia, primeira parada de uma viagem de três dias por governos aliados de Donald Trump na América Latina. Até quinta-feira (10), ele passa também pelo Equador e pelo Peru, informou o Departamento de Estado. O Brasil ficou fora do roteiro, num momento em que atravessa uma crise diplomática com o governo Trump, segundo o g1.Em Bogotá, Rubio se reúne com o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, para tratar do apoio americano após o terremoto de magnitude 7,4 que deixou centenas de mortos no país em agosto, e participa da assinatura de acordos sobre energia nuclear civil e minerais críticos, segundo a CNN Brasil. Depois, encontram-se o equatoriano Daniel Noboa e a peruana Keiko Fujimori, empossada em Lima em julho. Em comunicado, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, disse que a viagem vai discutir "o apoio dos EUA à resposta da Colômbia ao terremoto", o reforço da cooperação "no combate conjunto ao narcoterrorismo" e "os benefícios de relações comerciais mais estreitas".O Brasil fora do mapaPara Brasília, a mensagem está no próprio itinerário. Washington montou o giro em torno de três vizinhos com governos abertamente alinhados a Trump e excluiu o maior país da América do Sul, com o qual vive uma crise diplomática, na descrição do g1. A CNN Brasil associa o roteiro à onda de governos ideologicamente próximos do republicano que chegaram ao poder na região, um quadro que amplia a influência americana ao redor do Brasil em vez de incluí-lo.O eixo dessa aproximação é o Escudo das Américas, também chamado de Coalizão das Américas contra os Cartéis. Criada em março com 12 países, entre eles Argentina, Bolívia e El Salvador, a coalizão liderada pelos Estados Unidos já reúne 19 integrantes, segundo a CNN Brasil. O bloco opera principalmente pelo compartilhamento de inteligência e por operações militares conjuntas, com um modelo inspirado em ações americanas anteriores contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico. Colômbia, Equador e Paraguai já aceitaram o estacionamento de tropas americanas em solo nacional, e outros países da região estariam em vias de negociar acordos semelhantes.Coalizão e Doutrina MonroeA viagem chega depois de um período de retórica mais assertiva de Washington sobre o continente. O anúncio do roteiro veio na sequência da reivindicação, pelo Departamento de Estado, do "domínio" dos Estados Unidos sobre as Américas e do resgate da Doutrina Monroe, estratégia usada por governos americanos por cerca de 200 anos para exercer poder e influência na América Latina, como registrou o g1. Em vídeo divulgado no início de agosto, o departamento afirma que o domínio americano no continente "nunca mais será questionado" e cita a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano, como o exemplo mais recente da aplicação da doutrina, capaz de enviar um "forte sinal a todo o hemisfério".Esta é a quinta viagem de Rubio à América Latina e ao Caribe desde que assumiu o cargo, e o próprio secretário trabalha para ampliar sua influência no continente, segundo a CNN Brasil, que descreve a movimentação como parte de um plano para fortalecer a força americana no hemisfério ocidental. A coalizão também serve à narrativa de segurança na fronteira sul dos Estados Unidos, incluindo o combate à imigração ilegal. Para o Brasil, o resultado imediato é o oposto do que colhem os vizinhos: enquanto Colômbia, Equador e Peru assinam acordos e recebem o secretário de Estado, Brasília segue fora do circuito de Washington.

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Trump e Putin tratam de fim da guerra e retomada 'em larga escala', diz Kremlin

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, falaram ao telefone nesta terça-feira (8) para discutir o fim da guerra na Ucrânia e uma "retomada em larga escala" das relações entre os dois países, segundo o Kremlin. A ligação durou mais de uma hora e a conversa foi "aberta e construtiva", informou o governo russo. Até a última atualização do g1, o governo americano ainda não havia se manifestado sobre o contato.Na leitura de Moscou, o desfecho da guerra é a chave para normalizar os laços bilaterais. "Trump enfatizou a necessidade de encerrar o conflito na Ucrânia, o que abriria perspectivas para uma retomada em larga escala das relações entre a Rússia e os EUA", diz o comentário oficial divulgado pelo assessor presidencial Yury Ushakov e reproduzido pelo g1. Putin garantiu ainda a Trump que não tem "planos hostis" contra a Europa. A garantia chega em semana sensível: o g1 noticiou que mais de 20 países europeus registraram incidentes com drones militares durante a guerra, com episódios no espaço aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que alimentam acusações de que Moscou trava uma "guerra híbrida" contra o continente.Para o Brasil, o efeito é indireto, mas relevante. Uma eventual normalização entre Washington e Moscou diminuiria a pressão externa sobre países que nunca aderiram ao isolamento da Rússia, caso do Brasil, que integra com os russos o Brics, o grupo que reúne grandes economias emergentes. O canal entre Brasília e Moscou segue ativo: no domingo (7), quando o Brasil celebrou a Independência, Putin enviou saudações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme registro no site oficial do Kremlin. Na mesma semana, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, percorre aliados de Trump na América Latina sem incluir o Brasil no roteiro. Há também interesse econômico direto: a Rússia está entre os principais fornecedores de fertilizantes do agronegócio brasileiro, e um desfecho negociado da guerra tenderia a aliviar pressões sobre preços de energia e insumos.O circuito Moscou-KievO telefonema fecha uma semana de diplomacia intensa. Os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner reuniram-se com Putin no Kremlin na sexta-feira (5), seguiram para conversas com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, e deixaram Kiev no domingo (6), segundo a Agência Brasil, com reportagem da Reuters. Para proteger a missão, Moscou e Kiev suspenderam por três dias os ataques às respectivas capitais. Poucas horas após a partida dos emissários, a Rússia retomou o bombardeio de Kiev com drones e mísseis: três pessoas morreram e 16 ficaram feridas, informaram o prefeito Vitali Klitschko e o ministro do Interior, Ivan Vyhivskyi. "No momento em que os enviados de paz do presidente dos EUA partiram, Putin lançou outro ataque massivo e terrível contra Kiev", escreveu o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, na rede X.O que cada lado querA guerra, que completa quatro anos e meio, entrou em fase decisiva para os principais jogadores. Washington busca encerrar o conflito europeu ao mesmo tempo em que enfrenta o Irã: os EUA disseram ter destruído cinco petroleiros iranianos perto da ilha de Kharg, conforme o g1. Moscou trata do fim das sanções e do retorno ao convívio econômico como recompensa de uma paz negociada, e não descartou a retomada das negociações tripartites com ucranianos e americanos, segundo a Reuters. Kiev pede pressão sobre Moscou e interceptores para mísseis balísticos, com estoques de defesa criticamente baixos. Na Europa, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que defende reaproximação com a Rússia e o fim das sanções, venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt com cerca de 44% dos votos, a primeira vitória do tipo na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial, e Trump comemorou o resultado.Nenhuma nova rodada de negociações tinha data marcada até a noite desta terça. O Estadão noticiou otimismo crescente com as negociações após a visita dos emissários, e o telefonema dá seguimento ao canal aberto no encontro de Trump e Putin no Alasca, no ano passado, segundo o g1.

BABeatriz Antunes
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Irã diz ter atacado 2 navios dos EUA e 8 petroleiros em nova rodada no Golfo Pérsico

O Irã afirmou nesta quarta-feira (9) ter atacado 10 embarcações no Golfo Pérsico, incluindo dois navios americanos e oito petroleiros. O comunicado do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, reportado pelo g1, apresenta a ofensiva como resposta à destruição de cinco petroleiros iranianos pelos Estados Unidos na véspera. O grupo disse ter atingido navios que tentavam cruzar uma área que chamou de "proibida e insegura" do Estreito de Ormuz, o corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo em tempos de paz.Horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgou vídeos de petroleiros iranianos naufragando no Golfo de Omã. Segundo os americanos, quatro embarcações foram atingidas ali, entre elas o M/T Riesco, acusado de integrar uma rede clandestina de transporte de petróleo ligada à Guarda Revolucionária, e a quinta, o M/T Derya, foi atacada perto da ilha de Kharg. As tripulações teriam recebido ordem de abandonar os navios antes dos ataques, que Washington descreveu como represália a duas tentativas fracassadas de atingir um navio de guerra americano com mísseis balísticos nos dois dias anteriores. Em visita à Colômbia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, avisou:"O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, sempre que o fizer ou tentar fazê-lo, perderá navios-tanque. Acredito que vocês verão isso acontecer novamente hoje."Para o Brasil, o efeito mais imediato da escalada está no preço do barril. O Brent, referência global que orienta os preços de combustíveis no país, girava em torno de US$ 97 na segunda-feira (7), alta de 9% em cinco dias e de 19% em um mês, segundo a Al Jazeera. "Os déficits de oferta no mundo persistem e há pouco fim à vista para essas faltas", avaliou Rachel Ziemba, do centro de estudos Center for a New American Security. Barril mais caro encarece o diesel importado e pressiona combustíveis e inflação em ano de eleição presidencial. Há também a via diplomática: Irã e Brasil integram o Brics, e uma análise publicada pela Al Jazeera sugere que a cúpula do bloco pode ser o único espaço para reconstruir um cessar-fogo, o que colocaria Brasília em posição de intermediária.Os interesses em disputaTeerã diz ter respondido ao afundamento com mísseis contra a base aérea Muwaffaq Salti, em Al Azraq, na Jordânia, e contra dois destróieres americanos. O exército jordaniano afirmou ter interceptado 18 dos 20 mísseis; os dois restantes caíram em áreas desabitadas e não houve vítimas, segundo a CNN Brasil. A Guarda Revolucionária também advertiu tripulações de petroleiros atracados perto de portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam forças americanas, a abandonar as embarcações. No campo econômico, o governo Trump sancionou 27 companhias aéreas iranianas e nove prestadores de serviço ligados à Mahan Air, acusada de apoiar a Guarda.A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, segundo a Al Jazeera. Um memorando de 60 dias assinado em 17 de junho em Genebra suspendeu as hostilidades e ruiu em agosto, por disputas sobre quem controla o estreito: os americanos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos, e Teerã exige que os navios sigam rotas autorizadas pela Guarda Revolucionária. O secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, anunciou uma "zona restrita" a partir da linha do bloqueio americano. "Só nos comprometeremos com o Estreito de Ormuz aberto quando eles pararem com a sabotagem, as ameaças e os ataques ao Irã", disse ele, segundo a mídia estatal iraniana.Ao redor do Golfo, os interesses puxam para lados diferentes. O Catar defende a reabertura incondicional do estreito; o Kuwait e o Bahrein recebem forças americanas e agora figuram nas ameaças iranianas; a Omã negocia com a Organização Marítima Internacional um corredor alternativo; e a China reduz a exposição com reservas estratégicas e compras à Rússia, que supriria quase metade de suas necessidades diárias, segundo analistas ouvidos pela Al Jazeera. O tráfego já caiu a uma média de 10 navios de mercadorias por dia nos últimos dez dias, de acordo com a plataforma de dados Kpler; antes da guerra, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passavam pelo estreito todos os dias. Com Rubio prometendo mais petroleiros destruídos e Rezaei condicionando a reabertura ao fim dos ataques, a rodada de quarta não deve ser a última.

BABeatriz Antunes
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EUA dizem ter destruído cinco petroleiros iranianos perto de Kharg; petróleo sobe

Forças dos Estados Unidos destruíram nesta terça-feira (8) cinco petroleiros iranianos nas proximidades da ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, no Golfo Pérsico. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ação respondeu a dois ataques com mísseis balísticos da Guarda Revolucionária contra um navio de guerra americano nos últimos dias; o navio "evadiu com sucesso" os projéteis e ninguém ficou ferido.Do lado iraniano, os relatos foram parciais e não registraram vítimas. A agência semioficial Tasnim informou que um pequeno petroleiro foi atingido por um míssil americano a quatro milhas (6,4 quilômetros) da ilha."Um pequeno petroleiro iraniano foi alvo de um ataque com mísseis por parte do Exército terrorista dos Estados Unidos a quatro milhas [6,4 km] da ilha de Kharg. O petroleiro foi atingido por um projétil lançado pelas forças americanas na área de fundeio da ilha", afirmou a Tasnim, em comunicado reproduzido pela Folha de S.Paulo.A agência Mehr noticiou o som de várias explosões em partes da ilha, e a Fars registrou duas detonações em sequência na cidade portuária de Jask, perto do estratégico Estreito de Ormuz, por volta das 21h45 no horário local (15h15 em Brasília).O efeito imediato apareceu no mercado. O barril de Brent, referência internacional, fechou o dia perto de US$ 98 e seguiu em alta depois dos relatos de explosões na área de fundeio de Kharg, que fica a cerca de 24 quilômetros da costa e concentra cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, segundo a Bloomberg. Para o Brasil, o cenário tem duplo efeito: o país exporta mais petróleo cru do que importa, o que amplia a receita das exportações com o barril caro, mas ainda compra parte do diesel que consome no exterior, o que pode pressionar o custo dos combustíveis e a inflação se os preços se sustentarem em patamares altos.Os interesses em jogoA guerra foi lançada pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, com a justificativa de limitar o programa nuclear iraniano, e o foco mais recente das operações é a reabertura do Estreito de Ormuz, pelo qual passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo antes do conflito. A Marinha americana bloqueia embarcações carregadas com petróleo iraniano; o Irã responde com mísseis contra navios internacionais que tentam deixar o Golfo. Na mesma terça-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a dezenas de empresas ligadas ao setor de aviação do Irã, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defende que a pressão econômica torne improvável a retomada em larga escala dos confrontos. Como analisa a Bloomberg, os ataques dos dois lados mostram a dificuldade de Washington em sair da fase de hostilidades diretas para uma campanha sustentada de pressão econômica: em agosto, o governo de Donald Trump anunciou que priorizaria o estrangulamento econômico do Irã e reduziria a intensidade da ofensiva militar, mas as trocas de golpes continuaram.Riscos de escaladaA retaliação iraniana anunciada na sequência amplia o raio do confronto. A Guarda Revolucionária disse ter atacado uma base americana na Jordânia, informação que não foi confirmada, e divulgou comunicado determinando que todas as tripulações de navios-tanque nos portos do Kuwait e do Bahrein abandonem imediatamente as embarcações, sob o argumento de que podem ser atingidas. Teerã também afirmou ter capturado um drone submarino americano moderno; os EUA minimizaram, descrevendo o equipamento como defeituoso. Em paralelo, o Irã negocia com o Omã a reabertura do tráfego marítimo em Ormuz, embora os dois países estudem cobrar uma tarifa de passagem, ideia que os Estados Unidos e seus aliados rejeitam por considerarem a rota uma via internacional livre.O ataque de segunda-feira ao navio americano foi noticiado primeiro pelo Wall Street Journal, e uma repórter da Fox News, citando autoridades de alto escalão, afirmou que os alvos desta terça incluíam petroleiros ligados à Guarda Revolucionária, como parte de um esforço mais amplo para forçar concessões de Teerã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os EUA seguirão destruindo petroleiros iranianos como retaliação, e Trump já ameaçou atingir estruturas petrolíferas do país e chegou a aventar assumir o controle do terminal de Kharg. O Reino Unido, por sua vez, anunciou uma emenda legislativa para reinstaurar sanções contra o Irã por "ações hostis", ampliando restrições ao comércio e poderes para punir navios ligados ao programa nuclear iraniano.

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Reino Unido, França e mais 10 países sancionam assentamentos israelenses na Cisjordânia

Os governos de 12 países, entre eles Reino Unido, França e Canadá, anunciaram nesta terça-feira (8) um pacote coordenado de sanções em retaliação à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. As palavras mais duras vieram de Londres: em discurso no Parlamento, o chanceler britânico, Ed Miliband, disse que uma "limpeza étnica" é praticada por "colonos terroristas" em áreas do território e que o governo de Israel, "com muita frequência", faz "vista grossa" a isso, segundo a BBC e a Folha de S.Paulo, que citam as agências Reuters e AFP. O grupo reúne ainda Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia.A primeira medida britânica é a proibição da importação de produtos fabricados nos assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional. Londres também passará a recusar licenças de exportação de armas e outros bens que "contribuam materialmente para a ocupação" e ameaçou atingir empresas e indivíduos que financiem ou construam nos assentamentos. "Vocês enfrentarão todo o peso das sanções do Reino Unido", disse Miliband aos parlamentares. Segundo a BBC, Israel planeja construir 1,2 mil novas residências no território ocupado, e dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam aumento dos ataques de colonos contra palestinos neste ano. Em declaração conjunta, os 12 governos afirmaram que a violência dos colonos atingiu níveis "sem precedentes" e que as ações israelenses estão "minando a possibilidade de uma solução de dois Estados"."Hoje, anuncio que a posição oficial do governo britânico é a de que a ocupação é ilegal", declarou Miliband.O que isso significa para o BrasilO Brasil não integra o grupo, e nenhum dos 12 governos cobrou adesão de terceiros. Ainda assim, o pacote chega a Brasília em momento delicado. O país reconheceu o Estado da Palestina em 2010, defende há décadas a solução de dois Estados e sua diplomacia costuma condenar a expansão dos assentamentos em fóruns multilaterais. No plano econômico, o principal canal de comércio entre o Brasil e Israel é o acordo de livre comércio em vigor desde 2010 entre Israel e o Mercosul (Mercado Comum do Sul). Como as sanções miram produtos dos assentamentos, fatia pequena do comércio total, qualquer efeito sobre empresas brasileiras dependeria de uma decisão própria do governo, que não foi cogitada publicamente até aqui.Pressão europeia e reaçõesA composição do grupo mostra os interesses em jogo. A França pressionava havia semanas por uma resposta conjunta da União Europeia (UE), mas a proposta esbarrava na resistência de países do bloco, segundo a Folha. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas próprias contra o comércio com os assentamentos, e a BBC informa que Países Baixos e Bélgica proibiram ou estão proibindo a importação desses produtos sem assinar a declaração conjunta. Os 12 países disseram que adotarão restrições nacionais ou apoiarão medidas no âmbito da UE. Miliband equilibrinou o discurso: repetiu que o alvo são os assentamentos ilegais, e não o Estado de Israel, instou Israel a suspender a retenção de receitas que, segundo ele, inviabiliza serviços essenciais na Cisjordânia, e cobrou que o Hamas entregue as armas. "O Hamas não pode desempenhar nenhum papel na futura governança de Gaza", disse.A reação foi imediata. O chanceler israelense, Gideon Saar, anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental, que mantém relações com a Autoridade Palestina. O presidente Isaac Herzog classificou as medidas como um "grave erro de cálculo". Dos Estados Unidos, o embaixador em Israel, Mike Huckabee, disse à BBC que Washington "sem dúvida" responderá e que empresas britânicas poderão ser proibidas de negociar em vários estados americanos. No Reino Unido, o deputado oposicionista Tom Tugendhat, do Partido Conservador, alertou que "palestinos e israelenses inocentes sofrerão" e que transformar Israel em um "pária" cria risco de nova onda de violência antissemita nas ruas britânicas. Segundo a BBC, o primeiro-ministro, Andy Burnham, falou por telefone com o presidente Donald Trump na segunda-feira (7); o relato oficial não especifica se as sanções foram informadas.O impacto econômico imediato deve ser pequeno. O comércio anual entre Reino Unido e Israel gira em torno de £ 6 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões), e os produtos dos assentamentos representam fração mínima desse total, segundo a Folha. O peso do anúncio é político. A BBC classificou as medidas britânicas como inéditas, e Miliband apresentou o pacote como uma mensagem ao governo israelense, aos palestinos e ao mundo de que o Reino Unido "não compactuaremos com a destruição da solução de dois Estados".

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OCDE registra pior resultado da história no Pisa, e Brasil segue estagnado

Os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), grupo formado por 38 economias em sua maioria ricas, registraram o pior desempenho da história nas três áreas avaliadas pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Os dados da edição de 2025, divulgados nesta terça-feira (8), foram reportados pelo Folha de S.Paulo. A prova, aplicada a cada três anos a estudantes de 15 anos em ciências, leitura e matemática, testou mais de 760 mil jovens em 91 países e regiões, e avaliou pela primeira vez a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais.Entre os 23 países que participam do exame desde a primeira edição, em 2000, a média em matemática caiu 32 pontos em duas décadas e chegou a 469. Em leitura, a perda foi de 29 pontos, com média de 466, e em ciências a queda acumulada desde 2006 é de 17 pontos, para 486. Como uma variação de 20 pontos no Pisa equivale a cerca de um ano de aprendizagem, esses estudantes aprendem hoje, na média, um ano e meio menos de matemática e leitura do que jovens da mesma idade de 20 anos atrás.A organização avalia que, depois da queda "sem precedentes" registrada no ciclo pós-pandemia de 2022, o desempenho seguiu caindo em muitos países, sinal de problemas estruturais na educação global. A parcela de estudantes de países da OCDE com desempenho abaixo do esperado para a idade nas três áreas passou de 25% em 2022 para 29%."O Pisa 2025 registrou o pior desempenho médio dos países da OCDE observado até agora. O desempenho em leitura caiu depois de atingir seu pico por volta de 2012, enquanto o desempenho em ciências apresentou uma queda mais gradual ao longo da última década, e o desempenho em matemática caiu de forma especialmente acentuada após 2018", afirma o relatório.O Brasil, parado em outro patamarEntre os países membros da OCDE os resultados caíram; no Brasil, o desempenho está parado há dez anos, em um patamar bem mais baixo. Os estudantes brasileiros fizeram 409 pontos em ciências, resultado próximo ao de 2015, quando foi 401. Em matemática, a média foi de 377 pontos, exatamente a mesma de dez anos atrás. Mais de 30 mil jovens no país participaram da prova. Segundo o G1, 43,8% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível mínimo em ciências, matemática e leitura ao mesmo tempo.Os números mantêm o país distante das médias dos 38 membros da OCDE na edição atual: 482 pontos em ciências, 461 em leitura e 463 em matemática. A distância também é grande dentro do Brasil. Os 25% de estudantes de maior nível socioeconômico tiveram 96 pontos a mais em ciências que os 25% menos favorecidos, com médias de cerca de 476 e 380 pontos. A diferença média na OCDE é de 85 pontos; na Alemanha chega a 125, a maior da organização, e no Canadá fica em 59.No campo digital, o Brasil mais que dobrou em três anos a proporção de alunos em escolas que proíbem o uso de celular, de 37% para 81%, efeito da política adotada em janeiro de 2025. Na média da OCDE, o índice passou de 34% para 49%. Segundo o Pisa, estudantes de escolas que proíbem o celular têm cerca de 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas. O avanço, porém, não veio acompanhado de melhoria na capacidade das escolas brasileiras de integrar tecnologias ao aprendizado, que segue abaixo da média internacional. Enquanto os países membros da OCDE discutem como reverter uma queda de duas décadas, o Brasil segue com uma tarefa mais antiga: elevar um desempenho que não muda desde 2015.

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Ultradireita vence eleição estadual na Alemanha pela 1ª vez desde a 2ª Guerra

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, neste domingo (6), com 43,8% dos votos, mais que o dobro de seu resultado anterior. Segundo a BBC, é a primeira vitória eleitoral expressiva de um partido nacionalista de direita radical com chance real de governar em nível regional desde a queda do Terceiro Reich, em 1945. O partido, porém, ficou por pouco de obter maioria absoluta e, para formar governo, precisaria de aliados que os demais partidos descartam ser, segundo o G1.Em Berlim, o chanceler Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã (CDU), disse nesta segunda-feira (7) estar "profundamente chocado". A CDU despencou para 17,2%, cerca de 20 pontos menos que no pleito anterior no estado, e o chanceler classificou o resultado como "a mais dura derrota eleitoral da CDU em décadas". Merz admitiu que sua própria impopularidade foi tema constante da campanha, defendeu o rumo das reformas do governo e descartou sair: "Desistir não é uma opção para mim". Ele disse ainda que conversará nos próximos dias com o parceiro de coalizão, o Partido Social-Democrata (SPD)."Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha. Esse resultado eleitoral terá consequências." (Friedrich Merz, chanceler alemão)O que isso significa para o BrasilPara o Brasil, o resultado chega pela via econômica e diplomática. A Alemanha é a maior economia da União Europeia (UE), e a UE está entre os maiores parceiros comerciais do país. A análise da BBC argumenta que uma Alemanha enfraquecida e distraída por crises internas reduz a capacidade de ação do bloco justamente quando a Europa lida com a guerra na Ucrânia, as tarifas do governo de Donald Trump e a competição econômica com a China. Um continente voltado para dentro tem menos margem para as pautas externas que interessam a Brasília, do comércio ao clima, num ano em que o Brasil elege presidente em outubro com a relação com os Estados Unidos já em debate na campanha.Os interesses em jogoO eco internacional veio rápido. Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, a pesquisa de boca de urna da Saxônia-Anhalt. Para a BBC, a mensagem anti-imigração e de "Alemanha para Alemães" da AfD ressoa com o movimento MAGA (Make America Great Again), e o partido adota a mesma estratégia: atacar a imprensa tradicional, questionar a neutralidade dos juízes e prometer "tornar a Alemanha grande novamente". Da Rússia, o executivo Kirill Dmitriev, presidente do Fundo Russo de Investimento Direto, chamou o resultado de "histórico", o governo alemão de "desacreditado" e comparou Merz ao ex-primeiro-ministro britânico Keir Starmer. O interesse de Moscou é direto: a Alemanha é hoje o maior doador individual de ajuda à Ucrânia, enquanto a AfD defende interromper o envio de ajuda militar a Kiev, suspender as sanções e voltar a comprar energia russa, muito mais barata.Em casa, a votação expõe a divisão leste-oeste. A Saxônia-Anhalt tem apenas 1,7 milhão dos 59 milhões de eleitores alemães, é o estado mais pobre do país e mantém forte a "Ostalgie", a nostalgia da antiga Alemanha Oriental comunista, apesar de a Alemanha ter gasto entre 2,3 e 3 trilhões de euros na integração da região desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, segundo a BBC. As autoridades alemãs classificam a AfD como antidemocrática e a facção estadual do partido como radical de extrema direita, mas a legenda já aparece nas pesquisas como a maior do país. Em Bruxelas, o temor é que a vitória marque os próximos 12 meses, com eleições em países-chave da UE como França, Itália, Espanha e Polônia.A definição de um governo estadual segue em aberto. O candidato principal da AfD, Ulrich Siegmund, disse que o partido tem um "mandato claro para governar", e simpatizantes comemoraram sob o lema "tudo é possível". Sem maioria absoluta, no entanto, a AfD precisaria de parceiros, e os demais partidos descartam apoiá-la, segundo o G1. Os próximos marcos são as eleições de Berlim e do Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental em duas semanas; depois delas, Merz prometeu uma avaliação interna da CDU e da coalizão.

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Brasileiros deportados dos EUA para a África vivem sem prazo para retornar ao Brasil

O governo de Donald Trump já deportou quase 25 mil pessoas para países que não são os seus de origem, segundo reportagem do Fantástico, programa jornalístico da TV Globo, exibida no domingo (6). Os destinos incluem democracias, como Costa Rica e Libéria, e regimes instáveis ou autoritários, como El Salvador, Essuatíni, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Guiné Equatorial. Todos recebem milhões de dólares de Washington para aceitar os imigrantes.A maioria dessas pessoas havia pedido asilo nos Estados Unidos alegando risco de violência ou de perseguição política em seus países de origem. Como a Justiça americana costuma impedir que elas sejam enviadas de volta para casa, o governo passou a remetê-las para terceiros países por meio de contratos remunerados. Segundo dados do projeto Third Country Deportation Watch compilados pela Folha de S.Paulo, só a Guiné Equatorial, que já abriga dezenas de imigrantes de outros países africanos, recebeu seis voos com ao menos 53 imigrantes de outras nacionalidades desde o ano passado. As agências Reuters e Al Jazeera noticiaram em agosto que venezuelanos e cubanos estavam entre os enviados à Libéria, que esperava receber até 1.200 pessoas.Para o Brasil, a política chegou em agosto e expôs um vácuo de informação. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, afirmou não ter recebido notificação prévia em nenhum dos casos de brasileiros enviados a países africanos. No caso do pernambucano Pietro Graza de Lima, de 57 anos, a pasta só soube no dia 25 de agosto que ele estava na Guiné Equatorial e, desde então, pede autorização para prestar assistência consular. Na quarta-feira (2), o embaixador do Brasil no país africano foi informado de que ele "está em boa situação de saúde, hospedado em hotel determinado pelas autoridades" e que "uma visita será facilitada nos próximos dias". O Brasil recebe quase semanalmente voos com dezenas de deportados brasileiros dos Estados Unidos, mas, nesses envios a terceiros países, o canal de aviso não funcionou.Um voo de 16 horas até a LibériaA mineira Paola Santos, de 21 anos, trabalhava com limpeza de obras em Massachusetts havia cinco anos quando foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), a polícia de imigração americana. Ela entrou no país de forma irregular pela fronteira com o México e diz que tinha permissão de trabalho. Depois de uma blitz, ficou presa por um ano e três meses, em cadeias de Massachusetts, Connecticut, Vermont, Texas e Louisiana, até embarcar, no fim de agosto, em um avião com destino desconhecido, com pés, mãos e cintura algemados. Só descobriu onde estava depois de 16 horas de voo, quando ouviu da imigração local: "Bem-vindos, vocês estão na Libéria". Ao questionar o destino, ouviu de um agente: "Se você não descer por vontade própria, a gente vai ter que fazer uso de força". O Itamaraty disse que não recebeu notificação sobre o caso dela, "nem da parte dos estados supostamente envolvidos na deportação, nem da parte da nacional ou sua família".Pietro foi colocado em um voo rumo à Libéria em 20 de agosto, junto com cubanos e camaroneses, depois que um juiz americano negou um pedido de restrição temporária contra sua expulsão, segundo a Folha. Ao pousar, ele e um pequeno grupo de imigrantes se recusaram a descer. "Nós ficamos com hematomas no corpo, nos jogaram praticamente na pista do avião", relatou. Um representante da Libéria disse que o país não aceitaria o grupo; o avião decolou de novo e pousou na Guiné Equatorial, onde os imigrantes foram retirados e levados a um hotel semiabandonado que, segundo a Associated Press, só recebe suspeitos de contaminação por ebola e deportados da imigração americana. No país, relata o Fantástico, eles ficam vigiados e sem liberdade de circulação, e não há previsão de retorno."Cerca de 10, 20 policiais encapuzados, com armas pesadas, estavam nos esperando. Esse foi o pior momento da minha vida. A gente olhou um para o outro e falou: 'Não adianta resistir'."O terceiro caso tenta evitar a ÁfricaUm terceiro brasileiro tenta escapar do mesmo destino. Alex Pereira Alves, que mora em Los Angeles, pediu asilo nos EUA há dez anos por ser homossexual e se sentir perseguido no Brasil. Convocado em abril, recebeu um aparelho de monitoramento eletrônico; em 12 de agosto, foi preso cinco minutos depois de se apresentar à imigração, segundo sua advogada, Jane Oak. Detido em Adelanto, na Califórnia, ele pede para ser deportado ao Brasil, e não à Guiné Equatorial. "Ele acha que, dez anos depois, a sociedade brasileira mudou e se sentiria mais seguro", disse a advogada. O impasse resume os interesses em jogo: Washington quer remover pessoas que sua Justiça não permite devolver aos países de origem, os governos que as recebem querem os recursos dos contratos, e o Brasil quer, por ora, ser avisado e poder visitar seus nacionais.

