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Irã diz ter atacado 2 navios dos EUA e 8 petroleiros em nova rodada no Golfo Pérsico

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BAPor Beatriz Antunes•9 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, AP News, G1, Al Jazeera

O Irã afirmou nesta quarta-feira (9) ter atacado 10 embarcações no Golfo Pérsico, incluindo dois navios americanos e oito petroleiros. O comunicado do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, reportado pelo g1, apresenta a ofensiva como resposta à destruição de cinco petroleiros iranianos pelos Estados Unidos na véspera. O grupo disse ter atingido navios que tentavam cruzar uma área que chamou de "proibida e insegura" do Estreito de Ormuz, o corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo em tempos de paz.

Horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgou vídeos de petroleiros iranianos naufragando no Golfo de Omã. Segundo os americanos, quatro embarcações foram atingidas ali, entre elas o M/T Riesco, acusado de integrar uma rede clandestina de transporte de petróleo ligada à Guarda Revolucionária, e a quinta, o M/T Derya, foi atacada perto da ilha de Kharg. As tripulações teriam recebido ordem de abandonar os navios antes dos ataques, que Washington descreveu como represália a duas tentativas fracassadas de atingir um navio de guerra americano com mísseis balísticos nos dois dias anteriores. Em visita à Colômbia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, avisou:

"O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, sempre que o fizer ou tentar fazê-lo, perderá navios-tanque. Acredito que vocês verão isso acontecer novamente hoje."

Para o Brasil, o efeito mais imediato da escalada está no preço do barril. O Brent, referência global que orienta os preços de combustíveis no país, girava em torno de US$ 97 na segunda-feira (7), alta de 9% em cinco dias e de 19% em um mês, segundo a Al Jazeera. "Os déficits de oferta no mundo persistem e há pouco fim à vista para essas faltas", avaliou Rachel Ziemba, do centro de estudos Center for a New American Security. Barril mais caro encarece o diesel importado e pressiona combustíveis e inflação em ano de eleição presidencial. Há também a via diplomática: Irã e Brasil integram o Brics, e uma análise publicada pela Al Jazeera sugere que a cúpula do bloco pode ser o único espaço para reconstruir um cessar-fogo, o que colocaria Brasília em posição de intermediária.

Os interesses em disputa

Teerã diz ter respondido ao afundamento com mísseis contra a base aérea Muwaffaq Salti, em Al Azraq, na Jordânia, e contra dois destróieres americanos. O exército jordaniano afirmou ter interceptado 18 dos 20 mísseis; os dois restantes caíram em áreas desabitadas e não houve vítimas, segundo a CNN Brasil. A Guarda Revolucionária também advertiu tripulações de petroleiros atracados perto de portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam forças americanas, a abandonar as embarcações. No campo econômico, o governo Trump sancionou 27 companhias aéreas iranianas e nove prestadores de serviço ligados à Mahan Air, acusada de apoiar a Guarda.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, segundo a Al Jazeera. Um memorando de 60 dias assinado em 17 de junho em Genebra suspendeu as hostilidades e ruiu em agosto, por disputas sobre quem controla o estreito: os americanos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos, e Teerã exige que os navios sigam rotas autorizadas pela Guarda Revolucionária. O secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, anunciou uma "zona restrita" a partir da linha do bloqueio americano. "Só nos comprometeremos com o Estreito de Ormuz aberto quando eles pararem com a sabotagem, as ameaças e os ataques ao Irã", disse ele, segundo a mídia estatal iraniana.

Ao redor do Golfo, os interesses puxam para lados diferentes. O Catar defende a reabertura incondicional do estreito; o Kuwait e o Bahrein recebem forças americanas e agora figuram nas ameaças iranianas; a Omã negocia com a Organização Marítima Internacional um corredor alternativo; e a China reduz a exposição com reservas estratégicas e compras à Rússia, que supriria quase metade de suas necessidades diárias, segundo analistas ouvidos pela Al Jazeera. O tráfego já caiu a uma média de 10 navios de mercadorias por dia nos últimos dez dias, de acordo com a plataforma de dados Kpler; antes da guerra, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passavam pelo estreito todos os dias. Com Rubio prometendo mais petroleiros destruídos e Rezaei condicionando a reabertura ao fim dos ataques, a rodada de quarta não deve ser a última.

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