Desde que os Estados Unidos ampliaram tarifas sobre parceiros comerciais ao longo de 2026, países como Canadá, México e Brasil vêm negociando, caso a caso, formas de reduzir o impacto das sobretaxas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) se tornou o principal canal dessas tratativas bilaterais, e cada país tenta extrair concessões diferentes conforme o peso de seus produtos na pauta de exportação para o mercado americano.
Nesse cenário, o Brasil confirmou um novo passo. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, vai se reunir por videoconferência com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na próxima segunda-feira (31), às 14h30 no horário de Brasília. A informação foi confirmada pelo MDIC e reportada pelo Jornal GGN e pelo Correio Braziliense.
Para o governo brasileiro, o encontro reabre um canal que estava travado desde tentativas anteriores de negociação que não avançaram. Segundo Elias Rosa, a reunião foi marcada após troca de mensagens com Greer e representa o primeiro passo de uma nova agenda de negociações técnicas entre os dois países. O objetivo inicial de Brasília é ampliar a lista de produtos isentos das tarifas americanas, que hoje chegam a 37,5% sobre uma série de exportações brasileiras, segundo o Jornal GGN. Numa etapa posterior, o governo pretende negociar a reversão das medidas.
Mais de 30 contatos desde o anúncio das tarifas
O governo brasileiro afirma ter feito mais de 30 contatos com autoridades americanas, incluindo representantes da área comercial, desde que as tarifas foram anunciadas. A retomada do diálogo ocorreu depois de uma ligação telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na semana passada, que durou cerca de 1h20 e teve as tarifas como principal assunto, segundo o Jornal GGN.
O tema também atravessa outro front da relação bilateral: a carne bovina. Trump afirmou nesta quarta-feira (26), em entrevista ao apresentador Glenn Beck, que vai avaliar regras do setor de processamento de carne nos Estados Unidos, hoje concentrado em quatro empresas, entre elas a JBS USA e a National Beef, controladas pelos grupos brasileiros JBS e MBRF, segundo o G1. A carne bovina não está hoje entre os produtos sujeitos à tarifa de 25%, mas o episódio mostra como os interesses comerciais dos dois países se cruzam além da mesa formal de negociação.
Não há, até o momento, data prevista para a conclusão das negociações. Segundo o MDIC, a reunião de segunda-feira marca apenas a retomada formal do diálogo técnico entre Brasília e Washington, sem garantia de resultado imediato sobre a redução das tarifas.