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Enviados de Trump chegam a Kiev com plano de paz e terminam rodada sem acordo

A diplomacia americana transferiu neste domingo (6) o centro das negociações da guerra na Ucrânia de Moscou para Kiev. O enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente Donald Trump, reuniram-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na primeira visita da dupla à capital ucraniana desde a invasão russa em larga escala, em 2022. Segundo a CNN Brasil e a Folha de S.Paulo, as rodadas terminaram sem decisão concreta, embora os dois lados tenham feito declarações otimistas. Na sexta-feira (4), Trump chamou os dois de "grandes negociadores" e disse que eles levavam "uma proposta para acabar com a guerra".As conversas entre americanos e ucranianos foram concluídas na noite de domingo, após duas rodadas, seguidas de uma terceira com a presença de representantes da França, do Reino Unido e da Alemanha, segundo a CNN Brasil. Zelensky classificou o encontro como "muito produtivo", citou garantias econômicas e de segurança e o fornecimento de mísseis de defesa aérea, disse esperar uma reunião trilateral com americanos e russos e afirmou que "nossas propostas estão prontas". Um funcionário da Casa Branca afirmou que os dois lados "discutiram planos concretos para os próximos passos, que serão anunciados nas próximas semanas"."Queremos evitar a perda de vidas, queremos que esta guerra termine de forma justa para todos nós e queremos que ela termine de tal maneira que a agressão da Rússia contra a Ucrânia nunca mais se repita", disse Zelensky em coletiva de imprensa após a primeira rodada.Para o Brasil, o formato da negociação pesa no comércio e na diplomacia. A Rússia está entre os principais fornecedores de fertilizantes do agronegócio brasileiro, e um acordo que reduza a incerteza da guerra tende a aliviar preços de insumos, energia e alimentos nos mercados internacionais. No plano político, uma paz costurada diretamente entre Washington e Moscou, com a Europa chamada à mesa apenas na rodada final, aperta as iniciativas de mediação do Sul Global, como a saída negociada que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu desde 2023, ao lado da China, às vésperas da eleição presidencial de outubro.O que cada lado querOs interesses na mesa são distintos. Trump prometeu durante a campanha encerrar o conflito "em 24 horas", enfrenta queda na aprovação e opera sob o calendário das eleições legislativas americanas de novembro. A Ucrânia pede sistemas antimísseis, ajuda econômica e garantias de que a agressão russa não voltará a ocorrer. A Rússia exige o reconhecimento das quatro províncias que tenta ocupar, ponto rejeitado por Kiev, e a garantia de que o país não entrará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para o analista internacional Lourival Sant'Anna, da CNN, a questão da OTAN parece negociável; segundo ele, a dupla americana, formada por empresários do setor imobiliário, adota abordagem transacional, com incentivos econômicos e ameaças de sanções aos dois lados.Otimismo com ressalvasEm Moscou, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov descreveu as três horas de conversas de sábado (5), seguidas de jantar, como "úteis e construtivas", e disse que os americanos apresentaram "toda uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo", com o compromisso de levar a Kiev "as observações e avaliações" recebidas pessoalmente do presidente russo, Vladimir Putin. O chefe do fundo soberano russo, Kirill Dmitriev, chamou a visita de "importante visita de promoção da paz". Ao abrir o encontro, Putin reconheceu que a situação "não é simples" e pediu que os enviados levassem seu agradecimento a Trump. Já o porta-voz Dmitry Peskov minimizou expectativas ao lembrar que o próprio Trump admitiu não haver ideias novas, e o vice-ministro Sergei Ryabkov cobrou que Washington considere as "realidades no terreno", onde as forças russas avançam gradualmente na região oriental de Donetsk, segundo a agência estatal russa Tass.A violência seguiu como pano de fundo. A trégua de 72 horas, iniciada na virada de sexta para sábado, suspendeu apenas os ataques às capitais dos dois países: na noite de sábado para domingo, a Rússia lançou 108 drones Shahed e atingiu 11 localidades, com dez civis mortos e 65 feridos em 24 horas, segundo a Força Aérea da Ucrânia. Mísseis russos atingiram dois aeroportos próximos de Kiev, incluindo Boryspil, e Zelensky reclama de escassez crítica de interceptadores de defesa aérea. Antes das conversas, Witkoff, que já se reuniu com Putin ao menos oito vezes desde o início da guerra, e Kushner, com pelo menos três encontros, visitaram a Catedral de Santa Sofia, tombada como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e danificada por ataques recentes.

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Aprovação de Trump cai a 33%, o menor nível da série do Financial Times

A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 33%, o menor patamar já registrado pela série de pesquisas que o jornal britânico Financial Times mantém com o instituto Focaldata desde maio. O levantamento, divulgado no sábado (5), mostra uma queda de 3 pontos percentuais em relação à rodada anterior e chega a menos de dois meses das eleições de meio de mandato de novembro, em que serão disputados todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e parte do Senado americano.O desgaste está concentrado na economia. Quase dois terços dos eleitores ouvidos dizem que a economia americana caminha na direção errada, e 57% afirmam que sua situação financeira piorou desde que Trump voltou à Casa Branca, contra 53% na pesquisa anterior. A pressão aparece nos gastos do dia a dia, sobretudo combustíveis e alimentos. O paralelo histórico é direto: a inflação corroeu o governo Joe Biden e ajudou a abrir caminho para o retorno de Trump, que prometeu reduzir o custo de vida e ainda não entregou essa melhora.O que muda para o BrasilPara o Brasil e para a América Latina, as variáveis mais relevantes são o calendário e o canal comercial. Um presidente com aprovação em queda e um Congresso em disputa tende a concentrar capital político na agenda doméstica. O teste imediato é a política tarifária: segundo a pesquisa, 56% dos eleitores registrados desaprovam a tarifa de 50% aplicada sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, e o Canadá respondeu com tarifas próprias, elevando custos para consumidores nos dois países. Exportadores brasileiros que dependem do mercado americano acompanham esse cenário de perto, porque um Trump enfraquecido pode tanto buscar acordos rápidos quanto endurecer o protecionismo, dependendo do resultado de novembro. O Brasil também vota em outubro, e o caso americano mostra o peso que o custo de vida pode ter nas urnas.Guerra com o Irã, base republicana e as eleiçõesA análise internacional do G1, assinada por Guga Chacra, associa a queda à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, um conflito que o próprio Financial Times já vinha medindo como fator de desgaste: uma pesquisa do jornal em julho apontava o conflito puxando a aprovação do presidente para baixo antes das eleições de novembro. O Irã prometeu uma reação "rápida e dolorosa" a novos ataques americanos, segundo o Poder360, e o jornal britânico reportou em 1º de setembro que os preços do diesel subiam nos EUA com a escalada do conflito.Mesmo a base republicana sente o desgaste. Entre eleitores do partido, a aprovação de Trump caiu para 72%, mais de dois pontos abaixo da rodada anterior e o menor nível da série para esse grupo. Na avaliação específica de empregos e economia, o índice entre republicanos caiu para 53%, quase 8 pontos menos que no mês anterior.Os números projetam um novembro difícil para o Partido Republicano. Na chamada votação genérica para o Congresso, os democratas abrem 7,5 pontos de vantagem, contra 5 pontos na pesquisa anterior. Ao todo, 46% dos eleitores dizem que a presença de Trump torna mais difícil a vitória de candidatos republicanos, enquanto 17% dizem que ela ajuda; entre independentes, 53% enxergam prejuízo. Um eventual endosso presidencial a um candidato ao Congresso afasta mais do que atrai: 43% dizem que ficariam menos propensos a votar nesse candidato, contra 23% mais propensos.

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Irã diz ter atacado porta-aviões e destróier dos EUA e ameaça ataques "mais dolorosos"

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) do Irã afirmou neste sábado (5) ter atacado um porta-aviões e um destróier dos Estados Unidos com mísseis balísticos. Até a divulgação da informação, as forças americanas não haviam confirmado o ataque, informou a CNN Brasil. A alegação foi feita horas depois de o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) publicar imagens de bombardeios contra três navios-tanque iranianos, um deles próximo à Ilha de Kharg, terminal por onde passa cerca de 90% do petróleo bruto exportado pelo país.Segundo o Centcom, os ataques aos petroleiros foram retaliação ao lançamento de mísseis balísticos do CGRI contra dois navios da Marinha americana. "Se o Irã atirar contra navios dos EUA, destruiremos (e afundaremos) seus navios-tanque de petróleo", escreveu o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, na rede social X. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central, disse que a mensagem ao CGRI é clara: quem atirar em dois navios americanos pagará "um custo econômico ainda maior", com três petroleiros destruídos em resposta. A agência iraniana semioficial Tasnim informou que quatro mísseis americanos atingiram um navio-tanque na área do ancoradouro de Kharg, sem vítimas, e que a tripulação era evacuada. O Centcom afirmou que nenhum militar americano ficou ferido, e a Reuters não conseguiu verificar de forma independente onde e quando o vídeo divulgado foi gravado.Para o Brasil, o novo capítulo da guerra alimenta um debate que já estava aberto em Brasília. Diante das tensões internacionais e dos atritos com Washington, inclusive a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos americanos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservou cerca de R$ 148 bilhões ao Ministério da Defesa na proposta de orçamento de 2027, enviada nesta semana ao Congresso, a sexta maior dotação do projeto, segundo o g1. Em junho, Lula disse que ampliaria os gastos com defesa porque "está cheio de maluco no mundo" e que não queria "ser pego de surpresa"; em julho, citou o interesse de EUA, Rússia e China em terras raras e minerais críticos ao defender forças armadas "preparadas". A verba contempla o programa do submarino nuclear brasileiro e o protótipo do reator Labgene, em Iperó (SP). Em agosto, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, admitiu que o país não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos e brincou que, num cenário de invasão, "abriria o portão".Como a guerra começouO conflito teve início em 28 de fevereiro, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, com o objetivo declarado de eliminar as "ameaças iminentes" ligadas ao programa nuclear do país. Os bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel causaram milhares de mortes e mataram o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo a imprensa e autoridades iranianas. Em resposta, o Irã atacou alvos em todo o Oriente Médio e fechou de forma efetiva o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O acúmulo militar americano na região, semanas antes do início da guerra, foi o maior desde a invasão do Iraque, em 2003.Um cessar-fogo frágil, firmado em junho, não resistiu. Em julho, Washington revogou a licença que permitia ao Irã vender petróleo e lançou uma nova ofensiva; desde então, os dois países trocam golpes com regularidade. O Irã atacou instalações americanas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia, e os EUA mantiveram uma sequência de 13 noites seguidas de bombardeios, que em 24 de julho atingiu o quartel-general da Marinha do CGRI em Zibakenar, no norte do país, deixando ao menos quatro mortos. Segundo a CNN, a escalada da última semana ameaça aprofundar um conflito que interrompe o fornecimento global de energia e já gera oposição da maioria dos americanos às vésperas das eleições para o Congresso, em novembro.O que cada lado querWashington quer o fim do programa nuclear iraniano e a liberdade de navegação no Golfo, com uma estratégia que combina sanções e bombardeios à infraestrutura de exportação de petróleo. O Irã usa o controle do Estreito de Ormuz como principal trunfo: analistas ouvidos pela CNN avaliam que os ataques a embarcações servem para reforçar a posição de Teerã nas negociações de um acordo de paz de longo prazo. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto iraniano, ameaçou uma "resposta devastadora" e disse que Teerã não permitirá interferência americana na administração do estreito. O Financial Times, reproduzido pelo Valor Econômico, informou que o Irã enfrenta problemas econômicos e avisa que novos ataques serão "mais dolorosos". No meio do fogo estão países do Golfo que abrigam bases americanas, como Kuwait, Bahrein e Jordânia, já atingidos por mísseis e drones iranianos, além do Catar, que atribuiu a Teerã ataques a navios comerciais. O Reino Unido passou a desaconselhar viagens não essenciais ao Kuwait e ao Bahrein.

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Explosões perto da Ilha de Kharg: EUA atacam três petroleiros do Irã

Os Estados Unidos atacaram neste sábado (5) três petroleiros ligados ao Irã, depois que mísseis balísticos foram disparados contra dois navios de guerra americanos na região do Golfo. O anúncio é do Comando Central dos EUA (Centcom), estrutura responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio. Horas antes, a mídia estatal iraniana havia relatado explosões perto da Ilha de Kharg, terminal que normalmente responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país. A agência Tasnim informou que o navio-tanque foi atingido por quatro projéteis, sem vítimas, e que a tripulação evacuava a embarcação.Segundo o Centcom, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou mísseis contra um porta-aviões e um destróier de mísseis guiados, que escaparam dos ataques sem feridos. Na sequência, as forças americanas disseram ter "desativado permanentemente" os navios-tanque M/T Downy, próximo à costa da Ilha de Kharg, e M/T Stark 1, perto de Jask, e destruído por completo o M/T Kylo, que estava descarregado, no Golfo de Omã, após a tripulação receber ordem de abandonar a embarcação. Para o comando, os três navios integram uma "rede paralela multimilionária" que financia a IRGC e seus aliados regionais."Que a mensagem para a Guarda Revolucionária Islâmica seja clara: se vocês atirarem em dois de nossos navios, nós imporemos um custo econômico ainda maior, destruindo três dos seus", declarou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, que acrescentou que os americanos não hesitarão em "destruir a frota petrolífera limitada e vulnerável do Irã".O que muda para o BrasilO efeito mais imediato para o Brasil passa pelo preço do barril. O embate entre Washington e Teerã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota crucial do abastecimento global de petróleo, já elevou os preços de energia no mundo, segundo o g1, e o Brent, referência internacional, fechou a semana perto dos US$ 95, depois de superar os US$ 97 na sexta-feira (4), em sessão marcada por ataques ao Kuwait, conforme noticiou a Revista Empreende. O movimento tem dois lados no país: sustenta a receita das exportações do pré-sal e reaparece no custo do diesel e da gasolina, cujos preços internos acompanham a paridade internacional. Há ainda um segundo alerta para terceiros países: o presidente Donald Trump ameaçou medidas econômicas mais duras contra qualquer nação que negocie com Teerã.Interesses em jogoWashington diz querer degradar o financiamento da IRGC e manter o Estreito de Ormuz livre para a navegação; Teerã usa a ameaça ao estreito como principal alavanca de negociação. No meio estão os países que sediam tropas americanas, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia, atingidos pelas retaliações iranianas desta semana, e Israel, que participou dos primeiros grandes ataques ao Irã, em 28 de fevereiro, ao lado dos EUA. Trump já ameaçou, inclusive, capturar a Ilha de Kharg.A troca de ataques voltou no início da semana, após mais de um mês de relativa calma e a expiração formal, no mês passado, do cessar-fogo de 60 dias entre os dois países. No domingo, os EUA afirmaram ter atingido dois lançadores de foguetes que seriam usados para minar o estreito; na terça, Trump falou em novo "ataque muito pesado". A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirma que estilhaços de míssil atingiram um casamento em Sirik, no sul do Irã, matando pelo menos quatro pessoas, duas delas crianças. O vice-presidente americano, JD Vance, disse encarar a versão com "extremo ceticismo", mas prometeu investigação; Teerã classificou o episódio como "crime de guerra".Na quinta, Vance negou que o conflito deva sequer ser chamado de guerra, afirmou que "não houve tiroteios em curso" e recusou qualquer prazo para o fim dos combates, sugerindo que cabe ao Irã encerrar a disputa, que começou com ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel há seis meses. No mar, o dia terminou com avisos por rádio: áudios confirmados pela CNN mostram uma aeronave militar americana dando dez minutos para a tripulação do Stark 1 abandonar a popa e, depois, o aviso final para entrar nos botes salva-vidas. "Já estamos destruídos", responde alguém a bordo, em um dos áudios. Segundo a emissora estatal IRIB, não houve vítimas: o sistema de refrigeração apagou o incêndio no navio atingido perto de Kharg em cerca de uma hora, e as tripulações dos dois petroleiros atacados no Golfo de Omã chegaram à costa em botes. Teerã não reconheceu de imediato os ataques contra os navios americanos.

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Enviados de Trump chegam à Rússia com proposta de paz; Putin suspende ataques a Kiev

Os enviados especiais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, chegaram a Moscou neste sábado (5) portando uma proposta americana para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Pouco depois da chegada, o Kremlin anunciou que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a suspensão de todos os ataques contra Kiev por três dias, a partir da meia-noite deste sábado, no horário local. Segundo a CNN Brasil, que reproduziu reportagem da Reuters, os dois devem se reunir com Putin e depois seguir para Kiev, pela primeira vez, para dar sequência às conversas.Kirill Dmitriev, representante especial do presidente russo, recebeu a delegação no aeroporto de Vnukovo. A trégua decretada por Putin vale apenas para a capital ucraniana, e não para o restante do país. "Isso está relacionado à preparação e à realização dos contatos dos americanos em Kiev", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à agência estatal russa TASS. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, respondeu com um gesto recíproco: afirmou no X que a Ucrânia se absterá de ataques a Moscou até segunda-feira (7), na expectativa de que os russos façam o mesmo com Kiev. Horas antes, ele havia relatado ataques russos contra dois aeroportos próximos da capital, incluindo o de Boryspil, que antes operava voos internacionais. Na leitura do líder ucraniano, os bombardeios foram uma reação aos preparativos para a possível chegada da delegação americana de avião, já que líderes estrangeiros viajam a Kiev de trem, partindo da Polônia, desde o início da guerra.Para o Brasil, o rumo dessas negociações toca interesses concretos. O governo brasileiro defende uma solução negociada desde o início do conflito e propôs, junto com a China em 2023, um roteiro de paz de seis pontos. No campo econômico, a Rússia é um dos principais fornecedores de fertilizantes do agronegócio brasileiro, e o fim da guerra tenderia a aliviar a pressão sobre preços de energia e de grãos no mercado internacional. Um eventual acordo conduzido por Washington também mexeria na dinâmica dos Brics, grupo de economias emergentes que reúne Brasil e Rússia, ao mudar o lugar de Moscou diante do Ocidente.O conteúdo da proposta americana não foi divulgado. Na sexta-feira (4), no Salão Oval, Trump chamou Witkoff, seu enviado especial, e Kushner, seu genro, de "grandes negociadores". "Eles estão trazendo uma proposta para acabar com a guerra", disse, acrescentando que "pode haver uma boa chance de conseguirmos isso". O presidente americano também atribuiu o conflito a uma questão de personalidade, entre Zelensky e Putin, e afirmou que já resolveu "oito guerras", a maioria, em sua avaliação, mais difícil do que a da Rússia com a Ucrânia. Na sexta, Zelensky disse esperar conversas "o mais construtivas e substantivas possível" e que é preciso buscar "opções realistas sobre como pôr fim a esta guerra".Moscou resiste a concessõesOs sinais vindos da Rússia, contudo, são de dureza. "A administração dos EUA deve levar em conta a realidade no terreno em relação a uma solução para a Ucrânia, onde a situação não está mudando a favor de Kiev", declarou o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, à TASS. Suas palavras coincidem com os avanços graduais das forças russas nos últimos meses sobre um conjunto de cidades industriais da região de Donetsk, no leste do país. Na véspera da visita, um ataque atingiu diretamente a sede do SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia) em Kiev, e Zelensky admitiu que a falta de interceptadores de defesa aérea deixa o país vulnerável a mísseis balísticos. Segundo o G1, a "guerra de drones" entre os dois países já afetou mais de 20 nações, com aparelhos penetrando o espaço aéreo de países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).A agenda prevê a reunião com Putin neste fim de semana e a ida a Kiev no domingo (6), dentro da janela de três dias sem ataques à capital ucraniana. Nenhuma das partes anunciou, porém, uma pausa geral nas operações militares. O resultado das conversas vai definir se a proposta americana avança ou se entra para a lista de rodadas de negociação que, desde a invasão de fevereiro de 2022, não produziram acordo.

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Augusto Cury deixou de declarar à Justiça Eleitoral três empresas na Flórida

O escritor Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante que subiu ao terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, deixou de declarar à Justiça Eleitoral pelo menos três empresas registradas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas companhias no Brasil. A revelação é da Folha de S.Paulo neste sábado (5), a um mês do primeiro turno da eleição presidencial.Cury é o presidenciável que declarou o maior patrimônio da disputa, R$ 242,3 milhões. A declaração é composta principalmente por dívidas a receber de empresas familiares e participações societárias, segundo o jornal. Por meio de sua equipe, o candidato respondeu que sua fortuna foi "construída de forma lícita" e que eventuais inconsistências na declaração serão corrigidas.Os registros na FlóridaSegundo a Folha, o escritor tem cinco registros na Divisão de Corporações da Secretaria de Estado da Flórida, o equivalente local à Junta Comercial. Duas empresas constam do documento entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que torna públicos os bens de todos os candidatos: a Intelligence School, constituída em 2014, e a Love Story Josefina, de 2017, rebatizada Love Story Investments em 2021. Ficaram de fora a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish, abertas entre 2021 e 2024, que pagaram neste ano as taxas exigidas pelo estado para permanecer ativas.O registro floridano é público, mas enxuto: identifica as pessoas autorizadas a agir por cada empresa, sem informar o percentual de participação de cada sócio nem o capital investido. Nas três empresas omitidas, Cury aparece como membro autorizado, e em uma delas como o único. Já a declaração brasileira também é pública, o que permitiu o cruzamento feito pela reportagem. A Intelligence School, uma das companhias declaradas, comprou e vendeu ao menos quatro imóveis em Orlando, cidade da Flórida onde brasileiros têm presença tradicional no mercado imobiliário.Um mês antes da eleiçãoO episódio chega no momento em que Cury se consolida na terceira posição. Em pesquisa do instituto Datafolha divulgada em 3 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, tinha 38% das intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tinha 33% e o escritor, 8%. A coluna Três Poderes, da própria Folha, considerou Cury o "vencedor da semana". Ele esteve no primeiro debate presidencial, transmitido pela Band em 23 de agosto, do qual Lula e Flávio Bolsonaro ficaram de fora.

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Irã ataca bases dos EUA e diz que petroleiros colidiram com minas em Ormuz

O Irã atacou instalações militares dos Estados Unidos em quatro países do Oriente Médio entre a terça-feira (1º) e a madrugada desta quarta (2), em retaliação a uma nova onda de bombardeios americanos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz. É a primeira retomada dos confrontos em mais de um mês e, na mesma escalada, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois petroleiros "explodiram e ficaram em chamas" após colidirem com minas navais no estreito, uma das principais rotas do petróleo mundial.Segundo o g1, a Guarda usou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque, com um "ataque combinado" contra Erbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano. As Forças Armadas da Jordânia relataram 13 mísseis balísticos violando seu espaço aéreo: dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas, sem vítimas. Kuwait e Bahrein ativaram defesas aéreas, e os bombeiros do Kuwait controlaram um incêndio em um complexo residencial da capital, também sem feridos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que sua ofensiva visou "sistemas de defesa aérea, radares, ativos e instalações marítimas, capacidades de colocação de minas e instalações de comunicação" ligados à Guarda, em resposta a tentativas iranianas de atacar "navios comerciais no Estreito de Ormuz e tropas americanas mobilizadas na região".Para o Brasil, o efeito mais imediato vem do preço. Os contratos futuros de petróleo subiram acima de US$ 94 por barril depois do anúncio dos bombardeios, segundo a CNN Brasil. O país exporta mais óleo do que importa, por causa do pré-sal, e capta preços globais mais altos em suas vendas externas; ao mesmo tempo, é comprador líquido de diesel e de gás de cozinha, e um choque prolongado encarece esses importados e pressiona os combustíveis, que pesam no IPCA, o índice oficial de inflação, num momento em que o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 14% ao ano.Os interesses em jogoWashington busca o controle da passagem. Donald Trump escreveu na rede social Truth Social que não está "tentando forçar o Irã a voltar à mesa de negociações" e que prefere a posição atual, "com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles entrando em colapso total". Ele chegou a sugerir rebatizar a rota de "Estreito de Trump", segundo o g1. Teerã usa a ameaça de fechar o estreito como principal alavanca e rejeitou uma proposta de Omã para gestão conjunta da via, noticiou a CNN Brasil. Bahrein, Kuwait e Jordânia, anfitriões ou vizinhos de bases americanas, tentam se proteger do fogo cruzado."Eles serão atingidos novamente em um nível muito mais duro e elevado, mas não será o maior de todos os ataques, que está esperando nos bastidores e, quando terminar, restará muito pouco da República Islâmica do Irã" (Donald Trump, na rede social Truth Social)Os bombardeios americanos atingiram, entre outros pontos, as cidades portuárias de Chabahar e Konarak, no Golfo de Omã, e o polo de gás e petroquímica de Asaluyeh, segundo a imprensa estatal iraniana citada pela CNN Brasil. Teerã afirma que estilhaços de um dos ataques atingiram uma festa de casamento na vila costeira de Kouhestak, no condado de Sirik, deixando ao menos quatro mortos, entre eles uma criança de 4 anos, e 68 feridos, segundo a emissora estatal Press TV. Os EUA negam o bombardeio, e o g1 aponta que a magnitude da retaliação iraniana pode estar ligada a essas mortes. O Irã prometeu resposta "devastadora".Relato sem confirmação independenteSobre os petroleiros, a versão é, por enquanto, exclusivamente iraniana. A Guarda disse que os dois navios pediram ao Exército dos EUA para transitar por uma rota "ilegal", não aprovada pelo regime, que a Marinha iraniana já havia alertado sobre a área minada e que as embarcações ficaram em chamas; a CNN Brasil relata que os navios ficaram paralisados e com as tripulações retiradas. Até a última atualização do g1, autoridades marítimas não haviam confirmado o incidente. A agência de monitoramento UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) e o grupo de inteligência marítima Marisks já haviam registrado dois navios-tanque atingidos por projéteis desde domingo, e Trump afirmou no dia 25 de agosto que todas as minas iranianas em águas internacionais haviam sido removidas ou detonadas. O quadro lembra, em menor escala, a "guerra dos petroleiros" dos anos 1980, quando minas e ataques a navios no Golfo Pérsico levaram os EUA a escoltarem petroleiros kuwaitianos.

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'Bomba atômica' e 'terremoto político': imprensa internacional repercute caso Moraes

De Madri a Buenos Aires e Nova York, os principais veículos de imprensa internacional dedicaram cobertura nesta semana às mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O jornal espanhol El País classificou as revelações como uma "bomba atômica"; o argentino La Nación falou em "terremoto político e institucional". A repercussão começou depois que o relatório da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master se tornou público na terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo do documento.Entre as mensagens está uma troca de 15 de novembro de 2025, dois dias antes de a PF prender Vorcaro na Operação Compliance Zero. "Acha que segunda já tenho que estar fora?", escreveu o banqueiro ao número atribuído a Moraes, em conversa divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo reportagens do g1 e da BBC News Brasil que reuniram a repercussão estrangeira, as mensagens indicam que os dois discutiram a estratégia para frustrar a ordem de prisão expedida pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal e que Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.Por que o caso ecoa no exteriorPara o Brasil, o momento é delicado: as revelações caem a menos de cinco semanas das eleições presidenciais de 4 de outubro, descritas pelo jornal argentino Clarín como uma disputa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O El País lembra que o caso Master envolve diretamente o candidato da oposição, porque Vorcaro teria dado US$ 10 milhões a Flávio Bolsonaro, supostamente para financiar uma cinebiografia sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o jornal espanhol, quem vencer a eleição poderá nomear ministros para as três vagas que surgirão no STF e alterar uma maioria que hoje favorece Moraes.O interesse estrangeiro tem recortes distintos. O El País destacou o relógio eleitoral e a disputa interna no tribunal; os jornais argentinos, o abalo institucional; a agência norte-americana Bloomberg, voltada ao mercado financeiro, o risco para a credibilidade da corte. "Moraes permanece em silêncio diante dessas revelações, que caíram como uma bomba atômica a menos de cinco semanas das eleições", escreveu o El País. Segundo o jornal, as primeiras suspeitas de uma relação entre os dois surgiram meses atrás, quando se soube que o escritório da esposa do ministro havia sido contratado pelo banqueiro.Terremoto e teste decisivo"Alexandre de Moraes, considerado o juiz mais poderoso do país e relator do julgamento da tentativa de golpe de 2023, viu-se no centro de um escândalo sem precedentes na terça-feira, após surgirem evidências de uma relação excessivamente próxima com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso e sendo investigado por fraudes financeiras multimilionárias envolvendo o extinto Banco Master."O trecho é do La Nación, na tradução publicada pelo g1. O jornal argentino avaliou o impacto das revelações como "sísmico devido ao próprio peso de Moraes" e escreveu que, com o caso nas mãos do plenário do STF, o homem que personificou a corte "se prepara para enfrentar o teste mais difícil contra o seu próprio gabinete". A Bloomberg escreveu que os documentos recolocaram Moraes no centro de um caso que já ameaçava a credibilidade da mais alta corte brasileira e que os adversários do ministro renovaram os pedidos de afastamento. A agência lembrou que ele ganhou projeção internacional nos embates com o bilionário da tecnologia Elon Musk e no julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tramar um golpe após a derrota nas eleições de 2022, e o descreveu como uma figura que divide o Brasil, alvo de críticas de conservadores que o acusam de censura na ofensiva contra as chamadas fake news.O El País também apontou que Mendonça, que liberou o sigilo das mensagens, e Moraes "estão envolvidos numa luta silenciosa pelo poder dentro do tribunal há meses". O caso agora aguarda decisão do plenário, e as citações dos veículos estrangeiros chegaram aos leitores brasileiros por meio das traduções publicadas pelo g1 e pela BBC News Brasil.

