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Brasil e EUA marcam reunião presencial em Milwaukee para negociar tarifaço

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BAPor Beatriz Antunes•14 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, O Globo, G1

Brasil e Estados Unidos vão sentar à mesma mesa para negociar as tarifas impostas por Washington aos produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial americano Jamieson Greer, que chefia o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), vão se reunir presencialmente entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, às margens de um encontro de ministros de Indústria e Comércio do G20, o grupo que reúne as maiores economias do mundo. A informação foi confirmada pelo próprio ministro, segundo o G1, e o chanceler Mauro Vieira também vai participar.

Será o primeiro encontro presencial entre os dois países desde a retomada das negociações sobre o tarifaço, iniciada por videoconferência no fim de agosto. Não há acordo fechado, e as equipes técnicas seguem "trocando documentos e encaminhando essa próxima reunião", nas palavras do ministro.

"O ministro Mauro Vieira e eu iremos para Milwaukee e lá nós teremos um encontro muito provavelmente com o embaixador Greer, do USTR"

Para o Brasil, a pauta em jogo é ampla. Segundo o G1, a sobretaxa geral de 25% incide sobre bens industriais, agrícolas processados e manufaturados, e atinge principalmente etanol, máquinas agrícolas e industriais, calçados e vestuário, equipamentos de mineração e maquinário elétrico. Setores específicos da siderurgia e de metais básicos pagam 50%, e produtos que já tinham sobretaxas parciais podem chegar a 37,5%. Uma lista extensa ficou fora da taxa, com alíquota zero: carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo bruto e gás natural, aeronaves da Embraer, celulose, semicondutores e medicamentos.

O que cada lado quer

Os interesses são assimétricos. Washington impôs as tarifas após um processo formal do USTR que concluiu existirem práticas comerciais e regulatórias desleais do lado brasileiro, com uma lista de reclamações: barreiras à entrada do etanol americano, questionamentos sobre o sistema de pagamentos Pix, decisões judiciais contra plataformas de redes sociais e debates sobre tributação digital, além de demandas ligadas ao combate ao desmatamento ilegal, à corrupção e à propriedade intelectual. Brasília quer reduzir as alíquotas e devolver previsibilidade aos exportadores.

Do atrito à mesa de negociação

O reencontro é o capítulo mais recente de uma relação que chegou a se deteriorar. Segundo a CNN Brasil, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, e o Brasil negou vistos a diplomatas americanos. A reaproximação começou com um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump em 21 de agosto, que abriu caminho para o retorno dos times técnicos, e ganhará outro palco na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, com a presença esperada dos dois presidentes. O O Globo também noticiou que os dois governos preparam uma nova rodada de negociação para o fim de setembro.

Durante a semana do G20 em Milwaukee, o Brasil fará reuniões bilaterais com quase todos os participantes do grupo. A prioridade, disse o ministro, está definida: entre todas as agendas, "a reunião que nós queremos realizar, de negociação, é essa".

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