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Chefe da CIA fez viagem secreta a Moscou para alertar contra ataques à Otan, dizem fontes

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BAPor Beatriz Antunes•29 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, VEJA, O GLOBO

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, fez uma viagem secreta a Moscou na terça-feira (25) para advertir o Kremlin contra qualquer ataque a países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal na quarta-feira (26), com base em fontes não identificadas, e repercutiu na imprensa brasileira. O Kremlin rejeitou as informações, classificando-as como "histórias alarmistas".

Segundo a Folha de S.Paulo, Ratcliffe passou cerca de nove horas na capital russa, em um voo feito em cargueiro militar, com itinerário não divulgado, e a confirmação da visita só ocorreu no dia seguinte. Na agenda, uma reunião com seu equivalente russo, Serguei Narichkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR). De acordo com a VEJA, foi a primeira visita de um chefe da CIA à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, o que dá peso ao deslocamento, ainda que os dois governos tentem minimizá-lo em público.

Para o Brasil, o episódio importa por dois motivos concretos. O primeiro é econômico: uma escalada entre Rússia e Otan pressionaria os mercados de grãos e de fertilizantes, do qual a Rússia é um dos principais fornecedores do agronegócio brasileiro. O segundo é diplomático: o Itamaraty mantém posição de neutralidade na Guerra da Ucrânia e defende negociação, e qualquer choque direto entre Moscou e a aliança ocidental reduziria ainda mais o espaço para essa postura intermediária.

O que cada lado quer

Do lado americano, a viagem foi motivada por avaliações de inteligência de que Vladimir Putin poderia "testar" a aliança, medindo até onde os países da Otan reagiriam a uma agressão. O temor se concentra nos países bálticos, Estônia, Letônia e Lituânia, membros mais expostos do bloco. Segundo a VEJA, Ratcliffe também pressionou Moscou a reduzir o apoio militar e econômico ao Irã, pedindo o fim do fornecimento de armas e tecnologia de defesa a Teerã e que o Kremlin não reaja de forma desproporcional caso seja atingido por sanções americanas ligadas à república islâmica. O presidente Donald Trump, porém, minimizou o deslocamento, chamou a viagem de "semirrotina" e afirmou que Putin "não vai atacar a Otan", conforme relatos do G1 e de O GLOBO.

A Rússia, por sua vez, nega qualquer plano de ataque e usa a palavra "alarmismo" para descrever a reportagem, postura que preserva a ambiguidade estratégica que Moscou cultiva desde 2022. Já os países bálticos, que reportam com frequência temores desse tipo, saem fortalecidos ao ver Washington tratar do risco no mais alto nível da espionagem.

Há divergência sobre o tom do encontro. A Folha ouviu uma pessoa com conhecimento do assunto em Moscou segundo a qual os dois chefes de espionagem trocaram impressões e advertências, mas em tom mais ameno do que o sugerido pelo The Wall Street Journal. O jornal paulistano também contextualiza a preocupação americana: o impasse na Guerra da Ucrânia, os ataques de Kiev que geraram crise de combustíveis e logística dentro da Rússia e o desgaste americano decorrente do confronto com o Irã criariam, na leitura de Washington, uma janela de risco. Canal direto entre CIA e SVR é uma das poucas linhas de comunicação ainda abertas entre as duas potências, e a viagem sugere que, longe dos holofotes, a dissuasão segue sendo feita em silêncio.

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