BABeatriz Antunes
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Avalanche no Himalaia passa de 1.000 mortos; 4.462 seguem desaparecidos

O número oficial de mortos pela avalanche que atingiu a fronteira entre Nepal e China no dia 26 de agosto passou de 1.000 nesta terça-feira (1). A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal elevou o balanço do país a 987 vítimas fatais, e a imprensa estatal chinesa confirmou 16 mortes na região autônoma do Tibete, elevando o total dos dois países para 1.003, informam o G1 e a Folha de S.Paulo, com dados da agência de notícias France Presse (AFP).O desastre começou com o colapso de uma geleira na fronteira, que enviou uma onda de água gelada e detritos sobre vilarejos inteiros e um corredor de usinas hidrelétricas. Segundo as autoridades dos dois países, 4.462 pessoas seguem desaparecidas, sendo 3.916 no Nepal e 546 no Tibete. Em 24 horas, o número de não localizados no Nepal saltou de 2.502 para 3.925, segundo dados divulgados pela BBC News Brasil. Na Índia, o estado de Uttar Pradesh já recuperou 17 corpos em rios que as autoridades acreditam serem de vítimas arrastadas pela correnteza, ainda fora da contagem oficial. Se os desaparecidos forem confirmados mortos, a tragédia pode se aproximar do terremoto de abril de 2015, que deixou cerca de 9.000 mortos no país.Para o Brasil, o dado mais direto está nas listas de desaparecidos: nenhum brasileiro aparece nos balanços compilados pelo departamento de turismo do Nepal e por embaixadas, que incluem 275 indianos, mais 128 pessoas de origem indiana, e 85 norte-americanos, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, além de 62 ucranianos, 51 malaios, 42 australianos e 33 britânicos. O desastre também chega a uma agenda que o Brasil ajudou a encabeçar: como anfitrião da conferência climática da Organização das Nações Unidas (COP30), em Belém, em novembro de 2025, o país colocou o financiamento para nações vulneráveis a eventos extremos no centro do debate. É um problema que o Brasil conhece de perto: as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, deixaram mais de 180 mortos.Uma fronteira de interessesA tragédia expõe os interesses que se cruzam nessa faixa do Himalaia. O Nepal apostou na última década em um auge de hidrelétricas no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, atraído pela água dos rios escarpados e pela proximidade com a China, e a expansão atraiu trabalhadores de todo o país; segundo o jornal The New York Times, citado pela BBC News Brasil, o capital chinês responde por muitos desses projetos. Pequim, que controla o Tibete e divulga as vítimas da região pela imprensa estatal, enviou especialistas às buscas, ao lado de equipes da Índia e da Coreia do Sul. Nova Délhi acompanha de perto: os indianos formam uma das maiores proporções entre os estrangeiros desaparecidos. Entre os não localizados no Nepal estão 639 trabalhadores vinculados a projetos hidrelétricos, segundo a BBC.Corrida contra o tempo nos túneisAs buscas se concentram no complexo de hidrelétricas onde centenas de trabalhadores podem estar presos. A onda de água e lama destruiu cerca de 13 projetos ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, e as suspeitas recaem sobre a usina Trishuli-3A, construída entre 2011 e 2019, cujo túnel de adução tem mais de 4 km de extensão. Cerca de 90 socorristas usam maquinaria pesada, drones, cães e explosões controladas para abrir caminho; eles abriram um acesso de cerca de 10 metros de profundidade e lançaram mensagens pela abertura, mas "não receberam resposta do lado interno", informou o escritório do primeiro-ministro. Cerca de 300 trabalhadores já foram resgatados. "Estes túneis são suficientemente grandes para a passagem de caminhões. Existe espaço suficiente para que as pessoas se refugiem ali", disse à imprensa o professor Jakob Steiner, da Universidade de Graz, na Áustria. Sita Pandey, cujo marido trabalhava na Trishuli-3A, disse ao jornal nepalês Kantipur: "Ainda tenho 50% de esperança de que ele esteja vivo, pois existe um sistema de oxigênio no lado interno".A causa exata do colapso da geleira ainda não está clara, mas cientistas citados pelo G1 apontam que o Himalaia, a maior cordilheira do mundo, derrete de forma acelerada com o aumento das temperaturas globais, o que eleva o risco de catástrofes desse tipo. O primeiro-ministro Balendra Shah disse que a avalanche da semana passada "não foi um evento comum", a atribuiu às mudanças climáticas e exigiu medidas internacionais. Enquanto isso, centenas de famílias seguem nas portas das usinas à espera de notícias dos desaparecidos.

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Trump ordenou a negociadores dos EUA buscar acordo com o Brasil, diz ministro

Cerca de um mês depois de impor sobretaxas que somam 37,5% sobre produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos deu nesta segunda-feira (31) um sinal de abertura na disputa comercial com o Brasil. Em reunião virtual entre Brasília e Washington, o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, transmitiu aos ministros brasileiros que o presidente Donald Trump "orientou e ordenou" que a equipe da Casa Branca dialogasse para um acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo relatou o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio."Reconhecemos, ambos, que estamos diante de um novo cenário, de novas bases para trabalharmos para esse acordo", disse Elias Rosa a jornalistas, no ministério, em Brasília. Também participaram do encontro o chanceler Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e demais integrantes dos dois governos. Segundo a Folha de S.Paulo, a reunião não trouxe avanço em pontos concretos, e nenhum setor específico ou eventual concessão foi discutido.O que muda para o BrasilA mudança de tom interessa de perto aos exportadores brasileiros, que hoje pagam mais para vender no mercado americano. Até julho, as conversas partiam da tentativa de impedir a adoção das sobretaxas; agora, com as medidas em vigor, o argumento do governo brasileiro é de que a relação tarifária ficou desequilibrada a favor dos Estados Unidos. A avaliação é do próprio Elias Rosa:"Hoje, a verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil."A leitura de cada lado segue distante. Segundo o G1, os Estados Unidos aplicaram 25% adicionais sobre produtos brasileiros após investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da lei de comércio americana, com a alegação de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores, entre eles Pix, desmatamento, propriedade intelectual e etanol. Outros 12,5% foram somados sob o argumento de que dezenas de países, o Brasil incluído, falharam em proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas onde há trabalho forçado. Em nota conjunta, os ministérios de Relações Exteriores e de Desenvolvimento afirmaram que o Brasil "não concorda com as medidas unilaterais", incompatíveis com as regras multilaterais de comércio, e que as justificativas da Seção 301 "não correspondem às efetivas práticas brasileiras", num tratamento "injusto" e "discriminatório". O país também acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC).Os próximos passosEquipes técnicas dos dois países devem voltar a se reunir nos próximos dias, e novos encontros, virtuais e presenciais, estão previstos para as próximas semanas, segundo a nota divulgada pelos ministérios. A conversa desta segunda foi acertada depois de um telefonema entre Lula e Trump, em 21 de agosto, no qual o presidente brasileiro classificou como "infundadas" as justificativas apresentadas pelo USTR (representação comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) para recomendar o tarifaço.Elias Rosa disse manter otimismo. Na sua leitura, depois do telefonema dos presidentes, "parece haver, de fato, uma orientação clara do governo americano para que haja um acordo com o Brasil. Um acordo que reequilibre a relação e a política tarifária". Segundo o G1, diplomatas brasileiros não esperam, nos bastidores, que a ação na OMC reverta sozinha as tarifas; para o governo, o resultado mais concreto da reunião foi a retomada formal do diálogo. "Hoje, a boa notícia é: retomamos o diálogo para uma negociação. Isso é muito importante", disse o ministro.

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Trump anuncia acordo do petróleo com a Venezuela; críticas vêm de chavistas e oposição

Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram na sexta-feira (28/8) o que o presidente americano, Donald Trump, chamou de "o maior acordo de petróleo da história": o controle majoritário, por parte de Washington, de reservas comprovadas de mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. Em mensagem na rede social Truth Social, Trump disse ter obtido o acordo "sem nenhum custo para o contribuinte americano". A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o anúncio horas depois e afirmou que o pacto trará investimentos de mais de US$ 100 bilhões e receita tributária de cerca de US$ 209 bilhões para o Estado venezuelano ao longo de 25 anos.Segundo a BBC Brasil, os 17 campos previstos no acordo representam cerca de 21,5% das reservas da Venezuela, as maiores do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris pela Administração de Informação Energética (EIA), agência do governo americano. O país, no entanto, produz hoje cerca de 1,25 milhão de barris por dia, após anos de subinvestimento, má gestão e sanções, e a meta do acordo é elevar a produção para mais de 1,5 milhão de barris diários. No domingo (30), Trump afirmou que o petróleo venezuelano será usado para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA, que está com cerca de 290 milhões de barris, perto da mínima em 44 anos, e chamou o acordo de "um presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos".Para o Brasil, o acordo mexe em um mercado que o país conhece de perto. Se a meta venezuelana for alcançada, um grande fornecedor volta ao mercado internacional de petróleo, no qual o Brasil figura entre os maiores exportadores, e a oferta extra tende a pesar sobre os preços do barril, com efeito sobre a receita de exportação brasileira e sobre os royalties arrecadados pelo setor público. No curto prazo, porém, pouco deve mudar: segundo a CNN Brasil, não está claro com que rapidez o acordo poderá reabastecer as reservas americanas, já que a indústria venezuelana exige investimentos pesados e obras de infraestrutura antes de aumentar a produção.Convergência rara de críticasO acordo é o episódio mais recente de um ano em que os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo à Venezuela, detiveram o presidente Nicolás Maduro em uma operação militar e reconheceram sua então vice, Delcy Rodríguez, como governante interina, em vez de promoverem uma transição democrática, segundo a BBC Brasil. As críticas ao pacto, porém, vieram dos dois extremos da política venezuelana. O economista Ricardo Hausmann, professor da Escola de Governo Kennedy, de Harvard, e ferrenho opositor do governo venezuelano, escreveu no X, em mensagem dirigida ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, um dos articuladores do acordo:"Você decidiu usar o poder dos Estados Unidos não para libertar os venezuelanos, mas para se aliar aos nossos opressores. Optou por promover uma apropriação de ativos, um acordo inconstitucional com um governo ilegítimo e opressor, em vez de usar a liderança dos Estados Unidos para primeiro restabelecer a ordem constitucional e a democracia."Do outro lado do espectro, Rafael Ramírez, ex-presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e ex-ministro do Petróleo durante grande parte do governo de Hugo Chávez, disse que o acordo entrará para a história "por ser entreguista e por abrir as portas para o novo colonialismo dos EUA" e o descreveu como um pacto "feito de costas para o país". No sábado à tarde, dezenas de grupos pró-governo se manifestaram no centro de Caracas contra a presença americana, segundo a CNN Brasil. Os números também são disputados: o economista Francisco Rodríguez calculou, com base nos dados divulgados na sexta, que o pacto geraria apenas US$ 3,22 de receita fiscal por barril, menos da metade da taxa de royalties das concessões outorgadas há um século pelo ditador Juan Vicente Gómez.Em pronunciamento televisionado no sábado (29), Delcy Rodríguez rebateu as críticas e apresentou números diferentes: com um barril de referência de US$ 65, o país receberia US$ 209,335 bilhões em 25 anos, cerca de US$ 19 por barril vendido. Ela afirmou que a Venezuela mantém "a propriedade e a soberania" sobre seus recursos, que oito blocos serão desenvolvidos com royalties mínimos de 16% e imposto de renda de 34%, e que a produção total deve superar a meta graças a acordos com empresas como Repsol, Eni, Shell e BP. A justificativa dela, de que as reservas exigem "investimentos, tecnologia, infraestrutura, capacidade produtiva", é semelhante à usada na abertura petrolífera dos anos 1990, criticada por décadas pelo chavismo, observou à BBC Luis Pacheco, do Instituto Baker, da Universidade Rice. "É um reconhecimento de que a política nacionalista ideológica do chavismo nos fez perder 35 anos, uma geração inteira", disse Pacheco. Segundo a CNN Brasil, autoridades venezuelanas preparam para esta semana a assinatura de novos contratos de exploração com empresas estrangeiras, entre elas a americana Chevron.

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Irã lança mísseis balísticos contra bases dos EUA na Jordânia após ataque em Ormuz

O Irã declarou neste domingo (30) ter lançado mísseis balísticos contra as bases militares norte-americanas Rei Hussein e Al Azraq, na Jordânia, cumprindo a retaliação prometida ao ataque dos Estados Unidos à ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz. O anúncio é do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), citado pelo Estadão Conteúdo. Para a CNN, a troca de golpes marca a primeira escalada entre os dois países em mais de um mês; o G1 classificou o ataque americano como o primeiro dos EUA contra o Irã desde julho.As versões divergem sobre o resultado. Um oficial americano ouvido pela CNN afirmou que os mísseis iranianos disparados contra a Jordânia foram interceptados e que, até o momento, não há relatos de impactos. Horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) havia confirmado, pela voz do porta-voz capitão Tim Hawkins, a destruição de dois lançadores de foguetes em Larak. A ação foi desencadeada, segundo a CNN, depois que militares americanos observaram forças iranianas se preparando para disparar foguetes e colocar minas no Estreito, corredor por onde passa boa parte do petróleo que circula por mar no mundo. O IRGC admitiu perdas: segundo a emissora estatal Irib, o ataque matou e feriu vários militares e civis iranianos, e a Guarda prometeu "responder e punir os responsáveis".O que muda para o BrasilPara o Brasil, o canal de transmissão é o preço do petróleo. O Ormuz é uma das principais artérias do comércio global de crude, e cada ciclo de escalada entre Irã e EUA eleva o prêmio de risco do Brent, referência que orienta os combustíveis nas bombas brasileiras e, com eles, a inflação. Até aqui, porém, o conflito não desorganizou o mercado: segundo a agência Bloomberg, citada em análise do analista da CNN Brett McGurk, que ocupou altos cargos de segurança nacional em governos americanos de George W. Bush a Joe Biden, os fluxos de petróleo pelo Estreito já voltaram a dois terços dos níveis pré-guerra e os preços de energia seguiram estáveis. O risco agora é que a retomada dos ataques desfaça essa estabilidade. No plano diplomático, a linha de Brasília tem sido manter abertos os canais com as duas capitais: em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou, ao lado do premier turco Recep Tayyip Erdogan, uma declaração em Teerã para viabilizar a troca de combustível nuclear do Irã.Interesses em jogoO mapa de interesses explica a escala. Washington quer que o Irã pare de ameaçar navios no Estreito e abandone o que restou de seu programa de enriquecimento; desde meados de julho, os EUA mantêm um bloqueio militar aos portos iranianos e sanções ao petróleo do país. Teerã, cuja economia deve encolher mais de 5% neste ano, com inflação perto de 70%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), aposta em elevar o custo global da guerra para forçar o presidente Donald Trump a recuar antes das eleições de meio de mandato americanas, como observa McGurk. Uma autoridade do Ministério do Trabalho do Irã estimou mais de 1 milhão de empregos perdidos nos três primeiros meses de conflito. A Jordânia, aliada dos EUA que hospeda suas tropas, voltou ao centro do tabuleiro.A retaliação deste domingo é o primeiro teste do equilíbrio frágil vigente desde julho. Na cronologia traçada por McGurk, a guerra teve quatro capítulos: bombardeios intensos a partir de 28 de fevereiro, cessar-fogo em 7 de abril, acordo provisório assinado em 17 de junho por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian e, depois que o Irã voltou a atacar navios comerciais, o bloqueio americano. Nas horas que seguiram o ataque a Larak, um petroleiro foi atingido por projétil no Estreito de Ormuz, sem registro de vítimas, segundo o Estadão Conteúdo, e o líder supremo do Irã pediu, em mensagem divulgada pela mídia estatal, a união dos países muçulmanos contra EUA e Israel.

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EUA voltam a atacar o Irã na ilha de Larak e Teerã promete retaliação

Forças dos Estados Unidos atingiram duas plataformas de lançamento de foguetes na ilha de Larak, no sul do Irã, neste domingo (30), segundo um representante do governo americano. Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho, depois de semanas em que a guerra entre os dois países chegou a um impasse. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a ação deixou militares e civis mortos e feridos e disse que Teerã vai "responder e punir" os responsáveis."Posso confirmar que, mais cedo neste domingo, forças dos EUA atingiram duas plataformas de lançamento iranianas na ilha de Larak. Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã foram vistos se preparando para lançar foguetes e colocar minas marítimas no estreito de Ormuz", disse o representante, em relato reproduzido pelo G1.A agência de notícias Tasnim, ligada ao governo iraniano, informou que os EUA usaram um drone no ataque. Em nota divulgada pela emissora estatal Irib, a Guarda Revolucionária não deu número de vítimas, mas disse que "vários combatentes e civis" foram mortos e feridos, segundo a agência Reuters.Para o Brasil, o ataque importa sobretudo pelo canal econômico. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta passava pelo estreito de Ormuz, passagem entre Irã e Omã que liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico e que está bloqueada desde o início do conflito. Movimentos de escalada na região tendem a pressionar as cotações internacionais do barril, e o Brasil, exportador de petróleo, sente o efeito nos preços dos combustíveis, que acompanham referências globais, e no custo de fretes e seguros marítimos.Interesses em jogoO alvo escolhido por Washington coincide com a linha vermelha anunciada pelo presidente americano, Donald Trump. Na semana passada, ele declarou que todas as minas haviam sido detonadas ou retiradas das águas internacionais do estreito e avisou que qualquer embarcação usada para lançar novas minas seria destruída. Teerã, por sua vez, mantém na Guarda Revolucionária sua presença militar na entrada do Golfo e prometeu punir o ataque. No início da guerra, o Irã atacou países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares americanas, e Washington agora ameaça impor sanções severas a países que apoiam o Irã.Seis meses de guerraEstados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e a guerra completa seis meses. Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, somados às ofensivas israelenses no Líbano, mataram milhares de pessoas e fizeram milhões deixarem suas casas, além de 18 militares americanos mortos, segundo o G1. Nas últimas semanas, os combates haviam esfriado, e o ataque de domingo rompe essa pausa, com a promessa de retaliação de Teerã.

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Morre aos 89 anos Harald V, rei da Noruega e monarca mais velho da Europa

O rei Harald V da Noruega morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, no Hospital Universitário de Oslo, informou o palácio real. No trono desde 1991, ele era o monarca vivo mais velho da Europa. Segundo o G1, o príncipe herdeiro Haakon, filho do rei, assume o trono como Haakon VIII, em uma sucessão que ocorre em meio a uma série de crises na família real e a uma queda no apoio popular à monarquia.Harald estava internado desde 17 de agosto. De acordo com o G1, ele era tratado com cortisona para anemia hemolítica, condição que reduz o número de glóbulos vermelhos, e também apresentava uma infecção bacteriana no sangue. Na véspera, a Casa Real classificou seu estado como "muito grave". A rainha Sonja e o príncipe herdeiro cancelaram compromissos e foram ao hospital, e o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre desmarcou uma viagem à Alemanha. Em Oslo, noruegueses deixaram flores diante do Palácio Real, e a televisão pública alterou a programação para acompanhar o caso. Haakon já exercia a regência durante o afastamento do pai.Como a Noruega é uma monarquia constitucional, na qual o rei exerce funções essencialmente cerimoniais, a troca no trono não deve alterar a política externa do país, definida pelo governo eleito. Isso inclui a relação com o Brasil: a Noruega é o maior doador do Fundo Amazônia, mecanismo de financiamento de projetos contra o desmatamento, e a petrolífera Equinor, controlada pelo Estado norueguês, opera campos de petróleo em águas brasileiras. Para o Itamaraty, a expectativa é de continuidade total na cooperação ambiental e energética com Oslo.Da infância no exílio ao tronoHarald nasceu em 21 de fevereiro de 1937, em Skaugum, na região de Asker, e foi o primeiro príncipe a nascer em solo norueguês em 567 anos, segundo o G1. Aos 3 anos, fugiu com a família da invasão da Noruega pela Alemanha nazista, primeiro para a Suécia e depois para os Estados Unidos, retornando apenas em 1945. Tornou-se príncipe herdeiro em 1957, quando o pai assumiu o trono como Olav V, e foi coroado em 17 de janeiro de 1991. Em 1968, casou-se com Sonja Haraldsen, uma plebeia, união que provocou debate na época. Ligado à vela, carregou a bandeira norueguesa na abertura da Olimpíada de Tóquio, em 1964, e conquistou títulos mundial e europeu na modalidade. Em 2024, recebeu um marca-passo após passar mal durante férias na Malásia e, no mesmo ano, anunciou que reduziria compromissos oficiais, mas descartou abdicar, afirmando que seu juramento como rei era vitalício.A morte ocorre em um período turbulento para a Casa Real. Segundo a Folha de S.Paulo e o G1, a princesa herdeira Mette-Marit, mulher de Haakon, enfrentou escrutínio por sua amizade com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, relação pela qual pediu desculpas, e passou por um transplante de pulmão em junho de 2026. O filho dela, Marius Borg Høiby, foi condenado a quatro anos de prisão por duas acusações de estupro; ele e a promotoria recorreram. Harald também foi criticado por sair em defesa da nora em meio à crise, postura considerada inadequada por especialistas ouvidos pela imprensa norueguesa.O desgaste se reflete nas pesquisas. Em fevereiro de 2026, o apoio à monarquia caiu de 72% para 61% entre os noruegueses, enquanto 27% defendiam a adoção de uma república, segundo o G1. Ainda assim, o Parlamento rejeitou por ampla margem, 141 votos contra em um total de 169, uma proposta para substituir o regime. É essa instituição sob pressão que Haakon VIII agora herda.

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Rei Harald 5º da Noruega morre aos 89 anos após internação em estado grave

O rei Harald 5º da Noruega morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, no Hospital Universitário de Oslo, informou o palácio real em seu site. De acordo com a nota, reproduzida pela Folha de S.Paulo a partir da agência Reuters, o monarca "morreu tranquilamente" às 6h35 (horário local). Harald era o chefe de Estado vivo mais velho da Europa e ocupava o trono desde 1991, sempre em função cerimonial, sem poder de governo. O desfecho veio um dia depois de a Casa Real anunciar que o estado de saúde do rei era "extremamente grave", o que reuniu a família à beira do leito, segundo o Poder360, a partir de informações da BBC. A rainha Sonja e o príncipe herdeiro Haakon cancelaram todos os compromissos, e a princesa herdeira Mette-Marit e a princesa Astrid, irmã do rei, também compareceram ao hospital. As fontes divergem sobre o diagnóstico: a Reuters atribui ao palácio a informação de uma infecção bacteriana no sangue, com internação iniciada em 17 de agosto, enquanto a BBC relata uma anemia hemolítica, condição rara que reduz o número de glóbulos vermelhos e que vinha sendo tratada com cortisona. Continuidade com o Brasil Para o Brasil, a troca no trono tende a não ter efeito prático sobre a relação bilateral, uma das mais consistentes do país com o norte da Europa. A Noruega é o principal financiador do Fundo Amazônia, mecanismo que apoia projetos de prevenção e combate ao desmatamento, e a empresa estatal de energia Equinor mantém operações de petróleo e gás em águas brasileiras. Como a monarquia norueguesa é representativa, os compromissos entre os dois governos seguem nas mãos do primeiro-ministro Jonas Gahr Støre e do parlamento, independentemente de quem ocupa o trono. A sucessão já tem nome: o príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, que exercia a regência durante o afastamento do pai, torna-se o novo rei. Na quinta-feira (27), quando o quadro ainda era de internação, Støre divulgou nota em que afirmou: "A nação inteira está conosco ao enviar pensamentos calorosos ao rei e ao restante da família real." Família real sob escrutínio Harald deixa o trono em um dos momentos mais turbulentos da monarquia norueguesa. A princesa herdeira Mette-Marit pediu desculpas públicas pela amizade que manteve por três anos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein e, em junho, passou por um transplante de pulmão, em razão de uma fibrose pulmonar rara diagnosticada em 2018. No mesmo mês, o filho dela, Marius Borg Høiby, de 29 anos, foi condenado a quatro anos de prisão por dois crimes de estupro e um de violência doméstica, após um julgamento de sete semanas; defesa e promotoria recorreram da sentença. Høiby nasceu de um relacionamento anterior ao casamento da mãe com Haakon e não tem status de membro da família real. Lembrado como um reformista que saiu da sombra do extrovertido pai, o rei Olav 5º, Harald ganhou popularidade ao romper a tradição e se casar com uma plebeia, Sonja, hoje rainha. Em 2024, ele foi hospitalizado por uma infecção durante férias na Malásia e recebeu um marca-passo, primeiro temporário e depois permanente. No mesmo ano, anunciou que reduziria a agenda oficial, mas descartou abdicar, insistindo que o juramento como rei valia para a vida toda.

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Itamaraty receberá deputados argentinos de oposição a Milei na próxima semana

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber em Brasília, na próxima semana, um grupo de cerca de dez deputados argentinos de oposição ao governo de Javier Milei, segundo apuração publicada nesta sexta-feira (28) pelo blog do jornalista Valdo Cruz, no portal G1. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) devem participar dos encontros, que fazem parte da estratégia do Palácio do Planalto de normalizar as relações entre Brasil e Argentina.Brasil e Argentina são aliados históricos e os dois maiores parceiros econômicos da América do Sul, sócios fundadores do Mercosul, o bloco comercial sul-americano. A relação diplomática entre os dois países, no entanto, foi rebaixada ao nível de encarregados de negócios, abaixo de embaixadores, depois que Milei passou a atacar Lula publicamente, chamando o brasileiro de "ladrão", "corrupto" e "presidiário". Do lado do Planalto, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) reagiram chamando o presidente argentino de "palhaço" e "caricatura patética".Para o governo brasileiro, a aproximação com os deputados cria um canal de diálogo com o Legislativo do país vizinho que não depende da Casa Rosada. Assessores presidenciais ouvidos pelo G1 afirmam que o Brasil está disposto a conversar tanto com a oposição quanto com a equipe de Milei para deixar para trás os atritos recentes. Eles ressaltam que, apesar do rebaixamento diplomático, nada mudou na convivência prática entre os dois países. "Está tudo seguindo o ritmo normal", disse um assessor de Lula ao blog. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, tem dito publicamente que as relações só voltarão ao nível de embaixadores quando os ataques de Milei a Lula cessarem.Os interesses em jogoA articulação acontece em pleno ano eleitoral no Brasil, o que dá ao gesto uma leitura política em Buenos Aires. Milei apoia abertamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa de outubro. O chanceler argentino, Pablo Quirno, que a princípio tentou reduzir a temperatura da crise ao afirmar que as divergências entre os dois presidentes não chegariam ao campo institucional, passou a declarar que a região vive uma mudança ideológica e que espera que ela também ocorra no Brasil.Entre os deputados que articulam as conversas com o Itamaraty estão Nicolás Massot e Martín Lousteau. Nas redes sociais, eles afirmam que o objetivo do encontro é, segundo suas palavras, "abrir um canal de diplomacia parlamentar e contribuir para recompor um vínculo que nunca deveria ter sido afetado". De acordo com a GloboNews, as agendas e os temas das reuniões ainda estão sendo definidos, incluindo quem vai receber os parlamentares em Brasília.Até o momento, o G1 foi o veículo que detalhou a articulação. O SBT News também noticiou que a oposição a Milei pediu reunião no Itamaraty. Não há previsão de contato direto entre Lula e Milei.

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Trump abandona memorando com o Irã e negociações para reabrir Ormuz colapsam

O governo do presidente americano Donald Trump informou aos mediadores internacionais que não tem interesse em retomar o memorando de entendimento assinado com o Irã em junho, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na quinta-feira (27). A decisão deixa a diplomacia sem um arcabouço para reiniciar as negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e provocou reação imediata nos mercados: o petróleo Brent superou os US$ 88 o barril e as principais bolsas recuaram.O memorando, assinado no Palácio de Versalhes com participação do vice-presidente JD Vance nas negociações, previa a reabertura do estreito e o início de conversas sobre o programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções e do acesso de Teerã a ativos congelados no exterior. O entendimento começou a ruir semanas depois, quando o Irã passou a atacar navios para afirmar controle sobre a hidrovia. O prazo de 60 dias do acordo expirou em 17 de agosto sem consenso, e Trump recusou prorrogá-lo, afirmando que "não está com pressa", segundo o ND Mais.Para o Brasil, o efeito prático passa pelo preço do petróleo. Pelo Estreito de Ormuz circula cerca de 20% do petróleo e do gás negociados no mundo, e a alta do Brent tende a pressionar o diesel, que o país importa em volume relevante, com reflexos em cadeia sobre frete e inflação. Exportador de petróleo bruto, o Brasil arrecada mais quando o barril sobe, mas paga mais caro pelos derivados que compra no exterior. A equação mantém o Banco Central e o governo atentos a um conflito que já pressiona o preço dos alimentos.Os interesses em jogoDo lado iraniano, a posição também é rígida. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, brigadeiro-general Hossein Mohebbi, disse à televisão estatal que o estreito pode ser reaberto se Washington voltar ao memorando, mas nos termos de Teerã. Setores conservadores iranianos leem o parágrafo 5 do acordo de junho como um reconhecimento da autoridade do Irã para impor condições ao tráfego, interpretação que Washington nunca endossou publicamente."Se os Estados Unidos pararem de obstruir e voltarem ao memorando de entendimento, podemos abrir o Estreito de Ormuz no marco do acordo alcançado. Nossas condições precisam ser aceitas pelos Estados Unidos", afirmou Mohebbi.A semana foi de intensa diplomacia itinerante, sem resultado. O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, viajou a Teerã e saiu de mãos quase vazias, segundo o Wall Street Journal. O ministro das Relações Exteriores de Omã tentou fechar um acordo de corredores de trânsito que serviria de degrau para negociações mais amplas, mas o esforço travou depois que o Irã pediu mudanças que lhe dariam mais controle sobre o tráfego; Teerã anunciou um entendimento que Mascate não confirmou. O primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, também se reuniu com o chanceler iraniano, e o comunicado conjunto não anunciou avanço. Omã é o canal histórico entre Washington e Teerã: foi por ali que começaram as negociações do acordo nuclear de 2015. Ainda assim, segundo o ND Mais, Trump chegou a ameaçar atacar o sultanato caso ele "interferisse" nos esforços no estreito.Sanções e um estreito semitravadoNo front econômico, o Tesouro americano lançou em 25 de agosto a Operation Economic Outcast, com sanções a quase 60 entidades e a ampliação das sanções secundárias a cinco setores: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu o pacote como uma "ofensiva econômica contra as conexões financeiras do Irã ao redor do globo". A revista VEJA, que apelidou a iniciativa de "Dia D Econômico", contabiliza quase 70 empresas sob embargo e destaca que a China, maior compradora do petróleo iraniano, avisou que pode retaliar os Estados Unidos.No mar, a situação é de limbo. O tráfego pelo estreito subiu para 10 navios de commodities na quarta-feira, contra 8 na terça, ainda bem abaixo da média de cerca de 15 embarcações dos últimos dez dias, segundo dados da consultoria Kpler citados pela Reuters. Um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado na quinta-feira, informou a agência britânica de operações marítimas UKMTO. De acordo com o ND Mais, o bloqueio naval americano, reimposto após o colapso do cessar-fogo, já redirecionou 44 embarcações comerciais. Nesta sexta-feira (28), a guerra completa seis meses, e o pesquisador Umer Karim, da Universidade de Birmingham, resumiu o momento à Reuters: "O antigo memorando está essencialmente morto em todos os aspectos. A tarefa dos mediadores ficou ainda mais difícil nas circunstâncias atuais."

