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EUA desviam US$ 52 milhões de verba militar para Panamá, Peru, Equador e Colômbia

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos notificou o Congresso americano na última terça-feira (15) sobre um plano de redirecionar US$ 52 milhões (cerca de R$ 267 milhões) em assistência militar. Os recursos serão retirados da Tunísia e do Iraque, no Oriente Médio, e da Eslováquia e da Macedônia do Norte, dois membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e repassados a Panamá, Peru, Equador e Colômbia.

Um funcionário do Departamento de Estado citado pela Folha de S.Paulo disse que o dinheiro será aplicado em equipamentos, treinamento e assistência técnica para combater o que Washington chama de narcoterrorismo. O departamento afirmou que a verba servirá para "combater o narcoterrorismo em nosso próprio quintal e ajudar a continuar garantindo a segurança do Canal do Panamá", sobre o qual o presidente Donald Trump demonstrou interesse em exercer controle no início do segundo mandato. "Esses recursos impedirão que adversários estabeleçam posições estratégicas em nosso hemisfério", acrescentou, em crítica velada à China, que nas últimas duas décadas se tornou o principal parceiro comercial de vários países da região, segundo o El País.

O anúncio veio uma semana depois da viagem do secretário de Estado, Marco Rubio, a Colômbia, Equador e Peru, com promessas de apoio contra a imigração ilegal e o tráfico de drogas. E, para o Brasil, o recado está na lista de beneficiados. Ela reúne governos conservadores alinhados a Trump, como o da Colômbia, do presidente Abelardo de la Espriella, e o do Peru, da presidente Keiko Fujimori, eleitos recentemente, e não inclui o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a Folha, a medida é uma síntese das prioridades internacionais dos EUA sob Trump: verba para nações presididas por aliados, retirada de países da Europa e do Oriente Médio.

Escudo das Américas e Doutrina Monroe

Segundo o El País, os quatro países beneficiados concordaram em integrar o arcabouço operacional do Escudo das Américas, aliança de governos conservadores com a qual a Casa Branca pretende combater o crime organizado e o narcotráfico, inclusive com operações militares conjuntas em seus territórios, como a realizada com forças equatorianas na última primavera boreal. A Folha liga o remanejamento à política de "América para os americanos" descrita na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada no ano passado:

"Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental."

O valor é modesto diante do programa do qual sai o dinheiro. O Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), que entrega verba de contribuintes americanos para países comprarem equipamento de fabricantes de defesa dos EUA, recebeu US$ 6,16 bilhões em 2026, segundo a Folha. O Departamento de Estado observou que, na última década, cerca de 80% dos recursos do FMF foram destinados ao Oriente Médio. Ainda não está definido quanto cada país latino-americano receberá, e a transferência não zera o financiamento de Tunísia, Iraque, Eslováquia e Macedônia do Norte.

A decisão se soma a uma série de passos da Casa Branca para reduzir a presença militar na Europa, na leitura do El País: congelamento do deslocamento de mísseis Tomahawk para a Alemanha, retirada de 5 mil soldados do país e recusa em disponibilizar aviões de reabastecimento e submarinos, em meio às críticas de Trump a aliados que não o apoiaram na guerra contra o Irã e, no entender dele, gastam pouco em defesa. O anúncio coincidiu com a cerimônia de apresentação de credenciais dos novos embaixadores do Equador e da Colômbia na Casa Branca.

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