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EUA notificam Brasil após incidente entre helicóptero de Trump e avião da Embraer

O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), órgão do governo dos Estados Unidos responsável por investigar acidentes aeronáuticos, notificou o Brasil nesta quinta-feira (27) sobre a abertura de uma investigação envolvendo o Marine One, helicóptero que transportava o presidente Donald Trump, e um avião comercial Embraer E170. O incidente ocorreu em 4 de agosto, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, e foi classificado pelo NTSB como perda de separação, situação em que duas aeronaves ficam mais próximas do que o limite de segurança previsto.Segundo o g1, as aeronaves chegaram a ficar a pouco mais de 1,5 quilômetro uma da outra. O Poder360, com base no mesmo relatório preliminar, informa distância de cerca de 3 quilômetros. As duas aeronaves seguiram seus trajetos e pousaram em segurança, sem feridos, e a Casa Branca afirmou que o presidente não esteve em perigo em nenhum momento. O avião envolvido operava o voo 3742 da Envoy Air, com destino a Pensacola, na Flórida. Desde o ano passado, a Administração Federal de Aviação (FAA) proíbe operações simultâneas de helicópteros e aviões na região do aeroporto de Washington, o que torna o episódio ainda mais sensível para as autoridades americanas.A participação do Brasil na investigação se deve a um ponto técnico: o E170 é projeto da Embraer. Pelas normas da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), o país responsável pelo projeto de uma aeronave deve ser notificado e pode acompanhar a apuração de incidentes. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi informado como representante brasileiro nesse processo.Falha de comunicaçãoO relatório preliminar divulgado pelo NTSB nesta quinta-feira aponta problemas de comunicação entre a equipe presidencial e a torre de controle como fator central do incidente. Segundo o documento, o Marine One decolou de um ponto alternativo da Casa Branca por causa de uma obra na sede do governo, em uma área com problemas conhecidos na frequência de rádio usada para falar com a torre. O protocolo de segurança exige que a equipe presidencial avise o controle de tráfego aéreo três minutos antes da decolagem, para que pousos e decolagens no aeroporto sejam temporariamente suspensos.De acordo com o g1, os agentes tentaram contato duas vezes. Na primeira, o aviso não chegou ao controlador. Na segunda, o sinal chegou cortado e "completamente inaudível". Sem o aviso obrigatório, a torre autorizou a decolagem do avião comercial. Já em voo, as duas aeronaves conseguiram se comunicar, e a tripulação do E170 informou ter contato visual com o helicóptero.Para o Brasil, o interesse no caso é sobretudo técnico e comercial. A família de jatos E170/E175, da qual o avião envolvido faz parte, é amplamente usada por companhias aéreas regionais nos Estados Unidos. Até o momento, as evidências preliminares apontam para uma falha de comunicação em solo, e não para qualquer problema no avião de projeto brasileiro. A investigação do NTSB segue em andamento, e o relatório final deve detalhar as causas do incidente e recomendar medidas para evitar que o episódio se repita.

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Juíza dos EUA mantém em vigor ordem de Trump que restringe cidadania por nascimento

Uma juíza federal dos Estados Unidos se recusou a bloquear a nova ordem executiva do presidente Donald Trump que restringe a cidadania por nascimento e combate o chamado turismo de nascimento, quando estrangeiros viajam ao país para que seus filhos nasçam em solo americano e obtenham a cidadania. A decisão é de Deborah Boardman, do tribunal federal de Maryland, que rejeitou um pedido de liminar apresentado por organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, segundo o G1.Trump assinou duas ordens executivas sobre o tema no dia 6 de agosto. A primeira mira o turismo de nascimento e pretende restringir até o uso de barrigas de aluguel com essa finalidade. A segunda impede o reconhecimento da cidadania americana de crianças nascidas nos Estados Unidos que sejam filhas de integrantes de missões diplomáticas estrangeiras. O governo argumenta que viajar ao país apenas para garantir a cidadania automática ao recém-nascido é uma exploração indevida do sistema de imigração e uma ameaça à segurança nacional.O desdobramento interessa diretamente ao Brasil. O turismo de nascimento também é praticado por famílias brasileiras, e o G1 dedicou uma cobertura específica ao que muda para elas com a nova norma. Há ainda um contraste de fundo: o Brasil adota o mesmo princípio que a Casa Branca tenta restringir, o jus soli, pelo qual quem nasce em território nacional é, via de regra, brasileiro nato.Quem é afetado pela nova regraDe acordo com o G1, o governo Trump sustenta que a decisão da Suprema Corte de junho, que derrubou um decreto mais amplo assinado no dia da posse, deixou espaço para restringir a cidadania em situações específicas já reconhecidas pela legislação e pela jurisprudência. Com isso, a nova ordem valeria apenas para futuros nascimentos ligados a quatro categorias:filhos de mulheres que entrarem nos Estados Unidos exclusivamente para dar à luz, o alvo central do combate ao turismo de nascimento;filhos de integrantes de missões diplomáticas estrangeiras, ampliando restrições hoje aplicadas a familiares de embaixadores;filhos de pessoas classificadas pelo governo como "inimigos estrangeiros", categoria que incluiria integrantes de grupos considerados terroristas;nascidos em territórios americanos, como Porto Rico, mudança que só entraria em vigor se o Congresso alterar a legislação atual. Um projeto de lei nesse sentido foi apresentado no mês passado, mas não há expectativa de aprovação, segundo o site americano Axios.A ordem determina ainda que os departamentos de Estado e de Segurança Interna criem regras para coibir o turismo de nascimento dentro e fora do país. As exceções são limitadas a casos de interesse nacional ou a razões humanitárias específicas. Nenhuma lei americana proíbe explicitamente a prática, mas um regulamento de 2020, do primeiro mandato de Trump, já veda o uso de vistos de turismo e negócios quando o objetivo principal da viagem é obter a cidadania para um recém-nascido. Participantes de esquemas desse tipo podem responder por fraude, e agentes de imigração podem barrar a entrada de gestantes.O revés de Trump na Suprema Corte e a resposta do presidente explicam o desenho mais estreito das novas ordens. Ao assiná-las, o republicano classificou o julgamento da corte como "muito infeliz" e defendeu as medidas:"Pessoas ricas estão construindo negócios em torno da cidadania por nascimento. Não era assim que deveria funcionar. [...] Estão comprando seu caminho para entrar, e não vamos permitir que isso aconteça."Curiosamente, a juíza que agora manteve a ordem em vigor é a mesma que, no ano passado, decidiu a favor dos grupos de imigrantes e impediu o governo de implementar sua ordem executiva inicial de 2025, que restringia a cidadania por nascimento de forma mais ampla. A mudança de resultado indica que, para o Judiciário americano, o problema estava no alcance do texto original. A batalha judicial, porém, deve continuar nas instâncias superiores.

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Venezuela avalia deixar a Opep, cartel que ajudou a fundar, e amplia dúvidas sobre o grupo

A Venezuela, um dos cinco países que fundaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em 1960, avalia deixar o cartel que ajudou a criar, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg. A possibilidade tem sido discutida em Caracas em conversas com autoridades dos Estados Unidos, e nenhuma decisão final foi tomada. Se confirmada, a saída faria do país o segundo a abandonar o grupo em questão de meses, depois que os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua retirada, há cerca de quatro meses.O movimento reflete o realinhamento político em Caracas desde que o presidente americano, Donald Trump, derrubou Nicolás Maduro, capturado por forças americanas em 3 de janeiro, e Washington assumiu o controle das vendas de petróleo do país. Com a presidente interina Delcy Rodríguez no poder, os dois governos negociam uma participação significativa dos Estados Unidos nos campos petrolíferos venezuelanos; segundo algumas das fontes, um dos modelos em discussão prevê o arrendamento de campos por até 100 anos. Algumas autoridades americanas vislumbram uma potência petrolífera construída sobre uma aliança entre Washington e Caracas, capaz de reduzir de forma expressiva a influência da Opep, cartel liderado pela Arábia Saudita.O que significa para o BrasilO domínio da Opep e de seus parceiros já vinha diminuindo com a ascensão de concorrentes como os produtores de xisto dos Estados Unidos, o Brasil e a Guiana, aponta a reportagem da Bloomberg publicada pela Folha. Uma fragmentação maior do grupo elevaria o risco de os integrantes passarem a competir entre si por clientes e participação de mercado, numa possível repetição da breve guerra de preços do início da pandemia, em 2020. Mesmo sem uma disputa aberta, o mercado perderia um gestor global da oferta que intervém quando surgem excedentes, deixando os preços mais sujeitos a quedas. Para o Brasil, que ampliou sua produção e suas exportações de petróleo nos últimos anos, um cenário de preços mais baixos e mais voláteis afetaria diretamente a receita do setor.O impacto imediato de uma eventual saída venezuelana sobre a oferta global, porém, tende a ser pequeno, segundo operadores do mercado. O país produziu 1,16 milhão de barris por dia em julho, conforme levantamento da Bloomberg, menos da metade do volume de uma década atrás, embora a produção tenha voltado a crescer neste ano. Devido ao declínio de sua indústria, Caracas hoje não está sujeita às cotas de produção do cartel. Uma das fontes afirmou que libertar o país de cotas futuras ajudaria a maximizar sua produção no longo prazo e permitiria a Washington executar seus planos para o setor sem restrições do grupo.Ainda assim, o simbolismo pesa. Além da saída anunciada pelos Emirados Árabes Unidos, o Iraque manifestou insatisfação com suas cotas de produção, o que alimenta dúvidas sobre a coesão do grupo."A própria coesão e a credibilidade da Opep podem estar em jogo", afirmou Ali Al Riyami, ex-diretor-geral de comercialização de petróleo e gás do Ministério da Energia de Omã, país que integra a aliança mais ampla, a Opep+. "A questão crucial é saber se isso marca o início de uma onda mais ampla de saídas."A Venezuela foi considerada o país mais influente na criação da Opep, graças aos esforços diplomáticos de seu então ministro do Petróleo, Juan Pablo Pérez Alfonzo, e também teve papel central no surgimento da Opep+, aliança formada em 2016 com produtores externos, incluindo a Rússia. O cartel atravessou do embargo árabe de petróleo dos anos 1970 aos cortes de produção que estabilizaram os preços durante a pandemia de 2020. Uma eventual saída de Caracas também seria uma vitória política para Trump, crítico de longa data da organização, e poderia abrir caminho para que petroleiras americanas e de outros países participem da reconstrução da indústria venezuelana, ampliando o excedente global de petróleo projetado para os próximos anos pela Agência Internacional de Energia (AIE).

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Rússia testa míssil balístico nuclear três dias após visita do chefe da CIA a Moscou

O governo de Vladimir Putin testou nesta sexta-feira (28) um míssil balístico intercontinental capaz de transportar ogivas nucleares, três dias depois de uma visita rara e cercada de sigilo do diretor da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), John Ratcliffe, a Moscou. Segundo a Folha de S.Paulo, o lançamento do míssil Iars partiu do cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk, no noroeste da Rússia, e foi divulgado pelo Ministério da Defesa russo.A viagem de Ratcliffe, realizada na terça-feira (25), foi confirmada pelo Kremlin no dia seguinte. O porta-voz Dmitri Peskov disse que o americano se reuniu com autoridades da área de inteligência, entre elas o chefe do SVR (Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia), Serguei Narichkin, mas não encontrou Putin, que teria sido informado de tudo, segundo a agência Associated Press. Peskov classificou as relações entre os dois países como uma "crise profunda" e se recusou a detalhar a pauta. O presidente americano, Donald Trump, minimizou a viagem e a chamou de "meio de rotina" em entrevista a uma rádio conservadora.Para o Brasil, o episódio interessa em dois planos. No diplomático, o país é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e o Itamaraty tem defendido, desde 2022, uma saída negociada para a Guerra da Ucrânia, posição que fica mais difícil de sustentar a cada demonstração de força atômica. No econômico, qualquer escalada entre Rússia e Ocidente tende a pressionar os mercados de fertilizantes e grãos, dos quais a agropecuária brasileira depende.O que cada lado querA tensão imediata tem endereço: Londres. Na segunda-feira (24), o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, esteve em Kiev ao lado do presidente Volodimir Zelenski na celebração do Dia da Independência ucraniano e prometeu facilitar a transferência de tecnologia para que a Ucrânia produza mísseis de cruzeiro Storm Shadow, modelo que Reino Unido e França já forneceram a Kiev, informou a Folha. O anúncio veio após a venda britânica de drones de ataque de curto alcance aos ucranianos. Em resposta, o Kremlin afirmou que passa a considerar indústrias bélicas britânicas, dentro ou fora da Ucrânia, alvos legítimos. Do lado russo, o teste do Iars funciona como recado à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte); do lado ocidental, Washington mantém aberto um canal direto com Moscou enquanto os europeus ampliam o apoio militar a Kiev.O canal americano, aliás, teve custo prático: um funcionário graduado da Ucrânia contou à Associated Press que Washington avisou Kiev sobre a delegação e pediu a suspensão de ataques a Moscou, São Petersburgo e algumas regiões do norte russo até a partida dos americanos. Os bombardeios de longo alcance em outras áreas continuaram.O teste ocorre em um momento em que os esforços de paz estão praticamente paralisados. Putin rejeitou o pedido de Zelenski por um cessar-fogo imediato e defende um acordo abrangente, ao mesmo tempo em que russos e ucranianos intensificam ataques de longa distância. Com a atenção americana dividida pela guerra contra o Irã, conflito no qual Moscou se ofereceu como mediador, gestos como o lançamento desta sexta leem-se mais como sinalização do que como preparação de uso real da arma. O especialista em serviços de segurança russos Andrei Soldatov lembrou à AP que visitas como a de Ratcliffe "não acontecem todo ano" e costumam ocorrer quando há um assunto urgente de segurança nacional. Em 2022, o então diretor da CIA, William Burns, encontrou Narichkin na Turquia justamente para alertar Moscou contra o emprego de armas nucleares na Ucrânia.

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Avalanche na fronteira Nepal-Tibete deixa quase 600 mortos e 2 mil desaparecidos

Uma avalanche seguida de enchente repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na quarta-feira (26), deixou quase 600 mortos e cerca de 2 mil desaparecidos, segundo o balanço mais recente divulgado pela BBC News Mundo. A versão inicial do mesmo levantamento, republicada pela Folha de S.Paulo, falava em centenas de mortos e 1,4 mil desaparecidos, o que indica que os números seguem em atualização. O desastre atingiu a região do Himalaia, incluindo a passagem de fronteira de Gyirong, e imagens de pessoas correndo para escapar circularam pelo mundo.Quase 4,5 mil pessoas trabalham nos resgates, em horas consideradas críticas para a recuperação dos corpos. A área de Devighat, no Nepal, é a mais atingida: a enchente destruiu casas e estradas inteiras e deixou centenas de desabrigados. Segundo a Cruz Vermelha, cerca de 93 mil pessoas podem ter sido afetadas. Por se tratar de um destino turístico popular, há estrangeiros entre as vítimas fatais, e muitos corpos foram arrastados para distritos distantes rio abaixo, o que deve dificultar a identificação.As reportagens consultadas não mencionam brasileiros entre as vítimas. Para o Brasil, a relevância do episódio é indireta, mas concreta. A tragédia recoloca na agenda internacional o tema do degelo de geleiras e do monitoramento de lagos glaciais, assunto debatido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém em 2025. Também tem eco doméstico num país que convive com o debate sobre falhas de monitoramento desde os rompimentos de barragens em Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019.Colapso de geleira é a causa mais provávelInicialmente, a avalanche foi atribuída a um terremoto de magnitude 4,4 registrado pelos sensores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). A própria agência revisou a explicação em seguida: a hipótese mais provável é o colapso de uma geleira antes do tremor. Segundo o USGS, o rompimento de grande parte da geleira teria causado o terremoto, invadido o vale arrastando gelo, rochas e sedimentos e bloqueado o canal do rio Lhende Khola. Quando o bloqueio cedeu, formou-se uma enorme tromba d'água que atingiu as áreas povoadas. A hipótese é consistente com imagens de satélite que mostram o colapso, mas ainda precisa ser confirmada por estudos científicos mais avançados.Geólogos ouvidos pelo The New York Times, em texto republicado pela Folha, acreditam que as enchentes foram desencadeadas por um deslizamento de terra em grande altitude combinado ao colapso glacial, que liberou enormes volumes de água. Eran Hood, professor de ciências ambientais da Universidade do Alasca, estuda há anos as inundações causadas pelo rompimento de lagos glaciais na Geleira Mendenhall, que afetam a cidade de Juneau todos os anos. Segundo ele e outros especialistas em resposta a desastres, os sistemas de alerta existentes se concentram em pontos específicos, como o nível de lagos glaciais sujeitos a transbordamento. Prever um colapso repentino como o do Himalaia exigiria monitoramento intensivo, com grande uso de recursos, em áreas muito extensas.Interesses em jogoPara o Nepal, que depende do turismo de montanha como fonte importante de renda, a tragédia pressiona o governo a reforçar a infraestrutura de alerta em uma região que abrange algumas das montanhas mais altas do mundo, geleiras e terrenos instáveis. Do lado tibetano, o desastre ocorre em área controlada pela China, onde as geleiras alimentam grandes rios asiáticos, o que torna qualquer mudança no regime de degelo um tema de interesse regional. As autoridades seguem em alerta para novos deslizamentos, e as equipes de resgate continuam a busca por sobreviventes na área devastada.

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De olho em Trump, Islândia faz referendo sobre retomada de negociações com a UE

A Islândia decide neste sábado (29), em referendo, se retoma as negociações de adesão à União Europeia (UE), suspensas desde 2013. A consulta é lida como um movimento de aproximação da Europa e de afastamento dos Estados Unidos de Donald Trump, cujas ameaças de anexar a vizinha Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, devolveram impulso ao debate, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e da revista americana Foreign Policy.O processo estava adormecido havia mais de uma década. O país pediu adesão ao bloco em 2009, no rastro da crise financeira que derrubou seu sistema bancário, mas as conversas foram interrompidas após as eleições de 2013, em grande parte pela resistência interna à política comum de pescas da UE. Em março deste ano, o governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir tirou o tema da gaveta. Além das investidas de Trump, preocupam Reykjavik as movimentações de Rússia e China em um Ártico cada vez mais degelado. Cada potência tem seu interesse no tabuleiro: Washington quer ampliar seu acesso à região e a seus minerais estratégicos; Moscou e Pequim disputam rotas e recursos; e Bruxelas trata com um país já integrado ao mercado europeu por meio da Área Econômica Europeia (EEE), acordo que dá acesso ao bloco sem assento nas decisões.Para o Brasil, a votação tem relevância indireta, mas concreta. O país negocia com a União Europeia em bloco, por meio do Mercosul, e acompanha de perto qualquer mudança na composição e na coesão do grupo europeu. O episódio também expõe um padrão que Brasília observa na era Trump: aliados tradicionais de Washington reavaliam suas alianças sob pressão americana, o que tende a reforçar o peso relativo da Europa como polo alternativo de segurança e de comércio.O peso simbólico da consulta supera o tamanho do país. Sem Forças Armadas e com menos de 400 mil habitantes, a Islândia é membro fundador da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), criada em 1949, e mantém acordos de cooperação militar com os Estados Unidos desde 1951, segundo a Folha. A relação com Washington estremeceu em janeiro, quando Trump ameaçou tomar o controle da Groenlândia, por coerção econômica ou força militar, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, negociou um acordo que garantiu maior acesso americano ao território dinamarquês, de acordo com a Foreign Policy. Trump chegou a citar a Islândia algumas vezes, mas por engano, ao trocar o nome do país pelo da Groenlândia em declarações à imprensa, reportou a Folha.A campanha do "sim" é encampada pela primeira-ministra. Manter a coroa islandesa "está nos custando uma fortuna", disse Frostadóttir ao podcast The Rest Is Politics no mês passado, ao argumentar que a adoção do euro traria investimento e estabilidade, segundo a Foreign Policy. Dagur Eggertsson, ex-prefeito de Reykjavik e um dos líderes da campanha pró-europeia, atribuiu o impulso diretamente a Washington: "Trump tem sido bastante eloquente, não apenas no ano passado, mas repetidas vezes. Isso faz as pessoas nas ruas pensarem", afirmou ao site Politico. A chanceler islandesa, Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, resumiu o clima em relatório recente sobre o valor das alianças europeias: "O sistema internacional com que vivemos desde o fim da Segunda Guerra Mundial está tremendo".O "não" se concentra na soberania. Opositores temem perder o controle sobre a pesca, a agricultura e os recursos naturais e lembram que o país já acessa o mercado europeu pela EEE sem abrir mão de decisões nacionais. A Islândia está entre as dez maiores rendas per capita do mundo, com desemprego baixo e saúde universal, o que alimenta o argumento de que a adesão não é vital para a prosperidade local, segundo a Foreign Policy.Pesquisas divergem às vésperas do votoAs pesquisas apontam um resultado imprevisível e divergem entre si. Levantamentos citados pela Folha dão vantagem numérica ao "sim", com 51,3% contra 48,7%, diferença inferior à margem de erro. Já pesquisa do instituto Gallup publicada na sexta-feira (28) mostra o cenário invertido: 51,6% contra a retomada das negociações e 48,4% a favor, segundo a Foreign Policy.Se vencer o "sim", o governo islandês ainda precisará negociar com Bruxelas os termos de um eventual acordo de adesão, e qualquer tratado final será submetido a um segundo referendo nacional. O voto deste sábado, portanto, apenas autoriza a reabertura das conversas. Ainda assim, o gesto já diz algo sobre o momento: quando até o Canadá cogita se aproximar da União Europeia, como observou a Folha, o tabuleiro do Atlântico Norte não é mais o mesmo.

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Economy

China anuncia novo pacote para conter guerra de preços entre montadoras

O vice-ministro da Indústria da China, Xin Guobin, anunciou na quarta-feira (26) um novo pacote de medidas para conter a guerra de preços que pressiona as margens das montadoras do país, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. O anúncio foi feito numa entrevista sobre o início do 15º Plano Quinquenal, o ciclo de planejamento econômico do Partido Comunista. A disputa chegou ao ponto em que empresas vendem carros próximos do custo de produção e cobrem o rombo atrasando o pagamento de fornecedores, um ciclo que Pequim tenta interromper há dois anos.A palavra usada pelo governo para descrever o fenômeno é neijuan (内卷), traduzida literalmente como "involução": a corrida em que todos gastam mais para ficar no mesmo lugar. O termo entrou no vocabulário oficial em julho de 2024 e passou a orientar a atuação da cúpula econômica do partido sobre os governos locais, apontados como a origem do problema. Foram as províncias que ergueram a capacidade automotiva chinesa, disputando fábricas com terreno barato, crédito subsidiado e isenções fiscais, até formar um parque industrial maior do que o mercado interno consegue absorver.O desfecho dessa disputa interessa ao Brasil por um motivo direto: o excesso de capacidade pressiona as exportações chinesas, já que é no exterior que as montadoras tentam escoar o que o mercado doméstico não compra. Marcas chinesas ganharam espaço no mercado brasileiro de carros elétricos e híbridos nos últimos anos e passaram a produzir no país, movimento recente mapeado pela Gazeta do Povo. Uma consolidação do setor na China, com menos players e preços mais sustentáveis, tenderia a reorganizar a concorrência também no segmento brasileiro de elétricos.Quem quer o quêO pacote expõe um mapa de interesses divergentes dentro da própria China. O governo central quer uma indústria com margens saudáveis e uma cadeia de fornecedores solvente; as províncias defendem os empregos e a arrecadação gerados pelas fábricas que ajudaram a atrair; as montadoras, presas na corrida, veem os lucros evaporar mesmo com vendas em alta; e os fornecedores acabam financiando o sistema ao receber com atraso.O anúncio de Xin Guobin é descrito pela Folha como mais um capítulo de um esforço de dois anos, sinal de que as medidas anteriores não foram suficientes para disciplinar o setor. Ao vincular o tema ao início do 15º Plano Quinquenal, o vice-ministro indica que a regulação da concorrência industrial entra na lista de prioridades econômicas do novo ciclo. Até o momento, os detalhes do pacote foram noticiados apenas pela Folha de S.Paulo.

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spain

Moradores de Ceuta destroem acampamento de migrantes em praia do enclave

Moradores de Ceuta, enclave espanhol no norte da África, destruíram na noite de quinta-feira (27) um acampamento improvisado de migrantes montado em uma praia da cidade. Segundo o G1, que publicou imagens da Reuters, os manifestantes derrubaram barracas, jogaram pertences no mar e queimaram objetos em uma fogueira, enquanto agitavam bandeiras da Espanha e de Ceuta. A polícia formou um cordão de isolamento para impedir que o grupo avançasse sobre os migrantes, que assistiram à destruição de uma área próxima.Antes de seguir para a praia, os manifestantes bloquearam uma estrada vizinha e entoaram palavras de ordem contra a presença de estrangeiros, entre elas "expulsem os invasores", conforme registro da Reuters. A ação ocorre quase um mês depois da travessia em massa de 30 de julho, quando cerca de 72 mil pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e o enclave, muitas a nado pelo Mediterrâneo. Autoridades espanholas contabilizaram 82 mortes do lado espanhol, e o Marrocos confirmou outras 14. Nos dias seguintes, milhares de migrantes retornaram ao Marrocos sob escolta policial, e cerca de 5 mil permanecem no território. Em 15 de agosto, a polícia marroquina prendeu pelo menos 111 pessoas que tentavam chegar a Ceuta após novas convocações nas redes sociais.O episódio expõe a pressão sobre a política migratória da União Europeia em sua fronteira mais ao sul. Madri aposta na cooperação com países de origem e trânsito, enquanto Rabat nega a suspeita, levantada pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI), o serviço secreto espanhol, de que autoridades marroquinas foram coniventes com a mobilização de julho. Para o Brasil, o caso tem relevância direta: brasileiros formam uma das maiores comunidades de imigrantes na Espanha, e o Itamaraty defende nos fóruns da ONU a mesma fórmula de migração "legal, segura e ordenada" agora invocada pelo governo espanhol.Resposta do governo espanholDepois da travessia de julho, o governo da Espanha reforçou a segurança no enclave com mais de 500 policiais enviados do território continental. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, anunciou ainda um pacote de medidas para Ceuta e Melilla, o outro enclave espanhol no Marrocos, segundo o SBT News. Entre elas estão o prolongamento dos espigões de Tarajal e Benzú, a instalação de um sistema permanente de contenção marítima com boias ancoradas e a construção de um novo centro de atendimento temporário a estrangeiros, com capacidade para 800 pessoas."A Espanha continuará defendendo uma política europeia baseada na dimensão externa, na cooperação com países parceiros, no combate às máfias e na gestão integral dos fluxos migratórios. Um objetivo que os acontecimentos em Ceuta apenas reforçam", afirmou Grande-Marlaska.A destruição do acampamento por civis, com a polícia em posição de contenção, é o episódio mais visível da escalada de tensões no enclave desde julho. Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, o que as converte há anos em ponto de pressão migratória e de disputa diplomática entre Espanha e Marrocos.

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military

Tiros e explosões são ouvidos em Niamei, perto do palácio presidencial do Níger

Tiros e explosões foram ouvidos em várias áreas de Niamei, capital do Níger, na madrugada deste sábado (29), inclusive nas proximidades do palácio presidencial e do Aeroporto Internacional Diori Hamani. A informação veio de duas testemunhas ouvidas pela agência Reuters e foi repercutida pelo G1 e pela Al Jazeera. Até o momento não há confirmação oficial sobre a motivação dos disparos nem registro de vítimas, e o governo militar do país ainda não se pronunciou."Houve trocas de tiros intensos. Os disparos continuam acontecendo ao redor do palácio", disse uma das testemunhas à Reuters.O episódio ocorre em um país governado por militares desde julho de 2023, quando um golpe de Estado derrubou o presidente eleito Mohamed Bazoum. A junta liderada pelo general Abdourahamane Tchiani rompeu com os aliados ocidentais tradicionais, como a França, ex-potência colonial, e os Estados Unidos, e passou a cooperar com a Rússia em matéria de segurança. Na mesma direção, o Níger se uniu a Mali e Burkina Faso, também sob regimes militares, em uma aliança política e de segurança, e os três países se distanciaram da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), bloco regional que pressionava pela volta da ordem constitucional.O que isso significa para o BrasilO interesse brasileiro direto no Níger é limitado, mas a instabilidade no Sahel toca duas agendas acompanhadas pelo Itamaraty: a segurança do Atlântico Sul e a política para a África, que o governo Lula recolocou entre as prioridades da diplomacia. O avanço de grupos armados e o enfraquecimento dos blocos regionais dificultam a cooperação com a costa ocidental africana em temas como tráfico e segurança marítima. Uma escalada em Niamei também pesaria nos debates de organismos multilaterais dos quais o Brasil participa, a começar pela Organização das Nações Unidas (ONU).A violência de fundo não é nova. Segundo o G1, Níger, Mali e Burkina Faso seguem enfrentando ataques de grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, apesar da promessa das juntas de melhorar a segurança. Em março, pelo menos 44 civis foram mortos no sudoeste do Níger, e em janeiro um ataque atingiu as proximidades do próprio aeroporto internacional de Niamei.Sem manifestação oficial, a pergunta central continua aberta: se os disparos desta madrugada foram um ataque de grupos armados, um movimento interno nas Forças Armadas ou um incidente isolado. Golpes e tentativas de golpe se sucederam no Sahel desde 2020, e tiros perto de palácios presidenciais já antecederam trocas de poder na região, o que recomenda cautela antes de qualquer conclusão.

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Irã chama sanções dos EUA de 'crime contra a humanidade' e pede medidas à ONU

O governo do Irã classificou nesta sexta-feira (28) as novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos como "crime contra a humanidade" e "terrorismo de Estado", pediu medidas à Organização das Nações Unidas (ONU) e prometeu reagir. As informações são do Poder360, a partir de reportagem da agência Reuters.A ofensiva americana começou na segunda-feira (24), quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos lançou a operação Exilados Econômicos, apresentada como um "Dia D econômico" para cortar as fontes de financiamento do governo iraniano e da Guarda Revolucionária Islâmica, a força militar de elite do regime. A ação sancionou quase 60 pessoas, empresas e embarcações ligadas aos setores de petróleo, mísseis, tecnologia nuclear, ciberatividade e transporte, além de redes usadas para driblar sanções anteriores. Na mesma semana, o Tesouro puniu o banco estatal egípcio Banque Misr por negociar com o Irã, restringindo suas operações em dólares nos Emirados Árabes Unidos.Sanções secundárias alcançam parceiros, e o Brasil observaWashington avisou que países que mantiverem laços comerciais com o Irã também podem ser alvo de sanções, o que espalha o efeito das medidas para além de Teerã. O recado interessa a parceiros como o Brasil: o Irã, que entrou para o Brics em 2024, é destino de milho e soja brasileiros, comércio que veículos especializados do agronegócio, como o Canal Rural, já acompanham sob alerta desde o início da guerra. Uma escalada das sanções secundárias tende a encarecer o pagamento e o transporte dessas exportações, mesmo sem proibição formal.Dentro do Irã, a pressão já aparece nos números. A inflação anual atingiu 66% em julho, segundo a Reuters, e o comércio exterior do país caiu quase 35% por causa das sanções e do bloqueio naval, de acordo com o presidente Masoud Pezeshkian. Diante do risco de protestos, o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, proibiu atos populares que possam prejudicar a "coesão social", pediu ao governo medidas para conter os impactos econômicos da guerra e orientou autoridades a evitar declarações que estimulem manifestações.Pressão máxima em vez de acordoAs novas medidas se somam a uma teia de restrições acumulada desde 1979, ano da crise dos reféns na embaixada americana em Teerã, como detalha a CNN Brasil. O acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), suspendeu a maior parte das penalidades, mas Trump retirou os Estados Unidos do entendimento em 2018, e as sanções da ONU foram reimpostas no ano passado pelo mecanismo conhecido como snapback. Segundo a emissora, desmontar essa arquitetura levaria anos mesmo com um acordo abrangente. Com a ofensiva desta semana, o governo Trump sinaliza que aposta na pressão econômica máxima para moldar as negociações sobre o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã apela à ONU e promete resposta.

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Morre aos 89 anos o rei Harald V, da Noruega; papa Leão XIV manifesta pesar

O rei Harald V, da Noruega, morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, após mais de três décadas no trono. A informação foi confirmada pelo palácio real em Oslo, segundo o G1. O monarca estava internado desde 17 de agosto no Hospital Universitário de Oslo, onde era tratado com cortisona para uma anemia hemolítica e apresentou também uma infecção bacteriana no sangue. Na quinta-feira (27), a Casa Real informou que seu estado era "muito grave". O papa Leão XIV manifestou pesar pela morte do rei, informou o Vatican News. Harald V era o monarca mais velho da Europa e ocupava o trono desde 17 de janeiro de 1991, quando sucedeu ao pai, Olav V. Na Noruega, monarquia constitucional, o rei exerce funções principalmente cerimoniais como chefe de Estado. Nos últimos dias, a rainha Sonja e o príncipe herdeiro Haakon, que já atuava como regente durante o afastamento do pai, cancelaram agendas e seguiram para o hospital. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre suspendeu uma viagem à Alemanha, a televisão pública alterou sua programação e noruegueses deixaram flores diante do Palácio Real, em Oslo. Com a morte de Harald, o trono passa a Haakon, primeiro na linha de sucessão. O que a morte do rei significa para o Brasil No Brasil, a repercussão passou pela diplomacia ambiental. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) divulgou nota de pesar e chamou Harald V de "símbolo da conservação". Segundo o instituto, o rei, no trono por mais de três décadas, "deu visibilidade à atuação da Noruega na diplomacia ambiental, contribuindo para o debate internacional sobre clima e proteção das florestas tropicais". O Brazil Journal, por sua vez, lembrou o monarca como "o rei da Noruega que amava o Brasil", em texto dedicado à memória de sua relação com o país. Nascido em 21 de fevereiro de 1937, em Skaugum, na região de Asker, Harald foi o primeiro príncipe a nascer na Noruega em 567 anos, numa época em que apenas homens podiam herdar o trono. Aos 3 anos, deixou o país com a mãe e as irmãs após a invasão pela Alemanha nazista, em 1940, e viveu o exílio primeiro na Suécia e depois nos Estados Unidos, até o retorno da família em 1945. Tornou-se príncipe herdeiro em 1957 e, em 1968, casou-se com Sonja Haraldsen, uma plebeia, união que provocou debate na época. Ligado à vela, competiu pelo país em três edições dos Jogos Olímpicos, carregou a bandeira norueguesa na abertura dos Jogos de Tóquio, em 1964, e conquistou títulos mundial e europeu, segundo o G1 e a Exame. Ao longo do reinado, Harald construiu uma imagem de proximidade com a população e atuou como figura de unidade em momentos de crise. Depois dos ataques de 22 de julho de 2011, quando 77 pessoas foram mortas, defendeu uma sociedade aberta e democrática; em 2016, ao completar 25 anos de reinado, discursou em defesa da diversidade da população norueguesa, lembra a Exame. A saúde, porém, foi se deteriorando: ele passou por cirurgia de câncer de bexiga em 2003, por uma operação cardíaca em 2005 e recebeu um marca-passo em 2024, após passar mal numa viagem à Malásia. Diferentemente de outros monarcas europeus, recusou-se a abdicar e dizia que o juramento feito ao Parlamento valeria por toda a vida. Os últimos meses do reinado foram marcados por turbulências na família real. Em junho de 2026, a princesa herdeira Mette-Marit passou por um transplante de pulmão, e seu filho Marius Borg Høiby foi condenado a quatro anos de prisão por duas acusações de estupro, das quais recorreu. Documentos revelaram ainda contatos de Mette-Marit com Jeffrey Epstein, caso pelo qual ela pediu desculpas ao rei e à rainha. Segundo o G1, o apoio à monarquia caiu de 72% para 61% em um ano, com 27% dos noruegueses favoráveis à república, mas o Parlamento rejeitou por ampla maioria, 141 dos 169 deputados, uma proposta para acabar com o regime. A sucessão por Haakon ocorre, assim, num cenário de instituição ainda majoritariamente apoiada, porém mais desgastada do que no início do reinado de Harald.

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international

Ofensiva de Trump contra vistos mira turistas, 'green cards' e profissionais

O governo do presidente americano Donald Trump lançou nos últimos dias uma ofensiva em várias frentes contra estrangeiros nos Estados Unidos, com medidas que atingem candidatos à residência permanente, turistas e profissionais qualificados. As iniciativas, reunidas pelo G1 a partir de reportagens do jornal Financial Times e da agência Associated Press (AP), incluem a suspensão de entrevistas para vistos de imigração em todo o mundo, a preparação da maior revogação coletiva de vistos da história do país e uma taxa de mais de US$ 100 mil para vistos de trabalho altamente qualificados.A medida já em vigor é a suspensão, até segunda ordem, do agendamento de entrevistas em embaixadas e consulados americanos para candidatos a vistos de imigração, categoria que inclui o green card, o documento de residência permanente nos EUA. Segundo o Departamento de Estado americano, a pausa está ligada a um programa global de treinamento de funcionários consulares, sem prazo informado para terminar. Os agendamentos de vistos de não imigrantes, como os de turismo, seguem funcionando normalmente. De acordo com o Financial Times, candidatos que já tinham entrevistas marcadas receberam e-mails avisando que os agendamentos serão remarcados, com nova data a ser informada depois.Para o Brasil, o impacto aparece em duas pontas. Brasileiros que aguardavam entrevistas para vistos de imigração em representações americanas ficam, por ora, sem data definida. No segmento profissional, o Brasil aparece em 9º lugar entre as nacionalidades mais contratadas por empresas americanas com o visto H-1B, destinado a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados, segundo dados das plataformas Visual Capitalist e Statista citados pelo G1. Índia e China lideram essa lista.Revogação em massa e taxa de US$ 100 milO Departamento de Estado deve anunciar nas próximas semanas a revogação dos vistos de negócios e turismo (categorias B1 e B2) de até 200 mil estrangeiros que pediram asilo ou têm processos de asilo em andamento nos EUA. Os vistos afetados foram emitidos entre 2016 e 2026, segundo documentos obtidos pela AP. Se confirmada, será a maior revogação coletiva de vistos da história americana e deve ser contestada na Justiça. Funcionários ouvidos pela agência afirmam que a revogação não significa deportação imediata: a maioria das pessoas deve ter o status migratório alterado, mas perderá a condição de visitante de negócios ou turismo.Na terceira frente, a Casa Branca divulgou uma proposta de regulamentação para oficializar uma taxa de US$ 103.265 (cerca de R$ 531 mil) sobre novos vistos H-1B, que hoje custam entre US$ 2.000 e US$ 5.000. A cobrança já havia sido imposta por Trump no ano passado, mas a Justiça americana a considerou ilegal e proibiu a exigência. O governo recorreu, e o caso está em análise em um tribunal de apelações. O programa H-1B é usado principalmente pelos setores de tecnologia, educação e pesquisa.Os interesses em disputa são claros. Trump argumenta que as empresas usam o H-1B para substituir trabalhadores americanos por mão de obra estrangeira mais barata, enquanto diversas companhias afirmam que o visto supre a escassez de profissionais qualificados. Para Índia e China, principais fontes desses trabalhadores, o encarecimento do visto afeta setores inteiros de tecnologia e serviços. Para países como o Brasil, com comunidades de imigrantes e profissionais nos EUA, a combinação de entrevistas paralisadas, revogações planejadas e novas taxas cria um cenário de incerteza que tende a ser definido nos tribunais americanos, para onde as medidas devem parar.

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diplomacy

Perdão de Trump a ex-presidente de Honduras gera críticas sobre política externa dos EUA

O perdão presidencial concedido por Donald Trump ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández desencadeou fortes questionamentos sobre a coerência da política externa e de segurança dos Estados Unidos para a América Latina. Hernández, que governou Honduras entre 2014 e 2022, havia sido condenado pela Justiça federal de Nova York a 45 anos de prisão por participar de esquemas de narcotráfico internacional e utilizar o aparato estatal hondurenho para proteger carregamentos de drogas.A anistia permitiu o retorno de Hernández a Tegucigalpa, onde ele agora enfrenta processos locais por fraude e lavagem de dinheiro, enquanto altera o equilíbrio político centro-americano. De um lado, o governo Trump projeta alianças focadas em afinidade ideológica na região, relativizando acusações criminais contra lideranças conservadoras aliadas. De outro, autoridades centro-americanas e analistas diplomáticos apontam que a decisão enfraquece acordos bilaterais de extradição e compromete a credibilidade das ações coordenadas pela DEA (Drug Enforcement Administration, a agência antidrogas americana).Para o Brasil, a medida expõe a volatilidade dos compromissos de Washington no enfrentamento ao crime organizado transnacional. Diplomatas e especialistas em segurança em Brasília avaliam que concessões políticas a condenados por tráfico abalam a previsibilidade jurídica de tratados de cooperação e extradição. Com organizações criminosas brasileiras expandindo rotas de exportação de cocaína para a América do Norte e a Europa, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, prioriza mecanismos multilaterais e cooperação policial técnica para proteger investigações de interferências políticas unilaterais.A reabilitação de Hernández em Honduras também intensifica as tensões com o governo da presidente Xiomara Castro e com fóruns regionais que defendem o combate à corrupção institucional associada ao tráfico. Simultaneamente, setores da oposição hondurenha tentam aproveitar a anistia concedida pela Casa Branca para reorganizar suas bases políticas com vistas às próximas disputas eleitorais.O episódio estabelece um precedente complexo para as relações hemisféricas. Ao anular uma condenação emblemática obtida após anos de investigações conduzidas por procuradores federais norte-americanos, a diplomacia dos Estados Unidos sinaliza que prioridades geopolíticas imediatas podem se sobrepor a decisões consolidadas do próprio Judiciário.

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Ataque de drones russos deixa 37 mortos na região metropolitana de Kiev

Um ataque noturno com drones conduzido pelas forças armadas da Rússia atingiu depósitos de suprimentos e áreas residenciais na região metropolitana de Kiev, deixando ao menos 37 mortos e 42 feridos, segundo informações divulgadas pelo portal G1 e pelo UOL. As explosões concentraram-se no distrito de Bucha e forçaram a retirada preventiva de mais de 380 moradores das imediações diante do risco de novas detonações em instalações de armazenamento de explosivos. A ofensiva ocorre em um momento de reposicionamento estratégico de Moscou, que procura sobrecarregar os sistemas de defesa antiaérea ucranianos e degradar a infraestrutura logística próxima à capital. Por sua vez, o governo de Kiev, sustentado pelo apoio financeiro e militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE), renovou os apelos por interceptadores modernos e pelo endurecimento de sanções econômicas contra o Kremlin, enquanto governos europeus enfrentam restrições orçamentárias domésticas para manter o fluxo de assistência. Impactos econômicos e diplomáticos para o Brasil Para o Brasil, o recrudescimento dos ataques na Ucrânia renova pressões sobre a política externa e o comércio exterior. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) mantém a diretriz tradicional de não alinhamento automático e defende negociações diretas de paz, posição reiterada no âmbito do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ampliado recentemente). No plano econômico, a persistência do conflito afeta o custo global de fretes, combustíveis e fertilizantes agrícolas, insumos cruciais para a balança comercial e o agronegócio brasileiro. A diplomacia em Brasília busca equilibrar a dependência comercial de adubos químicos importados da Rússia com as demandas de parceiros ocidentais por condenações mais firmes nos foros das Nações Unidas (ONU). Propostas de mediação conjunta formuladas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado da China não avançaram de forma conclusiva, diante da distância entre as exigências de cessar-fogo colocadas por Kiev e por Moscou. Equipes de resgate e serviços de proteção civil ucranianos continuam trabalhando nas áreas afetadas para conter focos de incêndio e prestar atendimento às famílias desabrigadas na periferia da capital. As autoridades municipais iniciaram vistorias para medir os estragos estruturais nas residências e avaliar a segurança do perímetro urbano.

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EUA deportam Milo Yiannopoulos para o Reino Unido após prisão migratória

O ativista britânico de extrema-direita Milo Yiannopoulos foi deportado dos Estados Unidos para o Reino Unido na sexta-feira (28), um dia após ter sido detido por agentes federais no Aeroporto Internacional Louis Armstrong, em Nova Orleans. A expulsão foi confirmada por um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês), que classificou o britânico como um cidadão estrangeiro em situação migratória irregular.De acordo com os registros oficiais do DHS divulgados pela agência Reuters e pelo jornal Folha de S.Paulo, Yiannopoulos entrou legalmente nos Estados Unidos em maio de 2019 por Nova York, mas permaneceu no território americano após o vencimento do prazo permitido. Em 22 de julho, um juiz de imigração emitiu uma ordem definitiva de remoção após o comentarista faltar a uma audiência judicial, levando à sua custódia pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).Para o Brasil, o episódio ilustra o endurecimento dos mecanismos de controle do sistema migratório americano, que atinge diretamente a expressiva comunidade brasileira no país. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, acompanha com atenção os desdobramentos dessa rigidez operacional, já que o cancelamento automático de vistos e a execução expedita de ordens de deportação afetam milhares de brasileiros que residem ou transitam pelos Estados Unidos sem a regularização documental plena.O caso também reflete o alinhamento de prioridades entre governos e agências de fronteira. Enquanto Washington busca demonstrar a aplicação irrestrita das leis migratórias federais para conter críticas de seletividade política, o Reino Unido limita sua atuação à assistência consular padrão para cidadãos deportados. Por sua vez, governos latino-americanos tentam equilibrar o fluxo contínuo de viagens de negócios e turismo com as exigências burocráticas mais severas impostas pelos consulados americanos no exterior.Conhecido por sua retórica hostil contra imigrantes e por defender medidas punitivas radicais no debate público americano, Yiannopoulos agora cumpre o retorno compulsório a Londres. A detenção do britânico ocorre em um período de vigilância ampliada nos principais aeroportos dos Estados Unidos, onde o cruzamento de bases de dados entre companhias aéreas e a polícia de fronteira tem acelerado a identificação de passageiros com ordens judiciais pendentes.

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Guerra no Oriente Médio completa seis meses com petróleo caro e pressão sobre alimentos

A guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), sem um desfecho previsível no horizonte. O conflito, que envolveu 16 países segundo a Folha de S.Paulo, já redesenhou o equilíbrio de forças do Oriente Médio e espalhou seus efeitos pelos mercados de energia, alimentos e investimentos em todo o mundo, de acordo com levantamento do G1. No centro do impasse está o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no planeta. Teerã ainda controla a passagem, e a redução do tráfego na rota abalou o mercado energético global. Do lado americano, o presidente Donald Trump combina o discurso de desengajamento da região com uma intervenção militar de grande escala. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, aliado de Washington nas primeiras semanas de combates, pressionava pela derrubada da teocracia iraniana. O regime, porém, sobreviveu à morte do líder supremo Ali Khamenei, substituído pelo filho, Mojtaba Khamenei, e manteve a capacidade de retaliar contra aliados dos Estados Unidos na região, segundo a Folha. Para países como o Brasil, o choque chega sobretudo pela mesa. O estrangulamento de Ormuz afetou o comércio internacional de fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio brasileiro, e somou-se aos efeitos do El Niño e às interrupções no transporte de grãos causadas pela guerra na Ucrânia. O resultado, segundo a Reuters, é que os preços globais dos alimentos atingiram em julho o maior nível em mais de três anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O JPMorgan estima que um El Niño forte, mesmo sem a guerra, pode acrescentar cerca de 0,7 ponto percentual à inflação global dos alimentos no pico do impacto, que tende a ser maior na Ásia, na América Latina e na África, onde as famílias destinam uma parcela maior da renda à alimentação. Petróleo em alta e refúgios em xeque O petróleo Brent chegou a ultrapassar US$ 120 por barril em abril e acumula alta superior a 20% no ano, segundo a Folha. O diesel sofreu pressão adicional com os ataques ucranianos a refinarias russas, que reduziram a oferta no mercado internacional, enquanto o querosene de aviação teve o abastecimento aliviado pelo aumento da produção e das exportações das refinarias americanas, informa o G1. Com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte, quando a demanda por energia cresce, novos problemas em Ormuz ou na infraestrutura energética russa podem voltar a pressionar combustíveis e inflação. Apesar do choque de energia, as bolsas globais seguiram avançando. O valor das empresas do índice mundial de ações da MSCI, que reúne mercados de 47 países, atingiu neste mês o recorde de US$ 105 trilhões, alta de 9% desde o início da guerra, impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial. Os ativos tradicionalmente vistos como refúgio, porém, tiveram comportamento irregular: o dólar acumula alta de cerca de 1,4% ante uma cesta das principais moedas, os títulos do governo americano perderam cerca de 3,5% e o ouro caiu quase 25% até julho, para depois subir mais de 15% somente neste mês. Golfo paga a conta mais alta Os países produtores de petróleo e gás do Golfo estão entre os mais afetados economicamente. As exportações da Arábia Saudita caíram 10% do primeiro para o segundo trimestre. No Catar, a Oxford Economics estima que a economia encolha quase 30% neste ano por causa dos danos ao complexo de gás de Ras Laffan. As bolsas do Catar e dos Emirados Árabes Unidos recuaram cerca de 14% no período, em sentido contrário ao mercado global, e as vendas de imóveis em Dubai caíram entre 70% e 80%, segundo estimativa do JPMorgan. No campo diplomático, o cenário também é de paralisia. O prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra se aproxima do fim em meio a um impasse, segundo o G1. Na avaliação da Folha, o resultado militar até aqui foi limitado: as capacidades ofensivas iranianas foram degradadas, mas a campanha de retaliação contra aliados americanos não foi impedida, e o programa nuclear do país, apresentado como a principal justificativa para a guerra, continua uma incógnita.

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Terremoto de magnitude 5 atinge o Tibete um dia após enchente que matou quase 400

Centros de sismologia da Europa e da China registraram nesta quinta-feira (27) um terremoto no Tibete, região chinesa que, ao lado do Nepal, foi atingida um dia antes por uma enchente que deixou pelo menos 395 mortos e mais de mil desaparecidos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ), o abalo teve magnitude 5 e ocorreu a dez quilômetros de profundidade, com epicentro na região de Nagqu, no norte do Tibete, a centenas de quilômetros da faixa de fronteira castigada pelas águas.Há divergência sobre a intensidade do tremor. Enquanto o GFZ aponta magnitude 5,0, o centro de monitoramento de terremotos da China, órgão ligado à defesa civil do país, registrou 4,7, de acordo com a agência estatal de notícias Xinhua, citada pela Folha de S.Paulo e pelo InfoMoney. Até o fechamento desta edição, não havia confirmação oficial de vítimas ou danos provocados pelo terremoto.Para o Brasil, o interesse no episódio é sobretudo indireto. A China é o principal parceiro comercial do país e integra, ao lado do Brasil, o Brics, bloco que reúne também Rússia, Índia e África do Sul e que tem ampliado a cooperação em gestão de riscos climáticos. Há ainda um paralelo doméstico preciso: a inundação no Himalaia ocorre pouco mais de dois anos depois da tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, quando enchentes deixaram mais de 180 mortos e colocaram a adaptação a eventos climáticos extremos no centro do debate público brasileiro.Enchente deixou vilarejos submersos e resgate por helicópteroA enchente de quarta-feira (26) foi provocada pelo desabamento de gelo, lama e rochas, que formou uma inundação repentina na fronteira entre Nepal e China, segundo o InfoMoney. Do total de mortes confirmadas, 392 foram registradas no Nepal, segundo as autoridades locais, e três no lado chinês, de acordo com a imprensa estatal. Povoados inteiros ficaram submersos em lama, e mais de mil pessoas seguem desaparecidas, entre elas centenas de estrangeiros, já que a área é popular entre praticantes de trekking.As autoridades do Nepal usaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência a milhares de pessoas isoladas em cidades e vales, informou a Folha. Do lado chinês, o bloqueio de um rio formou um lago de contenção que passou a ser monitorado diante do risco de rompimento. O Ministério de Recursos Hídricos da China enviou uma equipe de especialistas ao condado de Gyirong e orientou autoridades locais a acompanhar o lago e as chuvas, segundo a Xinhua. Pequim ativou no Tibete o plano de resposta a enchentes de nível IV, o mais baixo da escala chinesa de emergência.A sequência de desastres expõe a vulnerabilidade do Himalaia, cadeia montanhosa que concentra alguns dos picos mais altos do mundo e corta a fronteira entre China e Nepal. Além de zona de intensa atividade sísmica, a região enfrenta o recuo de geleiras, fenômeno que aumenta o risco de rompimento de lagos glaciais e de inundações repentinas como a desta semana.

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Rússia lança ataque em massa contra Kiev e outras cidades da Ucrânia

A Rússia lançou na madrugada desta quinta-feira (27) uma nova ofensiva em larga escala com mísseis e drones contra a Ucrânia, atingindo a capital, Kiev, e outras cidades do país, segundo autoridades ucranianas ouvidas pelo G1. De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, o ataque envolveu dois mísseis de cruzeiro antinavio Oniks, 258 drones e uma quantidade não informada de mísseis balísticos. Os militares ucranianos afirmaram ter derrubado quase 90% dos drones, além de um míssil Oniks e sete mísseis balísticos. O UOL também noticiou a ofensiva, descrita como um "ataque massivo" contra nove cidades ucranianas.Em Kiev, destroços de mísseis e drones interceptados caíram em dois distritos, danificando uma escola e quebrando janelas de uma unidade de saúde, segundo o prefeito Vitali Klitschko; na região metropolitana, duas pessoas ficaram feridas. Em Odessa, porto estratégico no Mar Negro, os bombardeios duraram quase toda a noite e atingiram infraestrutura, uma instituição de ensino e um prédio residencial, com três feridos. Houve ainda impactos em Poltava, onde sete localidades ficaram sem energia elétrica; em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano, com três feridos; e em Zaporizhzhia, no sul, com outros três feridos, segundo autoridades regionais citadas pelo G1.Para o Brasil, a ofensiva tem desdobramentos econômicos e diplomáticos. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que os ataques atingiram portos, armazéns de grãos e instalações de energia, alvos que mantêm sob pressão o comércio de alimentos no Mar Negro. O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, importa a maior parte dos fertilizantes que consome, e a Rússia está entre seus principais fornecedores, o que faz de cada escalada da guerra um risco para custos e preços no campo brasileiro. No plano diplomático, o governo brasileiro segue com sua posição de neutralidade e a defesa de uma saída negociada, postura testada a cada nova rodada de bombardeios.Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky disse que países europeus adotaram nesta semana medidas para reforçar a defesa aérea do país e voltou a pedir mais apoio militar. A Ucrânia enfrenta escassez de interceptadores do sistema Patriot, de fabricação americana, considerados essenciais para derrubar mísseis balísticos. "Tudo o que fortalece a proteção dos nossos céus salva vidas de ucranianos todos os dias", escreveu Zelensky nas redes sociais, ao informar que o país recebeu um novo lote, embora pequeno, de interceptadores. Na Europa, o debate avança em paralelo: quatro países da União Europeia voltaram a propor o uso de bilhões de euros em ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, segundo o portal Terra.Versões em disputa e pressão no lesteMoscou apresentou uma versão diferente para a ofensiva. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações do complexo industrial-militar ucraniano, empresas metalúrgicas, refinarias de petróleo, centros logísticos e estruturas portuárias em Odessa usadas para apoiar as Forças Armadas da Ucrânia. Durante a noite, cinco drones entraram no espaço aéreo da Moldávia, segundo o governo moldavo, episódio que reacende o temor de que a guerra ultrapasse as fronteiras ucranianas.No front terrestre, a pressão russa segue concentrada no leste. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, afirmou que as tropas de Moscou estão a cerca de quatro quilômetros da periferia leste de Sloviansk, cidade estratégica da região de Donetsk que o presidente Vladimir Putin pretende controlar, informou o G1.

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Chefe da CIA fez viagem secreta a Moscou para alertar contra ataques à Otan, dizem fontes

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, fez uma viagem secreta a Moscou na terça-feira (25) para advertir o Kremlin contra qualquer ataque a países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal na quarta-feira (26), com base em fontes não identificadas, e repercutiu na imprensa brasileira. O Kremlin rejeitou as informações, classificando-as como "histórias alarmistas".Segundo a Folha de S.Paulo, Ratcliffe passou cerca de nove horas na capital russa, em um voo feito em cargueiro militar, com itinerário não divulgado, e a confirmação da visita só ocorreu no dia seguinte. Na agenda, uma reunião com seu equivalente russo, Serguei Narichkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR). De acordo com a VEJA, foi a primeira visita de um chefe da CIA à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, o que dá peso ao deslocamento, ainda que os dois governos tentem minimizá-lo em público.Para o Brasil, o episódio importa por dois motivos concretos. O primeiro é econômico: uma escalada entre Rússia e Otan pressionaria os mercados de grãos e de fertilizantes, do qual a Rússia é um dos principais fornecedores do agronegócio brasileiro. O segundo é diplomático: o Itamaraty mantém posição de neutralidade na Guerra da Ucrânia e defende negociação, e qualquer choque direto entre Moscou e a aliança ocidental reduziria ainda mais o espaço para essa postura intermediária.O que cada lado querDo lado americano, a viagem foi motivada por avaliações de inteligência de que Vladimir Putin poderia "testar" a aliança, medindo até onde os países da Otan reagiriam a uma agressão. O temor se concentra nos países bálticos, Estônia, Letônia e Lituânia, membros mais expostos do bloco. Segundo a VEJA, Ratcliffe também pressionou Moscou a reduzir o apoio militar e econômico ao Irã, pedindo o fim do fornecimento de armas e tecnologia de defesa a Teerã e que o Kremlin não reaja de forma desproporcional caso seja atingido por sanções americanas ligadas à república islâmica. O presidente Donald Trump, porém, minimizou o deslocamento, chamou a viagem de "semirrotina" e afirmou que Putin "não vai atacar a Otan", conforme relatos do G1 e de O GLOBO.A Rússia, por sua vez, nega qualquer plano de ataque e usa a palavra "alarmismo" para descrever a reportagem, postura que preserva a ambiguidade estratégica que Moscou cultiva desde 2022. Já os países bálticos, que reportam com frequência temores desse tipo, saem fortalecidos ao ver Washington tratar do risco no mais alto nível da espionagem.Há divergência sobre o tom do encontro. A Folha ouviu uma pessoa com conhecimento do assunto em Moscou segundo a qual os dois chefes de espionagem trocaram impressões e advertências, mas em tom mais ameno do que o sugerido pelo The Wall Street Journal. O jornal paulistano também contextualiza a preocupação americana: o impasse na Guerra da Ucrânia, os ataques de Kiev que geraram crise de combustíveis e logística dentro da Rússia e o desgaste americano decorrente do confronto com o Irã criariam, na leitura de Washington, uma janela de risco. Canal direto entre CIA e SVR é uma das poucas linhas de comunicação ainda abertas entre as duas potências, e a viagem sugere que, longe dos holofotes, a dissuasão segue sendo feita em silêncio.

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Brasil e Índia firmam memorando para ampliar comércio em meio ao tarifaço dos EUA

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação da Indústria Indiana (CII, na sigla em inglês) assinaram nesta quinta-feira (27) um memorando de entendimento para aproximar os setores produtivos dos dois países, segundo informou o G1. A assinatura ocorre em um momento de reordenação do comércio global, no qual as sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump empurram países exportadores a buscar mercados alternativos. O gesto integra a estratégia do Palácio do Planalto de ampliar as rotas de exportação e reduzir a dependência de um único destino.Do lado indiano, o principal interesse é a ampliação do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul, bloco do qual o Brasil é o maior sócio, e a Índia, hoje restrito a 450 linhas de produtos. Do lado brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, citou setores como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos. Segundo ele, o comércio bilateral cresceu 82% nos últimos anos. O governo brasileiro também quer parcerias para explorar minerais críticos, insumos estratégicos para a transição energética, desde que os projetos envolvam desenvolvimento de tecnologia nacional. "O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro", disse Rosa.Para o Brasil, o memorando funciona como um seguro contra o agravamento da disputa comercial com Washington. Neste ano, os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros: uma de 25%, após investigação que apontou práticas que "oneram ou restringem" o comércio, e outra de 12,5%, ligada a um inquérito sobre fiscalização de trabalho forçado na cadeia produtiva. Com isso, parte das exportações passou a enfrentar alíquota total de 37,5%. Itens de peso, como petróleo, café e carne bovina, ficaram de fora da cobrança adicional, mas setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar seguem sujeitos à tarifa máxima.Retomada do diálogo com WashingtonParalelamente à aproximação com Nova Déli, o governo prepara a retomada formal das negociações com os Estados Unidos. Rosa se reunirá virtualmente na segunda-feira (31), às 14h30, com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, com participação do chanceler Mauro Vieira. O encontro foi viabilizado por um telefonema de cerca de 1h20 entre Lula e Trump na semana passada, que, segundo o ministro, destravou a mesa de negociação sem concessões prévias unilaterais. Na pauta estarão listas de exceções tarifárias e a Lei de Reciprocidade, instrumento cujo processo de aplicação o Brasil já iniciou e que pode resultar em tarifas sobre produtos norte-americanos. O plano brasileiro é dividir a discussão por setores, começando por bens de capital, seguidos do automotivo e do químico."Negociador pessimista perde. Então eu sou otimista. Agora, é óbvio que vai ser um diálogo difícil. Nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional", afirmou o ministro.Um dos pontos sensíveis da negociação é o etanol. O Brasil cobra tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos e, segundo integrantes do governo que participam das conversas, estaria disposto a reduzir a alíquota se os norte-americanos ampliarem o acesso do açúcar brasileiro ao seu mercado. Hoje, os Estados Unidos operam com cotas de importação: o Brasil, maior produtor mundial da commodity, pode exportar 155 mil toneladas por ano com tarifa reduzida, volume que o governo considera pequeno. O que exceder a cota pode ser taxado em até 100%.Apesar do otimismo público, negociadores brasileiros ouvidos pelo G1 admitem que dificilmente haverá acordo antes das eleições de outubro. Enquanto as conversas avançam, o governo mantém medidas emergenciais de apoio às empresas afetadas, como o programa Brasil Soberano. As informações sobre o memorando com a Índia e sobre a agenda negociadora têm como base declarações do ministro reportadas pelo G1; outros veículos ainda não haviam repercutido o acordo de forma independente até o fechamento desta reportagem.

BABeatriz Antunes
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23 brasileiros vítimas de falsas promessas de emprego aguardam repatriação em Madagascar

Um grupo de 23 brasileiros está retido em Madagascar, país insular na costa sudeste da África, sem passaportes e à espera de repatriação, após cair em uma rede de tráfico de pessoas que explora centros de golpes virtuais no Sudeste Asiático. Segundo a ONG The Exodus Road Brazil, os brasileiros foram atraídos por falsas promessas de emprego no exterior e acabaram levados para o Camboja, onde dizem ter sido obrigados a aplicar fraudes pela internet contra vítimas no Brasil.O caso segue um padrão que autoridades e organizações humanitárias vêm registrando nos últimos anos no Sudeste Asiático: quadrilhas recrutam trabalhadores de vários países com ofertas de emprego e os mantêm em cativeiro, forçando-os a operar fraudes digitais. Desta vez, a rede explorou o idioma comum. De acordo com a ONG, os brasileiros tinham como alvo vítimas no Brasil, enquanto moçambicanos traficados miravam Portugal. Entre os golpes aplicados estavam falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado "golpe do amor", no qual os criminosos simulam relacionamentos amorosos para obter dinheiro.Para o Brasil, o episódio virou um caso consular. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou ao G1 que presta a assistência consular cabível e mantém interlocução com as autoridades locais sobre o caso. A Defensoria Pública da União (DPU) também acionou a pasta para apoiar o retorno do grupo, segundo o Jornal Correio. O impasse é prático: a família de duas das vítimas relata que os passaportes só serão devolvidos diante da compra das passagens de volta, orçadas em cerca de R$ 5,5 mil por pessoa até São Paulo, valor que as famílias afirmam não ter.Da promessa de emprego ao cativeiroEntre os 23 brasileiros estão duas irmãs de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que viajaram com a promessa de trabalhar na Tailândia, uma como cabeleireira em um salão de beleza e outra como recepcionista. O irmão delas, que pediu para não ser identificado, contou à TV Integração que a família falava com as duas todos os dias e só desconfiou da situação quando elas não conseguiam enviar dinheiro para casa, alegando uma dívida alta."Foi então que, com muita vergonha, uma das minhas irmãs me contou que na verdade elas haviam sido traficadas e estavam sendo mantidas em cativeiro e sendo obrigadas a aplicar esses golpes virtuais", relatou o irmão.De acordo com a The Exodus Road Brazil, após quase cinco meses de exploração, o grupo foi levado do Camboja para Madagascar no dia 19 de agosto, durante uma operação policial contra a rede formada por brasileiros e moçambicanos traficados. Catorze brasileiros ficaram detidos por cerca de três dias e os demais por aproximadamente cinco, sendo todos liberados até o dia 22. Segundo relatos às famílias, homens e mulheres foram mantidos separados, alguns em quartos pequenos e sem janelas, com alimentação precária. Ao serem soltos sem os passaportes, os brasileiros seguiram para o aeroporto, onde a ONG orientou que permanecessem diante do risco de perseguição pela organização criminosa. Depois, foram acolhidos por uma entidade local e seguem hospedados em uma casa, com apoio de missionários da região para alimentação e itens básicos.Apesar do relato das famílias, Cintia Meirelles, especialista em assuntos humanitários e representante da The Exodus Road no Brasil, ressalva que não é possível afirmar que todos os 23 sejam vítimas de tráfico de pessoas. "Cabe às autoridades brasileiras investigar individualmente a situação de cada integrante do grupo", afirmou ao G1. Moradores de Sergipe e da Bahia também estariam entre os brasileiros, segundo o G1 e o site A Voz No Campo. Enquanto o retorno não se concretiza, o caso expõe o impasse logístico da repatriação: de um lado, o Itamaraty negocia com as autoridades malgaxes; de outro, as famílias tentam arcar com as passagens, condição para que os documentos sejam devolvidos.

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Trump anuncia controle dos EUA sobre 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo que, segundo ele, garante a Washington o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, volume equivalente a cerca de 21% de todo o petróleo do país sul-americano, segundo o G1. Em publicação em sua rede social, a Truth Social, Trump classificou o pacto como "o maior acordo petrolífero de todos os tempos", informou a BBC Brasil."Sob minha orientação, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a altamente respeitada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com o setor privado, garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem qualquer custo para o contribuinte americano."Segundo a Folha de S.Paulo, que cita a Reuters, Trump afirmou que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, escreveu nas redes sociais que o pacto demonstra que a política externa do governo busca garantir reservas estáveis e petróleo de baixo custo no hemisfério, reduzindo "os preços da gasolina aqui em casa". Para a Venezuela, Rubio prometeu "quase US$ 100 bilhões em investimentos privados", milhares de empregos bem remunerados e impulso à reconstrução da economia do país.O que significa para o BrasilPara o Brasil, que divide com a Venezuela uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros, o anúncio tem duas leituras. A primeira é diplomática: o alinhamento do governo interino de Caracas a Washington redesenha o equilíbrio político da América do Sul, onde Brasília acompanha a crise venezuelana de perto. A segunda é econômica. O Brasil é o maior produtor de petróleo da América do Sul, e uma eventual retomada da produção venezuelana, hoje em cerca de 1,25 milhão de barris por dia, aumentaria a oferta global e poderia pressionar os preços internacionais da commodity, com efeitos para exportadores como a Petrobras.O mapa de interesses ajuda a entender o desenho do acordo. Os Estados Unidos enfrentam pressão interna com a alta da gasolina antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, e buscam recompor a Reserva Estratégica de Petróleo, o estoque de emergência do país, segundo o InfoMoney. O governo interino de Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro que assumiu após a deposição do chavista, precisa de investimento e de fluxo de receita para uma indústria energética deteriorada. Já as empresas privadas mencionadas por Trump, ainda não identificadas, entrariam como operadoras dos campos. A Venezuela é membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cartel que estima as reservas comprovadas do país em cerca de 303 bilhões de barris, as maiores do mundo.Termos ainda indefinidosO anúncio é o desdobramento mais recente da intervenção americana de 3 de janeiro, quando uma operação militar dos EUA entrou na Venezuela, capturou o então presidente Nicolás Maduro e o levou a Nova York, onde ele aguarda julgamento, segundo o G1. Desde então, Washington exerce de fato o poder no país, embora Rodríguez ocupe oficialmente a Presidência interina e tenha adotado medidas pró-Washington, como a soltura de presos políticos e o envio de petróleo aos Estados Unidos. Rubio já havia defendido que a Venezuela passaria por três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e transição para eleições.Apesar da celebração de Trump, os termos do acordo seguem pouco claros. Como aponta a BBC Brasil, o presidente não explicou o significado jurídico de "controle majoritário", quais empresas participam, quais campos petrolíferos estão incluídos ou o que a Venezuela receberá em troca. Até a publicação desta reportagem, o governo venezuelano não havia confirmado oficialmente o anúncio, e nenhum documento com os termos do pacto foi divulgado. A BBC informou ainda que não conseguiu verificar de forma independente as negociações, que a imprensa americana já havia antecipado na véspera, envolvendo mais de uma dezena de campos de petróleo venezuelanos.

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Defesa autoriza militares dos EUA, França e Paraguai em exercício conjunto em Goiás

O Ministério da Defesa autorizou a entrada e a permanência temporária de 115 militares estrangeiros no Brasil para o Exercício Formosa 2026, treinamento anual conduzido com as Forças Armadas brasileiras no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás. O despacho, assinado pelo ministro José Múcio Monteiro Filho, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (26), segundo reportagens do G1 e do Poder360. O contingente autorizado reúne 55 militares dos Estados Unidos, 40 da França e 20 do Paraguai. Além do pessoal, poderão entrar no país armamentos, munições, equipamentos optrônicos e materiais de comunicação necessários às atividades. O treinamento será realizado entre 3 e 25 de setembro, em áreas de Goiás e do Distrito Federal, de acordo com o texto publicado no DOU. Para o Brasil, o exercício reúne em um mesmo campo de instrução três perfis distintos de parceiro militar. Os Estados Unidos mantêm há décadas acordos de cooperação em defesa com o país, enquanto a França, que assim como os americanos integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é vizinha territorial do Brasil pela Guiana Francesa e fornecedora tradicional de equipamentos às Forças Armadas. O Paraguai, por sua vez, é sócio do Brasil no Mercosul e divide uma extensa fronteira terrestre com Goiás e outros estados. Exercícios combinados desse tipo são prática rotineira entre os países e exigem, pela legislação brasileira, autorização formal do governo para a entrada de tropas e material bélico estrangeiro. Um treinamento com quase quatro décadas de história O Exercício Formosa é realizado pela Marinha do Brasil desde 1988 e reproduz situações de combate em diferentes cenários, com o objetivo de manter os fuzileiros navais aptos a atuar de forma imediata. O Campo de Instrução de Formosa pertence ao Exército e é cedido anualmente à Marinha. Com cerca de 114 mil hectares, é o único local do país com estrutura para o lançamento de foguetes do Sistema de Artilharia de Foguetes para Saturação de Área (Astros), segundo o Exército, que usa a área para treinamentos desde a década de 1960. Desde 2021, o exercício passou a contar também com a participação do Exército e da Força Aérea Brasileira. Foi naquele ano que o treinamento ganhou repercussão política: pela primeira vez, um comboio de veículos blindados da Força de Fuzileiros da Esquadra atravessou Brasília no mesmo dia em que o Congresso votava uma proposta de emenda à Constituição, e um convite foi entregue pessoalmente ao então presidente Jair Bolsonaro. A oposição à época interpretou a movimentação como uma tentativa de constranger o Legislativo, o que a Marinha negou, conforme registrou o Poder360. O despacho do Ministério da Defesa foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, aos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e às embaixadas dos três países em Brasília. A presença das tropas estrangeiras é temporária e está limitada ao período e às finalidades do exercício.

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Quadro de saúde do rei Harald da Noruega se agrava, informa corte real

O estado de saúde do rei Harald 5º, da Noruega, sofreu uma piora severa nesta quinta-feira (27) enquanto o monarca permanece internado no Hospital Universitário de Oslo, informou a corte real em comunicado oficial. Aos 89 anos, o chefe de Estado norueguês, que ocupa o trono desde 1991 e é o monarca mais idoso da Europa, recebe tratamento contra uma infecção bacteriana no sangue desde o dia 17 de agosto. Diante do quadro classificado como muito grave, o príncipe herdeiro Haakon e a rainha Sonja cancelaram compromissos públicos para acompanhar o rei na unidade de saúde, segundo a CNN Brasil.O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, declarou apoio público à monarquia em nota oficial, afirmando que a população acompanha a situação com apreensão e carinho. A estabilidade política do país nórdico não está em risco, já que a Noruega adota uma monarquia parlamentarista em que o rei desempenha funções constitucionais e cerimoniais de representação diplomática. Como aliado estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e principal fornecedor de gás natural para a União Europeia (UE), o governo de Oslo mantém seus canais institucionais sob a regência temporária do príncipe Haakon.Relações com o Brasil e cooperação climáticaPara o Brasil, os desdobramentos na casa real norueguesa tocam diretamente na diplomacia ambiental e nos investimentos energéticos bilaterais. A Noruega é a principal doadora internacional do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mecanismo central na captação de recursos para o combate ao desmatamento e o desenvolvimento sustentável. Além da cooperação governamental em fóruns multilaterais sobre clima, empresas norueguesas como a petroleira estatal Equinor e a produtora de alumínio Norsk Hydro possuem operações de grande porte no território brasileiro.Diplomatas em Brasília avaliam que uma eventual transição para o reinado de Haakon manterá a continuidade das políticas de Estado da Noruega, uma vez que o herdeiro já participou de agendas diplomáticas e apoia a pauta climática e multilateral. Em declarações anteriores, o rei Harald descartou renunciar ao trono, reiterando que seu juramento à Constituição foi feito para toda a vida, o que reforça o caráter estritamente regencial da atual liderança de Haakon durante a hospitalização.

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EUA suspendem agendamento de vistos de imigrantes no mundo

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu por tempo indeterminado os agendamentos para entrevistas de vistos de imigrante em consulados e embaixadas em todo o mundo. A categoria atende estrangeiros que buscam residência permanente no território americano. Segundo a pasta, a paralisação global tem como objetivo treinar funcionários consulares para reforçar os critérios de avaliação socioeconômica dos requerentes, conforme relatou o jornal britânico Financial Times e confirmou o Poder360.O governo americano busca impedir a entrada de solicitantes com base na regra de "encargo público", dispositivo legal que restringe a concessão do documento a quem possa depender de benefícios estatais no futuro. Solicitantes que já possuíam datas reservadas receberam mensagens eletrônicas informando o adiamento das entrevistas, sem prazo para remarcação. A manobra administrativa permite que a Casa Branca reduza a imigração legal sem depender de alterações legislativas no Congresso americano.No Brasil, a decisão atinge diretamente milhares de profissionais e famílias com pedidos de reagrupamento e autorização de trabalho em andamento nos consulados do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre. A nova barreira surge poucos dias após a juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anular uma portaria do secretário de Estado Marco Rubio que barrava a emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, lista que incluía o Brasil. Com a suspensão geral das agendas, Washington restabelece o travamento dos processos por via burocrática.Além do congelamento de vistos permanentes, Washington prepara a revogação de até 200 mil vistos de turismo e negócios, das classes B1 e B2, de cidadãos estrangeiros que entraram nos Estados Unidos e pediram asilo. Governos da América Latina e da União Europeia acompanham as medidas como um estreitamento generalizado das vias legais de mobilidade, impondo incertezas a candidatos que cumpriram todas as etapas formais e pagaram taxas consulares sem garantia de atendimento.

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Governo Lula projeta negociação longa com EUA e vê alívio tarifário distante

A ofensiva tarifária de Washington contra múltiplos parceiros comerciais volta a ditar o ritmo das relações bilaterais no continente americano. Ao recorrer a investigações setoriais para impor sobretaxas unilaterais, o governo do presidente americano Donald Trump busca pressionar contrapartes a abrir mercados para manufaturas e produtos agrícolas dos Estados Unidos, além de exigir concessões em regulação digital. Nesse tabuleiro de interesses, a Casa Branca utiliza barreiras alfandegárias como instrumento direto de barganha, enquanto parceiros tentam preservar nichos de exportação e conter prejuízos a cadeias produtivas integradas. O foco de Washington recai sobre a remoção de tarifas estrangeiras a itens como o etanol de milho e a revisão de normas locais sobre plataformas digitais. Para o Brasil, o impacto dessa estratégia se materializou em duas rodadas consecutivas de sobretaxas neste ano, que somam 37,5% sobre diversos bens nacionais, segundo apurou o portal G1. Embora produtos como café, petróleo e carne bovina tenham permanecido na lista de isenções, segmentos cruciais como calçados, madeira, máquinas e açúcar continuam sob a tributação máxima americana. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que uma solução dificilmente ocorrerá antes do encerramento do calendário eleitoral de outubro. A retomada formal do diálogo técnico está marcada para a próxima segunda-feira, 31 de agosto, em reunião virtual entre o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o titular do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O encontro ocorre após um telefonema de 80 minutos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na semana anterior. A estratégia de Brasília consiste em fatiar as conversas por setores, iniciando por bens de capital, setor automotivo e indústria química. No setor agrícola, o governo brasileiro sinaliza disposição para reduzir a tarifa de 18% sobre o etanol de milho americano caso os Estados Unidos elevem a cota de importação para o açúcar brasileiro, hoje limitada a 155 mil toneladas anuais sob tarifa reduzida. Ao mesmo tempo em que aposta na via negociada para ampliar exceções, o governo federal mantém em andamento o processo administrativo para acionar a lei de reciprocidade comercial. Fontes da equipe econômica indicam que, sem avanços concretos nos próximos meses, o Brasil poderá formalizar tarifas retaliatórias contra exportações norte-americanas.

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Rússia adverte Reino Unido e França sobre envio de armas de longo alcance

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia advertiu formalmente os governos do Reino Unido e da França sobre o fornecimento de novos armamentos de longo alcance para a Ucrânia. A diplomacia russa afirmou que instalações e alvos militares ocidentais poderão ser atingidos caso projéteis britânicos ou franceses sejam disparados contra alvos no território da Federação Russa, elevando o grau de atrito direto com integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A advertência de Moscou ocorre em um momento de endurecimento diplomático em capitais europeias. Enquanto Londres e Paris sustentam a entrega de mísseis para conter o avanço das tropas russas e atingir linhas de suprimento inimigas, o governo de Vladimir Putin tenta traçar limites para evitar ataques profundos em seu solo. Para os Estados Unidos e os demais parceiros da aliança ocidental, a equação envolve manter a sustentação militar a Kiev sem precipitar um confronto militar direto entre potências nucleares. Para o Brasil, o recrudescimento da retórica militar amplia a complexidade diplomática no Palácio do Itamaraty. O governo brasileiro mantém a defesa formal de negociações de paz e da integridade territorial, mas evita sanções unilaterais contra a Rússia, parceira relevante no grupo dos BRICS (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No campo econômico, qualquer expansão do conflito que atinja portos ou rotas de navegação no leste europeu gera volatilidade nos preços globais de fertilizantes e combustíveis, dois insumos estratégicos para o agronegócio e a inflação brasileira. Diálogo de segurança e riscos de escalada Contatos discretos entre serviços de inteligência continuam em andamento para tentar monitorar os limites do confronto. Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, o diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Ratcliffe, esteve em Moscou para conversar com autoridades russas de espionagem sobre a crise na Europa Oriental. O objetivo dessas conversas técnicas é prevenir incidentes involuntários entre forças da OTAN e a Rússia que possam desencadear uma resposta em cadeia no continente. Analistas e diplomatas avaliam que as advertências russas funcionam como medida de dissuasão diante da pressão ucraniana por maior alcance operacional. Com a continuidade dos combates terrestres e o uso de mísseis balísticos e de cruzeiro, a linha que separa o apoio logístico ocidental de um envolvimento militar direto permanece no centro do debate sobre o futuro da segurança internacional.

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EUA voltam a bombardear barcos no Pacífico após dois meses de trégua

Os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra embarcações que, segundo o governo americano, transportam drogas em águas próximas à América do Sul, após dois meses de aparente trégua. O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), comando militar responsável pelas operações na América Latina, anunciou na segunda-feira (24) um "ataque cinético letal" contra uma lancha que navegava no Pacífico Oriental, em rota apontada como corredor de narcotráfico. As duas pessoas a bordo morreram, informou o Southcom, sem apresentar evidências da carga.Segundo a Folha de S.Paulo, o ataque ocorreu no domingo (23), mais de dois meses depois do último bombardeio anunciado por Washington, em 21 de junho. O padrão se repetiu: um vídeo publicado pelo Southcom na rede social X mostra a lancha em movimento sendo atingida por um projétil e explodindo em chamas, cena semelhante à dos mais de 60 ataques que, somados, mataram ao menos 220 pessoas desde o início da campanha. "A operação resultou na morte de dois narcoterroristas", escreveu o comando, usando o termo empregado pelo governo Donald Trump para os suspeitos de tráfico. Na operação de junho, duas pessoas morreram e outras seis que estavam na embarcação sobreviveram ao míssil americano, informa a Folha."Deixe-me ser claro: não permitiremos que narcoterroristas operem impunemente no hemisfério Ocidental nem que seu veneno mortal chegue às comunidades americanas. Esta operação é uma demonstração poderosa de nossa precisão letal, capacidade esmagadora e determinação absoluta em proteger o território dos EUA", afirmou o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul.Para o Brasil, a retomada acende um alerta diplomático. O país, assim como o México, ficou de fora do Escudo das Américas, coalizão antidrogas lançada por Trump em março, em uma cúpula em Miami, que reúne cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, segundo O Globo. O pacto permite que Estados-membros solicitem apoio militar americano contra infraestrutura e rotas de cartéis, conforme a página da Wikipédia sobre a iniciativa. Fora da coalizão, o governo brasileiro acompanha à distância uma campanha que pode sair do mar: de acordo com a Gazeta do Povo, a retomada dos bombardeios vem acompanhada de declarações de que os Estados Unidos devem realizar em breve ações terrestres na região, cenário que colocaria a soberania dos países sul-americanos no centro do debate.Aliados de Washington se movimentam na regiãoOs governos alinhados a Trump, por sua vez, avançam. Na quarta-feira (26), o Equador anunciou que fará operações conjuntas de combate às drogas com a Colômbia e os Estados Unidos na fronteira com o país vizinho, onde atuam diversos grupos armados, informou O Globo. "Os Estados Unidos também farão parte das estratégias que implementaremos", disse o ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo. Tanto o presidente Daniel Noboa quanto Abelardo de la Espriella, o político de direita eleito presidente da Colômbia em 21 de junho, mesmo dia do último ataque naval antes da trégua, integram a coalizão liderada por Trump.A ofensiva tem também um capítulo verbal. Desde a cúpula de Miami, Trump passou a chamar o México de "epicentro" da atividade dos cartéis no hemisfério e a criticar diretamente a presidente Claudia Sheinbaum, segundo a cobertura da imprensa americana compilada pela Wikipédia. A retórica, somada à promessa de agir em terra, mantém os governos da região em expectativa sobre os próximos alvos de Washington.A eficácia da campanha, porém, é questionada. Especialistas ouvidos pela Folha apontam que a rota marítima bombardeada no Pacífico não é a principal via de tráfico de drogas para os Estados Unidos.

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Brasileira traficada no Camboja diz ter sido oferecida como 'prêmio' e estuprada

Uma brasileira traficada para um complexo de golpes em Poipet, cidade do Camboja na fronteira com a Tailândia, foi oferecida como "prêmio" a criminosos e estuprada. O depoimento foi colhido pela Anistia Internacional e publicado em junho, em um relatório sobre a indústria de fraudes no país, e revelado nesta semana pela Folha de S.Paulo na série Carga Humana. O caso expõe a dupla violência a que são submetidas as mulheres vítimas de tráfico humano no Sudeste Asiático: ao cativeiro e ao trabalho forçado soma-se o abuso sexual.A vítima, identificada como Cecília, nome fictício, era mantida em um dos complexos onde pessoas aliciadas com falsas promessas de emprego são obrigadas a aplicar golpes financeiros em jornadas exaustivas. Quando o gerente do local decidiu recompensar o "bom desempenho" de um grupo de golpistas, entregou a brasileira a eles como um objeto."Foi como um prêmio por um bom trabalho. Ele disse que eu era como 'um presente'. Me estupraram", relatou Cecília à Anistia Internacional.O caso de Cecília se soma ao de outros brasileiros. Dos 84 registros de tráfico de pessoas envolvendo cidadãos do país em 2025, 54,8% eram mulheres, incluindo uma transexual, segundo dados do Protocolo Operativo Padrão de Atendimento divulgados pelo Ministério da Justiça. Em 2024, os homens eram maioria, com 58,7% dos 63 casos. O Camboja foi o principal destino das vítimas brasileiras no ano passado, com 44 dos 84 registros, de acordo com a série da Folha.Os próprios números oficiais refletem a invisibilidade do abuso sexual. Nos atendimentos registrados pelo protocolo, o trabalho escravo apareceu como a principal finalidade do crime em 2025; nos inquéritos da Polícia Federal (PF), liderou a exploração sexual. Para Marina Bernardes, coordenadora-geral de enfrentamento ao tráfico de pessoas e contrabando de migrantes do Ministério da Justiça, ainda é cedo para dizer se a predominância feminina marca uma nova tendência, mas o dado da PF "quebra" a invisibilização da exploração sexual como finalidade do tráfico.O que diz a Anistia InternacionalO relato da brasileira integra o relatório Falling Through the Cracks ("caindo pelas brechas"), em que a Anistia avalia a ofensiva anunciada pelo governo cambojano em julho de 2025 contra os complexos de golpes, instalações controladas por grupos criminosos organizados que funcionam como prisões. A organização mapeou 86 complexos no país e encontrou evidências de intervenção estatal em apenas 24. Entre os 73 sobreviventes de 16 países ouvidos para o estudo, seis mulheres descreveram estupros e outros maus-tratos, e cinco disseram ter sido violentadas por gerentes. Nenhum dos 73 foi reconhecido pelas autoridades como vítima de tráfico humano.Por trás dos números, os interesses em jogo divergem. O governo do Camboja afirma ter fechado mais de 200 centros de golpes e libertado mais de 3 mil vítimas, e quer projetar controle sobre um problema que mancha a imagem do país. A Anistia vê gestão de aparências: sobreviventes contaram que policiais iam aos complexos remover corpos e tomar café com os gerentes, sem prender ninguém. "Por trás de cada manchete sobre uma operação policial ou uma prisão há sobreviventes de escravidão, tortura e estupro deixados quase sem apoio", disse Montse Ferrer, codiretora regional da organização. Os países de origem das vítimas, entre eles o Brasil, enfrentam a pressão contrária: repatriar cidadãos. Em janeiro, a Anistia já alertava para uma crise humanitária de sobreviventes sem passaporte, dinheiro ou assistência, entre eles brasileiros, e cobrava ação dos governos de origem.A mesma rede que escraviza estrangeiros no Camboja mira vítimas dentro do Brasil. Outra reportagem da série da Folha mostrou brasileiros traficados obrigados a aplicar golpes contra compatriotas se passando por agentes da Polícia Federal. Para Brasília, o desafio é duplo: dar resposta consular aos que conseguem sair dos complexos e interromper o aliciamento que começa com a promessa de um emprego do outro lado do mundo.

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Trump diz que EUA detonaram minas iranianas; Irã e Omã fecham acordo sobre Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (25) que a Marinha americana removeu ou detonou todas as minas navais instaladas pelo Irã no Estreito de Ormuz, a passagem por onde circulava um quinto da produção mundial de petróleo e de gás natural liquefeito (GNL) antes da guerra no Oriente Médio. Um dia depois, o regime de Teerã anunciou um acordo com Omã para administrar o estreito, hoje obstruído, com a previsão de um corredor de navegação temporário e de um projeto conjunto de desminagem.Os chanceleres de Irã e Omã se reuniram na terça em Teerã e divulgaram comunicado conjunto sobre "a implementação de um plano em etapas", segundo o g1. O anúncio formal do arranjo veio nesta quarta-feira (26), quando o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, disse à TV estatal que o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes sejam finalizados, informou a Folha de S.Paulo. "A rota acertada é temporária", afirmou. Na véspera, Trump havia escrito na rede Truth Social que o país monitora cada centímetro quadrado do estreito por satélite, por meio da Força Espacial, e que atacará qualquer embarcação que tentar instalar novas minas."Acabei de ser informado pela Marinha dos Estados Unidos que todas as minas foram removidas e/ou detonadas nas águas internacionais do Estreito de Ormuz. O Irã foi notificado de que qualquer navio ou embarcação que colocar novas minas será imediata e sistematicamente destruído. Há uma política de tolerância zero para a colocação de minas em pleno vigor", escreveu Trump.O que muda para o BrasilPara o Brasil, o capítulo de Ormuz se lê principalmente no preço do petróleo. A guerra e a obstrução do estreito elevaram o petróleo no mercado internacional, e o reflexo chegou à bomba: nesta semana, o Ministério da Fazenda prorrogou até 9 de setembro o subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina, criado em maio para conter os efeitos da guerra na economia brasileira, de acordo com o g1. Ao justificar a prorrogação, a pasta citou as "recentes oscilações no mercado internacional de petróleo e seus derivados" e seus possíveis reflexos nos preços domésticos.O tamanho do amortecedor aparece nos números de maio: sem a subvenção, um reajuste de R$ 0,48 da Petrobras teria sido repassado integralmente às distribuidoras; com ela, o aumento efetivo foi de R$ 0,04 por litro. Em julho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina, outra medida para conter a inflação dos combustíveis. Se a desminagem anunciada por Trump e o corredor negociado por Teerã e Mascate normalizarem o fluxo de Ormuz, a tendência é de alívio dessa pressão. Até lá, o cenário oficial segue sendo o de volatilidade.Interesses em disputa no estreitoA referência de Trump a "águas internacionais" contrasta com a geografia do local. Como observa a Folha, não há águas internacionais no estreito, apenas o encontro dos limites territoriais de Irã, ao norte, e Omã, ao sul, separados por um mínimo de 39 km. Antes da guerra, o tráfego era livre por um corredor com três faixas de 3 km cada: uma de entrada, uma de saída e uma de separação. Washington, que iniciou a guerra ao lado de Israel em 28 de fevereiro, já disse se opor a qualquer solução para Ormuz que não passe por seu controle. Na segunda-feira (24), o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, afirmou que "de forma alguma" descarta "o uso de ataques cinéticos em qualquer ponto do Estreito de Ormuz ou nos arredores do Irã", no mesmo dia em que os EUA anunciaram uma nova leva de sanções a Teerã, em uma ofensiva batizada de "Dia D econômico".Do outro lado, o Irã busca transformar a posição geográfica em receita e alívio de sanções. "Nessas negociações, acordos foram alcançados acerca da fatia do Irã e de Omã nas águas e nas suas receitas", disse Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária, segundo a Folha; a força condiciona a implementação do arranjo ao aval de Washington. O ministro da Economia iraniano prometeu "mais uma derrota" aos EUA e disse dispor de um "plano de dois anos" para enfrentar as restrições americanas. Omã, por sua vez, tenta recuperar o papel de mediador que exercia antes do conflito, no qual já foi alvo de 70 ataques iranianos, segundo a Folha. Na semana passada, Trump chegou a ameaçar bombardear o sultanato, um aliado americano, caso a negociação com Teerã prosperasse.Trump também voltou a acusar Teerã de executar manifestantes e falou em "crise humanitária de proporções épicas". O chanceler iraniano respondeu que as novas sanções são "uma ameaça ao direito internacional e à carta da ONU". Com o estreito ainda obstruído e os detalhes do acordo em aberto, a normalização de Ormuz permanece uma promessa condicionada a um aval que, até agora, Washington não deu.

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China ameaca retaliar sancoes dos EUA ao Ira e tensiona relacao com Trump

O governo chines afirmou nesta semana que tomara 'todas as medidas necessarias' para proteger seus interesses depois que os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sancoes contra o Ira, batizada pelo secretario do Tesouro americano, Scott Bessent, de 'Operacao Economic Outcast'. Em coletiva regular em Pequim, o porta-voz do Ministerio das Relacoes Exteriores da China, Lin Jian, disse que a cooperacao entre China e Ira sempre foi conduzida dentro do arcabouco do direito internacional e nao deve ser interferida ou interrompida, segundo reportagens do The Guardian e da Al Jazeera.A resposta chinesa marca uma nova escalada nas tensoes comerciais e diplomaticas entre Washington e Pequim, poucas semanas antes de uma cupula prevista entre o presidente americano Donald Trump e o lider chines Xi Jinping, marcada para 24 de setembro na Casa Branca. A China e a maior compradora do petroleo iraniano, adquirindo hoje cerca de 80% das exportacoes do pais, segundo o The Guardian. O comercio bilateral entre os dois paises somou US$ 9,96 bilhoes em 2025, sem contar mais US$ 31,2 bilhoes em remessas de petroleo iraniano, conforme dados citados pela Al Jazeera com base na Comissao de Revisao Economica e de Seguranca EUA-China.O episodio ilustra como conflitos distantes reverberam sobre cadeias de comercio das quais o Brasil tambem depende. Assim como a China busca diversificar fornecedores de energia e minerais criticos em meio a atritos com Washington, o Brasil tem sido cortejado tanto por americanos quanto por chineses em negociacoes sobre tarifas e terras raras, ativo que o governo brasileiro classificou como estrategico na disputa entre as duas potencias. Uma escalada prolongada entre EUA e China pelo Ira pode redesenhar fluxos de commodities e afetar precos de energia que chegam ao mercado brasileiro.Os interesses em jogoBessent anunciou sancoes iniciais contra 60 individuos, entidades e embarcacoes por suposto envolvimento no comercio com o Ira, mas nenhuma instituicao financeira chinesa constava da lista, o que analistas interpretam como sinal de cautela de Washington. Questionado sobre o motivo de nao declarar sancoes imediatas contra a China, Bessent respondeu que nao queria explodir o sistema financeiro global, segundo o The Guardian. Ainda assim, ele afirmou que nenhuma entidade esta acima do alcance das sancoes americanas e que qualquer instituicao que facilite lavagem de dinheiro em nome do Ira sera removida do sistema do dolar.Para Pequim, o calculo e duplo: de um lado, evitar uma ruptura com Washington as vesperas do encontro entre Trump e Xi; de outro, nao abrir mao de um fornecedor de petroleo a precos descontados nem ceder a pressao em um momento de disputa mais ampla por minerais criticos e tarifas. Trita Parsi, do Quincy Institute for Responsible Statecraft, em Washington, disse a Al Jazeera que e improvavel que os EUA avancem contra entidades chinesas poucas semanas antes de Xi chegar a Washington. Ja Wang Wen, decano do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da Universidade Renmin da China, afirmou a mesma reportagem que Pequim inevitavelmente tomara contramedidas caso os EUA avancem, mas que a intensidade da resposta chinesa dependera da gravidade das acoes americanas.O Ira, por sua vez, mantem a postura de desafio. O ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, disse na televisao estatal que a defesa do pais nao e mais tao defensiva e que os inimigos devem esperar um ataque, segundo o The Guardian. O conflito tambem tem desdobramentos no Estreito de Ormuz, rota estrategica para o transporte de petroleo, onde Ira e Oma discutem um acordo para gestao conjunta da via maritima. Um navio petroleiro foi atingido por um projetil nao identificado na embocadura do estreito nesta semana, segundo o centro britanico de operacoes comerciais maritimas, que informou nao haver vitimas nem danos ambientais aparentes.

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Russia confirma visita do diretor da CIA a Moscou, mas nega reuniao com Putin

O Kremlin confirmou nesta quarta-feira (26) que John Ratcliffe, diretor da Central Intelligence Agency (CIA), a agencia de inteligencia dos Estados Unidos, visitou Moscou na terca-feira (25). O porta-voz russo Dmitry Peskov disse que Ratcliffe conversou com autoridades dos servicos de seguranca russos, mas negou que tenha havido encontro com o presidente Vladimir Putin, segundo o G1 e a CNN Brasil.A visita havia sido noticiada um dia antes pela rede de TV americana CBS e pelo site Axios, mas so foi confirmada oficialmente pelos governos russo e americano nesta quarta. Dados do site de monitoramento de voos Flightradar24, citados pelo G1, mostram que uma aeronave militar americana, um Boeing Globemaster com matricula 07-7181, decolou da Letonia rumo ao aeroporto de Vnukovo, em Moscou, na madrugada de terca-feira, e retornou horas depois. Segundo o jornal britanico Financial Times, os Estados Unidos pediram a Ucrania que suspendesse ataques a Moscou, Sao Petersburgo e outras regioes do norte da Russia entre segunda e quarta-feira para viabilizar o deslocamento, pedido que teria sido atendido por Kiev.O que esta em jogo para cada ladoA viagem ocorre num momento de forte tensao entre Washington e Moscou por causa da guerra na Ucrania, que ja dura mais de tres anos, e da estagnacao das negociacoes entre os Estados Unidos e o Ira sobre um programa nuclear, tema em que a Russia tambem tem interesses estrategicos. Peskov afirmou que contatos entre os servicos de inteligencia dos dois paises costumam continuar mesmo durante os periodos mais dificeis das relacoes bilaterais, mas evitou dizer se esse tipo de canal pode ajudar a tirar a relacao EUA-Russia da crise profunda em que se encontra. O porta-voz tambem nao revelou o conteudo das conversas, dizendo apenas que Putin foi informado sem demora sobre o resultado dos encontros.Nao e a primeira vez que Washington envia autoridades de alto escalao a Moscou fora dos canais diplomaticos tradicionais. O presidente americano Donald Trump ja recorreu a enviados como o genro Jared Kushner e o negociador especial Steve Witkoff para dialogar diretamente com Putin. O uso da CIA como canal de comunicacao, em vez do Departamento de Estado, sinaliza que Washington busca uma via discreta e menos sujeita ao escrutinio publico para tratar de temas sensiveis, que vao da guerra na Ucrania a possiveis trocas de prisioneiros, segundo apontou o G1.Para o Brasil, episodios como este reforcam um cenario internacional em que as grandes potencias recalibram aliancas e canais de negociacao fora dos foruns multilaterais tradicionais, como a Organizacao das Nacoes Unidas (ONU). O pais, que mantem relacoes diplomaticas com Moscou e integra o grupo BRICS ao lado da Russia, tem interesse direto na estabilidade das negociacoes sobre a guerra na Ucrania, tanto pelo impacto no mercado de fertilizantes e graos quanto pela posicao que Brasilia tenta ocupar como voz de mediacao entre o Ocidente e paises do Sul Global. Uma eventual distensao entre Washington e Moscou, ainda que incipiente, tende a repercutir nos precos de commodities e na dinamica de blocos como o proprio BRICS e o G20.Ate o momento, nem a Casa Branca nem a CIA confirmaram publicamente os detalhes da viagem de Ratcliffe, e os unicos dados concretos vem da confirmacao do Kremlin e dos registros de voo citados pela imprensa internacional.

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Incêndio em ar-condicionado mata ao menos 14 recém-nascidos em maternidade de Islamabad

Um incêndio provocado por um curto-circuito no ar-condicionado da UTI neonatal do Instituto Paquistanês de Ciências Médicas (PIMS, na sigla em inglês), o maior hospital público de Islamabad, matou ao menos 14 recém-nascidos na madrugada desta quarta-feira (26), segundo reportagem da Al Jazeera com base em relatos de familiares e da administração do hospital, confirmada pelo jornal paquistanês Dawn. O berçário, que abrigava 15 bebês no momento do incêndio, ficava no terceiro andar da ala mais antiga da maternidade do hospital. Apenas um recém-nascido foi resgatado com vida.Segundo o relato da Al Jazeera, o fogo começou por volta das 6h30 (horário local). Arif Rana, de 46 anos, dormia no gramado em frente à maternidade quando recebeu uma ligação avisando que um incêndio havia começado na ala onde sua irmã, que tinha dado à luz um dia antes, estava internada. Ele correu descalço para dentro do prédio e encontrou os corredores do terceiro andar escuros e sufocantes."Estava quente, e eu conseguia ouvir tanta gritaria e gritos de pânico, e eu nem conseguia enxergar por causa da escuridão", relatou Rana à reportagem. "A fumaça dificultava a respiração."Embora o Paquistão e o Brasil tenham poucos laços diplomáticos diretos, a tragédia reacende um debate recorrente em hospitais ao redor do mundo sobre segurança contra incêndio e saídas de emergência bloqueadas, tema familiar no Brasil desde o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, quando portas trancadas transformaram o local em uma armadilha e mataram 242 pessoas. No Paquistão, testemunhas ouvidas pela Al Jazeera afirmaram que as saídas de emergência da ala estavam bloqueadas por dentro, embora um funcionário do hospital tenha dito à BBC que a porta não estava trancada, mas apenas guardada por seguranças. Moradores relataram ainda que obras de reforma vinham ocorrendo no prédio nas semanas anteriores ao incêndio, sem que ninguém soubesse detalhar o escopo dos trabalhos.Relatos de fumaça e resgateEquipes de resgate levaram cerca de dez minutos para chegar ao local após o primeiro chamado, por volta das 6h45, segundo a administração distrital de Islamabad. Um bombeiro da unidade de resgate Rescue 1122, que preferiu não se identificar por não estar autorizado a falar à imprensa, contou à Al Jazeera que a equipe teve de quebrar grades de concreto e depois janelas para conseguir entrar no prédio e retirar pessoas presas. Kamran Riaz, tio de uma das vítimas, disse que a filha do irmão, nascida havia apenas três dias e internada por problemas respiratórios, estava entre os 14 bebês mortos. "Não temos clareza sobre o que está acontecendo", afirmou Riaz, enquanto o irmão prestava amostra de DNA no necrotério do hospital.Segunda tragédia semelhante em dois anosSegundo múltiplos veículos paquistaneses, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif determinou a abertura de uma investigação e afastou o secretário federal de Saúde, Aslam Ghouri, do cargo após o incêndio. Não é a primeira vez que uma falha no ar-condicionado de um hospital mata recém-nascidos no país: em junho de 2024, um incêndio semelhante no Hospital Sahiwal Teaching, na província de Punjab, matou 11 bebês. Na ocasião, a governadora de Punjab, Maryam Nawaz, determinou a prisão do superintendente médico do hospital e de três médicos seniores, depois que investigações constataram que os extintores de incêndio do local estavam vencidos.O magistrado distrital de Islamabad abriu uma apuração sobre o caso desta quarta-feira, com prazo de 24 horas para apresentar um relatório preliminar, segundo o jornal Dawn. Famílias que perderam bebês na tragédia permaneceram do lado de fora do hospital ao longo do dia, cobrando explicações da direção do PIMS sobre a ausência de funcionários no berçário no momento do incêndio e sobre a existência de apenas uma saída disponível na ala afetada.

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EUA suspendem agendamento de entrevistas para vistos de imigrantes em todo o mundo

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu temporariamente os agendamentos de entrevistas para vistos de imigrantes em embaixadas e consulados americanos em todo o mundo, incluindo o Brasil. Segundo o Poder360, o Departamento de Estado americano informou que a pausa vai permitir um treinamento global de funcionários consulares, sem precisar quando os atendimentos serão retomados. A medida atinge exclusivamente os vistos de imigrantes, destinados a quem pretende residir permanentemente no país, e não afeta vistos de turismo.A pausa chega poucos dias depois de uma derrota judicial do governo americano. Na sexta-feira, 21 de agosto, a juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anulou uma suspensão anterior da emissão de vistos de imigrantes para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil, por entender que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia excedido sua autoridade ao impor as restrições. Essa política, adotada em janeiro deste ano, baseava-se em regras sobre estrangeiros que poderiam se tornar um "encargo público" para os cofres americanos, ou seja, dependentes de benefícios sociais do governo.O que muda para o BrasilComo um dos países cujos cidadãos já haviam sido alvo da tentativa de restrição derrubada na Justiça, o Brasil está diretamente exposto à nova pausa, que agora tem alcance mundial e uniforme. Segundo a CNN Brasil, brasileiros que já tinham entrevistas marcadas começaram a receber e-mails informando que a data seria remarcada, sem indicação de nova data. O especialista em Direito Internacional Daniel Toledo disse à emissora que quem já organizou a vida em torno do agendamento, incluindo compra de passagens, não tem recurso legal para contestar o cancelamento. "O único recurso que a pessoa tem é Deus", afirmou.O Departamento de Estado afirmou ao jornal britânico Financial Times que o treinamento busca preparar os agentes consulares para avaliar, de forma "abrangente e consistente", se os solicitantes de visto têm probabilidade de se tornar dependentes de assistência pública. "Uma América mais próspera significa garantir que os solicitantes de visto não tenham probabilidade de se tornar um encargo público", disse um porta-voz da pasta ao jornal. Toledo especula que a pausa também pode ser uma resposta tática à derrota na Justiça: ao suspender os agendamentos para todos os países, o governo evita a acusação de discriminar nacionalidades específicas enquanto reorganiza os critérios de análise.A pausa se soma a um conjunto mais amplo de restrições migratórias adotadas pela administração Trump desde o início do segundo mandato do republicano, que incluem exigência de perfis abertos em redes sociais para vistos de estudante, medida depois estendida a jornalistas, além de revogações de vistos e green cards. O governo também se prepara para revogar vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que entraram nos EUA com vistos B1 ou B2 e depois solicitaram asilo, uma medida que, se confirmada, seria a maior revogação em massa de vistos da história do país.O pano de fundo econômico dá peso à discussão. Segundo estimativas do Instituto Brookings citadas pela CNN Brasil, os Estados Unidos registraram em 2025, pela primeira vez em cerca de 50 anos, um saldo negativo de entrada de imigrantes, com mais pessoas deixando o país do que chegando. O mesmo instituto projeta uma perda de aproximadamente US$ 1,9 trilhão em bens e serviços até 2028 em razão da redução da força de trabalho estrangeira, um dado que alimenta a pressão política sobre o Congresso americano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.

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Brasil e EUA marcam reunião virtual para retomar negociação tarifária

Desde que os Estados Unidos ampliaram tarifas sobre parceiros comerciais ao longo de 2026, países como Canadá, México e Brasil vêm negociando, caso a caso, formas de reduzir o impacto das sobretaxas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) se tornou o principal canal dessas tratativas bilaterais, e cada país tenta extrair concessões diferentes conforme o peso de seus produtos na pauta de exportação para o mercado americano.Nesse cenário, o Brasil confirmou um novo passo. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, vai se reunir por videoconferência com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na próxima segunda-feira (31), às 14h30 no horário de Brasília. A informação foi confirmada pelo MDIC e reportada pelo Jornal GGN e pelo Correio Braziliense.Para o governo brasileiro, o encontro reabre um canal que estava travado desde tentativas anteriores de negociação que não avançaram. Segundo Elias Rosa, a reunião foi marcada após troca de mensagens com Greer e representa o primeiro passo de uma nova agenda de negociações técnicas entre os dois países. O objetivo inicial de Brasília é ampliar a lista de produtos isentos das tarifas americanas, que hoje chegam a 37,5% sobre uma série de exportações brasileiras, segundo o Jornal GGN. Numa etapa posterior, o governo pretende negociar a reversão das medidas.Mais de 30 contatos desde o anúncio das tarifasO governo brasileiro afirma ter feito mais de 30 contatos com autoridades americanas, incluindo representantes da área comercial, desde que as tarifas foram anunciadas. A retomada do diálogo ocorreu depois de uma ligação telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na semana passada, que durou cerca de 1h20 e teve as tarifas como principal assunto, segundo o Jornal GGN.O tema também atravessa outro front da relação bilateral: a carne bovina. Trump afirmou nesta quarta-feira (26), em entrevista ao apresentador Glenn Beck, que vai avaliar regras do setor de processamento de carne nos Estados Unidos, hoje concentrado em quatro empresas, entre elas a JBS USA e a National Beef, controladas pelos grupos brasileiros JBS e MBRF, segundo o G1. A carne bovina não está hoje entre os produtos sujeitos à tarifa de 25%, mas o episódio mostra como os interesses comerciais dos dois países se cruzam além da mesa formal de negociação.Não há, até o momento, data prevista para a conclusão das negociações. Segundo o MDIC, a reunião de segunda-feira marca apenas a retomada formal do diálogo técnico entre Brasília e Washington, sem garantia de resultado imediato sobre a redução das tarifas.

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Avião militar dos EUA pousa em Moscou em viagem não anunciada do diretor da CIA

Um avião militar de transporte dos Estados Unidos pousou no aeroporto de Vnukovo, em Moscou, na terça-feira (25), enquanto o diretor da CIA, John Ratcliffe, realizava negociações não anunciadas com autoridades russas, segundo reportagem da emissora americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos. Nem Washington nem Moscou confirmaram oficialmente a natureza da visita ou com quem Ratcliffe se encontrou.De acordo com dados de rastreamento do Flightradar24 citados pela Reuters e pela BBC, a aeronave, um Boeing C-17 Globemaster com registro americano 07-7181, partiu de Riga, capital da Letônia, às 5h50 (horário de Brasília) e pousou em Vnukovo por volta das 4h da manhã, horário local ajustado. O avião havia chegado a Riga em 23 de agosto, vindo da base aérea de Camp Springs, nos arredores de Washington. Ele deixou Moscou na mesma terça-feira, retornando a Riga pouco antes das 14h (horário de Brasília).A Reuters não conseguiu confirmar se a aeronave transportava carga ou passageiros. O Kremlin disse não ter informações sobre o voo. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram o avião se aproximando do aeroporto moscovita, além de uma comitiva diplomática circulando pela capital russa.Segundo a BBC, antes da viagem os Estados Unidos avisaram a Ucrânia de que uma delegação de alto escalão se dirigiria a Moscou e pediram que Kiev suspendesse ataques até a partida da comitiva, de acordo com um funcionário ucraniano ouvido pela CBS. A viagem seria a primeira de Ratcliffe à Rússia desde que assumiu a direção da CIA, embora ele já mantivesse contato com seus contrapartes de inteligência em Moscou.Possíveis motivaçõesJohn Foreman, que serviu como adido militar britânico em Moscou entre 2019 e 2022, disse ao programa PM, da rádio britânica Radio 4, que a visita pode estar relacionada ao 'gerenciamento de escalada' em meio a especulações de que atividades recentes de drones na Alemanha estariam ligadas à Rússia. 'Os americanos não costumam enviar um funcionário de tão alto escalão a Moscou sem aviso prévio, a não ser que algo esteja acontecendo', afirmou Foreman, que também citou a possível libertação de detidos americanos na Rússia como outro tema em jogo.Ratcliffe já esteve envolvido em negociações que resultaram na libertação da cidadã russo-americana Ksenia Karelina, presa na Rússia por mais de um ano, e a CIA participou da troca de prisioneiros de 2024 que devolveu aos EUA o jornalista do Wall Street Journal Evan Gershkovich, o ex-fuzileiro naval Paul Whelan e a jornalista russo-americana Alsu Kurmasheva. O último voo direto de um jato com registro americano à Rússia partindo da Europa havia ocorrido em janeiro deste ano, quando os enviados especiais Steven Witkoff e Jared Kushner viajaram a Moscou para negociações de paz sobre a Ucrânia com o presidente Vladimir Putin. As tratativas entre EUA e Rússia sobre o conflito ucraniano estão em grande parte paralisadas desde então, em meio à tensão em torno do Irã.

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Canada anuncia retaliacao de US$ 20 bi em tarifas contra os EUA

O Canada anunciou nesta terca-feira (25) uma nova rodada de tarifas de retaliacao contra os Estados Unidos, atingindo cerca de 700 produtos americanos avaliados em C$ 27,6 bilhoes (aproximadamente US$ 19,9 bilhoes, ou cerca de R$ 102,8 bilhoes). As medidas, que entram em vigor em 8 de setembro, terao aliquotas de 15%, 25% e 50%, segundo informou o G1. O anuncio veio horas depois de entrarem em vigor tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre US$ 20 bilhoes em produtos canadenses.Segundo o governo canadense, as novas contratarifas foram desenhadas para ter impacto limitado sobre consumidores e empresas do pais, mas para aumentar a pressao sobre os Estados Unidos. As tarifas de 50% vao incidir sobre setores como aco, aluminio, moveis e vestuario. Produtos como queijo, eletrodomesticos e alguns frutos do mar terao aliquota de 25%, enquanto eletronicos e ferramentas serao taxados em 15%, de acordo com um funcionario do governo citado pela agencia Reuters."O valor dolar por dolar das contratarifas, assim como um pacote de apoio de varios bilhoes de dolares, protegerao trabalhadores, agricultores, familias e empresas", afirmou o ministro das Financas do Canada, Francois-Philippe Champagne. O governo tambem anunciou um pacote de C$ 7,5 bilhoes (cerca de R$ 27,9 bilhoes) em apoio a trabalhadores e empresas afetados pela disputa comercial, incluindo financiamento para fluxo de caixa de pequenas e medias empresas.Segundo a BBC Brasil, o ministro de Inteligencia Artificial e Inovacao Digital, Evan Solomon, adotou tom firme ao comentar a escalada: "nao pedimos por esse conflito comercial, mas estamos preparados para ele". Ele acrescentou: "estamos prontos para fazer um bom acordo, mas nao vamos aceitar um acordo ruim. Nao vamos ceder, nao vamos recuar, vamos construir". O governo, no entanto, optou por nao incluir na retaliacao setores estrategicos para os EUA, como energia e potassio, do qual o Canada e o maior fornecedor mundial. Champagne disse que a resposta foi "proporcional" e direcionada aos produtos mais adequados para pressionar Washington.Escalada iniciada em 2025A disputa comercial entre os dois paises ganhou forca no inicio de 2025, quando Trump impos tarifas de 25% sobre a maior parte das importacoes canadenses e de 10% sobre produtos de energia, sob a justificativa de combater o trafico de drogas e a imigracao ilegal. O Canada respondeu com uma primeira rodada de tarifas de 25% sobre cerca de C$ 30 bilhoes em produtos americanos, ampliada depois para outros US$ 20,6 bilhoes. Em 22 de agosto, entraram em vigor novas tarifas americanas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhoes em produtos canadenses, como vinho, mel, roupas e equipamentos esportivos, apos o fracasso de negociacoes entre os paises. No dia seguinte, Trump anunciou ainda tarifas de 50% sobre carros, caminhoes, autopecas e aco importados do Canada, com vigencia prevista para janeiro de 2027.Para aplicar as novas tarifas, Trump recorreu a Secao 338 da Lei Tarifaria de 1930, uma norma nunca antes usada por um presidente americano para esse fim, segundo reportagem do jornal The New York Times citada pelo G1. O uso inedito da lei abre incertezas sobre sua interpretacao pelos tribunais e pode levar a nova disputa judicial. Segundo o economista Trevor Tombe, da Universidade de Calgary, citado pelo G1, a manutencao das tarifas americanas de 50% pode colocar mais de 87 mil empregos em risco no Canada. A escalada acende alerta tambem para outros parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, que ja negocia com Washington a reducao de tarifas aplicadas a exportacoes brasileiras.

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Revogação de vistos dos EUA já afeta América Latina há meses

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, a partir desta terça-feira (25), os agendamentos de entrevistas para vistos de imigração em todo o mundo, segundo um porta-voz do órgão citado pela agência Reuters e reproduzido pela Folha de S.Paulo. A medida, anunciada como parte de um treinamento global para funcionários consulares, é o capítulo mais recente de uma ofensiva que já vem restringindo e cancelando vistos na América Latina há meses, incluindo casos envolvendo autoridades brasileiras, mexicanas, chilenas e argentinas, segundo reportagem da CNN Brasil.À frente da política está Christopher Landau, subsecretário de Estado dos EUA, que se tornou conhecido nas redes sociais como 'o Revogador de Vistos', apelido que ele próprio celebra publicamente. O caso mais notório ocorreu em setembro de 2025, quando o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto do então presidente da Colômbia, Gustavo Petro, depois que ele incitou soldados americanos a desobedecer ordens do presidente Donald Trump durante um discurso em Nova York.No Brasil, o mesmo mecanismo já havia sido usado antes: o Departamento de Estado revogou os vistos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e de outros magistrados brasileiros, sob a alegação de que eles conduziam uma 'caça às bruxas política' contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Landau não anunciou formalmente a medida, mas se somou publicamente às críticas contra o ministro, o que aprofundou o desgaste diplomático entre Washington e Brasília.México e América do Sul também foram alvoNo México, mais de 50 vistos de políticos foram cancelados por supostas ligações com o narcotráfico nos primeiros dez meses do governo Trump, segundo levantamento da Reuters citado pela CNN Brasil, embora a identidade da maioria dos afetados não tenha sido divulgada. Entre os casos conhecidos está o do governador da Baja California, que negou qualquer vínculo com o crime organizado. Em agosto, Andrés Manuel López Beltrán, filho do ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, afirmou que teve o visto cancelado e atribuiu a decisão a Landau e ao secretário de Estado Marco Rubio. Na Argentina, a embaixada americana alertou em julho executivos de uma empresa de que vistos poderiam ser restringidos para quem fizesse negócios com a chinesa Huawei. No Chile, os EUA revogaram em março os vistos de três autoridades envolvidas no projeto de um cabo submarino entre o país e a China.Para Beata Wojna, professora de Relações Internacionais do Tecnológico de Monterrey e ex-embaixadora da Polônia no México, o uso político dos vistos deixou de ser exceção. Obter um visto não é mais suficiente; agora também é preciso saber como mantê-lo. Vistos, assim como os de comércio, energia ou minerais críticos, estão se tornando instrumentos de pressão. disse ela, em publicação na rede social X citada pela CNN Brasil.Novo plano pode ampliar revogações em massaO Departamento de Estado confirmou à CNN que prepara a revogação de vistos de trabalho ou negócios de milhares de pessoas que entraram nos EUA com essas permissões e depois solicitaram asilo. Segundo estimativas da agência Associated Press, citadas pela reportagem, o total de pessoas afetadas por pedidos de asilo desde 2016 pode chegar a 200 mil, o que representaria a maior campanha de revogação de vistos da história americana. Já a suspensão temporária dos agendamentos de entrevistas, revelada primeiro pelo Financial Times, atinge apenas vistos de imigração, destinados a quem pretende se estabelecer no país, sem indicação até agora de que vistos de turismo sejam afetados. Procurada pela Folha, a embaixada dos EUA em Brasília não respondeu até a publicação da reportagem.

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Broad Institute, dos EUA, diz que vai tentar ajudar Lito Sousa após apelo viral

O Broad Institute, centro de pesquisa ligado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à Universidade Harvard, afirmou nesta terça-feira (25/08) que está em contato com a equipe do influenciador brasileiro Lito Sousa para avaliar possíveis opções de tratamento contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), doença neurodegenerativa rara com a qual ele foi diagnosticado. 'Não sabemos se poderemos ajudá-lo, mas vamos tentar', disse o instituto em publicação nas redes sociais, segundo reportagem da revista Exame.A resposta veio depois que milhares de brasileiros passaram a marcar o instituto americano em mensagens de apoio a Sousa, mecânico e piloto de aviões conhecido pelo canal Aviões e Músicas, que reúne mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram. No domingo (23/08), o próprio influenciador gravou, em inglês, um vídeo publicado nas redes sociais com um apelo direto à Ionis Pharmaceuticals, ao Broad Institute, a Harvard e à Mayo Clinic, pedindo uma vaga em estudos experimentais sobre a doença, segundo a BBC News Brasil. No vídeo, o especialista em comunicação internacional Ewandro Magalhães resumiu o quadro em inglês e afirmou que 'cada minuto importa'.Dois estudos, nenhuma vaga disponívelSegundo a esposa de Lito, Mila Seidl, a família identificou dois estudos como as apostas mais promissoras: um ligado a Harvard, com o medicamento experimental ION717, desenvolvido pela Ionis Pharmaceuticals, e outro multicêntrico, que reúne centros de pesquisa na França, na Alemanha e na Inglaterra, e que estaria em fase mais avançada de desenvolvimento. Até o momento, porém, nenhum dos dois aceita novos participantes. A Ionis Pharmaceuticals confirmou à família que o estudo do ION717 está fechado para novas inclusões e que não é possível autorizar uso compassivo da substância, segundo a Exame. Já o Broad Institute sinalizou a possibilidade de uma entrevista inicial para que Sousa integre um grupo de controle, sem acesso à medicação em teste.'Eu tenho 0% de chance, mas se eu tiver 1% de chance em qualquer lugar, a gente quer esse 1%', disse Mila em vídeo publicado nas redes sociais, segundo a BBC News Brasil. Ela relatou que o quadro do marido tem se deteriorado rapidamente, incluindo perda parcial da visão de um dia para o outro. À Exame, Mila afirmou que, até a publicação da reportagem, todos os contatos em busca de alternativas de tratamento haviam sido feitos pela própria família, sem participação do Itamaraty, do governo federal ou do Ministério da Saúde.Essa versão diverge, porém, do que disse o Ministério da Saúde à CNN Brasil. O ministro Alexandre Padilha afirmou, também na terça-feira, que a pasta pediu formalmente a inclusão de Lito Sousa em um estudo experimental nos Estados Unidos e que ele e outros membros do ministério estão em contato com a família desde o fim de semana anterior. Padilha ressaltou que, até hoje, não existe no mundo nenhum tratamento aprovado para a DCJ.Por que a doença é tão difícil de tratarA DCJ é uma doença neurodegenerativa rara, com incidência estimada de 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano no mundo, causada por uma forma alterada da proteína príon. Cristiano Aguzzoli, pesquisador do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), explicou à BBC News Brasil que já existem estudos clínicos testando medicamentos capazes de reduzir a produção da proteína príon antes que o processo de neurodegeneração avance, mas que o desenvolvimento de um tratamento eficaz é particularmente difícil nesse caso. Segundo ele, a evolução rápida da doença, sua baixa incidência e a ausência de biomarcadores que a identifiquem antes do início dos sintomas dificultam a pesquisa, se comparada a doenças neurodegenerativas mais comuns e de progressão lenta, como o Alzheimer. Em geral, aponta a reportagem, passam-se cerca de seis meses entre o início dos sintomas e os estágios mais graves da DCJ, o que reduz drasticamente a janela de tempo para testar novos remédios.

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EUA retomam bombardeios a lanchas no Pacífico e matam dois após dois meses

Os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra embarcações que supostamente transportam drogas nas águas da América do Sul, após dois meses sem ataques anunciados na região. A operação ocorreu no domingo (23) no Pacífico Oriental e matou duas pessoas que estavam em uma lancha, segundo o Comando Sul dos Estados Unidos, que divulgou a ação na segunda-feira (24).Em publicação na rede social X, o Comando Sul afirmou ter executado um "ataque cinético letal" contra uma embarcação de baixo perfil que operava em rotas de narcotráfico já conhecidas no Pacífico Oriental. O comunicado diz que informações de inteligência confirmavam o envolvimento do barco com o tráfico e classifica os dois mortos como "narcoterroristas". Como destaca a Folha de S.Paulo, nenhuma evidência foi apresentada. A mensagem veio acompanhada de um vídeo que mostra uma lancha em movimento sendo atingida por um projétil e explodindo em chamas, no mesmo padrão das operações anteriores."Deixe-me ser claro: não permitiremos que narcoterroristas operem impunemente no hemisfério ocidental nem que seu veneno mortal chegue às comunidades americanas", afirmou o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul. Ao site Stars and Stripes, Donovan disse ainda que os Estados Unidos pretendem impor aos traficantes o que chamou de atrito sistêmico total, com a interrupção das operações, a desmontagem das lideranças e a eliminação do terror dos cartéis na região.Campanha soma mais de 60 ataques e centenas de mortosA campanha de bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico já ultrapassa 60 ataques. O número de mortos passa de 210, segundo o Stars and Stripes; a Folha fala em ao menos 220 vítimas. O ataque anterior havia ocorrido em 21 de junho, quando duas pessoas acusadas pelos EUA de narcotráfico morreram e outras seis que estavam na mesma embarcação sobreviveram ao míssil americano.A pausa de dois meses começou no dia em que o ultradireitista Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia, marco de uma guinada ideológica que levou aliados do presidente Donald Trump ao poder em diversos países da América do Sul, aponta a Folha. A retomada dos ataques ocorre em meio a uma ofensiva retórica de Washington na região: na semana passada, durante visita ao Panamá, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que Colômbia, Guatemala e Honduras concordaram em autorizar operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra grupos criminosos em seus territórios, segundo o Stars and Stripes.A Folha ressalta que a rota marítima atacada não é a principal via de entrada de drogas nos Estados Unidos. Neste ataque, como nos anteriores, o Comando Sul não apresentou provas públicas de que a embarcação destruída carregava drogas.

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Incêndio em hospital de Islamabad mata ao menos 15 recém-nascidos, diz TV paquistanesa

Um incêndio provocado por uma falha no sistema de ar-condicionado matou ao menos 15 recém-nascidos na manhã desta quarta-feira (26) no Instituto de Ciências Médicas do Paquistão (PIMS), hospital público de Islamabad, capital do país, segundo a emissora local Geo TV.O fogo começou por volta das 7h no horário local (23h de terça-feira em Brasília), no berçário da ala de ginecologia do hospital. Havia 16 recém-nascidos no local quando as chamas começaram, e apenas um foi resgatado, segundo a Geo. O incêndio foi controlado, e equipes de bombeiros ainda faziam o resfriamento da área durante a manhã.De acordo com a Geo News, que ouviu funcionários do hospital, o fogo começou depois que o compressor de um aparelho de ar-condicionado explodiu no berçário. Ao jornal paquistanês Dawn, um porta-voz do PIMS disse que o incêndio aparentemente foi causado por um curto-circuito e que ao menos um bebê foi salvo por um médico.O número de mortos varia conforme a fonte. Enquanto a Geo TV e a rede Al Jazeera falam em ao menos 15 vítimas, o Dawn e a agência Reuters registraram ao menos 14 mortes nas primeiras informações. Imagens da Reuters mostram familiares em desespero na entrada do hospital, entre eles o pai de um dos bebês sendo consolado por outras pessoas.Incêndios em alas neonatais já causaram tragédias anteriores no Paquistão. Em 2024, quatro recém-nascidos morreram em um incêndio em um hospital de Sahiwal, na província do Punjab, e, em 2020, um bebê morreu quando uma incubadora pegou fogo em um hospital infantil de Karachi, segundo registros do Dawn.

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EUA anunciam novas sanções ao Irã e pressionam aliados; China diz que manterá comércio

O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira (24) um novo pacote de sanções econômicas contra o Irã e ameaçou países que mantiverem relações comerciais com o regime de Teerã. Nesta terça-feira (25), a China respondeu que não deixará de negociar com os iranianos e que defenderá seus interesses, segundo reportagens do G1 e da BBC News Brasil.De acordo com o G1, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou cerca de 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas ao governo iraniano, com atuação nas áreas de energia nuclear, produção de mísseis, operações cibernéticas e petróleo. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as medidas também cobrem ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e navegação e que qualquer nação que se associar financeiramente ao Irã ficará isolada, segundo a BBC.As sanções fazem parte da "guerra econômica" anunciada por Donald Trump na semana passada; o presidente americano chegou a dizer que a segunda-feira seria o "Dia D da guerra econômica". "O presidente Donald Trump está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã", disse Bessent, segundo o G1. Ele afirmou que Washington definiu um cronograma para que cada país interrompa suas atividades com Teerã e ameaçou agir unilateralmente, por meio do Tesouro, contra quem não cumprir. Uma grande instituição financeira também deve ser sancionada nesta semana, sem mais detalhes. Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que o Irã está "colapsando completamente".Reação do Irã e da ChinaEm Teerã, o governo minimizou o anúncio. O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, classificou a medida como "a mesma velha conversa" e disse que o país está preparado para "qualquer cenário", segundo a BBC. O Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou que os países vizinhos que aderirem à campanha de pressão americana poderão enfrentar "consequências". No sábado (22), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, que também é o principal negociador do país com os EUA, afirmou que Teerã recebeu mensagens de vizinhos citando a criação de "novos acordos de segurança e cooperação econômica".Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse nesta terça que a cooperação com o Irã "sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações". Ele afirmou ainda que a China "tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses". A China é um dos principais compradores do petróleo iraniano, considera as sanções ilegais e defende um cessar-fogo no conflito.O Irã convive com sanções americanas há anos e aprendeu a contorná-las, em parte graças às fronteiras terrestres com sete países. Ainda assim, o bloqueio reduziu as exportações marítimas de petróleo e encareceu as importações, e a economia se deteriorou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, com a desvalorização do rial. Segundo a BBC, Teerã aposta que o tempo joga a seu favor: novas interrupções no Estreito de Ormuz podem elevar o preço do petróleo e da gasolina e pressionar a inflação nos EUA antes das eleições de meio de mandato de novembro.

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Diretor da CIA vai a Moscou em viagem não confirmada por EUA e Rússia

O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Moscou nesta terça-feira (25), segundo informações das emissoras americanas CBS News e do site Axios, replicadas pelo G1 e pela CNN Brasil. Até o momento, nem a Casa Branca nem o Kremlin confirmaram oficialmente a viagem, e a própria CIA se recusou a comentar o assunto.Segundo as reportagens, que citam fontes não identificadas, Ratcliffe participou de reuniões com autoridades russas, mas os veículos não informaram com quem ele se encontrou nem qual foi a pauta das conversas. Um avião militar americano decolou da Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington, no domingo, fez escala em Riga, capital da Letônia, e na manhã de terça-feira seguiu para o Aeroporto de Vnukovo, em Moscou, de acordo com dados do site de monitoramento de voos Flightradar24. A mesma aeronave deixou a capital russa no início da noite de terça.Questionado durante sua coletiva diária, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu que "não tinha essa informação" sobre a visita. Ele também havia afirmado anteriormente que nenhuma reunião com representantes da administração americana estava prevista no Kremlin para aquela semana.Caso confirmada, seria a primeira visita conhecida de Ratcliffe à Rússia desde que assumiu o cargo em 2025, e a primeira ida de um diretor da CIA à capital russa desde que William Burns, antecessor de Ratcliffe, se reuniu com o presidente Vladimir Putin em novembro de 2021, cerca de três meses antes de o Kremlin ordenar a invasão da Ucrânia.Possíveis motivosEntre os temas prováveis das discussões estão o conflito na Ucrânia e as tensões com o Irã, em um momento em que Washington tenta mobilizar potências estrangeiras para apoiar sua pressão econômica sobre Teerã. A visita ocorreu um dia depois de o governo de Donald Trump ameaçar impor sanções a qualquer país que mantivesse relações comerciais com o Irã. A troca de prisioneiros também é apontada como possível pauta, já que Washington segue cobrando a libertação de cidadãos americanos detidos em território russo.Segundo o jornal britânico Financial Times, os Estados Unidos teriam obtido da Ucrânia a garantia de que seus drones não atacariam Moscou nem outras áreas no início da semana, para permitir a viagem de uma alta autoridade americana. As forças ucranianas intensificaram recentemente seus ataques em território russo, inclusive longe da linha de frente, em resposta à ofensiva em larga escala lançada pela Rússia em fevereiro de 2022. Trump chegou a prometer encerrar a guerra na Ucrânia em 24 horas após assumir o mandato, mas as negociações de paz seguem em impasse.

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international

Brasil e EUA retomam negociações sobre o tarifaço em reunião na segunda-feira

O Brasil e os Estados Unidos retomam na próxima segunda-feira (31) as negociações técnicas sobre o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, farão uma reunião virtual às 14h30, no horário de Brasília. O encontro foi confirmado pelo ministério, segundo reportagens da Carta Capital e da Agência Brasil.A retomada foi acertada após o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na sexta-feira (21). A ligação durou cerca de uma hora e vinte minutos e, segundo o Palácio do Planalto, teve tom cordial. Lula defendeu a reabertura das negociações, afirmou que as justificativas americanas para as tarifas são infundadas e argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países. Trump concordou com a necessidade de preservar a relação comercial e indicou que as equipes técnicas voltariam a conversar.De acordo com a Carta Capital, o primeiro objetivo do governo brasileiro será ampliar a lista de produtos isentos das tarifas adicionais. Só em uma segunda etapa o Brasil pretende discutir a reversão completa das medidas. Desde o anúncio das cobranças, o governo contabiliza mais de 30 contatos com autoridades americanas em diferentes níveis.O que está em jogoOs Estados Unidos aplicaram neste ano duas rodadas de sobretaxas contra produtos brasileiros. Em julho, o escritório do representante comercial americano impôs tarifa adicional de 25% sobre itens como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos e máquinas, após uma investigação que apontou práticas brasileiras supostamente prejudiciais ao comércio bilateral, incluindo temas como o Pix e a regulação de plataformas digitais. Na sequência, uma segunda sobretaxa, de 12,5%, atingiu outros produtos, sob a alegação de que o Brasil não adotaria mecanismos eficazes contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Somadas, as cobranças elevam a tarifa de alguns itens a 37,5%.Nem todos os produtos são alcançados. Petróleo, café e carne bovina estão entre os itens livres das taxas adicionais. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento citado pela Agência Brasil, as tarifas em vigor desde o fim de julho atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado americano.Em paralelo à negociação direta, o Brasil já apresentou pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas são inconsistentes com as regras da entidade, e os Estados Unidos aceitaram participar do processo. O governo brasileiro também anunciou a abertura de um processo de reciprocidade econômica e reforça que, na relação comercial entre os dois países, os Estados Unidos são superavitários, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram.

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Sports

Investigados do Fifagate fecham acordo com a Justiça dos EUA

Os argentinos Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, pai e filho investigados no caso conhecido como Fifagate, firmaram um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar acusações de suborno apresentadas contra eles há mais de uma década. A informação é de reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (25), com base em reportagem do jornal The New York Times. Os dois devem comparecer na quinta-feira (27) a um tribunal federal do Brooklyn, em Nova York, para informar a um juiz que assinaram um acordo de suspensão condicional do processo, negociado ao longo dos últimos meses, segundo os promotores. Os termos não foram divulgados nesta terça, mas acertos desse tipo normalmente permitem que as acusações criminais sejam retiradas caso os réus cumpram determinadas condições. De acordo com uma carta dos procuradores federais do Brooklyn protocolada no tribunal, pai e filho devem ser libertados sob fiança na quinta-feira. O que os réus admitiram Como parte do acordo, Hugo e Mariano Jinkis concordaram em admitir que pagaram "dezenas de milhões de dólares em propinas comerciais" a dirigentes de organizações sul-americanas de futebol em troca de direitos de transmissão televisiva e de patrocínio de torneios lucrativos, escreveram os promotores. Segundo eles, os pagamentos começaram na década de 1990 e se estenderam até 2015, quando os dois foram indiciados na investigação do Departamento de Justiça sobre corrupção na Fifa. Diferentemente de muitos outros réus do caso, os Jinkis conseguiram evitar a extradição e permaneceram foragidos na Argentina. Em maio, o The New York Times informou que os dois haviam viajado a Nova York para negociações sigilosas com promotores federais sobre um acordo judicial. Os advogados da dupla não responderam de imediato aos pedidos de comentário. Até o momento, o governo federal americano obteve mais de duas dezenas de condenações na investigação, que se arrasta há anos. Vários réus cumpriram pena de prisão e muitos outros concordaram em cooperar e pagar multas elevadas, além de passar anos atuando como testemunhas em julgamentos. Os Jinkis, por outro lado, dificilmente cumprirão pena sob o acordo, aponta a reportagem. Na prática, o entendimento deve encerrar uma das últimas frentes criminais abertas no caso que expôs um esquema de propina no topo do futebol mundial, justamente enquanto os Estados Unidos se preparam para sediar a Copa do Mundo.

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Governo Trump suspende entrevistas para vistos de imigrantes em todo o mundo

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu temporariamente o agendamento de entrevistas para vistos de imigração em embaixadas e consulados americanos ao redor do mundo, incluindo no Brasil. A confirmação foi feita nesta terça-feira (25), segundo reportagens do G1 e da CNN Brasil. Candidatos que já tinham entrevistas marcadas começaram a receber avisos de que os agendamentos seriam remarcados.A medida afeta apenas os vistos de imigrantes, destinados a quem pretende se estabelecer de forma permanente nos Estados Unidos. Os agendamentos para vistos de não-imigrantes, como os de turismo, continuam funcionando normalmente, segundo o G1.Um porta-voz do Departamento de Estado disse que a suspensão está ligada a um programa global de treinamento de funcionários consulares em todas as embaixadas e consulados americanos, e que os agendamentos de vistos serão ajustados para acomodar essa capacitação. O órgão não informou por quanto tempo a mudança deve durar. Segundo o governo americano, o objetivo é preparar os funcionários para avaliar os candidatos de forma 'abrangente e consistente' e identificar pessoas que possam se tornar dependentes de benefícios públicos nos Estados Unidos.O jornal Financial Times, citado tanto pelo G1 quanto pela CNN Brasil, informou que candidatos a vistos de imigrantes com entrevistas já marcadas receberam e-mails avisando sobre o adiamento, sem data definida para uma nova marcação.Ofensiva migratória mais amplaA suspensão ocorre em meio à ofensiva migratória do governo de Donald Trump, que tem endurecido regras tanto para imigrantes em situação irregular quanto para estrangeiros que buscam entrar ou permanecer legalmente no país. Segundo a CNN Brasil, a política inclui deportações, cancelamento de vistos e green cards, e rejeição de pedidos por motivos como posições políticas e participação em protestos pró-Palestina contra a ofensiva de Israel em Gaza. Trump afirma que as medidas reforçam a segurança interna dos Estados Unidos.A ofensiva já enfrentou reveses na Justiça. Segundo o G1, um juiz federal derrubou na semana passada uma política do governo que suspendia a emissão de vistos de imigrantes para candidatos de 75 países, sob o argumento de que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia ultrapassado sua autoridade legal ao implementar a medida. A CNN Brasil acrescenta que grupos de direitos humanos classificam a política migratória de Trump como discriminatória e contrária ao devido processo legal, e organizações de defesa civil apontam um ambiente de insegurança para minorias étnicas nos Estados Unidos.

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Economy

Canadá anuncia retaliação de US$ 20 bilhões em tarifas contra os EUA

O governo do Canadá anunciou nesta terça-feira (25) uma nova rodada de tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, com alíquotas de 15%, 25% e 50% sobre cerca de 700 produtos americanos. As medidas, avaliadas em C$ 27,6 bilhões (cerca de US$ 20 bilhões, ou R$ 102,8 bilhões), entram em vigor em 8 de setembro e respondem às tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, em vigor desde sábado (22), segundo o G1. De acordo com um funcionário do governo canadense ouvido pela agência Reuters, as alíquotas mais altas, de 50%, incidirão sobre aço, alumínio, móveis e vestuário. Queijos, eletrodomésticos e parte dos frutos do mar importados dos EUA serão taxados em 25%, enquanto eletrônicos e ferramentas terão tarifa de 15%. Segundo o governo, a lista foi desenhada para pressionar os Estados Unidos com impacto limitado sobre consumidores e empresas do próprio país. O ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, afirmou que "o valor dólar por dólar das contratarifas, assim como um pacote de apoio de vários bilhões de dólares, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas". O pacote citado soma C$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 27,9 bilhões) em recursos para pequenas e médias empresas, financiamento de fluxo de caixa e auxílio a trabalhadores afetados pelas tarifas. Em entrevista à BBC Brasil, o ministro de Inteligência Artificial e Inovação Digital, Evan Solomon, adotou tom firme: "Estamos prontos para fazer um bom acordo, mas não vamos aceitar um acordo ruim. Não vamos ceder, não vamos recuar, vamos construir." Escalada após fracasso das negociações A retaliação foi anunciada após o colapso das negociações comerciais entre os dois países. Na segunda-feira (24), Trump elevou a pressão ao anunciar tarifas de 50% sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá, com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027. Para sustentar as novas sobretaxas, o presidente americano recorreu à Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, mecanismo que nunca havia sido usado por um presidente dos EUA para impor tarifas, segundo o The New York Times. Especialistas em comércio avaliam que o uso inédito da norma pode ser contestado nos tribunais. Apesar do tom firme, o governo canadense deixou de fora da retaliação, por ora, setores estratégicos para a economia americana, como energia e potássio, informou a BBC Brasil. No sábado (22), o primeiro-ministro Mark Carney lembrou que o Canadá responde pela maioria das importações americanas de gás natural e eletricidade e por cerca de 60% do petróleo bruto importado pelos EUA. O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que uma sobretaxa sobre as exportações de energia "está sendo considerada" e declarou: "O presidente Trump nos subestima, e esse é seu maior erro." A disputa comercial entre os dois países começou no início de 2025, quando Trump impôs tarifas de 25% sobre a maior parte das importações canadenses e de 10% sobre produtos de energia, sob a justificativa de combater o fluxo de drogas e a imigração ilegal. O Canadá respondeu na época com tarifas de 25% sobre cerca de C$ 30 bilhões em produtos americanos e depois ampliou a retaliação. Hoje, o país vende cerca de 70% de suas exportações aos Estados Unidos e é o principal cliente de 26 estados americanos, incluindo Maine, Michigan e Wisconsin. Segundo estimativa do economista Trevor Tombe citada pelo G1, a manutenção das tarifas americanas de 50% pode colocar mais de 87 mil empregos em risco no Canadá.

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Lito Sousa apela por tratamento experimental; piloto desenha 'Lito' no céu dos EUA

O influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas no YouTube, fez no domingo (23) sua primeira aparição pública desde que a esposa revelou o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Em vídeo publicado no Instagram, o ex-mecânico de aviação pediu uma vaga em estudos experimentais sobre a doença, uma condição neurodegenerativa rara, de avanço rápido e sem cura conhecida. A mobilização em torno do caso tomou as redes sociais e chegou ao céu dos Estados Unidos: na noite de segunda-feira (24), um piloto brasileiro desenhou a palavra "Lito" com a rota de um avião sobre o Texas.Gravado em inglês, o apelo foi endereçado à farmacêutica Ionis Pharmaceuticals, ao Broad Institute, à Universidade Harvard e à Mayo Clinic. "Este é um apelo urgente", diz Lito no início da gravação, segundo a BBC News Brasil. Em seguida, o especialista em comunicação internacional Ewandro Magalhães assume a fala e resume o quadro: a DCJ é uma doença de avanço rápido e majoritariamente fatal, para a qual ainda não existe um protocolo de tratamento padrão. O vídeo pede que quem o assistir o compartilhe e marque as instituições citadas: "Cada minuto importa."Segundo Mila Seidl, esposa do influenciador, o estado de saúde de Lito piorou rapidamente e ele teria perdido parte da visão de um dia para o outro. A família vê duas pesquisas como as apostas mais promissoras: uma ligada à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e um estudo multicêntrico com centros na França, na Alemanha e na Inglaterra, que estaria em fase mais avançada, segundo ela. O ensaio clínico com o medicamento experimental ION717, desenvolvido pela Ionis, também é um dos alvos da mobilização. No momento, porém, nenhum dos dois estudos aceita novos participantes, e Mila afirma já ter procurado os responsáveis por ambos para tentar uma exceção aos critérios de inclusão. "Eu tenho 0% de chance, mas se eu tiver 1% de chance em qualquer lugar, a gente quer esse 1%", disse ela no vídeo.Nome desenhado no céu do TexasA corrente de apoio teve um capítulo inusitado na noite de segunda-feira. A bordo de um Cessna 150M, o piloto brasileiro Enderson Rafael voou por pouco mais de três horas na região de Dallas, no Texas, traçando no céu o nome do amigo, segundo o G1 e o Estadão. Pelo relato do piloto, o desenho teve cerca de 80 quilômetros de comprimento e 30 de altura, "maior que SP". A rota, registrada pelo site FlightRadar24, chegou a figurar entre os voos mais monitorados do mundo na plataforma.Rafael contou ter sido um dos primeiros passageiros de Lito quando o influenciador passou a voar aeronaves Cirrus, em São José dos Campos, no interior paulista. "Hoje é a minha maneira de prestar uma homenagem a esse grande nome da aviação e um grande amigo também", disse o piloto em vídeo publicado após o pouso.O que é a doença de Creutzfeldt-JakobA DCJ é causada por uma alteração na proteína príon, presente normalmente no organismo sem causar dano. Em situações raras, essa proteína muda de formato e "contamina" proteínas saudáveis ao redor, espalhando a degeneração pelo cérebro, explicou à BBC Cristiano Aguzzoli, pesquisador do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer). A incidência estimada é de apenas 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano. Em geral, os primeiros sinais são alterações cognitivas rapidamente progressivas, seguidas de sintomas motores. Segundo o neurologista Felipe Schmidt, do HUPE/Uerj, o caso de Lito tem uma particularidade: a doença se manifestou primeiro por sintomas motores, com a lucidez mantida, um padrão diferente do mais comum.Não existe cura nem terapia capaz de interromper a progressão. O cuidado se concentra no controle dos sintomas e no conforto do paciente, como tratar a dor e os movimentos involuntários, afirmou Schmidt ao G1. Aguzzoli lembrou que há estudos clínicos testando medicamentos capazes de reduzir a produção da proteína príon, a mesma lógica do ION717, mas alertou que a evolução rápida da doença, a baixa incidência e a ausência de biomarcadores precoces dificultam o desenvolvimento de um tratamento eficaz. Em geral, passam-se cerca de seis meses entre o início dos sintomas e os estágios mais graves, segundo a BBC.

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EUA preparam revogação de até 200 mil vistos de estrangeiros que pediram asilo

O governo de Donald Trump se prepara para revogar os vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que solicitaram ou estão em processo de pedido de asilo nos Estados Unidos. A informação é de documentos obtidos pela Associated Press e de dois funcionários do governo americano, segundo reportagem do G1 publicada nesta segunda-feira (24). Se a medida for adotada, será a maior revogação coletiva de vistos da história do país e deverá enfrentar contestações na Justiça.O Departamento de Estado deve anunciar nas próximas semanas a revogação dos chamados vistos B1 e B2 emitidos entre 2016 e 2026. O B1 é concedido normalmente para viagens de negócios, e o B2, para turismo, visitas familiares ou tratamento médico. A ação será realizada em coordenação com o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês)."Estamos trabalhando com o DHS para identificar e revogar os vistos de não imigrantes de estrangeiros que entraram nos Estados Unidos dizendo que seriam visitantes de curta duração, mas depois solicitaram asilo para permanecer no país de forma permanente", disse Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado. Ele não informou quantos vistos poderão ser revogados e afirmou que o número ainda pode mudar, já que o processo será feito de forma gradual.De acordo com os funcionários ouvidos pela AP, que falaram sob condição de anonimato porque as revogações ainda não foram finalizadas, a perda do visto não significa deportação imediata. A maioria das pessoas com pedidos de asilo em andamento deverá ter o status migratório alterado, mas perderá a condição de visitante de negócios ou turismo. Os documentos não esclarecem quantos dos atuais titulares de vistos B1 e B2 serão afetados. Quem solicita esses vistos precisa declarar que não pretende pedir asilo nos Estados Unidos e demonstrar que planeja retornar ao país de origem.Endurecimento migratórioNesta segunda-feira, o vice-secretário de Estado Christopher Landau criticou, em publicação no X, pessoas que usam vistos de turismo ou negócios para entrar nos Estados Unidos e depois pedem asilo. "Há pessoas nos EUA e em todo o mundo cansadas de pedidos de asilo fraudulentos. O asilo não deveria ser uma brecha para contornar as leis de imigração", escreveu Landau, que citou o caso de um cidadão colombiano que entrou no país em 2015 com visto de turismo e depois solicitou asilo.Desde o início do segundo mandato de Trump, o governo americano ampliou as restrições à concessão de vistos, com a exigência de mais informações sobre o histórico dos solicitantes nas redes sociais, a cobrança de depósitos elevados e a suspensão da emissão para cidadãos de determinados países. Nos últimos 18 meses, o Departamento de Estado revogou cerca de 175 mil vistos de pessoas condenadas ou acusadas de crimes e de estrangeiros que fizeram declarações públicas contra políticas dos Estados Unidos. O governo também intensificou as ações contra o chamado "turismo de nascimento", e as tentativas de Trump de acabar com a cidadania por nascimento foram barradas pela Justiça, inclusive pela Suprema Corte.

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